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Quando Crucificarão a Hipocrisia Cristã?

No dia 07 de junho, a 19ª edição da Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) de São Paulo, conseguiu impactar as comunidades cristãs, pois, além do usual ataque a símbolos religiosos do cristianismo, apresentou um transexual seminu representando a crucificação de Jesus.

A ação causou revolta nas redes sociais e o imediato posicionamento de várias lideranças cristãs condenando a referida representação, tachada como “cristofóbica”. Por sua vez, o transexual, afirmou que seu objetivo seria “chamar a atenção para o sofrimento que passam os LGBTs de todo o país”.

E, na verdade, o “ator” do movimento LGBT conseguiu o seu intento com notável maestria, uma vez que, o tema vem sendo recorrente na mídia, alcançando destaque em diversos foros de discussão.

Alguns líderes políticos e religiosos despontaram com discursos acalorados, e em meio à revolta geral, eis que surge o termo “blasfêmia”, ou seja, o ”transexual sofredor” e o movimento LGBT teriam blasfemado dos símbolos religiosos de parte da comunidade cristã brasileira com aquela imagem perturbadora, e o referido comportamento seria inadmissível num país em que o ordenamento constitucional preserva a liberdade de culto e o respeito às religiões.

Será que os combativos ativistas homossexuais ficaram chocados com a acusação? É lógico que não tenho como saber, mas confesso que eu fiquei…

Fiquei chocada por lembrar que em todas as igrejas por onde passei objetivando criar uma conscientização quanto ao dever cristão de socorrer a “igreja perseguida” no mundo muçulmano, a maioria esmagadora dos cristãos desconhecia o sofrimento da cristã que é o símbolo internacional da luta contra a “lei da blasfêmia”, vigente em vários países islâmicos.

A cristã paquistanesa Asia Bibi está presa desde 2009 aguardando o julgamento de um recurso contra e pena de enforcamento, fundamentada na intolerância religiosa prescrita pela lei da blasfêmia, e os cristãos brasileiros se mobilizam aos milhares preocupados com a “blasfêmia transexual”! E a “blasfêmia transnacional” que mata milhares de cristãos pelo mundo em nome da fé? Como fica?

Os cristãos conhecem o “transexual caricatural da parada gay”, mas desconhecem a história da mulher cristã que precisa de apoio internacional para preservar sua vida justamente contra as artimanhas mortais da lei da blasfêmia!

Mas, se o problema é a “representação da cruz”, por que não consideramos “blasfemas” as imagens que assistimos desde 2011, de cristãos crucificados na Síria e no Iraque?

Porventura temos assistido a mobilização dos mesmos pastores e políticos discursando nos púlpitos de igrejas suntuosas, no parlamento ou nas “Marchas pra Jesus” sobre a “blasfêmia sanguinária” que ceifa a vida de seus irmãos de forma assustadora?

Ontem, um desses muitos “crentes politicamente corretos” afirmou que o martírio é uma “previsão profética”, numa tentativa medíocre de justificar a sua omissão. Pois bem, e se os familiares desses crentes estivessem na Síria? Será que eles estariam despreocupados “glorificando seus mártires” violados por estupros sistemáticos, torturas, crucificações, mutilações e tantas outras aberrações?

Que igreja é essa que se choca com a imagem do escárnio de um transexual numa cruz, mas não se compadece com as imagens horripilantes de cristãos massacrados?

É deprimente ver uma igreja que usa o Evangelho para promover uma agenda que se adapte à ”teologia da comodidade” visando não agir em prol dos necessitados de socorro!

Se essa igreja tivesse real compaixão, exigiria de suas lideranças o uso dos púlpitos e palanques para “defender o sangue inocente”, que vem sendo derramado ao ponto de haver o risco de extinção das comunidades cristãs no Iraque.

Onze cristãos são assassinados a cada hora e a cristandade brasileira do “país celeiro de missões” está se perturbando com um transexual na cruz. Isso sim, me causa assombro!

Por Andréa Fernandes

Uganda tem parada um ano após queda de lei que previa prisão perpétua de gays

Um ano após a revogação da lei que previa a prisão de perpétua de homossexuais, ativistas realizaram neste sábado uma parada gay em Uganda, na África.

Os participantes dançaram, cantaram e hastearam bandeiras de arco-íris, símbolo do movimento LGBT, em um espaço nos arredores da capital Kampala. O evento foi o ponto alto de uma semana de comemorações.

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Um dos presentes afirmou esperar que a parada representasse um “passo adiante” no país. Em Uganda, boa parte da população ainda se opõe aos direitos dos gays, e a homossexualidade ainda é motivo para prisão.

A legislação que permitia condenar pessoas a prisão perpétua por “homossexualidade agravada” e bania a “promoção da homossexualidade” foi anulada pela Suprema Corte do país no ano passado.

Participantes estendem faixa na parada gay de Uganda (Foto:  Isaac Kasamani/AFP/Getty)
Apesar da realização da parada, Uganda ainda prevê a prisão de homossexuais

“A parada é para mostrar a toda a sociedade que violência, discriminação e perseguição contra a comunidade LGBT é uma coisa ruim”, afirmou Moses Kimbugwe, um dos participantes.

“Nós estamos aqui para mostrar a todos que sim, nós existimos, e queremos os nossos direitos assim como todos os outros ugandenses”, completou.

Richard Lusimbo, um dos organizadores, afirmou à agência de notícias AFP que a parada “é uma celebração de quem somos”.

Durante a semana, foram realizados outros eventos, como o Dia da Consciência Transgênera e o concurso de beleza “Mr. and Miss Pride”.

Em visita recente ao continente, o presidente dos EUA, Barack Obama, falou em favor dos direitos dos gays. Alguns líderes africanos, porém, têm afirmado que a homossexualidade não faz parte da cultura local.

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150808_parada_uganda_ab