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Com aeroporto em caos, Egito admite possibilidade de atentado

LONDRES/MOSCOU – Com uma série de falhas de segurança e 80 mil russos retidos em Hurgada e Sharm el-Sheikh, o Egito voltou a vetar voos e começou a proibir jornalistas de cobrir o caos no aeroporto do balneário, uma semana após o desastre do Airbus da Metrojet no Sinai. A confusão aumentou ainda mais com a suspensão russa de novos voos para a região, um dia antes. O Egito deve lançar um relatório do inquérito da tragédia, e, mesmo sem mencionar o terrorismo, tomou medidas para investigar irregularidades que possam ter levado a um ataque e alertou que o extremismo deveria ter sido mais foco da cooperação de inteligência de outros países.

Enquanto a confusão generalizada no aeroporto continua, evidências apontam cada vez mais para um possível atentado a bomba plantada no compartimento de carga, segundo investigadores. À Reuters, funcionários de segurança afirmaram que o país está investigando as câmeras de segurança do aeroporto — o que abre caminho para o país admitir um possível (e provável) atentado.

— Queremos determinar se, por acaso, alguém passou pela segurança ou pelos detectores. Também estamos tentando determinar se houve alguma atividade suspeita entre policiais ou funcionários do aeroporto.

Em coletiva de imprensa, Ayman al-Muqaddam, chefe da comissão de inquérito, afirmou que a fuselagem indica consistência com uma ruptura no voo em pleno ar. No entanto, o responsável não citou se ela se trataria de uma explosão provocada por bomba. Parte dos destroços ainda não foi achada, segundo ele.

Após especialistas franceses alertarem para o súbito sumiço de vozes e dados do avião (além de um som que soaria muito como o de uma explosão), fontes russas afirmaram que a abrupta queda nas comunicações da caixa-preta, que fica na cauda, indicariam um explosivo no bagageiro, desligando a gravação com o corte dos sistemas eletrônicos. A cauda estava separada do avião, nos destroços, e havia marcas na fuselagem que indicariam impacto de dentro para fora.

O Egito continua sem fazer menção a um possível atentado ao avião, mas alertou: se havia riscos de terrorismo, ele deveria ter sido levado em conta antes.

— O terrorismo generalizado, o qual alertamos a nossos parceiros para combater de forma mais séria, não foi abordado mais a fundo, e agora as partes trabalham ao ficarem expostas ao perigo para seus cidadãos — criticou o chanceler. — Informações sobre terrorismo deveriam ter sido repassadas para nós em detalhe.

Ligações interceptadas entre líderes do Estado Islâmico em Raqqa (capital do autoproclamado califado na Síria) e representantes do grupo Província do Sinai, filial egípcia do grupo, comemoravam entre si a queda do avião, segundo a NBC.

REPATRIAÇÃO E DESORGANIZAÇÃO

Moscou decidiu mandar 46 aviões para repatriar seus cidadãos retidos nos balneários do Sinai, mas o Egito afirma que não tem capacidade para lidar com tantas partidas no aeroporto. A exemplo do Reino Unido, o Kremlin também aplicou restrições ao porte de bagagens: somente o que puder ser levado à mão pode passar, e malas maiores serão entregues posteriormente.

Se os países estão aumentando suas medidas de segurança, o aeroporto de Sharm el-Sheikh cada vez mais entra em situação de colapso. Milhares de britânicos no local tiveram de ser levados de volta a seus hotéis porque o Egito voltou a barrar mais voos de deixarem o país, alegando incapacidade de lidar com o grande fluxo de aeronaves partindo.

Britânicos que conseguiram passar pelas enormes filas de segurança voltaram a flagrar funcionários recebendo propinas para facilitar a saída de alguns passageiros para o embarque, além de relatarem que pessoas com isqueiros e garrafas conseguiam passar.

Raf Sanchez, do “Telegraph”, contou que os jornalistas estão sendo impedidos de entrar no aeroporto.

— As autoridades estão tirando jornalistas e os barrando. Estão obviamente desconfortáveis com a multidão de repórteres falando com passageiros no terminal e ficaram pasmos com a cobertura negativa das condições parcas de segurança.

AVIÃO ESCAPOU DE MÍSSIL

De acordo com a imprensa britânica, um voo da companhia Thomson teve que fazer uma manobra de emergência para evitar ser atingido por um míssil em Sharm el-Sheikh, em agosto. Uma investigação chegou à conclusão que o Egito fazia exercícios militares e lançou o projétil próximo ao pouso da aeronave, com 189 pessoas a bordo, passando a 300 metros de distância.

O Reino Unido minimizou o episódio, dizendo que foi esclarecido com as autoridades.

http://oglobo.globo.com/mundo/com-aeroporto-em-caos-egito-admite-possibilidade-de-atentado-17991057

Defesa: EUA devem considerar inclusão da Rússia na luta contra Estado Islâmico

A inclusão da Rússia na coalizão internacional contra o Estado Islâmico é uma proposta que merece ser considerada, disse à Sputnik nesta quinta-feira (24) o ex-secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel.

“Já temos uma coalizão de mais de 60 países envolvidos na realização de ações militares diretas contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque, então incluir a Rússia e outros países – devemos considerar todas as propostas”, manifestou.

Nesta quinta-feira (24), o Ministério do Exterior russo mais uma vez lançou a ideia de estabelecer uma coalizão internacional anti-EI mais ampla que incluirá a Rússia. A Chancelaria explicou que esta coalizão realizará ataques contra o Estado islâmico sob autorização do Conselho de Segurança da ONU.Esta ideia foi bastante bem recebida pelo ex-secretário estadunidense de Defesa:

“Eu acho que cada sugestão ou proposta por parte de um membro do Conselho de Segurança deve ser estudada seriamente”, manifestou Hagel.

Os EUA agora lideram a coalizão internacional que luta contra o Estado Islâmico (grupo terrorista proibido na Rússia) e nunca apresentaram uma incitação à Rússia para aderir-se à coalizão por causa do apoio russo ao governo sírio na luta contra terrorismo desde que os EUA recusam de considerar o presidente da Síria Bashar Assad como aliado na luta contra o Estado Islâmico. A coalizão liderada pelos americanos inclui mais de 60 países e realiza ações militares aéreas contra o Estado islâmico desde agosto 2014. As ações não foram especificamente autorizadas pela ONU e receberam crítica por ineficiência por parte da Rússia e outros países.

A guerra civil na Síria dura desde 2011 e já causou a morte de mais de 230 mil pessoas, segundo os dados da ONU. O governo sírio luta contra vários grupos rebeldes e organizações militares, incluindo a Frente al-Nusra e o grupo terrorista Estado Islâmico.

O grupo terrorista Estado Islâmico, anteriormente designado por Estado Islâmico do Iraque e do Levante, foi criado e, inicialmente, operava principalmente na Síria, onde seus militantes lutaram contra as forças do governo. Posteriormente, aproveitando o descontentamento dos sunitas iraquianos com as políticas de Bagdá, o Estado Islâmico lançou um ataque maciço em províncias do norte e noroeste do Iraque e ocupou um vasto território. No final de junho de 2014, o grupo anunciou a criação de um “califado islâmico” nos territórios sob seu controle no Iraque e na Síria.