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PF apura ligação de 602 brasileiros com grupos terroristas

Investigadores acreditam que grupos se envolvem em crimes comuns para financiar ações extremistas

O GLOBO – Um relatório reservado da Polícia Federal (PF) mostra que pelo menos 602 brasileiros estão sendo monitorados por suspeita de envolvimento com grupos terroristas internacionais. O documento, um balanço das atividades da instituição, foi enviado para o Ministério da Justiça no final do ano passado, segundo disse ao GLOBO uma fonte com acesso ao material. Naquele período, a PF estava vinculada à pasta — hoje está na alçada do Ministério da Segurança —, e o terrorismo era um dos temas de maior interesse do ministro da Justiça, Torquato Jardim.

No relatório, a polícia levanta a suspeita de que alguns grupos estariam se envolvendo em crimes comuns numa tentativa de angariar fundos para financiar ações de extremistas no exterior. Até recentemente, as acusações mais frequentes eram de que estes grupos se abasteciam de recursos com o contrabando de cigarros e o tráfico de drogas em busca de somas mais expressivas. Agora, eles estariam partindo para outras alternativas, inclusive algumas menos lucrativas como o roubo de carros, sobretudo em São Paulo.

Pelas informações, mantidas em sigilo, os suspeitos estão sendo vigiados em redes sociais, como o Facebook, e em grupos de WhatsApp, entre outras maneiras. Em casos mais específicos, a PF intensifica a vigilância e parte para medidas mais invasivas, como escuta telefônica e até mesmo infiltração de agentes secretos entre os investigados, como aconteceu na Operação Hashtag, durante a Olimpíada de 2016. Em outras situações, a polícia simplesmente acompanha a movimentação diária do investigado até se certificar se as suspeitas iniciais têm ou não algum fundamento.

ATENÇÃO AOS DETALHES

Não existem regras gerais para identificar o momento exato em que uma pessoa adere a ideias extremistas e, muito menos, o momento em que esta pessoa está pronta para sair do discurso e partir para ação. Por isso, a ordem entre os investigadores é não desprezar nenhum detalhe. Para efeitos práticos, o monitoramento se torna sistemático sobre alguns casos merecedores de atenção especial, como radicalização de discursos fundamentalistas, contatos com pessoas envolvidas com grupos terroristas ou viagens a áreas de conflitos de fundo religioso.

— O acompanhamento em redes sociais é um trabalho diário. As pessoas surgem na rede e depois desaparecem. E não é porque são acompanhadas que elas são de fato terroristas — diz um policial com longa ficha de serviços prestados na área de inteligência da Polícia Federal.

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A polícia costuma também ficar de olho em pessoas que mantêm relações sentimentais com suspeitos de envolvimento em atividades extremistas. A razão é que suspeitos de terrorismo estariam também recorrendo a jogos de sedução para recrutar soldados, em geral mulheres. O fenômeno, considerado comum em alguns países, estaria se desenvolvendo também no Brasil. Por mais banal que pareça o golpe, um policial relata que extremistas tentam seduzir brasileiras com promessas de casamento.

O professor Leandro Piquet Carneiro, do Instituto de Relações Internacionais da USP, estudioso de crime transnacional, afirma que o monitoramento é uma medida necessária no Brasil e em qualquer país. Sem isso, segundo ele, as pessoas estariam mais expostas a ataques.

Alguns críticos dizem que investigadores têm exagerado ao dar relevância a discursos de ódio na internet. As ameaças seriam, sobretudo no Brasil, de caráter meramente verbal, sem maiores consequências práticas. Piquet Carneiro entende que este tipo de raciocínio é um erro. Ele lembra que os mais recentes e sanguinários atentados realizados na França e na Bélgica foram cometidos por jovens “desgarrados e periféricos”, sem maiores laços formais com os grupos terroristas organizados.

— Eles (terroristas) fazem pregação na internet. Aparece um maluco e adere. O lobo solitário é assim. Basta um deles pegar um caminhão e sair por aí atropelando as pessoas. Nossa inteligência não pode descuidar — diz o professor.

MINISTRO: ‘PREOCUPAÇÃO É GLOBAL’

A Divisão Antiterrorismo da Polícia Federal tem ainda um banco de dados com os nomes de 110 mil pessoas supostamente ligadas ou simpáticas a grupos terroristas. O banco de dados, onde constam também nomes de brasileiros, é abastecido com informações dos serviços de inteligência dos Estados Unidos, de Israel e de outros países que colaboram ativamente nas ações de prevenção ao terrorismo.

No relatório em que trata do número de pessoas monitoradas por suspeita de vínculo com terrorismo, a Polícia Federal apresenta ao Ministério da Justiça um balanço de todas as áreas em que atua. No documento, constam ainda informações sobre tráfico de armas, drogas e pessoas. Alguns trechos são dedicados às ações de combate à corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e crimes financeiros.

Procurada pelo GLOBO, a PF disse, via assessoria de imprensa, que não poderia falar sobre assuntos relacionados a terrorismo. O ministro da Segurança, Raul Jungmann, afirmou que desconhece o número de monitorados, mas salientou que o assunto é motivo de preocupação dentro do governo. Para ele, o “lobo solitário”, que atua na internet sem laços com grupos organizados é, sim, um risco real.

— Estamos inseridos num mundo onde a preocupação com o terrorismo é global — destaca o ministro.

JUSTIÇA CONDENOU OITO POR TERRORISMO

A questão do terrorismo deixou de ser, no Brasil, um mero debate sobre um problema de outros países. Nos últimos dois anos, alguns casos resultaram em ação da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF). No mais rumoroso deles, em 21 de julho de 2016, a polícia deflagrou a Operação Hashtag, que resultou na prisão de 15 pessoas. O grupo era suspeito de planejar um atentado terrorista durante os Jogos Olímpicos do Rio. A Divisão Antiterrorismo da PF monitorou em redes sociais diálogos do grupo, que se autointitulava “Defensores da Sharia”, a lei islâmica.

As penas variam entre 5 e 15 anos de prisão em regime fechado. Em maio deste ano, a 5ª Vara da Justiça Federal de Goiás tornou réus 11 brasileiros acusados de promover terrorismo e integrar uma organização criminosa.As investigações que levaram às denúncias tiveram início a partir da Operação Átila, da Polícia Federal. A denúncia do procurador Divino Donizete da Silva se fundamentou em informações extraídas de grupos de WhatsApp e do Facebook.

Weverton Costa Nascimento, um dos investigados, se identificava como Abu Omar Al-Brazili e administrava dois grupos no WhatsApp intitulados “Estado do Califado Islâmico” e “Na via de Alá, vamos”. Segundo o MPF, o Estado do Califado Islâmico foi criado por Thiago da Silva Ramos Benedito para “discutir a criação de uma célula terrorista no Brasil”. A denúncia diz que o grupo usava o Facebook “para promover a ideologia jihadista” e tentava “recrutar brasileiros para o Estado Islâmico na Síria”.

Com imagem e informações O Globo

Onde nasceu o processo que condenou terroristas no Brasil e a existência do “Daesh” no país

Por Amir Kater

                   Muito ouvem falar sobre diversas operações da Polícia Federal Brasileira, até pelos nomes pelos quais são batizadas, como por exemplo: Acrônimo, Zelotes, Lava Jato, Carne Fraca, Jaleco Branco, Esfinge entre muitas outras desde sua criação. Mas é evidente que uma das que foi falada, além da “Lava Jato”, foi no ano de 2016, a operação “Hastag”, por ocasião dos Jogos Olímpicos ocorridos no Rio de Janeiro.

               Pois bem, hoje falaremos um pouco dessa operação que acabou por condenar, recentemente, 08 (oito) pessoas por crime de terrorismo. O que ainda, não me convence, mas falaremos mais adiante.

                 A operação “Hashtag” teve seu início em 26 de abril de 2016, por conta de uma célula terrorista do grupo  “Daesh” (sigla em árabe para al-Daula al-Islamiya al-Iraq wa Sham (Estado Islâmico do Iraque e Sham [Levante]), aqui chamada de “Estado Islâmico” (EI). A operação em tela contou com órgão de diversos órgãos internacionais, Forças Armadas Brasileira, Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). Essa iniciativa, operação policial, foi a primeira com real foco em questões terroristas, com base na lei nº 13.260, sancionada, poucas semanas antes, em 16 de março de 2016, que tenta tipificar os crimes de terror. Sim, tenta tipificar, afinal sabemos que em seu art. 2º, §2º:

  Art. 2o  O terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública.

  • 2oO disposto neste artigo não se aplica à conduta individual ou coletiva de pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais, sindicais, religiosos, de classe ou de categoria profissional, direcionados por propósitos sociais ou reivindicatórios, visando a contestar, criticar, protestar ou apoiar, com o objetivo de defender direitos, garantias e liberdades constitucionais, sem prejuízo da tipificação penal contida em lei.

                  Fica evidente que não existe uma clara tipificação de terrorismo, e, sim uma tentativa, aliás, para quem leu o artigo anterior a este intitulado:“O QUE MUDA COM A LEI DE MIGRAÇÃO, O QUE TEMOS DE LEI ANTITERROR E O QUE O PRECONCEITO INTERNO PODE GERAR E JÁ ESTÁ GERANDO AO BRASIL?” no blog “Ecoando a Voz dos Mártires”, vê que se tenta definir terrorismo desde o Decreto nº. 4269, de janeiro de 1921, e, infelizmente essa lei em nada muda essa realidade de constante tentativa. Pois bem, feitas essas considerações iniciais podemos abordar o que hoje gostaria de lhes mostrar: a existência anterior de terroristas em solo brasileiro, afinal se assim não o fosse, para que haveria sido deflagrada a operação “Hashtag”?

 “O Brasil está na rota do terrorismo não por causa de nacionalidade, etnia ou religião, mas porque vai sediar o maior evento esportivo do mundo. Só o fato de existirem pessoas falando sobre isso, é uma prova disso“. Heni Ozi Cuckier, cientista político, que atuou junto à ONU no Cons. de Segurança e professor de RI na ESPM, em entrevista à BBC Brasil que chegou a afirmar a existência de uma “ameaça real”.

              O terrorista Maxime Hauchard, do “DAESH” posta no twiter, no ano de 2015, cerca de uma ano antes do início da operação policial “hashtag” o seguinte:

Brasil, vocês são nosso próximo alvo. Podemos atacar esse país de merda

                        Essa mensagem fora postada na sequência de atentado que matou cento e vinte e nove pessoas e feriu dezenas na França em 11 de novembro de 2015, mais precisamente em Paris. Tempos após a ABIN, através do seu, então, diretor Luiz Alberto Sallaberry, afirma que a mensagem acima, de Maxime, elevava o nível de alerta para terrorismo no país, e, que isso incrementava a adesão de brasileiros em relação ao “DAESH”.

                   No ano de 2016, no mês de abril, agentes do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) obtém informação de que muitos brasileiros mantinham contato com elementos ligados ao “DAESH”; o que fez com se elevasse mais uma vez o nível de alerta no Brasil. Tal informe gera maior tensão quanto aos alertas de contra-terror fazendo com que a ABIN expedisse relatório que demonstrava de maneira objetiva ameaças ao país durante os Jogos Olímpicos 2016. Concomitante os agentes solicitam à Polícia Federal alemã (BKA) informações sobre os 22 mil nomes dos integrantes do “daesh”, que lhes havia sido entregue por um informante; não encontraram brasileiros nessa lista.

       Em 29 de maio de 2016, segundo “SITE Intelligence Group”, agência de monitoramento de terrorismo, informa que integrantes do “daesh’ criam conta no aplicativo “Telegram”, com isso foi criado o primeiro grupo de aplicativos de comunicação para divulgação de terrorismo em português, voltado especificamente para o público brasileiro; visando cooptar seguidores, uma vez que já se sabia e se sabe, ainda mais hoje, o grande número de simpatizantes que há quanto aos grupos terroristas, e, não só ao “DAESH”. Basta analisar a autorização do então presidente Lula, que além de autorizar a construção de uma embaixada da Autoridade “Palestina, evidente embaixada do grupo terrorista Hamas, além dos 25 milhões que em Decreto, na canetada, o mesmo presidente doa a esse grupo terrorista, o que mais se pode pensar, não é?

          A partir desse momento, da criação do mencionado grupo, seus seguidores brasileiros, passam a espargir propaganda, incitações terroristas pelo grupo que se intitula, autointitula, “Asnar AL-Khilafah Brasil”, algo como “Soldados do Califado Brasil” que está sediado em território brasileiro. O uso do “Telegram” foi definido como ferramenta mais adequada para disseminação de propaganda, após o fechamento de diversas de suas redes sociais; além do que o aplicativo em questão, permite que se crie canal com número ilimitado de participantes. Aliás ferramenta utilíssima para os integrantes do “DAESH”, como é de conhecimento, devido a grande repercussão, àquela época, foi postado no grupo “Asnar AL-Khilafah Brasil”, 17 maneiras de cometimento de atentados durante os Jogos Olímpicos 2016, momento em que a ABIN passa a monitorar de maneira efetiva o grupo.

                  No início do mês de junho de 2016, a PF em Santa Catarina provoca a Justiça que permitisse o monitoramento de um elemento na cidade de Chapecó, devido suspeitas de planejamento de atentados. Na sequência, em 08 de julho, do mesmo ano, o senhor Raul Jungmann, Ministro da Defesa, informava que não havia informe não se havia qualquer rastreamento de agência internacional sobre ameaça de qualquer monta  de ataque durante os Jogos de 2016. E, ato-contínuo, imprime a “ladainha” de sempre, de que o Brasil é um país pacífico, bem armado e que sabe usar o contra-ataque. Me pergunto, a França, Alemanha, Suécia, Inglaterra entre outros não são pacíficas, não sabem contra-atacar: Por isso, estão sofrendo o que assistimos, hoje com muito menos freqüência, em nossas casas quando dos telejornais?

              Os envolvidos nesse episódio se denominavam, num grupo virtual de “Defensores de Sharia”, sim, os preceitos religiosos, comportamentais, sociais, costumes e outros expressos no “Al Kouran”, que planejavam adquirir material e armamento no exterior, com a intenção de praticar atos terroristas no Brasil. As quebras de sigilo telefônico, autorizadas pela Justiça Federal, demonstraram muitos indícios de que os elementos monitorados/investigados tinham evidente sentimento e prática de intolerância racial, igualmente assim agiam quanto a gênero, religiões diversas propagando-a. Também se descobriu a utilização de táticas com armas e de técnicas de guerrilha para buscar seus insanos, objetivos. Mensagens que estavam sendo monitorados mostram a comemoração de atentado nos EUA, dias antes, numa boate LGBT em Orlando. Segundo apurado pelo jornal “O Globo” essas pessoas usavam falsos nomes árabes, alguns possuíam antecedentes criminais e a idade variava entre 20 e 40 anos.

              A tal “organização” já tinha ramificações em sete estados do Brasil, quando passou a ser monitorado, através de um informante infiltrado no grupo virtual de discussões, após a PF brasileira, receber alerta do FBI. Ora, se houve a necessidade de alerta enviado por agência estrangeira, quanto se sabe ou se monitora realmente células, grupos, organizações ou facções terroristas em solo brasileiro? O questionamento vem com base em outro artigo que publiquei, que dava conta de monitoramento, leniente, por parte da Polícia Federal por volta do anos de 2011, que acabou por se abandonado, mesmo se sabendo da ligação dos elementos monitorados com a Al Qaeda de Osama Bin Laden.

                   Ainda em 2016, se iniciam as investigações, felizmente, menos leniente e mais profissionais do que as anteriores, que por questões, creio eu, mais políticas do que qualquer outra coisa, foram sendo deixadas de lado. Tais investigações passam, também, a monitorar diálogos via “Facebook” e “Twitter”, além de outros aplicativos eletrônicos. Por ocasião do, bem elaborado, monitoramento foram detidos doze elementos suspeitos de planejamento de atentado terrorista em solo brasileiro durante os Jogos 2016. Junto com as prisões mandados de busca, 19 no total, e apreensão foram cumpridos em dez estados brasileiros; cumprimento de duas conduções coercitivas, e, a Justiça determinara a prisão temporária dos doze envolvidos, detidos àquela época.

“Durante o rastreamento, inteligências de vários países nos auxiliaram com trocas de informações.”

Alexandre de Moraes, ministro da justiça, em entrevista à imprensa

             No mês de setembro, daquele ano, houve a divulgação de que os elementos ligados ao planejamento de atentados mencionavam a possibilidade do emprego de armas químicas, para a contaminação de estação de água durante os Jogos.

                 O juiz, Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal do Paraná, responsável pelo caso, dava conta de que as prisões temporárias e todas as outras medidas teriam sido autorizadas por evidentes indícios da práticas dos crimes previstos na Lei nº 13.260/16, no seguintes tocantes:

Art. 3o  Promover, constituir, integrar ou prestar auxílio, pessoalmente ou por interposta pessoa, a organização terrorista.

 Art. 5o  Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito:

  • loIncorre nas mesmas penas o agente que, com o propósito de praticar atos de terrorismo:

I – recrutar, organizar, transportar ou municiar indivíduos que viajem para país distinto daquele de sua residência ou nacionalidade; ou

             Documentos  demonstram em suas mais de 300 páginas a intenção dos extremistas de usar as tais armas químicas durante os Jogos 2016; literalmente falavam em promessa de pogrom (limpeza étnica – termo muito ligado às perseguições dos russos contra os judeus na Russia Ksariana) contra os “kaffir”, infiéis; concomitante a isso, islâmicos xiitas e americanos tramavam planos para contaminação de água no Rio de Janeiro; comemorando e trocando fotos dos atos bárbaros cometidos pelo integrantes do “DAESH” nos diversos locais devastados pelo grupo, tais fotos mostravam assassinatos através de incinerar pessoas vivas, decapitações, crucificações, entre outras barbaridades que já não aguentamos mais ver, jurando que o mesmo seria feito em terras brasileiras. Houve, ainda troca de instruções para construção de artefatos explosivos, além de pregarem guerra civil, e as mesmas práticas que mencionamos acima como prática da imposição de “sharia”. Houve, em setembro de 2016, a admissão por parte de Fernando Pinheiro Cabral, também conhecido como Ahmed Faaiz, em seu depoimento à PF, a elaboração de plano para atentado no estado de São Paulo, com grande probabilidade de alvo a parada gay daquela cidade. A ideia era perpetrar o ataque próximo da época dos Jogos 2016, dizendo:

 “em razão da proximidade das Olimpíadas, a fim de aproveitar a mídia em torno desse evento e do Brasil para difusão mundial do ato terrorista”.

                   Em 04 de maio de 2017, a Justiça brasileira condenou oito réus. Foram, estes, condenados com base na lei antiterrorismo, Lei nº 13.260/16, que fala em “promover, constituir, integrar ou prestar auxílio, pessoalmente ou por interposta pessoa, a organização terrorista”.

Foram as condenações:

Leonid El Kadre de Melo – 15 anos de reclusão, sendo 13 anos em regime inicial fechado;

Alisson Luan De Oliveira – 6 anos de reclusão, sendo cinco em regime inicial fechado;

Oziris Moris Lundi dos Santos Azevedo – 6 anos de reclusão, sendo cinco em regime inicial fechado;

Levi Ribeiro Fernandes De Jesus – 6 anos de reclusão, sendo cinco em regime inicial fechado

Israel Pedra Mesquita – 6 anos de reclusão, sendo cinco em regime inicial fechado;

Hortencio Yoshitake – 6 anos de reclusão, sendo cinco em regime inicial fechado;

Luis Gustavo de Oliveira – 6 anos de reclusão, sendo cinco em regime inicial fechado;

Fernando Pinheiro Cabral – 5 anos de reclusão em regime inicial fechado.

              Nos chamou atenção o que o  advogado criminalista Euro Maciel Filho destacou ao falar que os detidos foram tratados como amadores, mas é necessário ter atenção nas investigações e tirar dúvidas sobre o envolvimento dos detidos.

“Então é uma situação complicada porque estamos lidando com pessoas que são claramente amadoras. Mas o mesmo amador que pode dirigir um caminhão ensandecido em Nice, pode cometer algo aqui no Rio de Janeiro, nas Olimpíadas”, declarou.

                  Já se sabe de há muito, que há integrantes de grupos terroristas, conforme venho escrevendo, a mídia informando e inúmeros relatórios policiais e de inteligência, que aos poucos ou nunca são divulgados; em minha opinião colocando a população em mais ignorância e por óbvio, tornando-a menos atenta aos fatos que a cerca, como estamos vendo em relação ao Projeto de Lei de Migração, que é no mínimo um descalabro jurídico. Mas isso é tema para outras oportunidades.

           A sociedade tem que as manter atenta, diligente e pronta para entender a existência, efetiva e real de terroristas já operando em solo brasileiro, conforme inúmeras matérias jornalísticas; e, infelizmente, caso nada se faça com relação a entrada forçosa dos migrantes “da religião da paz PELA ESPADA” o Brasil, sofrerá, tanto ou mais do que os países europeus.

Referências:

 «PF prende suspeito de ligação com terrorismo em operação no RS»G1. Globo. 21 de julho de 2016. Consultado em 21 de julho de 2016

 «Prisões foram decididas após início de atos preparatórios de ataques, diz Moraes». IstoÉ. 21 de julho de 2016. Consultado em 26 de julho de 2016

 «Prisão de brasileiros é a primeira após aprovação de nova lei antiterror no Brasil». Folha de S.Paulo. Consultado em 26 de julho de 2016

osul.com.br/ Preso na Operação Hashtag volta a ser detido após esfaquear vizinho

 esportes.terra.com.br/ Qual é o risco de ataque terrorista nos Jogos Rio 2016?

«Não vou mais ao Rio”: Como medo de ataques fez alguns brasileiros desistirem de torcer na Olimpíada». BBC

esporteinterativo.com.br/ Preocupação com ataque terrorista aumenta durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/11/franca-identifica-117-dos-129-mortos-nos-atentados-de-paris.html

 noticias.uol.com.br/ Abin confirma ameaça terrorista contra o Brasil; “lobos solitários” preocupam

 em.com.br/ Às vésperas do Rio-2016, Inteligência detecta contatos de brasileiros com EI

 «Daesh sugere formas de terror nos Jogos Olímpicos do Rio». Estado de Minas. Consultado em 27 de julho de 2016

 tecnologia.uol.com.br/ O novo aplicativo preferido do Estado Islâmico do Iraque e do Levante

 dn.pt/ Terroristas publicam manual de instruções para atentados nos Jogos Olímpicos

 noticias.uol.com.br/ Abin monitora grupo em português criado peloEstado Islâmico do Iraque e do Levante no Telegram

 folha.uol.com.br/ Justiça monitora com tornozeleira suspeito de planejar ato terrorista

 «Ministro da Defesa reafirma que não há ameaça de terrorismo nos Jogos»G1. Globo. Consultado em 27 de julho de 2016

  oglobo.globo.com/ Professor franco-argelino da UFRJ é deportado

oglobo.globo.com/ Ministro da Justiça diz que brasileiro preso em Nova Iguaçu tinha envolvimento com grupos terroristas

 esportes.estadao.com.br/ PF diz que prisão de suspeito de terrorismo não tem relação com Operação Hashtag

 «Investigação da PF sobre terrorismo no Brasil envolve até ONG». IstoÉ. 21 de julho de 2016. Consultado em 26 de julho de 2016

«Em 8 pontos: O que já se sabe sobre os suspeitos de planejar ataques no Brasil». Terra. Consultado em 27 de julho de 2016

 jconline.ne10.uol.com.br/ Polícia Federal prende grupo que planejava ataques terroristas durante a Rio-2016

 oglobo.globo.com/ Suspeitos usavam falsos nomes árabes para se comunicar nas redes sociais

folha.uol.com.br/ Suspeito de terrorismo tem morte cerebral após ser espancado em prisão

 folha.uol.com.br/ Grupo simpatizante ao terrorismo cogitou usar arma química nos Jogos do Rio

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 g1.globo.com/ Fantástico mostra e-mail de brasileiro preso por ligação com terrorismo

 politica.estadao.com.br/ Ahmed Faaiz, alvo da Hashtag, confessou à PF que ia planejar atentado na Parada Gay

 veja.abril.com.br/ Juiz manda soltar três réus que planejaram atentados na Rio 2016

 epoca.globo.com/ Polícia Federal pede indiciamento de 16 pessoas na Operação Hashtag

 defesanet.com.br/ Operação Hashtag – Chance de soltura de grupo é mal recebida

Imagem: Portal do Trono.

PF diz que presos na Operação Hashtag queriam extermínio em massa nos Jogos

Os modelos de atentados eram discutidos por e-mail e pelo aplicativo de mensagens Telegram, em um grupo fechado chamado “Jundallah”

O grupo suspeito de planejar um atentado terrorista durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro pensava em usar armas químicas nos ataque. Segundo a Polícia Federal, o plano era contaminar uma estação de abastecimento de água. Os modelos de atentados eram discutidos por e-mail e pelo aplicativo de mensagens Telegram, em um grupo fechado chamado “Jundallah” (Soldados de Deus, em português).

Veja mais: Em vídeo, jihadista diz que Estado Islâmico “rezará em Roma”

A troca de mensagens entre os suspeitos estão sob poder da Polícia Federal. Ao todo, 15 pessoas foram detidas na “Operação Hashtag” entre os dias 21 de julho e 11 de agosto, no início dos Jogos Olímpicos. A conversa do grupo começou a ser monitorada em março pela PF, através de um informante infiltrado. O alerta à Polícia Federal foi dado pelo FBI.

A PF tem até o dia 9 de setembro para apresentar à Justiça Federal as análises do material apreendido com os suspeitos. O juiz do caso, Marcos Josegrei da Silva, renovou até o dia 18 a prisão temporária de 12 pessoas.

Leia mais: Estado Islâmico mata casal de policiais na França e mostra imagens ao vivo 

Caso algum suspeito seja indiciado e condenado, o Brasil aplicará pela primeira vez a Lei Antiterrorismo, sancionada pela ex-presidente Dilma Rousseff em março.

Ameaças

Conforme divulgado pela ANSA em julho, os suspeitos de terrorismo e outros seguidores do grupo Estado Islâmico (EI) chegaram a falar também em sequestros, envenenamentos, uso de drones e acidentes de carro como táticas para aterrorizar o Brasil durante os Jogos Olímpicos.

Leia também: Estado Islâmico planejou ataques no Brasil, afirma agência francesa

As sugestões de atentados foram divulgadas em vários grupos de redes sociais no exterior.

Fonte: iG Olimpiadas – iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2016-09-02/estado-islamico-brasil.html

Exclusivo: um terrorista no Brasil

Condenado por planejar atentados terroristas na França, Adlène Hicheur hoje vive como professor no Brasil, para onde veio com bolsa do governo federal e é investigado pela PF.

De sandálias de couro, instalado numa sala pequena no 3º andar do departamento de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o físico Adlène Hicheur, 39 anos, tem o physique du rôle atribuído aos cientistas. É magro, tem olheiras profundas e trabalha em uma pequena escrivaninha aboletada de livros. Disciplinado, Hicheur, toda sexta-feira, se desloca para fazer suas orações numa mesquita na zona norte do Rio de Janeiro. Argelino de nascimento e naturalizado francês, Hicheur tem um segredo em sua biografia que o pôs sob investigação da Polícia Federal brasileira. Em 2009, ele foi preso e condenado na França a cinco anos de detenção pela acusação de planejar atentados terroristas.

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Até ser preso, Hicheur era considerado um cientista brilhante, especialista em física das partículas elementares. Ele integrava a equipe da Organização Europeia de Pesquisa Nuclear(CERN, na sigla em francês) que mantém emGenebra, na Suíça, o maior laboratório de aceleração de partículas do mundo, uma espécie de santuário para os PhDs da área. Em 2009, ele teve uma crise de dores na coluna, tirou uma licença médica e foi para a casa dos pais, na França. Lá, passou a frequentar um fórum na internet usado por jihadistas e a trocar mensagens com um interlocutor apelidado de “Phenix Shadow” (fênix da sombra, numa tradução literal). Sob essa alcunha, escondia-se a identidade deMustapha Debchi, apontado pelo governo francês como um membro da Al Qaeda na Argélia.

O site já era investigado pela polícia francesa, que identificou potencial de risco nas mensagens enviadas por Adlène Hicheur e passou a monitorá-lo. ÉPOCA obteve os 35 e-mails trocados
por ele e decriptografados pela inteligência francesa. Eles usavam um programa de criptografia chamado Asrar, criado pela Al-Qaeda para trocar informações e armazenar conversas sigilosas.
As mensagens entre “Phenix Shadow” e Hicheur começaram genéricas. “Phenix Shadow” menciona o governo do então presidente francês Nicolas Sarkozy, para quem, diz ele, a sua hora chegaria “em breve”. Na sequência, “Phenix” pergunta a Hicheur se ele estaria disposto a fazer um ataque suicida. Recebe uma negativa como resposta. Ao longo da conversa, “Phenix” fez uma abordagem sem rodeios a Hicheur: “Caro irmão, vamos direto ao ponto: você está disposto a trabalhar em uma unidade de ativação na França? Que tipo de ajuda poderíamos te dar para que isso seja feito? Quais são suas sugestões?”.

>> Saiba mais: A Europa deve aumentar os ataques contra o Estado Islâmico?

A resposta de Hicheur veio cinco dias depois. “Sim, claro”. Ele esclarece ainda que planejava deixar a Europa nos próximos anos, mas que poderia rever o plano. Para permanecer, Adlène Hicheur colocou uma condição: a criação de uma estratégia precisa: “Trabalhar no seio da casa do inimigo central e esvaziar o sangue de suas forças”. Para o plano da “unidade de ativação” na França, Hicheur sugere diversos alvos. “Precisamos trabalhar para acelerar a recessão econômica, ou seja, atingir as indústrias vitais do inimigo e as grandes empresas, como Total, British Petroleum, Suez”, escreveu Hicheur, que também menciona também ataques a embaixadas. Os alvos seriam os governos que ele classificou de “incrédulos”: “Executar assassinatos com objetivos bem estudados: personalidades europeias ou personalidades bem definidas que pertençam aos regimes incrédulos (em embaixadas e consulados, por exemplo)”.

Fiéis durante oração na Mesquita da Luz (Foto: Stefano Martini/ÉPOCA)Fiéis durante oração na Mesquita da Luz (Foto: Stefano Martini/ÉPOCA)

Com mensagens tão claras, a polícia francesa decidiu prender Hicheur. Afastou-se a possibilidade de que a conversa seria apenas uma postura crítica ao governo – ou o exercício da liberdade de expressão. A polícia ainda encontrou em seu computador um arquivo criptografado no qual se discutia o envio de € 8.000 euros para a Al Qaeda. Ao ser preso, ele disse que era um “bode expiatório”. Muitos de seus colegas ficaram ao seu lado. Em uma carta enviada em 2011 para Sarkozy, um grupo de cientistas questionou a prisão de Hicheur. Imaginavam que o franco-argelino era apenas um usuário a mais navegando em fóruns na internet. Naquele momento, contudo, a polícia francesa ainda não tinha divulgado os e-mails sobre os ataques, que nunca foram desmentidos por Hicheur e revelaram-se decisivos para que a Justiça francesa o condenasse como terrorista.

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Em 2012, o caso de Hicheur foi citado num estudo da ONU sobre o uso da internet em atentados terroristas. Virou exemplo das “diferentes formas em que a internet pode ser usada para facilitar a preparação de atos de terrorismo, incluindo comunicações entre organizações que promovem o extremismo violento”. Depois de obter a liberdade condicional, em 2012, Hicheur dedicou-se a duas coisas: mudar informações na Wikipedia a seu respeito, que mencionam  o caso de terrorismo, e a tentar recuperar o emprego no CERN. Ele foi barrado, porém, pela polícia suíça. Em abril de 2015, ao julgar um recurso de Hicheur, a Justiça suíça manteve a proibição da presença do cientista no país até abril de 2018. “A gravidade dos fatos leva o tribunal a considerar que a manutenção da interdição de entrada se justifica por motivos ligados à segurança interior e exterior da Suíça. As atividades executadas pelo recorrente são, com efeito, objetivamente de uma gravidade suficiente para justificar a decisão de afastamento”, diz a decisão da Justiça.

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O que a Suíça considerou grave não foi impedimento para que Hicheur viesse para o Brasil, onde ele entrou em 2013 depois de obter uma bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq). O órgão diz que, ao contratar, faz “análise baseada no mérito científico da proposta e no currículo do candidato”. Desde então, Hicheur vive no Rio e tem visto de trabalho  garantido pela Universidade Federal do Rio Janeiro até julho deste ano. Entre 2013 e 2014, Hicheur recebeu R$ 56 mil como bolsista do CNPq. Depois, tornou-se professor visitante da UFRJ, com salário de R$ 11 mil por mês. Questionada porÉPOCA sobre os antecedentes de Hicheur, a UFRJ disse que a sua contratação seguiu as normas usuais para professores visitantes estrangeiros, de quem são exigidos passaporte com visto.

Mohamed Zeinhom Abdiem, presidente da Mesquita da Luz (Foto: Stefano Martini/ÉPOCA)Mohamed Zeinhom Abdiem, presidente da Mesquita da Luz (Foto: Stefano Martini/ÉPOCA)

No Brasil, Hicheur leva uma vida discreta. Mas isso não impediu que ele virasse alvo de uma operação secreta do grupo antiterrorismo da PF, em outubro. Sua casa e seu laboratório na UFRJ sofreram uma busca e apreensão, com autorização da Justiça. A investigação da PF começou quase por acaso – depois de uma reportagem da CNN em espanhol, que entrevistou frequentadores de uma mesquita no Rio de Janeiro sobre o atentado ao semanário Charlie Hedbo, em Paris, em janeiro de 2015, que deixou 12 mortos. Durante a reportagem, um dos entrevistados defendeu o ataque e tirou a camisa. Por baixo, ele estampava outra roupa com o símbolo do Estado Islâmico. Na tentativa de identificar o autor da mensagem pró-terrorismo, a PF descobriu que Hicheur frequentava a mesquita. O cientista passou então a ser um alvo prioritário da polícia, que apura se há ligações dele com o ato registrado no vídeo. ÉPOCAdescobriu que Hicheur procurou o Ministério da Justiça, em setembro de 2014, para pedir a alteração da sua nacionalidade, no visto de permanência no Brasil, de francesa para argelina. Isso significa que, no caso de uma expulsão de Hicheur do Brasil, ele seria deportado para a Argélia e não para a França, onde foi condenado.

Uma das listas da Interpol, a polícia internacional, é a chamada difusão verde, com informes sobre pessoas que já cometeram crimes e que representam uma ameaça. ÉPOCAquestionou a embaixada da França em Brasília se Hicheur foi alvo de comunicações desse gênero e se outros países foram informados da condenação, como forma de fazer controle na fronteira – a exemplo do que fez a Suíça. A embaixada não se pronunciou especificamente sobre o caso. “A Embaixada da França não se manifestará sobre a situação atual do senhor Adlène Hicheur”. De acordo com a nota, “tratando-se da luta contra o terrorismo, as autoridades francesas competentes mantêm um diálogo estreito, direto e útil com as autoridades brasileiras competentes”. A instituição informou ainda que, como ele tem nacionalidade francesa, ele não está impedido de voltar à França.

No Rio, Adlène Hicheur mora em um prédio de quatro andares de classe média numa rua tranquila do bairro da Tijuca. Por ainda tropeçar na língua portuguesa, o porteiro tem dificuldades para compreendê-lo e, sem gravar o nome do inquilino, o identifica “como um rapaz barbudinho” que costuma sair por volta das 7h e só voltar à noite. Segundo vizinhos, houve uma mudança brusca na rotina do cientista, que mandou um familiar de volta para a Europa e passou a viver sozinho. Na UFRJ, Hicheur ocupa uma sala pequena no final de um corredor mal iluminado, no terceiro andar do Instituto de Física. ÉPOCA o localizou lá no começo da tarde da última quinta-feira. A surpresa da visita o deixou nervoso. Começou a tremer e se recusou a dar entrevista. “Não posso falar e gostaria de ser deixado em paz. Se você escrever ou falar qualquer coisa, você não imagina as consequências para você e para mim. É só isso”, disse o professor, sem explicar a que se referia exatamente. “Esse tipo de assunto hoje em dia não é assunto tratado de maneira analítica e com razão. Estamos numa época de histeria”, afirmou. “Eu decidi não falar nada só para reconstruir minha vida. Não é porque eu não tenha razão. Eu tenho razão. Tenho muita coisa para falar. Mas deixa o tempo falar sobre isso.” Em seguida, acrescentou: “Não sou uma pessoa pública. Estou protegendo minha vida privada e de minha família. Não tenho qualquer  impacto sobre o destino do mundo.” Por fim, deixou uma incógnita no ar sobre a operação de busca e apreensão feita pela PF em sua casa e no laboratório da universidade: “Sua informação não vem da Polícia Federal. São eles que contataram você (de ÉPOCA)”. Ele não esclareceu quem seriam “eles”.

Os líderes da Mesquita da Luz, no Rio, querem que a Polícia Federal descubra a identidade e o paradeiro do homem que se manifestou a favor de terroristas, dentro do templo, logo após o atentado contra o Charlie Hebdo no ano passado. A Sociedade Muçulmana do Rio de Janeiro, responsável pela mesquita, tem repudiado publicamente os ataques do Estado Islâmico, em especial o que ocorreu de novembro passado em Paris. Para o presidente da entidade, Mohamed Zeinhom Abdien,  muitas pessoas não distinguem terroristas dos seguidores do islamismo e isso aumenta a estigmatização dos muçulmanos. “Denunciamos a ação do simpatizante do Estado Islâmico à Polícia Federal. Queremos mostrar que a gente não concorda com essas coisas. Nossa religião não é essa. Queremos viver em paz com o próximo”, diz Abdien, que não foi informado sobre o resultado da investigação pela PF.

A investigação da PF sobre Adlène é baseada na suspeita de incitação ao crime e propaganda em favor da guerra. Embora a Constituição de 1988 cite terrorismo, até hoje o Congresso Nacional não criou uma lei para classificar o que seria um ataque terrorista. Por isso, as investigações sobre ameaças terroristas no Brasil têm de se basear em crimes laterais, sempre com penas mais brandas. Com os ataques a Paris em novembro, ganhou força a discussão de um projeto de lei para enfim criminalizar o terrorismo. Mas, por causa da situação política atribulada do país, sua votação pela Câmara ficou para este ano – se o debate sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff não atrapalhar. O projeto prevê penas duras para quem executar, financiar, preparar ou fazer apologia a atos terroristas. Há um ponto específico que interessa aos especialistas em terrorismo: o combate aos chamados “atos preparatórios”. Ou seja, planejar – antes mesmo de executar um atentado – já será considerado crime. Com esse enquadramento, as autoridades policiais esperam viabilizar operações para que os atentados sejam evitados. Se a nova lei for aprovada, mensagens como a de Hicheur (“executar assassinatos com objetivos bem estudados”) possivelmente teriam o mesmo entendimento dado pela Justiça francesa. Hoje, contudo, há um vácuo jurídico. No ano passado, a PF realizou pelo menos quatro operações antiterrorismo, sempre baseadas em crimes menores. Enquanto as Olimpíadas se aproximam e o Congresso não se apressa em votar uma legislação anti-terror, o Brasil vive uma situação diferente de outros países: combate um terrorismo sem dispor de uma lei.

infográfico - terrorismo - Adlène Hicheur (Foto:  )

Polícia Federal descobre rede de apoiadores do Estado Islâmico em São Paulo

O achado assusta. Ainda mais porque terrorismo, no Brasil, não é crime.

O alarme da casa tocou pouco depois das 6 horas da manhã, numa rua típica do bairro do Pari, em São Paulo. Era a última sexta-feira de agosto. A Polícia Militar logo chegou ao local, na tentativa de evitar o que imaginava ser um assalto. Encontraram policiais federais armados, usando marreta para arrombar os 14 cadeados que trancavam o portão de ferro. Era a única casa da rua com cerca elétrica. Comparada às demais, parecia um bunker, rodeado por uma dezena de câmeras de segurança. A operação fora autorizada pela Justiça Federal com o objetivo de investigar um grupo suspeito de movimentar ilegalmente mais de R$ 50 milhões em cinco anos. ÉPOCA descobriu que os investigados formam uma célula especializada em lavagem de dinheiro, suspeita de apoiar o terrorismo. Seus integrantes defendem execuções em massa, a morte do presidente americano Barack Obama e o Estado Islâmico, a mais perigosa organização terrorista da atualidade.

PERIGO MULTIPLICADO 1. O libanês  Firas Allameddin, investigado por lavagem de dinheiro  (Foto: Reprodução)PERIGO MULTIPLICADO
O libanês Firas Allameddin, investigado por lavagem de dinheiro (Foto: Reprodução)
Perfil de Firas Allameddin mostram simpatia pelo terror (Foto: Reprodução)Imagens em seu perfil mostram simpatia ao terror (Foto: Reprodução)
A loja em que Firas Allameddin é sócio de outro suspeito  (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)A loja em que ele é sócio de outro suspeito (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)
Autorização para a investigação (Foto: Reprodução) A autorização para a investigação (Foto: Reprodução)

A operação Mendaz foi planejada com discrição. Mencionou apenas o desbaratamento de uma rede de empresas e CPFs falsos, montada para enviar dinheiro para fora do país sem identificar quem recebe. Conduzida pela Diretoria de Inteligência da Polícia Federal, a ação foi acompanhada pela Embaixada dos Estados Unidos, pela seção comandada por Steve Moore, agente do FBI. Na manhã daquela sexta-feira, a Embaixada de Israel também recebeu o informe da PF sobre a ação. Há um esforço conjunto para rastrear as conexões do grupo no exterior. É a primeira vez que uma operação da PF chega a um grupo tão estruturado de simpatizantes do terror no Brasil.

No topo do esquema de lavagem está o libanês Firas Allameddin. Em 2009, Allameddin tentou que o governo brasileiro o reconhecesse como refugiado. Isso poderia evitar que ele fosseexpulso ou extraditado do Brasil. O pedido foi rejeitado. De acordo com as investigações, o grupo de Allameddin se valia de empresas de fachada e nomes falsos para enviar valores ao Líbano. O dinheiro provém, suspeita a PF, de golpes na praça, como estelionato, cheques sem fundo e empréstimos fraudados. “Tal rede se utilizaria de informações falsas para a obtenção de documentos que propiciaria a criação de pessoas físicas e jurídicas ‘fantasmas’ a fim de promover a abertura de contas, solicitar cartões, realizar operações de câmbio, remessa e saque de valores no exterior, ao arrepio das leis brasileiras”, diz a decisão que autorizou as buscas.

Allameddin e seus parceiros adotavam expedientes vários e dividiam tarefas no envio de dinheiro ao Líbano. Allameddin usava três CPFs. Seu irmão Fadi criava identidades falsas, com uma predileção por “Felipe”. Outro irmão, Toufic, pagava cartões de crédito com valores acima da fatura, para o excedente ser sacado no Líbano. Também usavam empresas de fachada. Uma casa de câmbio clandestina transferia dinheiro para uma corretora, que o remetia ao exterior. A tática dificultava o rastreamento.

Outra operação da Polícia Federal chegou a um muçulmano que vendia em Brasília análises simpáticas ao terrorismo

O libanês e os outros investigados publicam na internet imagens a favor do Estado Islâmico (EI), com vídeos com o anúncio do advento do califado – o mítico Estado a unir muçulmanos sob um único governo e um único chefe, que o EI acredita estar construindo, à base de matança, escravidão e estupros. Allameddin divulga na internet imagens de execuções pelo EI, com tiros na cabeça de prisioneiros. “Morram de inveja! O Estado Islâmico vai ficar para sempre e vai se espalhar”, afirma um dos textos publicados por um irmão de Allameddin. Corpos carbonizados são a imagem do perfil de Facebook de outro parceiro do libanês, também investigado. Se alei antiterrorismo brasileira já estivesse aprovada, a situação deles poderia ser diferente – no projeto de lei em tramitação no Senado, já aprovado pela Câmara, a pena seria de até 13 anos de cadeia.

O grupo usava com frequência uma corretora especialista em transferências de dinheiro, localizada no bairro paulistano do Brás. Funcionários da agência relatam que os investigados davam explicações diferentes para as remessas e ficavam irritados quando o sistema não completava a operação. O grupo fazia transferências de baixo valor, sem a necessidade de conta bancária. Só Allameddin fez cerca de 300 operações em menos de dois anos, para enviar cerca de R$ 2,5 milhões ao Líbano. É algo como um envio a cada dois dias, sempre abaixo de R$ 10 mil. Ficaram registrados na corretora do Brás cerca de 20 destinatários dos repasses, mas sem detalhes, apenas o primeiro nome. Pelas regras da agência, o limite diário é de US$ 1.900. Basta fornecer um nome e a senha para que qualquer um, em outro país, saque um valor em dinheiro vivo. Muitos saques foram feitos por Mohamed, um nome tão comum no Líbano quanto José no Brasil.

A investigação da PF começou a partir doegípcio Hesham Eltrabily para chegar à célula financeira de Allameddin. Radicado no Brasil pelo menos desde 2002, Eltrabily leva uma vida discreta como comerciante em São Paulo. Era parceiro comercial de Allameddin numa loja chamada Nuclear Jeans. O local está fechado. Para o governo do Egito, Eltrabily é um terrorista, acusado de participar de um atentado que matou 62 pessoas em 1997. O Egito pediu a extradição dele e justificou: “O réu liderou e juntou-se a um grupo ilegal. Esse grupo usou o terrorismo para alcançar seus objetivos, marcando e assassinando homens da segurança e personagens públicas, bombardeando e destruindo instituições”. O Supremo Tribunal Federal negou o pedido, em 2003. Queria descrição melhor dos crimes cometidos.

Hesham Eltrabily (Foto: Reprodução)IMPORTADO
1. Hesham Eltrabily, acusado de terrorismo no Egito, vive como comerciante em São Paulo (Foto: Reprodução)
Atentado no Egito, em 1997, de que Eltrabily é um acusado (Foto: Reprodução)2. O atentado no Egito, em 1997, de que Eltrabily é um acusado (Foto: Reprodução)

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Documento do STF com o pedido de extradição de Hesham Eltrabily, feito pelo Egito, negado,  (Foto: Reprodução)3. O Supremo Tribunal Federal rejeitou o pedido de extradição feito pelo Egito (Foto: Reprodução)

Operação Mendaz cumpriu 18 mandados de busca e apreensão. Agora, a PF analisa o material apreendido, para desvendar com quem o grupo se comunicava no Líbano e se há, entre eles, terroristas ou apoiadores do terror. Eltrabily, que morava no bunker no Pari, tinha em casa dez celulares. ÉPOCA procurou suspeitos da investigação em 15 locais, em endereços residenciais e comerciais. As lojas estão fechadas ou não existem. Nas residências, ninguém quis se identificar. A Embaixada dos Estados Unidos disse que não se pronunciaria.

A Operação Mendaz não foi a única, em poucos meses, a encontrar conexões com o terrorismo no Brasil. A comunidade de informação foi alertada sobre o trabalho deMarcelo Bulhões, membro da comunidade muçulmana sunita em Brasília. Bulhões vendia informações sobre muçulmanos, embaixadas e agências de inteligência, segundo os investigadores. Seu tema preferencial era o terrorismo. Não era uma atuação discreta: oferecia relatórios a quem quisesse pagar.

O caso, contudo, foi enquadrado pela PF como falsificação de documentos. Isso porque Bulhões colocou em seus relatórios brasões oficiais. As informações produzidas por ele traziam, segundo os investigadores, “o perfil característico de simpatizantes, apoiadores e operativos terroristas”. No informe, a PF alertou as embaixadas de que tais relatórios não tinham nenhuma chancela de órgão brasileiro. “Marcelo se vale de seu acesso à comunidade islâmica para angariar dados e produzir, com base em seu interesse pessoal, informações que serão oferecidas a serviços de inteligência brasileiros e estrangeiros. O objetivo é fazer dessa dinâmica de venda de informações seu meio de vida”, diz o alerta enviado.

Além de emitir análises simpáticas a organizações perigosas e falsificar documentos, Bulhões também adotava táticas similares às de um agente duplo, segundo o documento enviado pela PF às embaixadas. “É sabido também que Marcelo não hesita em oferecer informações sobre um ‘cliente’ a outro. Deste modo, na medida em que angaria a confiança de um Serviço, brasileiro ou estrangeiro, passa a vender a outras informações que produz a respeito deste Serviço, atuando como um ‘agente duplo’”, afirma a PF. Há uma agravante: Bulhões era advogado e, entre seus clientes, estavam integrantes da comunidade sunita. Como advogado, ele não pode vender informações sobre seus clientes.

No dia 24 de abril, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão na casa de Bulhões. Foi empregado todo o aparato de um filme de ação, com o grupo antibomba e apoio de policiais do Comando de Operações Táticas, a tropa de elite da PF. A situação chamou a atenção da vizinhança. Levantou-se a suspeita de que a operação seguia os protocolos de uma ação antiterrorismo. A PF nunca negou. Procurado, Bulhões disse, por meio de seu advogado, que não vendia informação. “O senhor Bulhões é advogado atuante na área de imigração e, por tal motivo, mantém contato com diversas embaixadas e órgãos públicos. Além de sua atividade profissional, Bulhões não tratou nem repassou informação ou documento a qualquer representação diplomática e nunca divulgou informação referente a seus clientes. As questões do processo tramitam em segredo de Justiça, e aguardamos que o mal-entendido seja esclarecido judicialmente”, afirmou o advogado Ariel Foina.

As investigações seguirão na trilha dos crimes financeiros, no caso da Mendaz, e de falsificação de documentos, no caso do agente duplo – mesmo que a PF e a Justiça saibam que as suspeitas são de atos muito mais perigosos. No Brasil, não são crimes o terrorismo nem o apoio a ele, muito menos a apologia. Se o projeto de lei aprovado pela Câmara estivesse em vigor, a pena mais leve seria de quatro a oito anos de detenção, para o crime de apologia. Atentados terroristas seriam punidos com 12 a 30 anos de prisão – ou seja, em qualquer caso, a punição seria sempre em regime fechado. Pela lei, todos que fossem condenados a mais de oito anos de prisão, por qualquer desses crimes, ficariam obrigatoriamente em presídio de segurança máxima.

A um ano das Olimpíadas no Rio de Janeiro, o governo aguarda uma definição do Congresso para colocar, em lei, o que é um atentado terrorista, o que configura apoio a atividades terroristas e o que significa a apologia desse tipo de causa. A discussão, contudo, esbarra numa polêmica descabida: o receio de que movimentos sociais possam ser enquadrados. Enquanto isso, o crime de terrorismo fica, no Brasil, num limbo jurídico. Restando à Justiça, por enquanto, enquadrar os casos em outras leis, com penas mais leves do que se tais agressões à sociedade fossem classificadas como terrorismo.

http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/09/policia-federal-descobre-rede-de-apoiadores-do-estado-islamico-em-sao-paulo.html