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As dificuldades da igreja na Mauritânia

O nível de analfabetismo é agravante, então mesmo que houvesse Bíblias para os fieis, eles não poderiam ler.

A igreja na Mauritânia sempre passou por grandes dificuldades. O país é muito fechado em todos os sentidos para os cidadãos em geral, e os cristãos enfrentam ainda o extremismo islâmico e o rigor das leis de apostasia. Como a constituição reconhece o islamismo como a única religião nacional, a prática do cristianismo é vista como um crime.

A nação também está entre as mais pobres do mundo, então a igreja é carente de recursos. O nível de analfabetismo é agravante, então mesmo que houvesse Bíblias para os fieis, eles não poderiam ler. Há necessidade de líderes com amplo conhecimento e experiência evangelística. Muitos cristãos ainda são influenciados pelo ambiente muçulmano e sequer conhecem o básico da Palavra, como os Dez Mandamentos, por exemplo, e a falta de conhecimento bíblico tem causado problemas éticos.

Há vários cristãos isolados em aldeias, alguns estão presos e sendo torturados. A pressão é realmente grande e a necessidade de orações é evidente. Como é impossível registrar uma igreja na Mauritânia, as reuniões são arriscadas, totalmente clandestinas e secretas. Sem liberdade de poder adorar a Deus, esses cristãos se esforçam para manter a fé.

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2016/11/as-dificuldades-da-igreja-na-mauritania

‘Conflito esquecido’: Uma brasileira entre refugiados e ataques de meninas suicidas no Chade

Quando a carioca Karina Teixeira contou que iria para uma missão humanitária no Chade, muitos de seus amigos e parentes lhe perguntaram se ela estava louca.

Com o conflito, o Chade vive uma das maiores crises humanitárias da atualidade. Além da pressão causada pela entrada de nigerianos e moradores de outros países vizinhos obrigados a fugir de casa por conta da violência do Boko Haram, há a ameaça constante de ataques suicidas cometidos por meninas sequestradas pelo grupo.

Somente na região do lago Chade (que banha Niger, Camarões, Nigéria e Chade), há mais de 2,7 milhões de deslocados e refugiados.

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Famílias iraquianas recorrem a venda de órgãos contra pobreza

O agravamento da pobreza no Iraque nos últimos anos está levando muitas famílias a apelar para a venda de órgãos.

É o caso da família de Om Hussein, uma mãe iraquiana que chegou ao limite de suas forças e, desesperada, não viu outra saída.

Assim como milhões de pessoas no país marcado por mais de uma década de guerras e violência, ela, o marido e quatro filhos enfrentam fome e miséria para sobreviver.

O marido, Ali Hussein, está desempregado. Ele é diabético e tem problemas cardíacos. Há nove anos que a família é sustentada por Om, que trabalha como empregada doméstica.

Mas ela diz estar ficando sem condições de trabalhar.

“Estou cansada e ficamos sem dinheiro para pagar aluguel, remédios, comida e as necessidades das crianças”, conta ela, na casa de um quarto no leste de Bagdá, onde a família está morando temporariamente.

A casa onde a família morava estava tão deteriorada que desabou há alguns meses; eles têm sobrevivido graças à ajuda de amigos e parentes.

BBC
Image captionCasa onde família morava desabou e agora eles vivem em imóvel com apenas um quarto

“Trabalhei em tudo o que você pode imaginar”, conta o marido, Ali. “Açougueiro, diarista, catador de lixo. Eu não pediria dinheiro, mas eles deram”, disse Ali.

“Eu diria para o meu filho pegar pão jogado fora na rua e nós comeríamos, mas nunca pedi comida ou dinheiro.”

Sacrifício

Em meio a tanta pobreza, Om Hussein decidiu fazer um grande sacrifício.

BBC
Image captionAli Hussein está desempregado e tem problemas de saúde

“Decidi vender um dos meus rins. Eu não podia mais sustentar minha família. Seria melhor do que vender meu corpo ou viver de caridade”, disse.

O casal encontrou um traficante de órgãos, mas exames iniciais mostraram que os rins de Om e de seu maridos não eram saudáveis o bastante para aguentar um transplante.

Decepcionados, o casal pensou em uma solução desesperada.

“Por causa de nossa situação miserável até pensamos em vencer o rim de nosso filho”, disse Ali apontando para o filho de nove anos, Hussein.

“Faríamos qualquer coisa menos pedir esmolas. Por que nós chegamos a isso?”

A família não foi tão longe, mas dizem que só de pensar na possibilidade todos já ficaram desolados.

O comércio

A crescente pobreza no país deu grande impulso ao tráfico de rins e outros órgãos em Bagdá.

Segundo estatísticas do Banco Mundial relativas a 2014, cerca de 22,5% da população do Iraque, de quase 30 milhões de pessoas, vivem na miséria.

Gangues oferecem até US$ 10 mil (quase R$ 36 mil) por um rim e têm se aproximado dos iraquianos mais pobres, transformando o país em um novo centro do comércio de órgãos no Oriente Médio.

BBC
Image captionA pobreza no Iraque leva famílias ao desespero e à tentativa de vender órgãos do corpo

“O fenômeno é tão espalhado que as autoridades não tem como combatê-lo”, disse Firas al-Bayati, advogado ligado a defesa de direitos humanos.

“Nos últimos três meses lidei pessoalmente com 12 pessoas que foram presas por vender os próprios rins. E a pobreza era a razão por trás destes atos.”

“Imagine este cenário: um pai desempregado que não tem nenhuma fonte de renda para sustentar os filhos. Ele se sacrifica e ainda é preso. Considero-o uma vítima; tenho que defendê-lo”, diz ele.

Nova lei

Em 2012, o governo aprovou uma nova lei para combater o tráfico de pessoas e órgãos.

BBC
Image captionA doação de órgãos só pode ocorrer entre familiares, mas é fácil falsificar documentos

Apenas familiares podem doar os órgãos para outra pessoa e com consentimento mútuo.

Mas a partir daí, os traficantes passaram a usar documentos de identidade falsos, tanto do comprador como do vendedor, para provar que seriam da mesma família.

“É muito fácil falsificar documentos de identidade. Mas, em breve, o governo vai introduzir novas identidades biométricas, que são impossíveis de falsificar”, disse al-Bayati.

As penas por quem comercializa órgãos varia de três anos de prisão à pena de morte e, segundo Firas al-Bayati, os juízes não costumam aceitar a pobreza como justificativa para o crime.

Na prisão

A reportagem da BBC teve acesso a uma prisão iraquiana para se encontrar com um homem que foi preso depois de oferecer rins para vender.

Mohammed, que preferiu não dar o nome completo, está em uma prisão de segurança máxima junto com outras dez pessoas condenadas por tráfico de órgãos.

“No começo eu não me sentia culpado”, disse Mohammed, que tem dois filhos.

“Encarava como uma causa humanitária, mas depois de alguns meses neste negócio comecei a questionar a moralidade – principalmente por causa das condições miseráveis dos vendedores de órgãos. Partiu meu coração ver jovens fazendo isto por dinheiro.”

BBC
Image captionMédico afirma que, em alguns casos, há dúvidas sobre a ocorrência do tráfico de órgãos, mas eles temem pela vida do paciente

Ele foi preso em frente a um hospital público de Bagdá em novembro de 2015 depois que um policial fingiu ser um possível comprador.

A maioria dos transplantes ilegais de órgãos ocorre em hospitais particulares, especialmente no Curdistão iraquiano, segundo Mohammed. Nesta região há menos restrições do que em Bagdá.

Mas retiradas de órgãos ou transplantes acabam sendo realizados também em hospitais públicos; os cirurgiões dizem que é muito difícil analisar os documentos de cada caso.

“Não há lei no mundo que responsabilize o cirurgião por isso”, disse Rafe al-Akili, cirurgião no Centro de Doenças e Transplantes Renais de Bagdá.

“É verdade que, em alguns casos, temos dúvidas, mas não é o bastante para impedir a cirurgia pois, sem ela, as pessoas vão morrer.”

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/160420_iraque_venda_orgaos_fn

Quatro em cada cinco sírios vivem na pobreza e miséria, afirma ONU

País é crise humanitária mais grave de nossos tempos, disse chefe da ONU.
A guerra na Síria provocou mais de 215.000 mortes desde março de 2011.

Quatro em cada cinco sírios vivem na pobreza e na miséria, afirmou nesta terça-feira (31) o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que considera esta a “crise humanitária mais grave de nossos tempos”.

“Quatro em cada cinco sírios vivem na pobreza, na miséria e com privações. O país perdeu quase quatro décadas de desenvolvimento humano”, declarou Ban na abertura de uma conferência de doadores no Kuwait.

“Quase metade dos homens, mulheres e crianças deste país se viram obrigados a fugir de suas casas”, lamentou.

A guerra na Síria provocou mais de 215.000 mortes desde março de 2011 e mais de 10 milhões de refugiados ou deslocados, o que representa quase metade dos aproximadamente 23 milhões de habitantes do país, um recorde mundial em 20 anos, segundo a ONU.

Por este motivo, a ONU pede um esforço à altura das circunstâncias nesta conferência de ministros das Relações Exteriores de 78 países presidida por Ban Ki-moon. Analistas preveem uma arrecadação de 8,4 bilhões de dólares em um ano.

O Kuwait anunciou uma doação de 500 milhões de dólares para ajuda humanitária na Síria.

“Tenho o prazer de anunciar um compromisso de 500 milhões de dólares do governo do Kuwait e do setor privado para contribuir ao esforço humanitário na Síria”, disse o emir Sabah al-Ahmad al-Sabah.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/03/quatro-em-cada-cinco-sirios-vivem-na-pobreza-e-miseria-afirma-onu.htmlno