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Reino Unido: Professor planejava criar “exército” de crianças jihadistas

Um professor em escolas islâmicas no Reino Unido estava radicalizando seus alunos, preparando-os para ajudá-lo em ataques terroristas em massa a 30 alvos em Londres.

Umar Haque , 25 anos, planejava criar um “exército” de crianças jihadistas, relatou o The Telegraph .

Segundo o comandante Dean Hayden, chefe do Comando de Contraterrorismo da Polícia Metropolitana, Umar pretendia “radicalizar crianças vulneráveis ​​de 11 a 14 anos”.

“Seu plano era criar um exército de crianças para ajudar com múltiplos ataques terroristas.

Umar Haque (Foto: Polícia Metropolitana)
Umar Haque (Foto: Polícia Metropolitana)

Ataques em toda Londres. 

Haque teve acesso a 250 crianças, das quais 100 tentou radicalizar exibindo vídeos extremistas, que incluíam decapitações. As crianças foram informadas de que teriam um destino semelhante se contassem a alguém sobre o que estava sendo ensinado.

Haque planejava preparar as crianças para o martírio quando se tornassem mais velhas. Ele planejava ensiná-las a dirigir, supostamente para realizar operações de suicídio em locais emblemáticos de Londres, como o Big Ben e o aeroporto de Heathrow.

Ninguém relatou suas atividades. Quando a polícia tentou investigar, eles foram recebidos com um “muro de silêncio” nas escolas, disse Hayden, o que tornou a investigação ainda mais difícil.

As crianças, por sua vez, “ficaram paralisadas de medo… Ele as ameaçou dizendo que, se falassem com os professores, pais ou aludissem a qualquer pessoa fora daquela sala de aula do que estava acontecendo, eles teriam um destino semelhante. Não parece que nenhuma dessas crianças tenha levantado o alarme do que estava acontecendo. ”

Uma criança falou com a polícia. Em um vídeo de seu testemunho, a criança disse: “Ele está nos ensinando terrorismo, como lutar”, disse ele. “Se você lutar por Allah , no Dia do Julgamento, quando for julgado por suas boas ações e más ações, a luta é boa.

“Ele quer um grupo de 300 homens. Ele está nos treinando agora, então quando eu estiver no 10º ano [idade de 15 anos] nós seremos fisicamente fortes o suficiente para lutar. ”

Uma das escolas em que Haque trabalhou recebeu excelentes relatórios da Ofsted, a agência governamental que regulamenta instituições de ensino no Reino Unido. Os inspetores relataram que a escola exibia um “forte senso de comunidade, harmonia e respeito”.

Autoridades originalmente suspeitaram de Haque em abril de 2016 quando ele foi parado em Heathrow tentando embarcar em um avião para a Turquia. Nesse momento, seu passaporte foi retirado, mas ele continuou trabalhando na escola Lantern of Knowledge até o mês de setembro seguinte. Em 24 de janeiro de 2017, ele foi pego dirigindo sem seguro. Foi neste momento que a polícia começou a cavar mais fundo em suas atividades.

Trinta e cinco crianças estão agora sob cuidados de apoio a longo prazo dos serviços sociais sob programas que envolvem a polícia, as autoridades locais e o Ministério do Interior.

Enquanto isso, no Reino Unido, um garoto de 17 anos de Cardiff que estava a “horas longe de cometer um ato de atrocidade” foi preso e vai cumprir pelo menos 11 anos de detenção.

O adolescente,  Lloyd Gunton , que foi diagnosticado com autismo,

Lloyd Gunton (Foto: polícia)
Lloyd Gunton (Foto: polícia)

tinha pesquisado ataques veiculares, como esfaquear e matar pessoas, como criar um ataque terrorista e como se sentiria. Ele foi preso por planejar um ataque ao show de Justin Bieber em Cardiff.

Quando preso, Gunton estava em posse de uma faca, um martelo e uma carta de martírio, que dizia que ele era um “soldado do Estado Islâmico” e que “mais ataques se seguiriam”.

Em Manchester , foram presos membros de uma gangue de crianças que cuidava de crianças menores de idade em parques em Bury, nos subúrbios da cidade. A polícia estava vigiando os homens há mais de meio ano. As crianças-alvo foram primeiro aliciadas com álcool e drogas e depois abusadas sexualmente. Escândalos semelhantes foram descobertos em outras cidades do Reino Unido.

Com informações e imagens de Clarion Project

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Irã: Proeminente professor condenado à prisão

Um proeminente acadêmico iraniano foi sentenciado à 1 ano e 6 meses de prisão na terça-feira(13) apóes dar uma entrevista ao canal de notícias alemão Deutsche Welle , segundo comunicado de imprensa da DW .

Sadegh Zibakalam, professor de ciência política na Universidade de Tehran, foi encarregado de conceder uma entrevista a uma organização de notícias estrangeira na língua persa e foi acusado de fazer “propaganda contra a ordem da República Islâmica e propagação de informações falsas”, disse o comunicado.

Leia mais: terrorista morto ao esfaquear soldado próximo da residência do embaixador do Irã na Áustria

A entrevista foi concedida no dia 1º de janeiro por telefone onde o acadêmico falou sobre os protestos que estava ocorrendo no Irã. O comunicado ainda afirma que Zibakalam vai recorrer da sentença.

Com informações e imagem de Middle East Monitor

EVM recebe apoio do renomado professor e escritor Clóvis Brigagão

Rio de Janeiro – A equipe de internacionalistas da ONG Ecoando a Voz dos Mártires se reuniu nessa sexta-feira (28/10), na Universidade Cândido Mendes, com o renomado professor  e escritor Clóvis Brigagão, cientista político que inaugurou no Brasil a área multidisciplinar de Relações Internacionais  sobre Estudos e Pesquisa de Paz.

O professor Clóvis teve conhecimento do trabalho executado pela presidente da ONG EVM através do Linkedin, oportunidade em que a parabenizou pelos seus esforços na seara humanitária. Andréa Fernandes agradeceu a recomendação do professor Clóvis e solicitou uma reunião objetivando expor projetos da ONG, pelo que foi imediatamente atendida.

Compareceram à reunião Andréa e a internacionalista Marcelle Torres, que impressionou o professor com suas excelentes análises sobre a Coréia do Norte. Foram discutidos alguns projetos que tiveram apoio do Dr. Clóvis, que também é especialista em segurança internacional e coordenador do Grupo de Análise e Prevenção de Conflitos Internacionais – GAPCon. Na oportunidade, a presidente da ONG o convidou para compor a mesa da sessão solene em reconhecimento do genocídio de cristãos e minorias no Oriente Médio,  evento que que será realizado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e já está sendo articulado juntamente com Daniel Sousa, tendo resposta positiva do professor.

Ao final do produtivo encontro, as internacionalistas foram presenteadas com 3 obras de autoria do professor Clóvis Brigagão, cujos livros são de leitura obrigatória para alunos do curso de Relações Internacionais.

Professor franco-argelino da UFRJ é deportado

Adlène Hicheur é condenado por terrorismo na França

RIO – O professor franco-argelino Adlène Hicheur, que trabalhava como pesquisador do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi deportado sumariamente na noite desta sexta-feira. Ele foi detido e levado escoltado pela Polícia Federal até o Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão, onde embarcou às 22h25 num voo para a França. Hicheur foi condenado em Paris a cinco anos de prisão, em 2009, por ligações com terroristas. Hicheur, que chegou ao Brasil em 2013, tinha vínculo com a UFRJ até este mês. Em nota, a universidade revelou que foi surpreendida pela ação. Nem o Ministério da Justiça, nem a Polícia Federal quiseram comentar o assunto.

No texto, a UFRJ afirmou que o professor visitante Adlène Hicheur era pesquisador do Instituto de Física e estranhou a ação: “Manifestamos extrema preocupação com a ação, anunciada sem apresentação de justificativas claras e atenção a princípios democráticos básicos, como direito à defesa”. Ainda segundo a universidade, “o pedido de renovação de contrato do professor — que vencia este mês — foi analisado pelos vários colegiados da UFRJ e aprovado na universidade”.

A reitoria também informou que o “professor desenvolveu na UFRJ novas linhas de pesquisa, assim como deu continuidade a trabalhos já em andamento quando da sua contratação”. Dentre os trabalhos científicos realizados, segundo a universidade, “podem ser destacados artigos e descobertas importantes para a Física de Partículas”.

A notícia de que o professor franco-argelino estava sendo deportado foi confirmada primeiro pela Associação dos Docentes da universidade, mobilizando até mesmo o reitor da UFRJ, Roberto Leher, que tentou impedir a ação, acionando um grupo de advogados.

Em janeiro deste ano, a revista “Época” revelou que o físico franco-argelino estava sendo monitorado no Rio pela Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) depois de ter sido condenado por terrorismo na França. Preso em 2009, ele cumpriu a pena e chegou ao Brasil em 2013. Na época, a UFRJ disse que a contratação do professor seguiu os trâmites habituais.

Ainda em janeiro, o Instituto de Física da UFRJ anunciou que havia substituído o professor Adlène Hicheur das salas de aula, mas o manteve como pesquisador na pós-graduação. Na época, disse que a decisão foi tomada “para evitar que influências não acadêmicas interfiram no andamento das aulas”. A decisão de manter o professor exercendo atividades de pesquisa aconteceu no momento em que o governo federal discutia, internamente, sua situação no país. Na época, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, prometeu solução para o caso.

Também em janeiro, Hicheur avisou aos colegas que iria deixar o Brasil, mas, oficialmente, não tinha avisado à reitoria da UFRJ. Ele teria dito a amigos que era uma “questão de honra” viajar por conta própria, antes de ter o visto suspenso.

Diante da repercussão do caso, a UFRJ e a Universidade Federal Fluminense (UFF) defenderam o modelo de isonomia que permite a contratação de professores estrangeiros para ministrarem cursos nas universidades brasileiras. A UFRJ chegou a dizer que não é atribuição da universidade deliberar sobre antecedentes criminais de professores. Segundo a UFRJ, “o ingresso de estrangeiros está condicionado às leis vigentes no país, e a situação do passaporte está subordinada à avaliação do Ministério da Justiça”.

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Professor é morto em novo ataque contra ativistas laicos em Bangladesh

Assassinato a facadas supostamente cometido por extremistas islâmicos gera protestos

RAJSHAHI, Bangladesh — Um professor universitário foi assassinado a facadas em Bangladesh, anunciou a polícia neste sábado. Acredita-se que este seja o mais recente crime de uma série de homicídios de ativistas laicos e ateus cometidos por extremistas islâmicos. Ninguém assumiu a autoria do ataque até o momento e autoridades investigam o caso.

O professor de inglês Rezaul Karim Siddique, de 58 anos, foi atacado pelas costas por desconhecidos com um facão quando saía de casa para esperar o ônibus na cidade de Rajshahi, noroeste do país. Ele era professor em uma universidade pública.

— Seu pescoço foi atingido ao menos três vezes e cortado em 70-80%. Pelo tipo de ataque, suspeitamos que foi cometido por extremistas islamitas — disse o chefe de polícia de Rajshahi, Mohammad Shamsuddin. — O modus operandi corresponde a assassinatos anteriores cometidos por islamitas violentos.

Pelo menos outros três professores da Universidade de Rajshahi foram mortos nos últimos anos alegadamente por grupos islâmicos. Segundo a família de Shamsuddin, o professor era um homem muito quieto, simples e focado em estudar e ensinar. Ele era o líder de um grupo cultural e editava uma revista literária.

— Até onde sabemos, ele não tinha nenhum inimigo conhecido e nunca achamos ele preocupado. Nós não sabemos porque isso aconteceu com ele — disse o seu irmão, Sajidul Karim Siddique.

ATAQUES EM SÉRIE

Após o assassinato, centenas de estudantes e professores saíram em protesto no campus da Universidade de Rajshahi e bloquearam uma estrada com pedidos de justiça. A Anistia Internacional também condenou o assassinato e disse que os responsáveis devem ser levados a julgamento.

“O ataque lamentavelmente corresponde ao padrão estabelecido por grupos islâmicos em Bangladesh que têm como alvo ativistas e escritores”, disse o diretor da Anistia Internacional no Sul da Ásia, Champa Patel. “As autoridades devem fazer mais para pôr fim a estas mortes. Nenhuma pessoa foi levada a julgamento pelos ataques no último ano.”

No início do mês, a polícia anunciou a prisão de dois membros de um grupo islamita armado proibido e suspeito de envolvimento no assassinato de um ativista laico. Nazimuddin Samad, defensor da laicidade foi assassinado aos 26 anos perto de uma universidade em Daca por homens armados com facões.

No ano passado, quatro blogueiros, defensores dos Estado laico, e um editor foram assassinados em circunstâncias similares. A polícia deteve supostos integrantes de um grupo considerado ilegal, Ansarullah Bangla Team, mas ainda não aconteceu nenhum julgamento.

O primeiro-ministro Sheikh Hasina vem intensificando a repressão contra grupos armados, que são responsabilizados pelos ataques contra estrangeiros, minorias xiitas e cristãos. Além disso, o governo acusa a oposição de apoiar grupos religiosos radicais como forma de retaliação após o governo ter processado suspeitos de crimes durante a guerra de independência do país em 1971.

Embora alguns destes ataques tenham sido assumidos pelo Estado Islâmico, o govermo rejeita estas declarações e diz que o grupo extremista não tem presença em Bangladesh.

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Governo brasileiro sabia de condenação por terrorismo quando deu visto a professor da UFRJ

Itamaraty diz que consultou PF e Abin sobre condenação do professor, mas órgãos dizem que foram apenas comunicados

Documentos revelam que o governo brasileiro sabia que o cientista franco-argelino Adlène Hicheur tinha sido condenado por planejar atentados terroristas na França quando ele obteve visto para dar aulas na UFRJ e morar no Rio de Janeiro. ÉPOCA obteve, por meio da Lei de Acesso à Informação, telegramas que discutem o caso do professor e mostram que aembaixada do Brasil em Genebra sabia da condenação e, por isso, pediu a autorização de Brasília para dar visto ao professor.

O informe relata que “Hicheur foi preso, em outubro de 2009, e condenado, em maio de 2012, por envolvimento com a Al Qaeda no Magreb Islâmico; já tendo cumprido quase três anos de prisão, foi libertado poucos dias após a sentença condenatória”. O Itamaraty não cita a expressão terrorismo. Hicheur foi preso e condenado por planejar atentados, que incluíam ataques a embaixadas e a execução de assassinatos de personalidades na França.  As provas são e-mails trocados num fórum jihadista com um membro da Al Qaeda.

No telegrama, Ernesto Rubarth, então Cônsul-Geral em Genebra, admite que tinha poderes para autorizar o visto, mas queria o aval de Brasília. Embora tenha sido condenado na França, o professor morava em Genebra. “Informo e rogo instruções. Ainda que seja dispensada a consulta, apresento a Vossa Excelência a solicitação a seguir, que penso merecedora de consideração mais aprofundada”, escreveu.

INFORME Telegrama mostra que governo brasileiro sabia da condenação do cientista francês (Foto: Reprodução)INFORME Telegrama mostra que governo brasileiro sabia da condenação do cientista francês (Foto: Reprodução)

O caso foi rápido. O telegrama foi enviado em 03 de junho de 2013. Abin e Polícia Federal foram informadas dois dias depois e, no fim do mês, o Itamaraty autorizou o visto. As versões, contudo, não batem. Segundo o Itamaraty, Abin e Polícia Federal foram consultadas e não se opuseram à concessão de visto. “A Abin informou não haver óbice à emissão do visto, e a Polícia Federal não respondeu (o procedimento regular da PF é não responder quando não há problemas com o pedido)”, disse o Itamaraty em nota enviada a ÉPOCA. “Os órgãos de segurança competentes não se opunham à sua vinda”.

>> Professor da UFRJ condenado por terrorismo diz que França “fabricou” acusação
As explicações de Abin e PF são diferentes da versão do Itamaraty. A Abin afirma que não tem poderes para vetar ou autorizar o ingresso do professor condenado. “Não é prerrogativa da Abin evitar o ingresso de estrangeiro no país. O envio de telegramas com esse teor não tem caráter de consulta, mas de comunicado”, disse o órgão por meio de nota.

Em nota, a Polícia Federal disse que foi apenas comunicada. “A concessão de vistos a estrangeiros é atribuição de competência exclusiva do Ministério das Relações Exteriores. A Polícia Federal não é instada a se manifestar no processo de concessão do benefício diplomático”.

Quando o caso foi revelado por ÉPOCA no começo do ano, o governo brasileiro se mobilizou para se descolar do caso. O ministro Aloizio Mercadante (Educação) chegou a dizer que ele deveria ter sido barrado, mesmo com o currículo invejável.

O episódio início em 2009, quando o professor teve uma crise de dores na coluna e foi para a casa dos pais, na França. Lá, passou a frequentar um fórum na internet usado por jihadistas e a trocar mensagens com um interlocutor apelidado de “Phenix Shadow” (fênix da sombra, numa tradução literal), na qual tratou de ataques na França. Ele ficou preso até 2012, foi condenado na França e está proibido de entrar na Suíça, onde trabalhava, até 2018.

RETORNO À EUROPA

Quando ÉPOCA revelou o caso, Adlène Hicheur chegou a anunciar a colegas que deixaria o país. Isso levou o ministro Aloizio Mercadante a dizer que “devemos reconhecer que é um gesto que contribui e resolve o problema para o Brasil”. Passados mais de 80 dias, Adlène Hicheur permanece no Brasil, onde faz pesquisas para a UFRJ e recebe seu salário normalmente. Ele apenas está afastado da sala de aula.

Questionado, Hicheur não respondeu às perguntas de ÉPOCA. Ele encaminhou as mensagens a Ronald Shellard, diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, que fez o primeiro convite para Hicheur vir ao Brasil. “Quando ele foi ‘liberado’ da prisão, colegas do CERN (pessoas em quem tenho grande confiança) nos procuraram para saber se poderíamos dar uma posição a ele, para que voltasse a trabalhar em ciência (onde tem importante reputação).  Consultamos o Itamaraty e recebemos a resposta de que se tinha cumprido pena e estava quites com a justiça (francesa) ele poderia vir ao Brasil (é parte de nossa legislação)”, disse.

Ronald Shellard destacou ainda que, para a comunidade científica brasileira, Adlène Hicheur deveria continuar no Brasil. O ministro da Educação discorda. Questionado sobre o fato de que o governo brasileiro sabia da condenação de AdlèneHicheur quando concedeu visto, Mercadante reafirmou que ele deveria ter sido impedido de entrar no país. “Não mudo minha opinião: ele não deveria ter sido aceito, pelo histórico da sua condenação pela Justiça Francesa. Fui informado, na ocasião, pela reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro que ele seria afastado imediatamente das atividades de docência e que sua contratação foi temporária e se encerraria no fim deste semestre”, disse Mercadante. Questionada, a UFRJ disse que AdlèneHicheur continua como pesquisador. “O contrato dele continua vigente, ele trabalha apenas em pesquisa. Não houve pedido de afastamento”, disse a reitoria.

http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2016/04/governo-brasileiro-sabia-de-condenacao-por-terrorismo-quando-deu-visto-professor-da-ufrj.html

Brasil apura medidas antiterrorismo após caso de condenado

Mercadante diz que físico deveria ter sido barrado em 2013; professor acusado de terrorismo fala em ‘acusações fabricadas’.

BRASÍLIA E RIO – Investigado pela Polícia Federal, o físico Adlène Hicheur nem deveria ter entrado no país. A declaração contundente é do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que afirmou que o hoje professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) deveria ter sido barrado ao chegar no Brasil em 2013. Mercadante acompanha o caso do professor, divulgado pela revista “Época”, desde setembro, quando recebeu pedido de auxílio da Polícia Federal ainda como titular da Casa Civil. Hicheur, por sua vez, alega que o processo em que foi condenado por terrorismo na França foi fabricado.

— Lógico que deveria ter sido bloqueado (o acesso dele ao país). Uma pessoa que teve aqueles e-mails que foram publicados, que foi condenada por prática de terrorismo, não nos interessa para ser professor no Brasil. Não há nenhum interesse nesse tipo de perfil — disse, descartando, no entanto, qualquer movimento do governo para desligá-lo ou afastá-lo da universidade. — O currículo acadêmico dele e a produção científica preenchem todas as exigências. É um pesquisador altamente qualificado. O problema não é se ele é professor, engenheiro, estudante. Se há indicio de alguém que teve, como no caso dele, condenação ou envolvimento com práticas terroristas, você tem que bloquear na entrada.

Para julgá-lo, a polícia francesa se baseou em mensagens trocadas por Hicheur com um usuário que usava o pseudônimo Phenix Shadow — que seria Mustapha Debchi, apontado pelo governo como membro da al-Qaeda na Argélia. Nos e-mails, os dois mencionavam assassinatos, ataques a embaixadas e potenciais alvos, entre outros conteúdos suspeitos. Detido, ele cumpriu dois anos e meio de prisão.

Embora a universidade que hoje emprega o físico seja federal, Mercadante disse que cabe ao Ministério da Justiça e à Advocacia Geral da União tomar providências em relação ao franco-argelino. Agentes da Divisão de Antiterrorismo da Diretoria de Inteligência (DIP) da Polícia Federal de Brasília o monitoram há pelo menos seis meses.

Segundo o ministro, embora não tenha tradição de conflitos, o Brasil pode sofrer atos terroristas durante as Olimpíadas, por ser um evento de repercussão mundial.

— É o evento de maior impacto midiático do mundo, a maior audiência de todos os eventos é a abertura das Olimpíadas. O Brasil não é alvo, mas pode ser palco.

‘Uma pessoa condenada por prática de terrorismo, não nos interessa para ser professor no Brasil’, afirmou ministro da Educação, Aloizio Mercadante sobre o físico Adlène Hicheur – Ailton de Freitas / Agência O Globo
Em dois endereços cariocas onde antes era fácil encontrá-lo, Hicheur não foi localizado ontem. Procurado por telefone, também negou-se a comentar o assunto e desligou rapidamente. Em carta enviada por e-mail ao Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), à qual o GLOBO teve acesso, Hicheur sustenta que a acusação francesa não conseguiu apresentar provas materiais para sustentar seus argumentos.

“Eu fui preso pela polícia francesa no fim de 2009 e a única justificativa foram minhas visitas aos chamados websites islâmicos subversivos. Fui privado da minha liberdade por dois anos apenas com base nisso.”

Especialista em física das partículas elementares, ele fazia parte da equipe da Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em francês) em Genebra, na Suíça, onde está proibido de voltar até 2018. A “Época” teve acesso a 35 e-mails trocados entre o físico e o jihadista. Em um deles, Phenix fez uma abordagem sem rodeios: “Caro irmão, vamos direto ao ponto: você está disposto a trabalhar em uma unidade de ativação na França?”. Cinco dias depois, a resposta. “Sim, claro”.

Ações seriam fabricadas

Ontem, Hicheur declarou-se inocente e denunciou abusos durante o período em que esteve sob custódia na França.

“O caso foi fabricado usando-se partes pinçadas de uma conversa virtual com o objetivo de mostrar que haveria uma tentação de considerar a violência como solução para conflitos internacionais em países árabes e muçulmanos como Iraque ou Afeganistão.”

A PF passou a investigá-lo após uma reportagem da TV CNN de 2015 numa mesquita no Rio, em que um frequentador defendia os ataques ao semanário “Charlie Hebdo” e levantava a camisa, revelando um símbolo do Estado Islâmico.

Com a descoberta de que Hicheur também frequentava o templo, ele passou a ser monitorado, e seu escritório na UFRJ e o apartamento na Tijuca foram revistados. A ação, no entanto, é considerada comum, segundo policiais federais consultados pelo GLOBO, e não envolve apenas o físico. O trabalho tem a participação de outras agências de Inteligência e atinge estrangeiros com passagem pela polícia e brasileiros considerados “simpáticos” a grupos terroristas. Como a investigação da PF estava sob sigilo, segundo Mercadante, ele não conversou, até agora, com nenhuma autoridade da UFRJ.
Investigado. Físico cumpriu pena por troca de mensagens com terrorista – Reprodução
Na carta, o físico sustenta que a “Polícia Federal no Brasil não tem nada contra” ele e nega qualquer ligação com o ocorrido na mesquita, ressaltando que não estava no local no dia. Ainda no documento, Hicheur argumenta que “estava muito doente durante todo o período do alegado crime de ‘associação com transgressores’”.

Ele destacou que teve apoio da comunidade científica no processo e que tem lutado para se recuperar de uma experiência “terrível”. O pesquisador é líder em diversos estudos do laboratório e respeitado pelos colegas. Em 2012, um comitê de apoio na França reuniu milhares de assinaturas pedindo sua libertação. Ontem, o documento foi enviado junto a uma carta assinada por Ignacio Bediaga, coordenador de Física Experimental de Altas Energias do CBPF — que classificou o processo contra Hicheur de arbitrário.

“À época da sua prisão, pudemos observar que as opiniões dos nossos colaboradores europeus ficaram divididas. Entretanto, após dois anos de encarceramento, sem acusação definida, houve um consenso entre os nossos colegas da arbitrariedade da ação da polícia francesa e do próprio julgamento.”

No Laboratório de Física de Partículas Elementares, onde trabalha, o franco-argelino não apareceu para tocar as pesquisas. Também não frequenta há duas semanas a Mesquita da Luz, na Tijuca, onde costumava fazer orações. Ex-secretário do templo, Fernando Celino aposta que diante da exposição, Hicheur pode até sair do país:

— Acho que pode ser que ele vá embora. É uma pessoa muito reservada, só três ou quatro fiéis tinham convívio mais próximo.

Colaborou Paula Ferreira

Read more: http://oglobo.globo.com/mundo/brasil-apura-medidas-antiterrorismo-apos-caso-de-condenado-18453441#ixzz3x5Z9nLVB

 

Professor da UFRJ investigado por terrorismo é elogiado por colegas

Preso na França,  foi convidado para trabalhar no Brasil.

O franco-argelino Adlène Hicheur é alvo de investigações da Polícia Federal, mas a qualidade seu trabalho, segundo seus colegas brasileiros, paira acima de qualquer suspeita. Embora a condenação por atividade terrorista na França tenha provocado seu afastamento do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), cientistas da instituição intermediaram sua vinda para o Rio, em 2013, onde retomou seus projetos no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

De acordo com o diretor do centro, Ronald Shellard, o Ministério das Relações Exteriores estava ciente dos problemas de Hicheur com a Justiça.

— Liguei para o Itamaraty e alertei sobre todos os fatos, porque não queria trazer um problema para cá — explica. — Ele veio por volta de 2013 e trabalhou dois anos aqui. Fez trabalhos relevantes e seu grupo estava muito satisfeito, tanto que depois conseguiu um emprego na UFRJ. Nossa posição é de que nos envolvemos com uma pessoa cujo desempenho era elogiado aqui e no Cern.

Hicheur, segundo Shellard, tem parentes na Europa e os visita regularmente. Nunca passou por constrangimentos com seus colegas de trabalho, que sabiam de sua prisão.

— Há coisas sobre as quais não se faz alarde, mas que também não se escondem. Agora, com a exposição na mídia, ele está numa posição complicada.

Shellard afirma que o colega estava na Europa quando um extremista muçulmano mostrou uma camisa com o símbolo do Estado Islâmico na mesquita que costuma frequentar, na Tijuca, logo após os atentados contra o semanário satírico “Charlie Hebdo” em Paris, em janeiro de 2015. Segundo Shellard, o homem não era frequentador da mesquita — teria ido lá apenas naquela vez.

— O Adlène tornou-se um caso célebre porque as evidências (da prisão) foram baseadas apenas na internet. As acusações só foram formuladas na época em que foi solto, aí houve um julgamento sobre a pena que ele já tinha cumprido.

Procurado para confirmar a autorização das atividades profissionais de Hicheur no Brasil, o Itamaraty declarou que é preciso verificar a situação com as instituições governamentais envolvidas na concessão do visto de trabalho. Hoje, Hicheur trabalha no Instituto de Física da UFRJ, que informou ter checado o visto na época. O professor Leandro de Paula, colega na universidade, diz que o franco-argelino “nunca negou” os e-mails que o incriminaram:

— É um pesquisador excelente. Sei que a reitoria tem uma série de documentações legais. Mas não sei se conhecem a sua história.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/professor-da-ufrj-investigado-por-terrorismo-elogiado-por-colegas-18446526#ixzz3wx95qXkV

Exclusivo: um terrorista no Brasil

Condenado por planejar atentados terroristas na França, Adlène Hicheur hoje vive como professor no Brasil, para onde veio com bolsa do governo federal e é investigado pela PF.

De sandálias de couro, instalado numa sala pequena no 3º andar do departamento de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o físico Adlène Hicheur, 39 anos, tem o physique du rôle atribuído aos cientistas. É magro, tem olheiras profundas e trabalha em uma pequena escrivaninha aboletada de livros. Disciplinado, Hicheur, toda sexta-feira, se desloca para fazer suas orações numa mesquita na zona norte do Rio de Janeiro. Argelino de nascimento e naturalizado francês, Hicheur tem um segredo em sua biografia que o pôs sob investigação da Polícia Federal brasileira. Em 2009, ele foi preso e condenado na França a cinco anos de detenção pela acusação de planejar atentados terroristas.

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Até ser preso, Hicheur era considerado um cientista brilhante, especialista em física das partículas elementares. Ele integrava a equipe da Organização Europeia de Pesquisa Nuclear(CERN, na sigla em francês) que mantém emGenebra, na Suíça, o maior laboratório de aceleração de partículas do mundo, uma espécie de santuário para os PhDs da área. Em 2009, ele teve uma crise de dores na coluna, tirou uma licença médica e foi para a casa dos pais, na França. Lá, passou a frequentar um fórum na internet usado por jihadistas e a trocar mensagens com um interlocutor apelidado de “Phenix Shadow” (fênix da sombra, numa tradução literal). Sob essa alcunha, escondia-se a identidade deMustapha Debchi, apontado pelo governo francês como um membro da Al Qaeda na Argélia.

O site já era investigado pela polícia francesa, que identificou potencial de risco nas mensagens enviadas por Adlène Hicheur e passou a monitorá-lo. ÉPOCA obteve os 35 e-mails trocados
por ele e decriptografados pela inteligência francesa. Eles usavam um programa de criptografia chamado Asrar, criado pela Al-Qaeda para trocar informações e armazenar conversas sigilosas.
As mensagens entre “Phenix Shadow” e Hicheur começaram genéricas. “Phenix Shadow” menciona o governo do então presidente francês Nicolas Sarkozy, para quem, diz ele, a sua hora chegaria “em breve”. Na sequência, “Phenix” pergunta a Hicheur se ele estaria disposto a fazer um ataque suicida. Recebe uma negativa como resposta. Ao longo da conversa, “Phenix” fez uma abordagem sem rodeios a Hicheur: “Caro irmão, vamos direto ao ponto: você está disposto a trabalhar em uma unidade de ativação na França? Que tipo de ajuda poderíamos te dar para que isso seja feito? Quais são suas sugestões?”.

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A resposta de Hicheur veio cinco dias depois. “Sim, claro”. Ele esclarece ainda que planejava deixar a Europa nos próximos anos, mas que poderia rever o plano. Para permanecer, Adlène Hicheur colocou uma condição: a criação de uma estratégia precisa: “Trabalhar no seio da casa do inimigo central e esvaziar o sangue de suas forças”. Para o plano da “unidade de ativação” na França, Hicheur sugere diversos alvos. “Precisamos trabalhar para acelerar a recessão econômica, ou seja, atingir as indústrias vitais do inimigo e as grandes empresas, como Total, British Petroleum, Suez”, escreveu Hicheur, que também menciona também ataques a embaixadas. Os alvos seriam os governos que ele classificou de “incrédulos”: “Executar assassinatos com objetivos bem estudados: personalidades europeias ou personalidades bem definidas que pertençam aos regimes incrédulos (em embaixadas e consulados, por exemplo)”.

Fiéis durante oração na Mesquita da Luz (Foto: Stefano Martini/ÉPOCA)Fiéis durante oração na Mesquita da Luz (Foto: Stefano Martini/ÉPOCA)

Com mensagens tão claras, a polícia francesa decidiu prender Hicheur. Afastou-se a possibilidade de que a conversa seria apenas uma postura crítica ao governo – ou o exercício da liberdade de expressão. A polícia ainda encontrou em seu computador um arquivo criptografado no qual se discutia o envio de € 8.000 euros para a Al Qaeda. Ao ser preso, ele disse que era um “bode expiatório”. Muitos de seus colegas ficaram ao seu lado. Em uma carta enviada em 2011 para Sarkozy, um grupo de cientistas questionou a prisão de Hicheur. Imaginavam que o franco-argelino era apenas um usuário a mais navegando em fóruns na internet. Naquele momento, contudo, a polícia francesa ainda não tinha divulgado os e-mails sobre os ataques, que nunca foram desmentidos por Hicheur e revelaram-se decisivos para que a Justiça francesa o condenasse como terrorista.

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Em 2012, o caso de Hicheur foi citado num estudo da ONU sobre o uso da internet em atentados terroristas. Virou exemplo das “diferentes formas em que a internet pode ser usada para facilitar a preparação de atos de terrorismo, incluindo comunicações entre organizações que promovem o extremismo violento”. Depois de obter a liberdade condicional, em 2012, Hicheur dedicou-se a duas coisas: mudar informações na Wikipedia a seu respeito, que mencionam  o caso de terrorismo, e a tentar recuperar o emprego no CERN. Ele foi barrado, porém, pela polícia suíça. Em abril de 2015, ao julgar um recurso de Hicheur, a Justiça suíça manteve a proibição da presença do cientista no país até abril de 2018. “A gravidade dos fatos leva o tribunal a considerar que a manutenção da interdição de entrada se justifica por motivos ligados à segurança interior e exterior da Suíça. As atividades executadas pelo recorrente são, com efeito, objetivamente de uma gravidade suficiente para justificar a decisão de afastamento”, diz a decisão da Justiça.

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O que a Suíça considerou grave não foi impedimento para que Hicheur viesse para o Brasil, onde ele entrou em 2013 depois de obter uma bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq). O órgão diz que, ao contratar, faz “análise baseada no mérito científico da proposta e no currículo do candidato”. Desde então, Hicheur vive no Rio e tem visto de trabalho  garantido pela Universidade Federal do Rio Janeiro até julho deste ano. Entre 2013 e 2014, Hicheur recebeu R$ 56 mil como bolsista do CNPq. Depois, tornou-se professor visitante da UFRJ, com salário de R$ 11 mil por mês. Questionada porÉPOCA sobre os antecedentes de Hicheur, a UFRJ disse que a sua contratação seguiu as normas usuais para professores visitantes estrangeiros, de quem são exigidos passaporte com visto.

Mohamed Zeinhom Abdiem, presidente da Mesquita da Luz (Foto: Stefano Martini/ÉPOCA)Mohamed Zeinhom Abdiem, presidente da Mesquita da Luz (Foto: Stefano Martini/ÉPOCA)

No Brasil, Hicheur leva uma vida discreta. Mas isso não impediu que ele virasse alvo de uma operação secreta do grupo antiterrorismo da PF, em outubro. Sua casa e seu laboratório na UFRJ sofreram uma busca e apreensão, com autorização da Justiça. A investigação da PF começou quase por acaso – depois de uma reportagem da CNN em espanhol, que entrevistou frequentadores de uma mesquita no Rio de Janeiro sobre o atentado ao semanário Charlie Hedbo, em Paris, em janeiro de 2015, que deixou 12 mortos. Durante a reportagem, um dos entrevistados defendeu o ataque e tirou a camisa. Por baixo, ele estampava outra roupa com o símbolo do Estado Islâmico. Na tentativa de identificar o autor da mensagem pró-terrorismo, a PF descobriu que Hicheur frequentava a mesquita. O cientista passou então a ser um alvo prioritário da polícia, que apura se há ligações dele com o ato registrado no vídeo. ÉPOCAdescobriu que Hicheur procurou o Ministério da Justiça, em setembro de 2014, para pedir a alteração da sua nacionalidade, no visto de permanência no Brasil, de francesa para argelina. Isso significa que, no caso de uma expulsão de Hicheur do Brasil, ele seria deportado para a Argélia e não para a França, onde foi condenado.

Uma das listas da Interpol, a polícia internacional, é a chamada difusão verde, com informes sobre pessoas que já cometeram crimes e que representam uma ameaça. ÉPOCAquestionou a embaixada da França em Brasília se Hicheur foi alvo de comunicações desse gênero e se outros países foram informados da condenação, como forma de fazer controle na fronteira – a exemplo do que fez a Suíça. A embaixada não se pronunciou especificamente sobre o caso. “A Embaixada da França não se manifestará sobre a situação atual do senhor Adlène Hicheur”. De acordo com a nota, “tratando-se da luta contra o terrorismo, as autoridades francesas competentes mantêm um diálogo estreito, direto e útil com as autoridades brasileiras competentes”. A instituição informou ainda que, como ele tem nacionalidade francesa, ele não está impedido de voltar à França.

No Rio, Adlène Hicheur mora em um prédio de quatro andares de classe média numa rua tranquila do bairro da Tijuca. Por ainda tropeçar na língua portuguesa, o porteiro tem dificuldades para compreendê-lo e, sem gravar o nome do inquilino, o identifica “como um rapaz barbudinho” que costuma sair por volta das 7h e só voltar à noite. Segundo vizinhos, houve uma mudança brusca na rotina do cientista, que mandou um familiar de volta para a Europa e passou a viver sozinho. Na UFRJ, Hicheur ocupa uma sala pequena no final de um corredor mal iluminado, no terceiro andar do Instituto de Física. ÉPOCA o localizou lá no começo da tarde da última quinta-feira. A surpresa da visita o deixou nervoso. Começou a tremer e se recusou a dar entrevista. “Não posso falar e gostaria de ser deixado em paz. Se você escrever ou falar qualquer coisa, você não imagina as consequências para você e para mim. É só isso”, disse o professor, sem explicar a que se referia exatamente. “Esse tipo de assunto hoje em dia não é assunto tratado de maneira analítica e com razão. Estamos numa época de histeria”, afirmou. “Eu decidi não falar nada só para reconstruir minha vida. Não é porque eu não tenha razão. Eu tenho razão. Tenho muita coisa para falar. Mas deixa o tempo falar sobre isso.” Em seguida, acrescentou: “Não sou uma pessoa pública. Estou protegendo minha vida privada e de minha família. Não tenho qualquer  impacto sobre o destino do mundo.” Por fim, deixou uma incógnita no ar sobre a operação de busca e apreensão feita pela PF em sua casa e no laboratório da universidade: “Sua informação não vem da Polícia Federal. São eles que contataram você (de ÉPOCA)”. Ele não esclareceu quem seriam “eles”.

Os líderes da Mesquita da Luz, no Rio, querem que a Polícia Federal descubra a identidade e o paradeiro do homem que se manifestou a favor de terroristas, dentro do templo, logo após o atentado contra o Charlie Hebdo no ano passado. A Sociedade Muçulmana do Rio de Janeiro, responsável pela mesquita, tem repudiado publicamente os ataques do Estado Islâmico, em especial o que ocorreu de novembro passado em Paris. Para o presidente da entidade, Mohamed Zeinhom Abdien,  muitas pessoas não distinguem terroristas dos seguidores do islamismo e isso aumenta a estigmatização dos muçulmanos. “Denunciamos a ação do simpatizante do Estado Islâmico à Polícia Federal. Queremos mostrar que a gente não concorda com essas coisas. Nossa religião não é essa. Queremos viver em paz com o próximo”, diz Abdien, que não foi informado sobre o resultado da investigação pela PF.

A investigação da PF sobre Adlène é baseada na suspeita de incitação ao crime e propaganda em favor da guerra. Embora a Constituição de 1988 cite terrorismo, até hoje o Congresso Nacional não criou uma lei para classificar o que seria um ataque terrorista. Por isso, as investigações sobre ameaças terroristas no Brasil têm de se basear em crimes laterais, sempre com penas mais brandas. Com os ataques a Paris em novembro, ganhou força a discussão de um projeto de lei para enfim criminalizar o terrorismo. Mas, por causa da situação política atribulada do país, sua votação pela Câmara ficou para este ano – se o debate sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff não atrapalhar. O projeto prevê penas duras para quem executar, financiar, preparar ou fazer apologia a atos terroristas. Há um ponto específico que interessa aos especialistas em terrorismo: o combate aos chamados “atos preparatórios”. Ou seja, planejar – antes mesmo de executar um atentado – já será considerado crime. Com esse enquadramento, as autoridades policiais esperam viabilizar operações para que os atentados sejam evitados. Se a nova lei for aprovada, mensagens como a de Hicheur (“executar assassinatos com objetivos bem estudados”) possivelmente teriam o mesmo entendimento dado pela Justiça francesa. Hoje, contudo, há um vácuo jurídico. No ano passado, a PF realizou pelo menos quatro operações antiterrorismo, sempre baseadas em crimes menores. Enquanto as Olimpíadas se aproximam e o Congresso não se apressa em votar uma legislação anti-terror, o Brasil vive uma situação diferente de outros países: combate um terrorismo sem dispor de uma lei.

infográfico - terrorismo - Adlène Hicheur (Foto:  )

Professor chicoteia selvagemente menino cristão copta por 40 vezes

Um professor egípcio de língua árabe chicoteou um menino cristão copta de 10 anos de idade, com 40 chicotadas usando um fio elétrico na semana passada em uma escola no Cairo.

Os médicos que examinaram mais tarde as feridas no menino “não podia acreditar que um professor pôde fazer isso”, disse o pai da criança.

O incidente ocorreu em 21 de outubro, durante a última aula do estudante copta do dia, que era língua árabe. Em seguida, o professor disse aos alunos para permanecerem em silêncio até que eles houvessem copiado todas as frases em árabe que estavam escritas no quadro-negro. Quando Babawi, o menino copta, fez uma pergunta a um o estudante na frente dele e moveu a cabeça para que ele pudesse ver o quadro, o professor trancou a porta e chicoteou o menino cristão 40 vezes com um grande fio elétrico por todo o corpo.

De acordo com o pai, que falou com MCN, o menino recebeu um “espancamento fatal.” Ele desmaiou e foi imerso em seu próprio sangue. Depois de ser examinado pelos médicos, verificou-se que ele sofreu danos em seus ossos e rins.

Ninguém de fora parecia ouvir os gritos contínuos do menino e dos outros alunos que estavam com muito medo de intervir, disse o pai, que trabalha como guarda de segurança.

Como o Alcorão é a base para estudos de língua árabe no Egito, é provável que as frases em árabe no quadro tenham sido derivadas do livro sagrado do Islã. Neste contexto, talvez o professor ficou especialmente irado porque, de todos os alunos, foi o “humilde” copta que estava sendo “blasfemo” por falar.

Curiosamente, algumas semanas antes, Ibrahim Eissa, uma personalidade de televisão egípcia, fez algumas observações pertinentes a este caso.

Depois de ter recordado que é bom ensinar o Alcorão a cristãos coptas em escolas públicas, uma vez que é essencial para o domínio da língua árabe, Eissa disse: “Mas aqui chegamos à verdadeira questão: Por que também não está sendo ensinado o sermão de Cristo no Monte, como registrado no Evangelho, que é uma das maiores e mais brilhantes declarações, cheias de sabedoria e justiça? ”

Em seguida, ele ressaltou que, se aos coptas deve ser ensinado o Alcorão, devem também os muçulmanos aprender com o Novo Testamento: “E se você não concordar, então você é injusto, iníquo e antipatriótico”.

http://www.raymondibrahim.com/from-the-arab-world/teacher-savagely-whips-coptic-christian-boy-40-times/

http://www.raymondibrahim.com/from-the-arab-world/teacher-savagely-whips-coptic-christian-boy-40-times/Conhecimento do sermão de Cristo no Monte pode ter ido um longo caminho para dominar a raiva violenta do professor de língua árabe.

O pai do menino copta abusado, desde então, apresentou um relatório com a polícia, falado com as autoridades escolares, mas, segundo ele, “Até agora, não há medidas legais foram tomadas contra o professor.