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A BBC apela à ONU devido “punição coletiva” de seus jornalistas pelo Irã

A BBC britânica informou nessa segunda-feira que apelou às Nações Unidas para proteger seus jornalistas no Irã depois de declarar que a perseguição e o assédio à imprensa pelas autoridades iranianas aumentaram em 2017.

“A BBC está tomando o passo sem precedentes de apelar para as Nações Unidas porque nossas próprias tentativas de persuadir as autoridades iranianas para que acabem com seu assédio foram completamente ignoradas”, disse o diretor-geral da BBC, Tony Hall, em um comunicado.

“Na verdade, nos últimos nove anos, a punição coletiva dos jornalistas do Serviço Persa da BBC e suas famílias piorou”.

O secretário estrangeiro da Grã-Bretanha, Boris Johnson, disse em dezembro que ele denunciou “o assédio oficial de jornalistas que trabalham para a BBC persa e suas famílias dentro do Irã” com seu homólogo iraniano Mohammad Javad Zarif quando visitou Teerã.

A emissora disse que jornalistas em Londres trabalhavam na BBC persa, parte do BBC World Service, e suas famílias no Irã foram alvo desde o lançamento da estação de TV via satélite em 2009.

O assédio aumentou no ano passado, quando as autoridades iranianas alegaram que o trabalho do serviço era um crime contra a segurança nacional do Irã e congelou os ativos de mais de 152 funcionários atuais e ex-persas da BBC, afirmou.

BBC persa disse na época que foi outro passo do Judiciário do Irã para silenciar jornalistas imparciais.

A BBC disse que outras medidas contra seus jornalistas incluíram a prisão e detenção arbitrária de membros da família no Irã, o confisco de passaportes e proibições de viagem impedindo que as pessoas saíssem do Irã e a propagação de notícias falsas e difamatórias dirigidas a pessoas, especialmente mulheres jornalistas.

O Irã acusou a BBC de incitar a agitação após a disputa da reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad em 2009 e disse que seus jornalistas transmitiram contra os interesses nacionais da República Islâmica.

No ano seguinte, proibiu os iranianos de entrarem em contato com dezenas de organizações estrangeiras, incluindo a BBC, que dizia estar tentando derrubar a teocracia islâmica.

A BBC disse que planejaria uma série de eventos em parceria com a Federação Internacional de Jornalistas nesta semana durante a 37ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra.

Com informações de Middle East MonitorMiddle East Monitor

 

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Os homossexuais de Alá

Por Rommel Werneck

Abandonados à própria sorte, denunciados muitas vezes por suas próprias famílias graças aos benefícios sociais e espirituais que o Islã pode oferecer aos denunciantes, atirados do alto dos prédios, duplamente perseguidos se seguirem a Cruz, vítimas do silêncio de seus irmãos no Ocidente, os homossexuais de Alá ainda são obrigados a ver a esquerda apoiar a islamização da Europa.

         Dentre os 194 membros da globalista ONU, 94 países se mostraram favoráveis ao plano de Direitos LGBT (2008), 54 países, em sua maioria islâmica, posicionaram-se contra o plano e os outros 46 membros, também em sua maioria de fé maometana, disseram não. Isso significa que, enquanto em 94 países questões extraordinárias como casamento e adoção são debatidas, no outro grupo a discussão de questões ordinárias como o sacrossanto direito de existir e de se assumir não possuem espaço. E no mundo islâmico o debate parece ser como esses indivíduos merecem morrer.

        Muitos contra-argumentarão que a sociedade cristã ocidental também perseguiu esses indivíduos. Sucede que apesar de a escravidão africana ser proibida por vários papas entre os séculos XV e XIX, malgrado Isabel de Castela e Frei Bartolomeu de Las Casas implorarem pela vida dos índios e mesmo o papa Alexandre II já em 1065 condenar as conversões forçadas, a realidade produzida pelos conquistadores luso-espanhóis foi completamente oposta. Sendo assim, adúlteras, judeus, gays e protestantes seguiam o caminho da humilhação. Portanto, é importante salientar que pelo menos as orientações originais do papa eram outras. E também convém salientar que pluralidade de ideias, liberdade religiosa e de expressão são conceitos relativamente novos, do século XVIII para cá. Não se pode olhar para o Rio de Janeiro de 1600, por exemplo, com olhares anacrônicos do século XXI.

     No entanto, escrevo sobre a perseguição aos gays no mundo islâmico porque em suas recomendações sagradas do Alcorão, em sua origem mesmo, humilhar, castigar e converter à força todo aquele que não vive segundo os preceitos da religião da paz constitui um dogma de fé. O muçulmano que não promover uma guerra santa não poderá ser categorizado neste credo, esta é a grande questão. A homossexualidade foi descriminalizada no Brasil ainda em 1830 e não estou falando aqui da perseguição islâmica no século XIX e sim no aqui e agora, na Eurábia de 2017.

     A legislação de alguns países muçulmanos não é muito clara. O Egito, por exemplo, não criminaliza a homossexualidade propriamente dita embora o ato possa ser categorizado como crime de imoralidade e prostituição. Kuwait prefere a hipocrisia tolerando os gays, mas prendendo se as relações forem descobertas. A adoção por casais homoafetivos inexiste porque a adoção é proibida para qualquer pessoa ou casal no Alcorão. No Afeganistão dá-se o nome de bacha bazi à prática de possuir meninos e usá-los como escravos sexuais. Muitos jogarão na minha cara que em Grécia e Roma a efebofilia era normal e até condenada biblicamente. Entretanto, novamente explico que é muita desonestidade intelectual comparar algo na Antiguidade com uma situação na atual década. E não me consta que os efebos dos filósofos estavam ali obrigados rezando o Alcorão já que o incontestável livro sagrado permite a escravidão de não muçulmanos. Irã obriga os homossexuais a passarem por cirurgia de troca de sexo mesmo que não intencionem isso ou não tenham problemas com sua identidade de gênero.

       Soma-se a isto a colaboração das esquerdas, globalistas e grandes covardes.  A esquerda tem defendido a cultura islâmica justificando que se trata de uma cultura local e oprimida pelos americanos imperialistas, o “filósofo” Michel Foucault apoiou a Revolução Iraniana. Muitos destes homens e mulheres se refugiam em Israel onde “cristãos, judeus e muçulmanos podem rezar sob o mesmo céu” (Brigitte Gabriel) e desfrutar dos benefícios e liberdade da sociedade moderna diferentemente da Palestina tão defendida pelos vermelhos.

        Nesta primeira semana de outubro foi noticiado que o governo egípcio pretende realizar exame anal com presos para detectar a homossexualidade. O que seria vergonhoso para cristãos, é glorioso para os islâmicos, afinal estão a serviço de Alá. Contudo não é a primeira vez que este procedimento é citado, o governo catarense já anunciou que pretende realizar estes exames com aval da FIFA por ocasião da compra da Copa de 2022.

À defesa dos homossexuais no mundo islâmico e acima de tudo, na Eurábia dá-se o nome de homonacionalismo. O primeiro-ministro gay neerlandês Pim Fortuyn não só alertava o perigo do Islã nos anos 90 como fortaleceu seu partido conservador no país tendo sido assassinado por motivações políticas. Scott Ryan Presler é um funcionário gay de 28 anos do Partido Republicano e membro do ACT (American Congress for Truth), a organização anti-islâmica americana fundada por B. Gabriel, além de ter feito a campanha de Trump no instagram. Paradas gays contra a sharia existem, todavia um evento de 2011 em Vancouver no Canadá foi impossibilitado de ser realizado em 2017. Todas as contribuições citadas neste parágrafo podem até ser vistas como islamofóbicas e preconceituosas enquanto zonas de sharia crescem na Europa perpetuando o “ódio de Orlando” por onde passam.

       O mundo islâmico é cruel para com todos os indivíduos, afinal alguns países sequer conheceram a divisão de poderes como a cultura ocidental e estão submersos ainda nas monarquias absolutas. Esses filhos de Deus precisam de orações e ajuda dos cristãos e direitistas, seus principais aliados e igualmente alvo de perseguições porque “eles [muçulmanos do mundo árabe] estão cegamente voltados a matar e destruir. E no nome de algo que eles chamam ‘Alá’, que é bem diferente do Deus que cremos porque nosso Deus é um Deus de amor.” (Brigitte Gabriel)

 

Irã nega existência de 7% de sua população

O último relatório de Teerã às Nações Unidas sobre suas minorias deixa completamente de mencionar a existência de cerca de cinco milhões de árabes Ahvazi.

Cinco milhões de iranianos simplesmente desapareceram. Isso se você acreditar no último relatório do país para a U.N. sobre seu trabalho com as minorias dentro do país. Os autores do relatório optaram por ignorar a existência de uma das maiores minorias, os cinco milhões de árabes Ahvazi.

A organização de direitos humanos do povo Ahvazi notou a omissão dos árabes de Ahvazi e, de fato, a falta de menção da existência de árabes no país.

Esta aparente negligência vem apesar do fato de a grande maioria dos Ahvazis ser xiita- que é a maior denominação religiosa na República Islâmica do Irã.

O relatório iraniano foi apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU na última semana de novembro.

“Isso enfatiza a política contínua do regime iraniano para tentar eliminar a identidade dos árabes na província de Ahvaz”, disse o líder dos direitos humanos Ahvazi, Karim Abbadiyan Bani Said.

A organização aponta para o fato de que após 600 anos chamando sua província de Arabistão, Teerã mudou o nome para Khuzestan.

“A província árabe produz cerca de 90% do petróleo iraniano, mas as pessoas vivem em extrema pobreza, disse Bani Sa’id.

http://www.clarionproject.org/news/iran-denies-existence-7-its-population

Lésbica conta como é viver com a namorada no Irã, onde ser gay é ilegal

Após o ataque que matou 49 pessoas em uma boate gay de Orlando, nos Estados Unidos, foram organizadas pelo mundo vigílias em solidariedade à comunidade de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros (LGBT).

No entanto, em 77 países ainda existem leis que punem, até com pena de morte, qualquer “conduta homossexual”.

Um deles é o Irã, onde alguém condenado por cometer um ato homossexual pode receber a pena capital. Lá, ser gay pode ser motivo de grande tensão nas relações familiares.

Sara* tem 23 anos e, há quatro, vive com sua namorada. Ela e sua mãe, com quem as duas moram, contaram à BBC as dificuldades que enfrentam em suas vidas.

O depoimento de Sara

“Tinha 11 ou 12 anos quando me apaixonei pela primeira vez por uma mulher. Contei para minha prima, que ficou horrorizada. Ela me chamou de hamjensbaaz: sapatão.
Na hora, não me dei conta que era um insulto, mas soube que, se contasse para mais alguém, fariam pouco de mim.

Uma vez disse à minha treinadora que sentia algo por ela, e ela me respondeu dizendo para ler o Alcorão.

Quando conheci minha companheira, Maryam*, há quatro anos, não estava certa de que era gay. Conversamos pela internet e, quando fomos a nosso primeiro encontro, conheci uma menina pequena e delicada. Fiquei fascinada com sua beleza e pensei: ‘Ela realmente será minha namorada?’.

Minha mãe escuta nossas conversas íntimas por telefone. Às vezes, pela manhã, checa nosso quarto, olha para as almofadas e diz: ‘Por que vocês duas dormem tão juntas?’. Sugere que a cama é muito pequena e que uma de nós deveria dormir em outro lugar. Também entra no quarto sem avisar e sempre verifica se a porta está aberta. Gostaria de pedir que parasse, e dizer que isso não compete a ela.

Minha mãe tem medo. Posso ser muito agressiva. Não machucaria ninguém, mas se estou sob muita pressão, estouro. Já aconteceu antes e saí de casa duas vezes. Não tinha para onde ir, por isso voltei alguns dias depois.

Uma vez, no meio da noite, a escutei chorando e pedindo a Deus que me curasse. É muito difícil.

Fui ingênua de pensar que, como meus primos trazem suas namoradas para as reuniões familiares, eu também poderia fazer isso. Minha família tornou-se cada vez mais hostil, e na festa de aniversário do meu primo, todos ignoraram Maryam. Foi incômodo, e tivemos de ir embora. Eles me amam, mas a odeiam. Não consigo suportar isso. É ridículo.

Uma vez, quando meus tios vieram nos visitar, tive que escondê-la no armário por horas. Quando minhas tias vieram sem avisar, Maryam pediu que a escondesse outra vez para que não tivesse de vê-las.

Às vezes, tenho pena da minha mãe. Tem quase 70 anos e é religiosa. Não posso discutir com ela e temo que não seja capaz de suportar tudo isso.

Também acredito em Deus e rezo todos os dias. Busco por algo no Alcorão que mostre que a homossexualidade pode ser compatível com o islã. Mas não encontro e não posso perguntar a um imã.

Uma vez, fui a uma terapeuta, e ela começou a me insultar. “Não entende que até as vacas sabem como ter um sexo normal?”, ela perguntou. Disse que eu estava violando as leis da natureza.

Em dado momento, pensei que a única forma de enfrentar isso seria mudar de sexo. No Irã, ser transexual é considerado um transtorno médico tratável, mas é ilegal ser homossexual.

Às vezes, as pessoas são incentivadas a fazer a cirurgia de mudança de sexo para que não “caiam em pecado” vivendo como homossexuais.

Os médicos não costumam ser honestos quando opinam se ser transexual realmente requer uma operação, por isso as pessoas ficam confusas com frequência.

Tive dez sessões com uma terapeuta, que me analisou e me colocou na lista de espera para a cirurgia, mas não acho que conseguiria me submeter a ela. Poderia me arrepender. Além disso, minha namorada odiaria. Poderia me deixar.

E não há como voltar a ser o que era se você muda de ideia. Conheço pessoas transgênero que, depois da operação, sofreram com depressão e problemas de saúde mental. Vi uma mulher em uma clínica que havia feito a operação para virar homem. Estava chorando e implorando que revertessem a operação. Dizia que não podia viver no corpo de um homem. Fiquei horrorizada.

De qualquer forma, tenho uma aparência bem masculina. Tenho cabelo curto e uso jeans folgados, relógio de homem e sapatos esportivos. Fico encantada com o poder que os homens têm e adoro me comportar como um homem no meu relacionamento. Às vezes, quando vejo casais heterossexuais, me sinto fraca por não poder proteger minha companheira como quero.

A polícia moral já deteve nós duas quando saímos juntas e fomos interrogadas. Uma vez, estávamos em um parque e tirei meu véu. Um homem se aproximou, me perguntou se eu era mulher e eu disse: “Sim”. Ele me disse para acompanhá-lo, mas quando lhe mostrei o cartão que me deram no centro de terapia transexual, ele me deixou ir. Esse cartão significa que tenho permissão para sair em lugares públicos sem levar o hijab, porque te permitem viver como um homem antes da operação.

Hoje, é possível ver mulheres jovens como eu nas ruas, e é um pouco mais tranquilo do que costumava ser. Mas, há alguns anos, quando caminhava por Teerã, me sentia totalmente insegura.

Fico preocupada que me detenham, chequem meu telefone e encontrem fotos ou mensagens de texto para minha namorada, me levem para a prisão, confisquem meu passaporte e até me matem.

Gostaria de me casar com ela. Quem sabe um dia, quando sairmos do Irã, isso seja possível.”

O depoimento da mãe de Sara

“Não sei se é um tipo de doença ou o que é. Sob o islã, é pecado. Ela não aceita que eu diga isso, mas não está certo.

Soube desde o início que seu relacionamento não era só amizade. Não havia problemas com suas outras amigas. Conhecia suas famílias e seus antecedentes. Mas essa mulher é uma completa estranha. Não sei como se conheceram.

Costumavam sair juntas, e minha filha voltava muito tarde para casa. Dizia que sua amiga era muito jovem e que não sabia como voltar para casa e, por isso, precisava levá-la até a estação de trem.

Pensei que era melhor se ficassem juntas em casa. É perigoso estar lá fora. É melhor ficar em casa do que ficar perambulando por parques e até mesmo hotéis. Foi assim que essa mulher passou a viver na minha casa.

Não interfiro. Essa mulher vive aqui comodamente. Não sai do quarto quando minha filha não está em casa. Ela come no quarto, inclusive. Sei o que está acontecendo, mas fico calada. Tento evitá-las. Sempre que possível, saio para não ter de vê-las.

Odeio essa mulher, mas, pelo bem da minha filha, a aguento em minha casa. Minha filha fica presa entre ela e eu. Se ela fosse uma amiga normal, não teria nenhuma objeção. Não quero que minha filha fique sozinha, e é bom que tenha uma amiga próxima.

Se fossem só amigas normais, eu mesmo pediria que ficassem juntas pelo resto da vida. Mas sei que essa mulher é grosseira e sem vergonha. É atirada e descarada. Está corrompendo minha filha. Aproveita-se da Sara e a faz gastar dinheiro. São como amantes e compram coisas para se presentearem.

Fui amável com essa mulher. Dei conselhos de mãe a ela e lhe pedi que encontrasse um marido, mas ela se incomodou e contou para minha filha.

Minha filha está muito sozinha, e acho que, se disser algo para essa mulher, partirei seu coração. Tenho muito medo de dizer qualquer coisa. Se provoco essa mulher para que ela se vá de minha casa, minha filha poderia se magoar, e eu lamentaria pelo resto de minha vida. Ela poderia incendiar a casa. Uma vez, ameaçou fazer isso. Fico preocupada que se machuque, então, fico calada. Odeio falar disso.

Se Sara tivesse um irmão ou se seu pai estivesse vivo, essa mulher não se atreveria a vir aqui e a se envolver com minha filha dessa forma. Perguntei a ela: “O que significa esse anel em seu dedo? Tire-o para que um jovem te faça uma proposta.” Ela respondeu: “Não me casarei até que sua filha se case.”

Preciso que alguém fale com minha filha, faça ela pensar no futuro. Porque ficará velha e não terá filhos. Essa mulher não ficará com a minha filha. Ela a deixará e se casará com um homem!

Minha filha é especial. É amável e inteligente, e sempre digo a ela que é perfeita, exceto por esta única coisa. É anormal.

Essa mulher é uma tortura para mim. Não sei o que fazer. Não gosto de deixá-las sozinhas em casa nem por uma noite e muito menos que vivam juntas.
Não consigo achar uma solução. Não sei como salvar a vida da minha filha.”

(*Os nomes das entrevistadas foram alterados. Sara e sua mãe falaram à jornalista da BBC Leyla Khodabakhshi.)

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2016/06/17/lesbica-conta-como-e-viver-com-a-namorada-no-ira-onde-ser-gay-e-ilegal.htm

Turcomenistão: Nova lei proíbe atividades religiosas no país

Policiais secretos alertaram um líder cristão para que ele não realize o Acampamento de Verão para Crianças 2016

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Turcomenistão está na 19ª posição da atual Classificação da Perseguição Religiosa. É um dos lugares mais restritivos do mundo, onde não há liberdade de informação ou de imprensa, os estrangeiros encontram dificuldades para acessar o país e os cristãos definitivamente não são bem-vindos.

Igrejas são monitoradas e qualquer atividade religiosa é vista como ilegal pelo governo. Mas a rotina dos turcomenos acontece como em qualquer outra nação. Com seus edifícios imponentes de mármore branco, lindos chafarizes em praças públicas e ruas das principais cidades impecavelmente limpas, a antiga República Soviética tem uma vida ativa no cenário internacional e participa inclusive dos Jogos Olímpicos de Verão.

Aliás, muitas coisas acontecem no verão do Turcomenistão, que tem o deserto mais quente da Ásia Central. Os cristãos também realizam acampamentos nessa época. Mas, esse ano será diferente, porque no dia 12 de abril, entrou em vigor a nova Lei de Religião do Turcomenistão, e agora, as atividades religiosas não registradas estão proibidas. Policiais secretos alertaram o líder cristão de uma igreja que fica na cidade de Mary para que ele não realize o Acampamento de Verão para Crianças 2016. Um desses policiais, inclusive, liderou um ataque às crianças dessa mesma igreja, que participavam do evento em 2013, ocasião em que os membros também foram multados por visitarem a cidade de Tejen e por falarem de sua fé com os moradores de lá.

A nova comissão do governo que controla a religião no país ainda vai estipular os novos lugares de culto, porém, dois dos membros veteranos do Parlamento se recusaram a discutir a nova lei com o Fórum 18, organização norueguesa que promove a liberdade religiosa no mundo. Esse nome se baseia no artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos que diz o seguinte: “Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência, religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular”. Mas não é o que ocorre com os turcomenos que não podem possuir literaturas religiosas seja Bíblia ou Alcorão e muito menos realizar suas orações em voz alta e visivelmente. Ore pela igreja no Turcomenistão.

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Turquia prende representante da Repórteres Sem Fronteiras por propaganda terrorista

Três detidos participaram de campanha em favor do jornal pró-curdo mais antigo do país

ISTAMBUL — A Justiça da Turquia ordenou a prisão de um representante da ONG Repórteres Sem Fronteiras, Erol Önderoglu, por propaganda terrorista. Ele participou de uma campanha em favor do jornal pró-curdo mais antigo do país, que já enfrentou diversos episódios de repressão. Sob a mesma acusação, também foram presos a presidente da Fundação de Direitos Humanos da Turquia, Sebnem Korur Fincanci, e o jornalista Ahmet Nesin.

Os três detidos exerceram por um dia a direção do jornal “Özgür Gündem” para demonstrar apoio à publicação. Enquanto esperam por um julgamento definitivo, eles foram presos preventivamente nesta segunda-feira.

No total, 44 jornalistas e intelectuais já participaram da iniciativa — dois quais 37 estão sendo investigados pela Justiça, mas ninguém havia sido preso até então.

Nas últimas duas décadas, o “Özgür Gündem” já teve diversos profissionais presos pelas suas publicações que discutem a questão curda na Turquia. Recentemente, a repressão contra o jornal aumentou por conta da luta armada entre o PKK e as tropas turcas.

Antes de serem presos, os jornalistas afirmaram que a iniciativa da Justiça turca é uma ofensiva contra a publicação pró-curda. Com 38 anos de carreira, Nesin disse que nunca havia sido alvo de detenções pelo seu trabalho até hoje — o que, para ele, evidencia a cada vez mais difícil situação da liberdade de imprensa no país.

— Dizer que estamos chocados com o que aconteceu é pouco — disse ao “El País” o representante da RSF para a Europa Oriental, Johann Bihr. — Fica óbvio que, quando as autoridades prendem um defensor da liberdade de imprensa tão proeminente como Erol Önderoglu, o que estão fazendo é enviar uma mensagem intimidatória ao resto. Indicar que ninguém está protegido.

REPRESSÃO À IMPRENSA

Segundo Önderoglu, 28 jornalistas turcos atualmente estão presos. A maioria deles pertence a veículos esquerdistas ou pró-curdos.

Os últimos sentenciados foram o editor-chefe do jornal “Cumhuriyet”, Can Dundar, e o correspondente em Ancara, Erdem Gul. Detidos antes do julgamento, eles foram acusados de espionagem e de trabalhar com um clérigo baseado nos EUA contra a atual administração turca.

Em maio de 2015, Cumhuriyet publicou um vídeo com imagens da polícia encontrando armas em caminhões supostamente ligados à inteligência turca perto da fronteira com a Síria. Isso levantou suspeitas de que a Turquia estaria fornecendo armas aos rebeldes islâmicos no país vizinho.

Em resposta, as autoridades locais insistiram que os caminhões estavam, na verdade, levando suprimentos às minorias turcas no país.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/turquia-prende-representante-da-reporteres-sem-fronteiras-por-propaganda-terrorista-19545761#ixzz4CDnhM5e0
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Muçulmanos matam jovem cristã: “As cristãs servem apenas para uma coisa, o prazer dos homens muçulmanos”

Kiran foi morta no Paquistão, mas já ouvimos uma variação sobre a idéia de que “as meninas cristã servem apenas para uma coisa: o prazer de homens muçulmanos” na Europa:“meninas alemãs estão lá apenas para o sexo.” Homens muçulmanos cometem estupros em massa e agressões sexuais em toda a Europa na véspera do Ano Novo, e operam em linha com subsídio do Alcorão para os homens a assumirem as mulheres infiéis como escravas sexuais (4: 3; 04:24; 23: 1-6; 33:50). Quanto tempo haverá antes que os homens muçulmanos na Europa e os EUA comecem a matar aquelas mulheres e meninas que eles resistem?

“Menina cristã morta por descartar avanço de meninos muçulmanos ricos,” britânico paquistanês Associação Cristã, 20 de janeiro de 2016 (graças a Pamela Geller):

Uma menina cristã foi morta depois que ela e dois amigos encolheram os ombros ao avanço de alguns jovens muçulmanos bêbados de uma das áreas de elite de Lahore, Defence Colony.

Kiran (17 anos), Shamroza (18 anos) e Sumble (20 anos), três jovens cristãs foram simplesmente a pé para casa através de Defence Colony depois de um árduo dia de trabalho como esteticistas, a caminho de sua comunidade cristã privativa no Baowala.

Eles tinham saído às 9:00, em 13 de janeiro, com o intuito de chegar em casa rapidamente antes que ficasse muito inseguro para que eles pudessem descansar um pouco antes de voltar para o trabalho na manhã seguinte. Nesta noite fatídica no entanto, eles foram abordados por quatro supostamente bêbados muçulmanos em um carro marrom, que começou a se comportar mal com eles.

Os homens alcoolizados gritaram comentários sugestivos e lascivos para eles e foram assediá-los para entrar no carro com eles para “um passeio e um pouco de diversão”.

As três meninas explicaram que elas eram cristãs devotas e não praticam sexo fora do casamento e corajosamente repreenderam os jovens em seus assédios indesejáveis.Isso causou uma mudança imediata no comportamento dos rapazes que se tornaram mais agressivos e começaram a ameaçar as meninas para entrar no carro ou a ser fisicamente forçadas a isso.

Aterrorizadas com a situação cada vez mais perigosa que estavam as meninas começaram a correr em um ataque de pânico. Isso só enfureceu os jovens muçulmanos mais, um deles gritou com as meninas, dizendo:

“Como vocês ousam fugir de nós, garotas cristãs servem apenas para uma coisa que é o prazer de homens muçulmanos.”

Os homens embriagados dirigiram agressivamente depois que as meninas recusaram as investidas e lançaram seu carro contra elas. O impacto sobre Shamroza e Sumble jogou-as para o lado dos veículos e bruscamente para o chão. O resultado da colisão com o chão causou a Shamroza a fratura de várias costelas e Sumble quebrou o quadril. Kiran foi ainda mais infeliz, pois sofreu impacto com o capô do carro, onde ela bateu no pára-brisas. Os jovens continuaram a rir na sua suposta embriaguês e aumentaram sua velocidade, quando finalmente puderam ver outro carro antes deles. O choque do veículo jogou Kiran no ar e rapidamente para o chão onde sua teve traumatismo craniano e fraturou numerosos ossos, a hemorragia interna resultante a matou em poucos minutos.

As famílias das três meninas exigiram justiça, mas, apesar da crueldade deste ataque brutal e a morte de uma jovem inocente, sem escrúpulos a polícia obrigou-os a pagar um suborno para ter um primeiro relatório de Incidentes (FIR), registrado. A família está pedindo um inquérito do assassinato, mas por causa da condição financeira dos jovens ricos, existe pouca esperança de que a justiça prevaleça. A polícia está  fazendo pouco para deter os jovens e estão supostamente retardando o processo de investigação. Muitas vezes, nesses casos, falta evidência e as testemunhas são ameaçadas ou compradas pelas famílias dos criminosos ricos em um país onde a corrupção é abundante e elogiada.

Hoje nosso diretor Naveed Aziz visitou as meninas sobreviventes, Shamroza e Sumble e ofereceu-lhes a nossa ajuda. Nós trouxemos alguns xales para as duas meninas, um presente na cultura asiática que simboliza proteção e cobertura para as meninas. Queríamos que as meninas soubessem que têm irmãos e irmãs de todo o mundo que estão dispostos a defendê-las. Nós, também, apresentamos flores para todas as três famílias e mantimentos para ajudá-las durante dois meses  através de seu tempo de luto, quando o trabalho se torna uma questão secundária.

Naveed Aziz disse:

“Todas as três famílias estão realmente sensibilizadas, Shamroza e Sumble somos gratos a Deus por salvá-las, mas estamos inconsoláveis com a perda de uma amiga próxima. Outras meninas no local estão agora com muito medo de viajar à noite e estão sendo acompanhados pelos homens de suas famílias. A comunidade quer justiça para a pobre Kiran e busca um fim para o direcionamento de jovens cristãos. ”

Wilson Chowdhry, presidente da BPCA, disse:

“Este ato de violência deve ser respondido com o braço forte da lei. Em qualquer outra nação os autores seriam presos, condenados por assassinato e condenado por um longo prazo. No Paquistão, no entanto, os pobres vão para a prisão e os ricos cometem qualquer que seja o crime que quiserem com a impunidade. A violência contra os cristãos raramente é investigada e é altamente improvável ser respondida com justiça. O padrão usual nestes casos é o cristão pagar um suborno para incentivar a polícia a completar seu dever de registrar uma investigação, e os criminosos pagarem mais propinas para a polícia estragar a investigação. ”

Ele adicionou:

Movimento de Solidariedade e Paz” ONG muçulmana estado que cerca de 700 mulheres cristãs no Paquistão são raptadas, violadas e forçadas a casar Islâmica todos os anos – esse número é de quase dois por dia eo mundo não faz nada. Existe evidência de que alguns imames desonestos declarar que tais atos de conversão através da violência são recompensados ​​no céu, o que é um pensamento aterrorizante “.

Por favor, assine nossa petição (clique aqui)

Leia o conteúdo completo em : http://www.jihadwatch.org/2016/01/muslims-kill-christian-girl-christian-girls-are-only-meant-for-one-thing-the-pleasure-of-muslim-men

Destaques da Classificação da Perseguição Religiosa 2016

Veja quais países estão no Top 10 e os que foram incluídos na lista.

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1º Coreia do Norte
Liderando a lista pelo 14º ano consecutivo, o país continua sendo o mais fechado do mundo ao Evangelho. Nação liderada por um governo totalmente fechado e controlador, os cristãos norte-coreanos continuam sendo os que enfrentam maior perseguição religiosa.

2º Iraque
Mesmo com boa parte do país sendo controlada pelo Estado Islâmico, a situação dos cristãos não parece ter mudado muito. Junto com a Síria, o país estampou os noticiários de 2015. Os projetos de ajuda socioeconômica na região cresceram em média 53% e quase 190 mil refugiados foram atendidos.

3º Eritreia
O nível de violência fez com que o país subisse da 9ª posição em 2015 para a 3ª esse ano. Foram muitas as situações de violência no país. Os cristãos que vivem na “Coreia do Norte da África” enfrentam grande restrição em termos de liberdade religiosa, de imprensa e garantia dos direitos humanos.

4º Afeganistão
Ao nascer afegão obrigatoriamente o cidadão se torna muçulmano. Seguir a Cristo no país é extremamente difícil, não existem igrejas, os cristãos perseguidos se reúnem secretamente em pequenos grupos. Fora isso, Talibã e Estado Islâmico brigam por territórios locais.

5º Síria
Cenário de uma guerra civil que já dura 5 anos, a Síria deixou de ser casa de milhares de pessoas em função das ações do Estado Islâmico. Muitas igrejas foram destruídas e cristãos mortos, os que sobrevivem convivem com traumas causados pela perseguição.

6º Paquistão
Cultos e reuniões não são permitidos, a situação para a Igreja Perseguida é mais dificultada pelos grupos extremistas que incitam ódio nos paquistaneses em relação aos cristãos. Eles são tratados como cidadãos de segunda classe, mulheres e crianças cristãs são vulneráveis ao abuso sexual.

7º Somália

A população cristã que não passa de 1% é controlada pelo governo. Em um país imerso em uma longa guerra civil, muitas igrejas já foram destruídas. Os cristãos não podem possuir a Bíblia por causa do perigo que isso pode colocá-los e qualquer tipo de celebração cristã ou encontros são proibidos. Mais uma vez o país está no Top 10.

8º Sudão
O governo assedia e expulsa a comunidade cristã. Construir ou reformar igrejas e até mesmo obter permissão para isso é muito difícil. O islã radical continua crescendo e os cristãos precisam ser fortes. A liberdade de expressão e religião enfrenta sérias restrições.

9º Irã
Qualquer muçulmano que deixa o islã enfrenta pena de morte no país. Mais de 100 cristãos foram presos ou encarcerados por sua fé em novembro de 2015. Ser cristão no Irã não é uma decisão nada fácil, as reuniões são monitoradas pela polícia secreta e os cristãos ativos são interrogados frequentemente e, muitas vezes, presos e agredidos por causa de sua fé.

10º Líbia
Pela primeira vez no Top 10, o país ainda está tentando se recuperar da guerra e da revolução popular. Agora, a influência do Estado Islâmico está crescendo ainda mais. A Líbia recebe muitos refugiados vindo da Síria e do Iraque.

Novos

48º Bahrein
Os cristãos enfrentam a perseguição mais forte dentro de suas próprias casas e comunidades, seguido pela igreja. O Estado Islâmico tem concentrado suas forças nessa região e, assim, é provável que o islã radical continue crescendo no país.

49º Níger
Os cristãos enfrentam diariamente o desafio de dar bom testemunho e de resistir às pressões em um país de maioria muçulmana. Segundo um líder de uma igreja local, os políticos estão mais preocupados com os preparativos para as eleições de 2016 e com a luta que estão enfrentando com o Boko Haram, do que com as igrejas que estão sendo abandonadas.

Leia mais sobre a relação dos países que enfrentam maior perseguição religiosa atualmente. Abrace essa causa e sirva a Igreja Perseguida conosco.

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2016/01/destaques-da-classificacao-da-perseguicao-religiosa-2016

 

Professor de história dá um alerta aos cristãos, durante encontro global de líderes

“Devemos nos conscientizar que o século XXI é um novo tempo de perseguição”

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A Conferência Global para Cristãos, realizada pelo presidente da Albânia, Bujar Nishani, abordou diversos assuntos de interesse comum a todas as denominações representadas. A primeira palestra foi dada por um professor de história contemporânea da Universidade de Roma, Dr. Andrea Riccardi. Em seu discurso, ele destacou: “Se não levássemos a sério a Bíblia, como iríamos viver?”. Ele contou que um grupo de jovens de classe média, se mudou para uma área decadente de Roma, a fim de viver entre os pobres. A experiência se espalhou para outros 70 países, e agora faz parte de um programa de líderes mundiais que combatem o vírus do HIV.

O professor lembrou o público sobre um de seus amigos, Christian de Chergé, de um mosteiro na Argélia, cuja maioria dos monges foram sequestrados, e depois decapitados por um grupo islâmico armado, em março de 1996. A história deles foi registrada no filme ‘Of Gods and Men’, além de outras lembranças tristes de vários cristãos, que morreram sendo inocentes. “Pessoas generosas estão morrendo ao redor do mundo, e temos que negociar com o Estado Islâmico por suas vidas. Mas o que eles fizeram? Como é que ninguém faz nada? Como os líderes políticos podem compartilhar a mesma mesa com eles?”, questionou.

Os argumentos de Riccardi não chocaram apenas os políticos, mas os próprios cristãos: “Muitas vezes, as igrejas cristãs se recusam a lutar pelo resgate de alguns irmãos humilhados, simplesmente porque são de outras denominações ou de nacionalidade diferente. Como isso pode acontecer em nosso meio?”.

Para ele, “a questão da perseguição deve ser cuidadosamente estudada, pois cada história é diferente. Eu achava que sabia pelo menos um pouco da história do cristianismo contemporâneo, mas ela é muito mais complexa do que eu pensava. A história do cristianismo, tanto do passado quanto do presente, é a história do martírio. Há pessoas morrendo neste milênio. Devemos nos conscientizar que o século XXI é um novo tempo de perseguição e que ela está se intensificando a cada dia”, finaliza.

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2015/11/professor-de-historia-da-um-alerta-aos-cristaos-durante-encontro-global-de-lideres

Jovens britânicos denunciam perseguição após deixar islã

A opção de adotar uma religião ou crença diferente da dos pais não é tão simples como pode parecer, é o que vários britânicos que decidiram renunciar ao islamismo tradicional de suas famílias estão sentindo na pele.

Essa opção pode ser vista quase como um crime – como era na época medieval. A decisão de renunciar a uma fé, ou apostasia, está rendendo ameaças e até agressões físicas a jovens britânicos que optaram por deixar o islamismo.

Uma investigação da BBC encontrou provas de que esses jovens muitas vezes sofrem abusos dentro das próprias famílias quando revelam que não querem mais ser muçulmanos.

Dados de 2011 sugerem que o número de pessoas na Inglaterra e no País de Gales que dizem não ter religião praticamente dobrou em dez anos, desde 2001 – eles agora equivalem a um quarto da população.

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Image captionAyisha (à direita) conta à BBC sua história de quando abandonou o islamismo

Na mesma época, o número de muçulmanos nas duas nações cresceu 80%, totalizando 2,7 milhões de pessoas. E entre alguns dos britânicos muçulmanos – a maioria deles nascida no Reino Unido e com menos de 24 anos -, existe uma crença de que abandonar o islamismo é um pecado que pode até mesmo ser penalizado com a morte.

Apesar disso, governos locais (municípios ou regiões) parecem não estar cientes da questão e não há nenhuma política para proteger esses jovens vulneráveis.

Não há estatísticas oficiais sobre apostasia entre britânicos muçulmanos e apenas alguns estudos acadêmicos baseados em poucos casos individuais tratam do assunto. Mas muitos desses ex-muçulmanos que vivem na Grã-Bretanha estão compartilhando suas experiências em fóruns online.

Ameaça de morte

Ayisha (nome fictício) de Lancashire tinha apenas 14 anos quando começou a questionar o islamismo depois de ter lido o Corão. Ela começou a se rebelar contra o uso do hijab (tradicional véu islâmico usado por mulheres para cobrir a cabeça) e depois decidiu que não queria mais ser muçulmana. Foi neste momento que começou a enfrentar sérias dificuldades.

Image copyrightGetty
Image captionCidades inglesas como Bradford tem grandes populações de muçulmanos

“Meu pai ameaçou me matar, pegou uma faca e segurou-a no meu pescoço dizendo: ‘Nós podemos te matar se você trouxer essa vergonha para a família.'”

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Ele batia tanto na garota que, certa vez, ela resolveu chamar a polícia, e o pai foi condenado por crueldade infantil. Ayisha não imaginava que teria de se separar de sua mãe e de seus irmãos.

Hoje, com apenas 17 anos, Ayisha foi colocada sob a guarda do pai de seu namorado. É uma situação longe do ideal, mas ela entende. “Eles achavam que eu estaria sob grande risco com a minha família.”

Medo

Aaliyah (nome também fictício), de 25 anos, vive em South Yorkshire. Ela deixou o islamismo quando estava na universidade e percebeu que não poderia voltar para casa, porque seus pais haviam arranjado um casamento para ela – e o medo de sofrer violência por não querer mais ser muçulmana era real.

“Eu sei que minha família não iria me machucar, não os meus pais e irmãos”, ela disse. “Mas eu não contei para o resto da família. Meu pai me disse que se as pessoas erradas descobrissem, ele não saberia o que poderia acontecer.”

Aaliyah dá conselhos a outros ex-muçulmanos em fóruns online e pede para que eles consigam independência financeira antes de contarem aos pais que deixaram o islamismo, para ser mais fácil lidar com o eventual caso de serem expulsos de casa.

Image captionAaliyah diz que o fato de ter sido sincera consigo mesma ameniza a culpa que sente por abandonar a religião

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Como outros ex-muçulmanos, ela ressalta a importância de ter sido sincera consigo mesma para amenizar o peso que carrega pela expulsão de casa e pela culpa que sente.

“Quando voltei para minha família, minha tia me disse que meus irmãos e irmãs não poderiam se casar porque a honra deles estaria manchada. E isso era culpa minha.”

O medo é constante também. “Eu vivia em Bradford e era bem discreta porque lá havia muitos muçulmanos na região. Eu ainda tenho esse medo contido, é difícil de explicar. Você simplesmente quer se manter calado a respeito disso. É mais seguro assim.”

Segurança

Afzal Khan veio do Paquistão, onde leis religiosas contra blasfêmia e a postura conservadora de partes da sociedade deixaram as pessoas que optam pela apostasia sob risco de violência. Ele foi para o Reino Unido estudar teologia na Universidade de Bradford. Durante o tempo que estudou, tomou a decisão de deixar o islamismo e contou isso aos seus amigos paquistaneses via redes sociais.

“Eu pessoalmente concluí que essa fé é extremamente misógina e isso se tornou um ponto de virada claro para mim. Todos os meus amigos muçulmanos ficaram chocados. Inicialmente, eles acharam que eu estava brincando, mas quando perceberam que era sério, eles começaram a me xingar, de uma forma leve no início, mas depois passaram a me atacar, me ameaçar”, contou.

A família dele o expulsou de casa. “Falei com minha mãe pelo telefone e ela berrou: ‘você não é mais meu filho!’ Aí meu irmão pegou o telefone e a mensagem que eles me passaram era de que eu não pertencia mais à família e, desde então, eu nunca mais pude falar com eles.”

Depois de um tempo, Afzal ouviu de um parente que sua mãe disse que ele “deveria ser morto, porque é isso que a lei islâmica determina para quem comete blasfêmias.”

Image copyrightEPA
Image captionVários países punem apostasia; no Paquistão, em 2012, manifestantes protestaram contra professor de escola cristã acusado de blasfemar contra islã

Ele, sua esposa e filha conseguiram permissão para ficar no Reino Unido, porque voltar para o Paquistão representaria um risco muito grande para a segurança deles.

A BBC contatou 13 autoridades locais de regiões com grandes populações muçulmanas entre Yorkshire e Lincolnshire. Nenhuma delas soube dizer qual seria o procedimento em caso de denúncia de abuso ou ameaça contra ex-muçulmanos e a maioria deles não sabia sequer o que era apostasia.

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Alguns disseram que existiam outros serviços específicos para jovens que sofriam abusos. Dada a pressão dentro de comunidades muçulmanas para ocultar os casos de pessoas que deixam a fé, não é tão surpreendente que autoridades locais não tenham muita consciência do problema.

Alom Shaha, representante da Associação Britânica Humanista, escreveu o livro O jovem ateu sobre sua própria experiência quando abandonou o islamismo na juventude. Como consequência disso, ele passou a ser contatado com frequência por muitos jovens ex-muçulmanos buscando ajuda ou conselhos.

Shaha é reticente e tem muito receio de alimentar o preconceito contra muçulmanos, mas diz: “Não podemos ignorar aqueles de dentro dessas comunidades que também são oprimidos. Quero que as pessoas que são responsáveis por cuidar de jovens vulneráveis reconheçam que ser um ateu pode ser algo grave o suficiente que coloca a vida desses jovens em risco.”

Leis e punições sobre blasfêmia pelo mundo

  • A partir de 2012, 22% dos países do mundo possuíam leis ou políticas “antiblasfêmia”;
  • Um em 10 (11%) tinha leis ou políticas de punição para apostasia – variando de multas até pena de morte;
  • Nas Américas, 31% dos países tinham leis contra blasfêmia. Nas Bahamas, a divulgação ou venda de material contendo blasfêmia poderia ser punida com dois anos de prisão.

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150929_ex_muculmanos_perseguidos_rm