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Malásia: querem proibir os cristãos de pronunciar a palavra “Allah”

Durante vários séculos, os cristãos malaios se referem a Deus como Allah, sem causar conflitos com os muçulmanos; agora, porém, estão sendo julgados nos tribunais

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Depois da polêmica ocorrida em 2014, na Malásia, sobre o uso da palavra “Allah”, conforme mostra a matéria Cristãos malaios são proibidos de usar a palavra “Deus”, no ano passado, a revistaCatholic Herald também teve um conflito com a justiça e também perdeu o direito de usar a palavra em suas reportagens. Ainda existem mais dois casos pendentes nos tribunais malaios, aguardando julgamento. O governo declara que a palavra “Allah” deve ser de uso exclusivo dos muçulmanos.

O primeiro caso foi iniciado pela Evangelical Church of Borneo (Igreja Evangélica de Bornéu), dirigida aos cristãos nativos do Leste da Malásia (Bornéu é uma grande ilha que se divide entre Malásia e Brunei), onde a maioria da população é cristã. O outro caso é o de Jill Ireland*, membro da Igreja Evangélica de Bornéu, que luta pelos seus direitos constitucionais como indivíduo.

“Durante vários séculos, os cristãos malaios se referem a Deus como Allah, sem causar conflitos com os muçulmanos”, declarou o National Evangelical Christian Fellowship of Malaysia (NECF – Associação Nacional Evangélica dos Cristãos da Malásia) em comunicado oficial à imprensa. “Além disso, as sugestões de que a palavra Allah fosse substituída por Tuhan, não é pertinente, pois Tuhan quer dizer Senhor, enquanto Allah quer dizer Deus Criador”, continua o comunicado. A audiência sobre o caso de Jill vai acontecer no dia 29 de setembro, data em que ele espera que os juízes sejam coerentes e julguem em favor da igreja. “Peço a Deus pelos meus advogados, para que sejam sábios e apresentem evidências convincentes para apoiar esses argumentos. Por favor, orem para que a justiça seja feita”, pede Jill e finaliza.

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https://www.portasabertas.org.br/noticias/2016/08/querem-proibir-os-cristaos-de-pronunciar-a-palavra-Allah

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A importância de (não) se chamar Omar

Iraquianos mudam de nome ao residir em área em que são minoria.

DUBAI — O jornal “Akhbar al Khaleej”, de Bahrein, publicou recentemente que cerca de 3 mil iraquianos chamados Ilamaban Omar haviam solicitado mudança de registro por temerem por suas vidas.

Se o nome herdado de seus pais é parte importante da identidade individual em qualquer parte do mundo, no Iraque ela pode determinar sua vida ou morte. Com base apenas no nome, é possível estabelecer muitas probabilidades da afiliação religiosa de uma pessoa.

Em um país cada vez mais seccionado por milícias de todas as linhas impondo suas próprias leis, não é conveniente estar do lado errado. Eis a angústia de três mil iraquianos Omar. Assim como Abu Bakr e Osman, o nome é predominantemente sunita. Os três correspondem aos primeiros califas do Islã, cuja legitimidade é questionada pelos xiitas.

É inconcebível que um xiita escolha qualquer deles para chamar seus filhos. Por isso, em um Iraque dominado por essa comunidade, atender pelo nome Omar chama atenção.

Da mesma forma, o governo precisou trocar a designação da operação de recuperação de Ramadi, porque a inicial fazia referência a Hussein, um ímã xiita, que soava como uma provocação aos sunitas locais. Desde a derrocada de Saddam Hussein, muitos iraquianos (muçulmanos, cristãos e de outras crenças) mudaram seus nomes quando tiveram que viver em uma área em que eram minoria, para evitar o assédio. O número de solicitações aumentou no último ano devido aos deslocados pelo Estado Islâmico, em maioria sunita, que se vêem obrigados a se refugiar em zonas xiitas.

Mas se, para eles, é um fenômeno recente, outras comunidades já sofrem há décadas. O recém falecido Tarek Aziz, que foi ministro de Saddam, se chamava, na verdade, Mikhail Yuhanna. Embora todos soubessem de sua crença cristã, na época do pan-arabismo lhe foi mais conveniente adotar um nome “mais árabe”. Não foi o único. Muitos curdos, turcomanos, yazidis, shabaks e kakais foram levados a “arabizar” seus nomes, para evitar a discriminação em seus trâmites administrativos e no trabalho.

http://oglobo.globo.com/mundo/a-importancia-de-nao-se-chamar-omar-16893795#ixzz3gzxJHSAy