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Explosão de carro-bomba atinge capital turca, deixando 37 mortos

Militantes curdos e EI reivindicaram autoria de atentados recentes

ANCARA — Um carro-bomba explodiu e abalou a capital turca de Ancara, neste domingo à noite (hora local), matando 37 pessoas e ferindo ao menos 125, disseram autoridades de segurança e do governo local citadas pela agência Dogan. Estão ainda hospitalizadas 71 pessoas. Investigações preliminares acusaram o grupo rebelde Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) pelo ataque.

A explosão ocorreu na Praça Kilizay, ao lado de uma importante estação de transportes e de um ponto de ônibus. De acordo com os meios de comunicação locais, há vários veículos queimados.

Tiros também foram ouvidos após a explosão, enquanto ambulâncias correram para a área. Uma nuvem de fumaça podia ser vista a 2,5 quilômetros de distância, disse uma testemunha à Reuters.

Como fez em outras ocasiões, país bloqueia redes sociais contra imagens do ataque. O governo de Recep Tayyip Erdogan é acusado de intensificar a repressão à liberdade de expressão e de imprensa no país nos últimos anos.

Aliados da Turquia na guerra ao terrorismo se manifestaram, condenando o ataque.

“A França está ao lado da Turquia para continuar com ela a luta contra o terrorismo que atinge todos os lugares e deve ser combatido com a maior energia”, disse o presidente francês, François Hollande, em um comunicado.

ONDA DE ATAQUES

A explosão ocorreu menos de um mês depois de um ataque com carro-bomba no centro de Ancara, matando 28 pessoas. Militantes curdos reivindicaram a responsabilidade pelo atentado.

Na sexta-feira, os EUA haviam alertado para a possibilidade de um ataque terrorista nesta semana.

Recentes atentados no país vêm sendo reivindicados pelo Estado Islâmico e por grupos rebeldes curdos. Militantes do EI realizaram, no entanto, pelo menos quatro ataques a bomba na Turquia desde junho de 2015. Grupos jihadistas locais e radicais de esquerda também organizaram ataques no passado no país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

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Os curdos e a ‘negociação’ em Genebra

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Essa semana estava prevista uma reunião em Genebra, no marco das negociações indiretas entre o governo sírio e as facções da ‘oposição’ armada reunidas no grupo divulgado pelo nome tonitruante de Alto Comitê para as Negociações. Ninguém teria de ser adivinho para saber que as tais ‘negociações’ fracassariam, mas, dessa vez, elas nem começaram.

O enviado da ONU para a crise síria, Staffan de Mistura, decidiu adiar a reunião para o dia 25 de fevereiro.

Aquela espantosa coleção de grupos financiados com petrodólares por fundamentalistas sauditas e por patrocinadores ocidentais, alguns dos quais sequer se dão o trabalho de fingir que seriam democráticos e são declarados fundamentalistas islamistas, como Yeish Al Islam, sente que sua aventura militar – aplaudida pelo ocidente, até que os refugiados converteram-se em problema -, está-se derretendo irremediavelmente, deixando atrás de si uma trilha de mortos, mutilados e multidões sem teto ou terra.

A facinorosa ‘oposição’ síria está negociando para ganhar tempo, porque está à beira do colapso, e é visível que não tem nem as mínimas condições para ‘exigir’ a imediata saída do presidente Assad.

Problema, aí, é que a única decisão que o ocidente, Turquia e as teocracias do Golfo considerariam aceitável é que Assad, de algum modo e em algum momento, ‘declare’ que deixará o governo -, e encontram nos EUA todo o apoio de que precisam no ocidente para continuar a insistir nessa sandice.

A discutir, para essa gente, só, o modo e o momento em que Assad deixará o governo para o qual foi eleito. Essa e só essa é a ‘questão’ que estará em discussão dia 25 de fevereiro.

Curiosamente porém, foi excluído daquela reunião o partido dos curdos, o PYD, o qual, dentre outras coisas, é ator político importantíssimo no futuro da Síria e a única força que combateu em solo contra o ‘Estado Islâmico’. É paradoxal que se boicote a participação do PYD, quando a mídia-empresa ocidental tão frequentemente vendeu a imagem dos curdos como os “amigos” do ocidente, cuidando atentamente de esconder os reais objetivos políticos desse movimento, e limitando sua simpatia a uma imagem semierotizada de mulheres jovens armadas com fuzis. Essa visão é parte do modo característico como Hollywood compreende e ensina a compreender a realidade, como fazem também os veículos dominados economicamente e ideologicamente pelos EUA. Esses todos veem o mundo como se fosse filme de ‘mocinho’, no qual os bons distinguem-se facilmente dos maus, até pelas roupas. Assim também se pode dizer que o imperialismo não tem amigos nem inimigos, mas exclusivamente interesses.

Os curdos têm agenda própria, seu próprio projeto político, e estão trabalhando com a finalidade de torná-lo realidade. Estão sós, contando com a simpatia de setores populares em todo o mundo. Contam também com um arremedo de solidariedade que lhes vem das grandes potências as quais, na verdade, só se interessam pelos curdos como instrumentos dos quais elas possam servir-se. Nesse sentido, aconteceu, em dado momento, uma passageira convergência entre EUA, Europa e os curdos, na luta contra o ‘Estado Islâmico’.

Mas os curdos serão a primeira vítima dos humores sempre mutáveis da política imperial dos EUA, na tentativa de encontrar solução para a crise síria, que não derrote completamente os interesses estratégicos dos EUA.

Da perspectiva dos EUA, os curdos são úteis como força de choque para enfrentar o ‘Estado Islâmico’. Mas não como ator político autônomo e válido para construir solução política para a disputa pela Síria. Por quê? Porque, num sentido estratégico, os EUA precisam manter boas relações com a Turquia, membro-chave da OTAN. O governo islamista turco está obcecado com derrubar o presidente Assad, porque é governo secular-nacionalista, com excelentes relações e alianças com o Hizbullah no Líbano e com o Irã. Assim, a Síria de Assad impôs-se como bloco contra o projeto que aspira a ser hegemônico, das ditaduras teocráticas do Golfo, naturais aliados do regime de Ancara.

Mas a Turquia, que ambiciona a consolidar-se como ator regional de peso, tem também interesse estratégico em suprimir o movimento curdo dos dois lados da fronteira turco-síria. Erdoğan assenta-se sobre o estado turco criado pelo secularismo autoritário de Kemal Ataturk, ao mesmo tempo em que sonha com a grandeza do califato otomano. Em algum sentido, Erdoğan converteu-se em personagem que acredita que teria conseguido conectar o secularismo e o Islã político, entre o estado moderno e o califato. Com isso, recebe a oposição de todas as facções da elite turca.

Os curdos são terrível dor de cabeça para os projetos de Erdoğan, seja o de se tornar hegemônico na região, seja o de manter o Estado autoritário turco fundado sobre a premissa suposta modernizante de “um povo, uma língua, uma bandeira”. Essa premissa já foi utilizada para justificar o genocídio dos armênios em 1915 e também a “limpeza étnica” em curso em várias áreas da Turquia.

Os curdos têm projeto democrático-participativo, secular, socialista, têm visão confederalista, defendem direito de o povo curdo existir. Nada que agrade muito a Erdoğan ou aos seus aliados teocráticos no Golfo.

Na Síria, o movimento curdo é democratizante e aspira a preservar a própria autonomia. O movimento já declarou que não vê a saída de Assad como meta prioritária; para eles prioridade é, isso sim, construir uma relação renovada entre a sociedade síria e o estado sírio.

Deixar que a experiência democrática curda mantenha-se e frutifique a partir do norte da Síria seria péssimo exemplo, do ponto de vista da Turquia de Erdoğan, para a população de Bakur, o território cuja população é majoritariamente curda, hoje ocupado pelo estado turco. Bakur recebeu apoio e inspiração da região de Rojava, o território majoritariamente curdo no norte da Síria.

Mas os curdos são também inspiração democrática para todo o povo turco, que vive sob evidente déficit de democracia desde 2013, quando se ergueu no Parque Gezi uma onda de indignação popular que se alastrou por todo o país. O atual governo turco só consegue ainda se segurar no poder porque recorreu ao terror e a extrema violência nas eleições passadas.

Por isso também, é que Erdoğan fez vista grossa ante a colusão evidente do (i) ‘Estado Islâmico’ – organização que também mantém vínculos orgânicos com as teocracias do Golfo e com a Arábia Saudita – com (ii) os aparelhos repressivos e o exército turco. Essa colusão tem importante serventia, na guerra que Erdoğan move contra os curdos e suas milícias em território sírio (YPG). Por isso setores doestablishment turco mantêm vínculos econômicos com o ‘Estado Islâmico, fundamentalmente mediante o contrabando de petróleo.

Essa é a razão da muito surpreendente total incapacidade que Erdoğan tem mostrado em seus ‘ataques’ sempre fracassados contra o ‘Estado Islâmico’, ao mesmo tempo em que se empenha furiosamente nos ataques contra os guerrilheiros curdos na Síria, no Iraque e na Turquia. Por essa razão também, Erdoğan mostrou-se tão agressivamente desafiador no confronto contra a Rússia, ator que fez a balança pender decisivamente contra o ‘Estado Islâmico’.

Não é acaso que a Rússia seja o país que mais insiste hoje em que, o destino de Assad tem de ser decidido pelo povo sírio, não por um grupúsculo de milícias financiadas por outros países. Mas a Rússia também insiste em que os curdos participem como atores fundamentalmente importantes, em qualquer cenário de negociação séria para superar a crise.

EUA e o chamado ‘ocidente’ estão em situação ambivalente. Querem controlar o ‘Estado Islâmico’, ao mesmo tempo em que querem satisfazer também seus sócios geoestratégicos. Por isso os EUA agem de modo tão claramente contraditório. Detestam a instabilidade regional que a presença do ‘Estado Islâmico’ implica; mas não conseguem enfrentá-los com firmeza, porque esse ataque molestaria os aliados dos EUA na região: as petroteocracias e a Turquia, membro da OTAN. Por isso os EUA precisam dos curdos como espécie de tropa de choque contra o ‘Estado Islâmico’. Mas só isso, nada além disso.

Por isso é que, muito esquizofrenicamente, os EUA definem as guerrilhas curdas em território turco (PKK) como terroristas. Mas quando as guerrilhas curdas aparecem em território sírio (YPG), elas milagrosamente se convertem em “combatentes da liberdade” – por mais que todos os curdos compartilhem uma mesma ideologia, um mesmo projeto político, além de táticas, métodos, armamento, combatentes e comando militar.

Problema é que, mesmo que não definam alguns curdos como terroristas (por enquanto), mesmo assim os EUA não podem considerá-los como atores políticos. Por isso, precisamente, os EUA fingem que nada veem enquanto aumentam as agressões curdas contra curdos através da fronteira, e mesmo que já haja sinais muito graves de que a Turquia poderia invadir a região de Rojava, com toda sua força militar – o que significará verdadeira carnificina de curdos (‘terroristas’ e ‘combatentes da liberdade’, porque essa diferença absolutamente não existe no mundo real). E tudo isso se passa com o beneplácito da “comunidade internacional” regida, como rebanho, por Washington e Bruxelas.

Tudo isso considerado, não é acaso que a “comunidade internacional” regida como rebanho por Washington esteja agora dando as costas aos ‘aliados’ curdos, ao mesmo tempo em que garantem ‘legitimidade’ política a uma sórdida coalizão de fundamentalistas islamistas e mercenários oportunistas de último minuto – o que o ocidente chama de ‘oposição democrática’ síria -, que nem existiria se não fosse pelos petrodólares e petrometralhadoras fornecidas pelos xeiques autoritários do Golfo e pelo mini-califa de Ankara.

No momento que seria de se tomarem decisões de fundo, o futuro da Síria é disputado num escritório clandestino em Genebra, fora do alcance da vontade do povo curdo e do povo sírio.

Aos curdos, segundo Genebra, restaria compreender o lugar que lhes caberia no tabuleiro do Oriente Médio: bucha de canhão em tempos de guerra, e que baixassem a cabeça na hora de se decidirem os destinos do território onde vivem.

E em meio a tudo isso, mais uma vez a ONU comprova sua absoluta incapacidade para resolver coisa alguma, sempre se movendo conforme quem lhe grite mais forte e perpetuando crises, em vez de contribuir para superá-las.

O que se pode esperar das ‘negociações’ em Genebra, quando recomeçarem? Nada, como sempre. *****

 

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Forças turcas matam 32 curdos em conflito

Operação marca escalada de violência após fim de cessar-fogo.

DIYARBAKIR, Turquia — Forças de segurança da Turquia mataram 32 militantes curdos na região majoritariamente curda no Sudeste do país, em um novo episódio que marca o acirramento do confronto reacendido pelo colapso de um cessar-fogo entre o Estado e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no fim de 2012. Na mesma operação, um policial morreu e outros dois foram feridos.

O cessar-fogo foi encerrado em julho, retornando um conflito que, nas últimas três décadas, provocou a morte de mais de 40 mil pessoas. A maioria dos combates ocorre nas cidades de Cizre e Silopi, próximas às fronteiras com Síria e Iraque. Um toque de recolher foi instituído nestas áreas.

No sábado, 16 rebeldes foram mortos em ambas as cidades, e outros quatro foram mortos no distrito histórico de Sur, na maior cidade da região, Diyarbakir.

Considerado um grupo terrorista por Turquia, EUA e União Europeia, o PKK alega estar lutando por autonomia e por direitos aos curdos no país-membro da Otan.

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Ataque atribuído ao PKK mata soldados turcos

Essa foi reação mais dura desde o início da ofensiva turca contra o grupo.
‘Guerra contra o terrorismo’ foi lançada pela Turquia no fim de julho.

Oito soldados turcos morreram nesta quarta-feira (19) em um ataque com explosivos contra seu veículo na província de Siirt, no sudoeste do país.

O atentado aparentemente foi realizado pelo Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), informou a agência oficial Anatólia.

É o ataque mais violento realizado pelo PKK desde que o governo lançou uma grande operação contra o grupo armado curdo no mês passado.

Ancara lançou em 24 de julho uma “guerra contra o terrorismo”, visando ao mesmo tempo o PKK e combatentes do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) na Síria.

Mas as dezenas de ataques aéreos que se seguiram se concentraram nas guerrilhas curdas, sendo apenas três direcionados oficialmente contra o EI.

Por sua vez, o PKK continuou a realizar ataques contra as forças de segurança, matando pelo menos vinte agentes desde o início do novo ciclo de violência, de acordo com fontes oficiais turcas.

Estimativa divulgada em 9 de agosto aponta que cerca de 390 combatentes curdos do PKK foram mortos e 400 ficaram ficaram feridos em apenas duas semanas de ataques da aviação turca contra suas bases no norte.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/08/ataque-atribuido-ao-pkk-mata-soldados-turcos.html

Confrontos entre guerrilha curda e forças turcas deixam 9 mortos

4 soldados, 1 policial e 4 membros da guerrilha curda morreram.
Brigas ocorreram no sudeste da Turquia, segundo imprensa local.

Pelo menos quatro soldados, um policial e quatro membros da guerrilha curda do PKK, Partido de Trabalhadores de Curdistão, morreram em vários confrontos no sudeste da Turquia, segundo informam neste domingo (16) o Estado-Maior turco e meios de imprensa locais.

No primeiro dos ataques reportados pela administração militar em comunicado em seu site, morreram três soldados e houve seis feridos quando um carro bomba explodiu em uma estrada durante a passagem de um veículo militar, em Karliova, cidade da província de Bingol.

Em outro confronto em Semdinli, um povoado da província fronteiriça de Hakkari, um policial e quatro membros da guerrilha curda morreram quando estes últimos tentavam bloquear uma estrada.

O governador da província de Mus, Vedat Buyukersoy, declarou neste domingo à agência “Anadolu” que tinha sido instaurado o toque de recolher na cidade de Varto, perante a presença de rebeldes do PKK que desembocou em confrontos, dos quais ainda não se conhece o desenlace.

Em outro ataque à sede do partido governante Justiça e Desenvolvimento (AKP) em Diyarbakir com carro-bomba ficou ferido o guarda de segurança.

Com estes já são, segundo apuração do jornal “Hurriyet”, 42 membros das forças de segurança turcas mortos nos últimos 40 dias em confrontos com o PKK.

Os ataques da guerrilha curda se intensificaram nas últimas 5 semanas, ao mesmo tempo que os bombardeios do Exército turco sobre as posições do PKK no norte do Iraque, desde o fim do cessar-fogo.

Segundo o Exército turco, pelo menos 400 rebeldes do PKK foram “eliminados” na ofensiva do norte do Iraque e dentro da Turquia.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/08/confrontos-entre-guerrilha-curda-e-forcas-turcas-deixam-9-mortos.html

Líder curdo acusa Turquia de ‘proteger’ o ‘Estado Islâmico’

A Turquia teve um dia sangrento nesta segunda-feira, em meio às crescentes tensões entre o governo e os militantes da minoria curda.

Seis membros das forças de segurança foram alvejados em uma série de ataques no país: na Província de Sirnak (sudeste) quatro morreram em um ataque a bomba e um quinto foi morto por tiros disparados contra um helicóptero militar. Em Istambul, um sexto homem foi morto em confrontos após um carro ter explodido.

A maioria dos ataques contra forças de segurança da Turquia tem sido atribuída aos rebeldes curdos do PKK, embora não tenha havido reivindicação oficial por parte do grupo até o momento. Nas duas últimas semanas, mais de 20 membros das forças turcas foram mortos em ataques atribuídos aos rebeldes.

Além disso, também nesta segunda-feira, o consulado dos EUA na cidade foi atacado por dois homens. Um grupo de extrema esquerda reivindicou a última ação.

Por trás dos ataques está uma disputa de poder entre o governo da Turquia e seus grandes adversários: os curdos, que formam a minoria étnica sem Estado próprio mais numerosa do Oriente Médio. São mais de 30 milhões de pessoas, segundo os cálculos mais conservadores, ocupando um território que engloba partes da Turquia, da Síria, do Iraque e do Irã. Os curdos reivindicando mais autonomia.

Em entrevista à BBC, o líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Cemil Bayik, acusou nesta segunda-feira o governo turco de tentar proteger o grupo autodenominado “Estado Islâmico” para impedir que os curdos conquistem mais direitos e territórios.

Leia mais: Por que a Turquia também bombardeia os inimigos do ‘Estado Islâmico’?

Leia mais: Jovens mortos na Turquia se preparavam para reconstruir cidade destruída pelo ‘EI’

“Os turcos alegam estar lutando contra o ‘EI’, mas estão na verdade lutando contra o PKK”, disse Bayik.

“Estão fazendo isso para limitar a luta do PKK contra o ‘EI’. A Turquia está protegendo o ‘EI’. (O presidente turco Recep Tayyip) está por trás dos massacres do ‘EI’. Seu objetivo é interromper o avanço curdo contra (o grupo islâmico).”

O governo nega que a campanha contra o “EI” seja uma desculpa para avançar contra os curdos. Na última quarta-feira, o país afirmou estar planejando uma “ampla batalha” contra os extremistas islâmicos.

Estratégia

A partir de julho, a Turquia entrou militarmente no combate ao “Estado Islâmico”, bombardeando alvos extremistas em apoio à coalizão liderada pelos EUA.

Mas os curdos – que já estavam engajados na luta contra o “EI” na Síria e no Iraque – alegam que o governo está aproveitando esses bombardeios para atacar campos do PKK no norte iraquiano.

Segundo analistas, a estratégia da Turquia de combater os curdos poderia ser um elemento-chave para conquistar os votos nacionalistas que o atual governo de Ancara precisa para recuperar a maioria perdida nas recentes eleições de junho.

Leia mais: Resultados das eleições apontam para ‘nova era da política’ na Turquia

‘Os turcos alegam estar lutando contra o ‘EI’, mas estão na verdade lutando contra o PKK’, diz líder Cemil Bayik

Observadores dizem que os combatentes do PKK têm sido um alvo bem mais frequente do que os do “EI”.

Os dois lados – curdos e governo – haviam acordado um cessar-fogo para o duradouro conflito, mas os bombardeios iniciados em julho parecem ter colocado fim à trégua.

Por sua vez, a Turquia, assim como alguns países ocidentais, classifica o PKK de “organização terrorista”.

A disputa entre turcos e curdos complica a ofensiva americana contra o “EI” – já que os EUA vinham contando com a ajuda de curdos sírios, aliados dos rebeldes curdos na Turquia.

Volta da violência

Mais de 40 mil pessoas foram mortas desde que o PKK deu início à luta armada contra o governo turco, em 1984.

Nos anos 1990, a organização abandonou sua demanda por um Estado próprio e passou a reivindicar mais autonomia para os curdos.

Em março de 2013, foi acordado o cessar-fogo, mas a violência voltou a eclodir nas últimas semanas, depois que um atentado a bomba atribuído ao “EI” matou 32 pessoas em Suruc, cidade de maioria curda.

O braço militar do PKK matou dois policiais turcos, alegando que eles haviam colaborado com o bombardeio do “EI”.

A Turquia diz que o grupo é responsável por diversos outros ataques.

No último domingo, cinco policiais e dois civis foram feridos quando uma bomba foi detonada em uma delegacia de Istambul, segundo a imprensa local. Não está claro quem perpetrou o atentado.

Para Bayik, do PKK, as negociações são “a única opção” para colocar fim ao conflito curdo.

Ele afirmou que o PKK interromperia seus ataques se a Turquia puser fim à sua operação militar e pediu monitoramento internacional para supervisionar um novo cessar-fogo.

O premiê turco, Ahmet Davutoglu, havia dito previamente que os ataques contra o PKK continuarão até que o grupo se renda.

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150810_turquia_entrevista_pkk_pai

Turquia volta a bombardear o PKK no Iraque e ataca os curdos da Síria

Caças das Forças Aéreas turcas bombardearam pelo terceiro dia consecutivo as posições do grupo armado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) nos dois lados da montanhosa fronteira entre Turquia e Iraque. Três F-16 fizeram nove saídas durante a noite do domingo (dia 26) para segunda-feira (dia 27) para bombardear as bases do PKK nas regiões iraquianas de Hakurk, Zap e Haftanin e nas montanhas Cilo da província turca de Yuksekova, segundo fontes da guerrilha curda. O bombardeio realizado no interior da Turquia causou a perda da comunicação com um grupo de 50 pessoas, entre os quais há mulheres e crianças e das quais se desconhece o paradeiro, segundo informações da agência DIHA.

MAIS INFORMAÇÕES

As Unidades de Proteção Popular (YPG), a milícia curda que luta na Síria contra o Estado Islâmico (EI), denunciaram que a artilharia turca também atacou suas posições e feriu quatro guerrilheiros. O Observatório Sírio de Direitos Humanos confirmou o ataque, efetuado por um tanque turco e que ocorreu na aldeia de Zor Mghar, fronteiriça com a Turquia e situada na margem oriental do rio Eufrates. O Ministério das Relações Exteriores turco garantiu que sua artilharia não lançou nenhum ataque contra o YPG.

Se o ataque for confirmado como se pretende —pode se dever também a um erro de cálculo, já que do outro lado do rio se situam as posições do EI— seria uma importante tomada de posição da Turquia que, ainda que veja as YPG como uma organização “terrorista”, por seus laços com o PKK, não tinha dirigido o grosso de seus ataques contra essas milícias, com as quais os EUA se aliaram em sua campanha contra os jihadistas.

Em uma reunião neste domingo com os diretores dos principais meios de comunicação turcos, cujo conteúdo a imprensa turca publicou na segunda-feira, o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu, afirmou que seu país não atacaria as YPG: “Até o momento, não nos incomodou como o Daesh [acrônimo em árabe do Estado Islâmico] ou o PKK. Se o fizer, reagiremos da mesma forma. Mas se não incomodarem a Turquia, se cortarem relações com o regime de Assad [o presidente sírio] e cooperarem com a oposição [Síria], podem ter um lugar na nova Síria”.

As milícias curdas do YPG, precisamente, recuperaram nesta segunda-feira —com a ajuda dos ataques aéreos coordenados pelos EUA— uma cidade no norte da Síria depois de um mês de ofensiva. A localidade, perto do rio Eufrates, era uma base a partir da qual o EI fazia incursões à cidade de Kobane, na fronteira com a Turquia.

De outro lado, e em uma nova indicação de que o processo de paz iniciado pelo Governo e os curdos em 2012 está totalmente esgarçado, o primeiro-ministro turco advertiu o Partido da Democracia dos Povos (HDP), considerado o braço político do PKK, que não Abdullah Öcalan, o líder da guerrilha preso desde 1998, não poderá receber visitas até que o Partido convença o grupo armado a deixar as armas e retirar seus militantes da Turquia.

Selahattin Dermitas, líder do HDP, denunciou hoje que os islâmicos moderados que dirigem a Turquia “estão levando o país a uma grande guerra” apesar de ser um “governo de transição”, já que nas eleições passadas Davutoglu perdeu a maioria absoluta e ainda não conseguiu pactuar uma coalizão. “O Governo tenta salvar a si mesmo”, acrescentou o político curdo, acusando Davutoglu e o presidente, Recep Tayyip Erdogan, de usar as operações militares para aumentar sua intenção de voto caso as eleições tenham de ser repetidas.

15 presos em operação policial contra o EI em Ancara

Ao mesmo tempo, desde o amanhecer de segunda-feira está em marcha uma operação policial em Haci Bayram (Ancara), conhecido por ser um centro de recrutamento do Estado Islâmico. Apoiados por helicópteros, cerca de 500 policiais tomaram as ruas do bairro e detiveram 15 pessoas, várias delas estrangeiras. Davutoglu prometeu que o Exército turco continuará atacando o EI na Síria até que “se afaste da fronteira”. No entanto, também nesta manhã, a rede CNN-Türk mostrou imagens de militantes do grupo jihadista escavando trincheiras apenas a alguns metros do limite territorial da Turquia.

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/07/27/internacional/1437986632_361510.html

Turquia volta a atacar posições do PKK no norte do Iraque

Neste sábado, dois soldados turcos morreram em ataque atribuído ao PKK.
Escalada começou com ataque atribuído ao Estado Islâmico que matou 32.

A Turquia voltou a atacar neste domingo (26) posições do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no norte do Iraque, um dia após seus bombardeios contra os rebeldes curdos provocarem o fim da trégua em vigor desde 2013.

Por volta das 20h do horário local (14h de Brasília), vários aviões F-16 decolaram da base de Diyarbakir, no sudeste da Turquia, em direção às montanhas Kandil, onde estão as bases de retaguarda do movimento rebelde, informou a CNN e a NTV.

Um dia antes, dois soldados turcos morreram em um atentado com carro-bomba no distrito de Lice, perto da grande cidade de maioria curda de Diyarbakir (sudeste), após a chegada de um comboio de gendarmes que haviam sido chamados ao local pelo incêndio de um veículo.

O ataque não foi reivindicado até o momento, mas leva o selo do PKK, em rebelião desde 1984 contra as forças de segurança turcas.

Horas antes, o movimento curdo havia ameaçado romper o cessar-fogo proclamado unilateralmente em 2013 devido aos bombardeios turcos contra suas bases no norte do Iraque.

Esta brusca escalada da tensão entre o governo islamita-conservador turco e os rebeldes curdos da Turquia coincide com a decisão de Ancara de atacar os jihadistas do Estado Islâmico (EI), atingindo suas posições em território sírio.

Desde a noite de sexta-feira, caça-bombardeiros F-16 turcos realizam diversos ataques contra instalações, campos, hangares e depósitos de munições do PKK nas montanhas Kandil, no extremo norte do território iraquiano.

As operações deixaram um morto e três feridos nas fileiras do PKK, segundo a organização.

“Foram rompidas as condições de manutenção do cessar-fogo”, proclamaram as Forças de Defesa do Povo (HPG), a ala militar do PKK, em seu site. “Diante destas agressões, temos o direito de nos defendermos”.

Reunião da Otan
Os embaixadores dos 28 países da Otan se reunirão na terça-feira, a pedido da Turquia, para analisar a situação diante do agravamento da tensão entre Ancara, os rebeldes curdos e os jihadistas do Estado Islâmico, informou a Aliança neste domingo.

A Turquia “pediu a reunião diante do agravamento da situação após os cruéis ataques terroristas dos últimos dias, e também para informar aos seus aliados sobre as medidas que está tomando”.

“Os aliados da Otan acompanham de muito perto a situação e estão solidários com a Turquia”, destacou o comunicado.

Ancara recorreu ao artigo 4º do tratado do pacto, que permite a um membro da Aliança convocar o grupo diante de “uma ameaça a sua integridade territorial, independência política ou segurança”, acrescenta a nota.

O governo turco do presidente Recep Tayyip Erdogan iniciou em 2012 negociações de paz com o chefe do PKK detido, Abdullah Ocalan, para tentar colocar fim a uma insurgência que deixou 40.000 mortos desde 1984. Mas as negociações não levaram a nenhum acordo.

“Sob o pretexto de uma ofensiva contra o grupo Estado Islâmico, o governo declarou guerra a todas as organizações terroristas”, disse o professor David Romano, da Universidade do Estado do Missouri (Estados Unidos), à AFP. “Acredito que quer atacar mais o PKK que o EI”.

A Casa Branca, que acaba de fechar um acordo com Ancara para utilizar a base turca de Incirlik (sul) em sua campanha antijihadista na Síria e no Iraque, defendeu o direito dos turcos de “realizar ações contra alvos terroristas”, segundo seu conselheiro adjunto de segurança nacional, Ben Rhodes.

Ancara ordenou os bombardeios após uma série de ataques na última semana contra suas forças de segurança atribuídas a militantes próximos ao PKK.

O movimento separatista reivindicou na quarta-feira o assassinato de dois policiais em Ceylanpinar (sudeste), na fronteira com a Síria. Disse ter agido em resposta ao atentado suicida de Suruc (sul) atribuído ao EI, que na segunda-feira deixou 32 mortos e uma centena de feridos entre militantes da causa curda.

A comunidade curda da Turquia acusa o governo de apoiar os jihadistas, coisa que Ancara nega.

O principal partido curdo na Turquia denunciou a estratégia de Erdogan de atiçar tensões. “Seu objetivo é que o país arda para obter plenos poderes”, criticou o Partido Democrático dos Povos (HDP).

Em muitas cidades da Turquia, a tensão é palpável há uma semana. Quase todas as manifestações contra Erdogan são reprimidas pela polícia.

Neste domingo, um policial morreu durante confrontos com manifestantes de extrema esquerda no bairro de Gazi, em Istambul, informou a agência pró-governamental Anatolia.

O policial, gravemente ferido por um tiro quando realizava prisões neste bairro, morreu no hospital.

E na noite de sábado um homem foi abatido durante confrontos entre a polícia e manifestantes pró-curdos em Cizre (sudeste), informaram fontes médicas.

Com o objetivo de acalmar os ânimos, o principal partido curdo cancelou a “grande marcha pela paz” antijihadista prevista para este domingo em Istambul e proibida pelo governador.

Desde sexta-feira, as autoridades turcas realizam uma operação sem precedentes contra supostos militantes do EI, do PKK e da extrema esquerda. Segundo dados oficiais, 590 pessoas foram detidas em todo o país.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/turquia-volta-atacar-posicoes-do-pkk-no-norte-do-iraque.html

Ataque com carro-bomba atribuído ao PKK mata 2 soldados na Turquia

Dois soldados morreram e quatro ficaram feridos em um ataque com carro-bomba na noite do sábado (25) em Diyarbakir, província de maioria curda no sul da Turquia, segundo um comunicado divulgado neste domingo (26) pelo Estado-Maior turco. As informações são da agência de notícias EFE.

O comunicado atribui o ataque a “um grupo terrorista de uma organização terrorista separatista”, fórmula habitual para se referir à guerrilha curda.

O ataque ocorreu menos de 24 horas depois que caças turcos bombardearam posições do proscrito Partido de Trabalhadores de Curdistão (PKK) no norte do Iraque, depois do qual a guerrilha deu por finalizado o cessar-fogo declarado há dois anos.

Protesto nas ruas de Ancara
Manifestantes foram às ruas de Ancara neste sábado (25), na Turquia, para protestar contra um ataque suicida que matou 32 pessoas nesta segunda-feira (20).

O atentado foi conduzido por um jovem turco contra militantes pró-curdos na cidade de Suruc, no sul do país, perto da fronteira Síria, e deixou um saldo de 32 mortos e uma centena de feridos. O governo atribuiu a autoria deste ataque ao Estado Islâmico, que não o reivindicou.

Neste sábado, a Turquia atacou, pela terceira vez em 24 horas, alvos do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) na Síria, ao mesmo tempo em que caças F-16 bombardearam posições dos rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no norte Iraque. Não foi divulgado se houve mortes.

Estes bombardeios representam uma guinada na política do governo islâmico e conservador turco, acusado por seus aliados de fazer vista grossa e até de apoiar organizações radicais em guerra contra o regime do presidente sírio Bashar al-Assad. O Estado Islâmico assumiu o controle de maior parte das regiões norte e leste da Síria, quatro anos após o início da guerra civil no país.

Manifestante é detida por policiais turcos durante manifestação  (Foto: Adem Altan/AFP)Manifestante é detida por policiais turcos durante manifestação (Foto: Adem Altan/AFP)

“Há operações aéreas e terrestres atualmente em andamento”, anunciou o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu. “Tais operações não são ‘operações pontuais’ e vão continuar enquanto houver ameaças contra a Turquia”, disse ele. De acordo com o governo em Ancara, a campanha tem o objetivo de ajudar a criar uma “zona segura” em faixas do norte sírio.

Protesto contra atentado que matou 32 na Turquia reúne pessoas em Ancara neste sábado (Foto: Adem Altan/AFP)Protesto contra atentado que matou 32 na Turquia reúne pessoas em Ancara neste sábado (Foto: Adem Altan/AFP)

Turquia ataca EI na Síria pela 3ª vez em 24 horas para criar ‘zona segura’

Ao mesmo tempo, caças bombardeiam bases de curdos no Iraque.
Polícia turca prende 590 suspeitos de ligação com organizações terroristas.

A Turquia atacou novamente neste sábado (25), pela terceira vez em 24 horas, alvos do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) na Síria, ao mesmo tempo em que caças F-16 bombardearam posições dos rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no norte Iraque. Não foi divulgado se houve mortes.

Estes bombardeios representam uma guinada na política do governo islâmico e conservador turco, acusado por seus aliados de fazer vista grossa e até de apoiar organizações radicais em guerra contra o regime do presidente sírio Bashar al-Assad. O Estado Islâmico assumiu o controle de maior parte das regiões norte e leste da Síria, quatro anos após o início da guerra civil no país.

“Há operações aéreas e terrestres atualmente em andamento”, anunciou o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu. “Tais operações não são ‘operações pontuais’ e vão continuar enquanto houver ameaças contra a Turquia”, disse ele. De acordo com o governo em Ancara, a campanha tem o objetivo de ajudar a criar uma “zona segura” em faixas do norte sírio.

Imagem de avião militar divulgada nesta sexta-feira (24) pela agência estatal da Turquia Anadolu mostra o que seria ataque a alvos do grupo Estado Islâmico na fronteira com a Síria (Foto: Anadolu via AP Video)Imagem de avião militar divulgada nesta sexta-feira (24) pela agência estatal da Turquia Anadolu mostra o que seria ataque a alvos do grupo Estado Islâmico na fronteira com a Síria (Foto: Anadolu via AP Video)

As operações militares foram ordenadas após uma espiral de violência que começou na última segunda-feira com o atentado suicida de um jovem turco contra militantes pró-curdos na cidade de Suruc (sul), perto da fronteira síria, com um saldo de 32 mortos e uma centena de feridos. O governo atribuiu a autoria deste ataque ao EI, que não o reivindicou.

Explosão matou dezenas de pessoas na cidade turca de Suruc, perto da fronteira com a Síria, nesta segunda-feira (20) (Foto: Dicle News Agency/AFP)Explosão matou 32 pessoas na cidade turca de
Suruc, perto da fronteira com a Síria, nesta
segunda-feira (20) (Foto: Dicle News Agency/AFP)

Em represálias por este atentado, militantes próximos ao PKK multiplicaram suas operações contra as forças de segurança turcas, símbolo de um governo acusado por muitos de cumplicidade com os jihadistas. Na quarta-feira, o PKK reivindicou o assassinato de dois policiais na cidade de Ceylanpinar (sudeste).

Davutoglu informou neste sábado sobre 121 ataques armados e 281 “atos terroristas”, entre eles 15 sequestros, na Turquia desde 7 de junho.

Cessar-fogo abalado no Iraque
A frente contra o PKK foi aberta na noite de sexta-feira, quando os aviões bombardearam sete alvos dos rebeldes, refúgios, hangares e depósitos de munições, em suas retaguardas das montanhas Kandil, no extremo norte do Iraque.

Davutoglu diz ter falado com o presidente da região autônoma curda do Iraque, Masud Barzani, que expressou sua solidariedade. Mas uma declaração feita por Barzani posteriormente disse que o presidente turco expressou “seu desgosto com o perigoso nível que a situação alcançou”.

“As condições para manter o cessar-fogo (…) foram eliminadas”, respondeu pouco depois o PKK por meio de sua ala militar, as Forças de Defesa Popular (HPG). O comunicado do braço armado do PKK denunciou a “agressão bélica” e prometeu manter a “resistência”.

Esta ofensiva contra os militantes curdos ameaça lançar pelos ares o processo de paz iniciado em 2012 para tentar acabar com uma rebelião que deixou 40 mil mortos desde 1984 em território turco.

Críticos, incluindo políticos de oposição na Turquia, acusam o presidente turco, Tayyip Erdogan, de tentar usar a campanha contra oEstado Islâmico como um pretexto para reprimir os curdos.

Novas detenções
Além disso, pelo segundo dia consecutivo, a polícia antiterrorista turca realizou na manhã deste sábado dezenas de detenções de supostos militantes do grupo EI e do PKK em várias cidades, sobretudo em Istambul, Ancara, Adana (sul), Konya (centro) e Manisa (noroeste), informou a imprensa turca.

Esta operação, inédita nas fileiras jihadistas, começou na sexta-feira e contou com a participação de milhares de policiais. Segundo o último balanço fornecido neste sábado pelo governo, há 590 pessoas detidas, entre elas dezenas de estrangeiros suspeitos de colaboração com os grupos que fazem os jihadistas chegarem à Síria através do território turco.

Outros dois suspeitos detidos em Istambul (Foto: Ozan Kose / AFP Photo)Suspeitos por ligação com o Estado Islâmico são
detidos em Istambul (Foto: Ozan Kose / AFP Photo)

Desde segunda-feira, a tensão cresce em muitas cidades e a polícia reprime as manifestações contra a política do presidente Recep Tayyip Erdogan.

Manifestação cancelada
Em busca de apaziguamento, o principal partido curdo da Turquia cancelou a marcha antijihadista prevista para domingo em Istambul. Ela havia sido proibida pelo governador local.

Em outro sinal da guinada estratégica da Turquia, as autoridades confirmaram ter autorizado os Estados Unidos e outros países da coalizão antijihadista a utilizar suas bases, como a de Incirlik (sul).

Estes países criticavam Ancara por sua atitude passiva contra o EI e sua negativa em intervir militarmente em apoio às milícias curdas da Síria. O governo turco sempre foi reticente a isso por medo da criação de uma região autônoma hostil no norte do país.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/turquia-ataca-ei-na-siria-pela-3-vez-em-24-horas-para-criar-zona-segura.html