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Irã amplia Polícia da Moral e endurece repressão contra mulheres

TEERÃ — O Irã lançou uma nova unidade da Polícia da Moral, criada para controlar ainda mais a maneira como as mulheres se vestem e se comportam pelas ruas. Atualmente, já existe uma unidade policial dedicada a este fim, integrada por agentes do sexo feminino que param e detêm iranianas cujo vestuário não esteja de acordo com os valores islâmicos.

O trabalho que estas agentes realizam, no entanto, parece não estar “sendo suficiente”, visto que o chefe da polícia de Teerã, Hossein Sajedina, anunciou o lançamento de uma nova Polícia da Moral. Ela será integrada por 7.000 novos guardas vestidos à paisana, o que dificultará as identificações por parte das mulheres.

Muitas jovens já evitam caminhar por determinadas zonas e pontos da cidade onde há presença dessas agentes. O uniforme destas policiais consiste em um xador preto — véu que cobre a cabeça e o corpo, mas não esconde o rosto.

Segundo Sajedina, os novos agentes verificarão se o véu está bem colocado e se elas não o tiram dentro do carro. Eles também verificarão direção perigosa e poluição sonora. Os novos policiais, porém, não terão o direito de prender mulheres que não estejam de acordo com as leis islâmicas. Eles deverão entrar em contato com as agentes femininas da unidade via mensagem de texto. Estas, por sua vez, irão tratar do caso e poderão prender “as infratoras”.

A medida, considerada um incremento à repressão contra as mulheres no país, é contrária à política de maior abertura e liberdade prometida pelo presidente Hassan Rouhani. Ela tem suscitado muitas críticas em redes sociais, que consideram a unidade uma nova forma de reprimir ainda mais a população feminina.

Ao contrário do Irã, a Arábia Saudita anunciou recentemente a redução das prerrogativas da polícia religiosa, que não poderá mais atuar contra os supostos ofensores da moral sem a intervenção de outras autoridades. As forças perdem o poder de realizar detenções, enquanto o governo pede que suas ações para garantir as leis islâmicas sejam mais gentis.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/ira-amplia-policia-da-moral-endurece-repressao-contra-mulheres-19132182#ixzz46PB4R7wf
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Perigos enfrentados pelos cristãos

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Pregar o evangelho para a maior população muçulmana do mundo é uma atividade muito arriscada e que envolve grandes perigos. O desconforto é constante e o isolamento é quase certo. Entre os homens e mulheres vocacionados para isto, muitos estão à beira de desistir, por mais que sejam corajosos e valentes. Mas eles persistem.

A maioria dos cristãos indonésios é livre para seguir a Cristo, e mesmo que a Constituição garanta os direitos das minorias, o governo faz de tudo para que o cristianismo não se propague pelo país. Tudo começou quando, em meados de 1960, grupos políticos perceberam a expansão das atividades missionárias entre os indonésios.

Desde então, numerosos regulamentos foram postos em prática para reduzir a evangelização cristã, sendo o último deles um decreto pelo Ministério da Religião e do Ministério da Administração Interna, em 2006, que proíbe todas as formas de propaganda religiosa.

“Com os novos regulamentos em vigor, muitos colaboradores enfrentam grandes dificuldades para avançar com as obras. Alguns foram parar em prisões, simplesmente por oferecer bíblias para alguns aldeões indonésios”, relata um dos analistas de perseguição. Segundo o analista, apesar das dificuldades, eles estão dispostos a lutar até o fim. “Eu quero cumprir meu chamado, guardar a fé e combater o bom combate”, conclui um dos cristãos perseguidos.

 

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2015/12/perigos-enfrentados-pelos-cristaos

Imprensa e ONGs sofrem com cerceamento do governo egípcio

Após prisões, jornalistas se autocensuram; lei restringe trabalho de organizações.

CAIRO — Na mesa do Pompido Café, dentro do Shopping Platinum, no Cairo, a jovem jornalista Azza interrompe a conversa:

— Gostaria de pedir para não repetir muitas vezes a palavra “al-Jazeera”. Eu sei, é horrível falar isso, mas as pessoas podem nos abordar de uma forma ruim se escutarem isso — conta a repórter, que pede para não publicar o sobrenome, nem o jornal no qual trabalha, temendo represálias. — Uma vez, estava ao telefone, e disse “al-Jazeera” dentro de um táxi. O taxista me encarou ameaçadoramente.

O receio de Azza é explicado pela sistemática perseguição do governo do presidente egípcio, o ex-general Abdel Fattah el-Sisi, a jornalistas: dezenas estão na prisão. A rede al-Jazeera, que teve três repórteres presos e que ainda estão sendo julgados, teve que fechar o escritório no Cairo. A publicidade oficial, além do enredo autoexaltação, classifica qualquer voz dissonante como traidora, sabotadora da nação. E tem obtido êxito.

— A propaganda contra os jornalistas surte muito efeito. Eu posso estar fazendo uma reportagem sobre os problemas da coleta de lixo. Então, pode vir um cidadão e dizer: “Por que faz isso? Este é o nosso país. Temos que ver o lado positivo, e não o negativo” — ressalta Azza, acrescentando que é arriscado até tirar fotos nas ruas. — Ano passado, havia falta de luz rotineira. Um colega meu escreveu sobre o problema: “Egito está na escuridão.” No dia seguinte, Sisi fez um discurso contra o meu jornal, dizendo que estava criticando o governo.

‘Constrangimento contra sociedade civil’

Azza conta que está “se impondo uma autocensura” e que evita escrever sobre política, ressaltando que o jornalismo no Egito vive “um dos momentos mais difíceis”. A repórter Deena Ahmed Gamil concorda, e além de falar de uma autocensura generalizada, conta como é difícil ter acesso à informação. Acrescenta ainda que “muitos jornalistas estão considerando abandonar a carreira”.

— Hoje, é realmente muito difícil contar a história. É difícil conseguir a informação. E, se você tem a informação, é difícil publicá-la. O que aconteceu na Península do Sinai, por exemplo, foi quase impossível descobrir. Só se tem o que o governo quer contar, o que, geralmente, não é a história verdadeira — explica Deena. — Depois da revolução, muitos novos jornais surgiram, bem como canais de notícias. Mas, agora, vivemos a situação oposta: diários e TVs estão fechando, demitindo.

Aos apoiadores, tudo; aos inimigos, a lei. Seguindo a risca a máxima, o governo Sisi determinou, em meados de 2014, que todas as organizações não governamentais (ONGs) se registrem sob a lei 84/2002, que limita e regula o trabalho delas. A lei dá poder ao governo de congelar os ativos das ONGs, confiscar bens, bloquear o financiamento e até mesmo fechá-las.

— Há muito constrangimento contra as ONGs e a sociedade civil organizada — enfatiza a professora Shimaa Hatab, do Departamento de Ciência Política da Universidade do Cairo (UC). — E também uma propaganda estratégica para desviar a atenção do que está acontecendo. Temos que nos perguntar o quão transparente são as nossas instituições, principalmente o Judiciário.

Além de professor de direitos humanos da UC, Mostafa Sayed também é fundador da Partners in Development (PID), uma entidade que trabalha em prol do desenvolvimento e do aperfeiçoamento das instituições do país. Ele explica que, para fugir da restrição da lei, o estatuto legal da PID foi registrado como companhia privada. E acrescenta que “algumas organizações não aceitam as restrições e deixam o país”.

— ONGs orientadas para direitos humanos podem ter dificuldades para conseguir recursos externos. É um tipo de suspeição do governo contra estrangeiros em geral: “Estrangeiros estão aqui para minar a segurança do Egito.” — afirma Sayed. — É claro que ONGs, quando revelam violações de direitos humanos no Egito, não estão enfraquecendo o governo, que deveria tentar abordar por que ocorrem essas violações.

http://oglobo.globo.com/mundo/imprensa-ongs-sofrem-com-cerceamento-do-governo-egipcio-17199184#ixzz3iyh6Bn4A

‘Dançando no deserto não há República Islâmica’, diz iraniano refugiado na França

Afshin Ghaffarian tem a história contada no cinema e revela como é ser um dançarino em um país onde dançar é pecado

RIO — Em “Dançarino do deserto” um pouco da história dos artistas iranianos é contada tendo Afshin Ghaffarian, que hoje vive na França, como exemplo das limitações para a classe naquele país. O dançarino, que deu seus primeiros passos em um centro cultural ilegal e na universidade formou um grupo de dança clandestino — fala sobre as ausências de liberdades no Irã, a repressão política constante e sua visão sobre as manifestações que tomaram conta da capital, Teerã, antes e depois das eleições de 2009 — e que acabaram reelegendo o então presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Por que usar um deserto para uma apresentação de dança?

Saímos de Teerã para buscar um lugar onde poderia acontecer a performance. Depois de algumas horas nos encontramos no meio do nada e percebemos que aquilo era bom, era realmente puro e pensamos: “Aqui não há República Islâmica!”. Estávamos com medo, me lembro que no dia da apresentação estávamos todos preocupados em saber se havia alguém curioso sobre o que estava acontecendo, porque tudo o que precisam fazer era pegar o telefone e dizer o que estava ocorrendo ali. Teria sido um grande problema.

Qual o significado daquela apresentação para vocês?

(A dança) Era sobre o nascimento, sobre duas pessoas que nasceram no Irã. Não havia nenhum texto, era apenas o movimento — nós tentamos apresentar isso com o corpo. Era sobre as pessoas, meninas e meninos que nasceram e se conheceram, uma relação muito difícil no Irã, o encontro entre um menino e uma menina, as limitações, as coisas que são proibidas. O conceito era fazer algo contra o poder central, estávamos tentando dar ao nosso público um presente, algo novo, algo puro. Esse foi o conceito que tínhamos em mente.

No filme há uma crítica ao uso excessivo de heroína no país, que seria distribuído pelo governo. Muitos artistas usam heroína?

Quando eu descobri que ela (Elahe, seu par no filme) ainda estava usando drogas, fiquei realmente irritado. Ela era um exemplo muito bom do artista no Irã, a quem o governo faz morrer. Acho que é realmente difícil de descrever o que senti, mas fiquei desapontado.

Qual a lembrança daqueles dias antes e depois das eleições em 2009, mostrados no filme?

Antes das eleições havia grande esperança, os jovens queriam votar em (Mir Hossein) Moussavi. Eu não queria porque sentia que nada iria mudar, que tudo continuaria na mesma. Eu não posso votar para uma República Islâmica: se a Constituição continua a mesma, não posso votar neste quadro. Então, disse aos meus amigos que iria boicotar a eleição, mas eles disseram que, se eu não participasse, eles (a República Islâmica) iriam continuar nos enganando. Mas se eu fosse com as milhões de pessoas que iriam votar em Moussavi, eles não poderiam trapacear. Não foi o que aconteceu. Fomos enganados e eles venceram.

Como foi a reação após os resultados?

Às 3h ou 4h, Ahmadinejad já tinha 20 milhões de votos e Moussavi 13 milhões. Nós ficamos chocados! Tivemos um jantar naquela noite e conversamos sobre como a eleição deve ter sido fraudada — 20 milhões de votos certamente não era verdade. E depois, quando se anunciou oficialmente que Ahmadinejad havia vencido com 24 milhões e o Estado do Irã confirmou o resultado, nós queríamos gritar: “Não! Nós votamos, desta vez nós votamos! Você nos traiu e não é justo”. Todo mundo estava realmente com raiva, ficou claro para todo mundo que eles tinham enganado o povo.

E o movimento Verde ganhou força?

Depois disso ele mudou completamente, as coisas aconteceram. Ficou claro que era um movimento, não se tratava de uma eleição, sobre Moussavi ou Ahmadinejad. Era sobre a democracia, sobre a liberdade. Três dias após a eleição, houve a grande marcha com 3 milhões de pessoas nas ruas e eu estava lá com os meus amigos da universidade. Vi pela primeira vez no Irã uma demonstração maciça como aquela. Era um exército de pessoas e eles (o Estado) usaram de violência contra nós, várias pessoas foram mortas naquele dia. Foi uma repressão real.

Qual foi sua participação na manifestação?

Eu levei uma câmara de vídeo para a passeata, o que era muito perigoso, mas senti que tinha que fazer aquilo. Estava na rua com a câmera, apenas filmando a demonstração e de repente alguém se aproximou e perguntou o que eu estava fazendo, o que eu estava segurando. Quando ele se deu conta do que era, me vi entre quatro deles que me prenderam, me levaram a um beco, apreenderam tudo que tinha no meu bolso, meu celular, tudo. A partir desse momento eu não consegui ver mais nada, só podia ouvir. Eu lembro de estar dentro de uma van por horas, foi horrível, eu estava sufocando. Nós não sabíamos o que ia acontecer e eles não nos davam qualquer informação. Até que nos disseram que estávamos indo para fora da cidade e que iam nos matar. Esse tipo de tortura psicológica… Ao mesmo tempo começaram a nos bater de verdade, foi horrível.

Como eles descobriram quem você era?

Um dos homens encontrou os cartões de identidade que eu tinha na minha carteira, que indicava que eu era um ator de teatro. E disse ironicamente: “Há um artista entre nós, um ator. Batam nele artisticamente”. Me bateram muito, nos meus braços e nas minhas costas, mas felizmente nada foi quebrado. Em um ponto, eles pararam o carro, e fomos jogados para fora sem nada. Eu não sabia o que fazer, mas depois de cerca de dez minutos vi uma moto na estrada à frente, falei com o motorista e perguntei se ele estava indo para Teerã .

Como essa experiência mudou sua vida?

Esse foi um momento importante, porque percebi que faria tudo o que pudesse pelo meu país e, se um dia deixasse o Irã, gostaria de não ter nenhum arrependimento. Eu saberia que teria feito o melhor que pude, e não teria apenas fugido. Na época, eu não sabia que o festival de teatro era uma oportunidade para deixar o país, mas disse a mim mesmo: “Se eu for embora sei que fiz o meu melhor”.

Como você deixou o Irã?

Um festival de teatro na Alemanha havia nos convidado para nos apresentar lá e meus amigos me disseram que, se eu tivesse a oportunidade, deveria ir. Depois que eu aceitei, não havia outra escolha. Eu ouvi que havia muitas pessoas indo para o aeroporto, tentando deixar o país e eles estavam impedindo as pessoas de sair. Por isso, cheguei lá muito cedo, às 6h do dia 11 de outubro. E deixei o Irã. Me lembro de entrar no avião, olhar para o aeroporto de Teerã pela última vez e, em seguida, decolar. Saí de Teerã, saí do Irã. Depois de apenas duas ou três horas estava na Alemanha! Em Dusseldorf.

Como foi a performance lá?

Lá vi que não poderia fazer a mesma apresentação de antes. Senti que o governo queria fingir que estava tudo ok no Irã, como se nada tivesse acontecido nas eleições. Que eles estavam jogando com a gente, nos enviaram como missionários do governo. Com todos estes sentimentos combinados decidi fazer uma performance diferente, tornando-me um manifestante outra vez. Depois, li um pequeno artigo sobre mim em um jornal radical. Escreveram que havia um fugitivo chamado Afshin Ghaffarian, que queria lutar contra a República Islâmica através da dança.

http://oglobo.globo.com/mundo/dancando-no-deserto-nao-ha-republica-islamica-diz-iraniano-refugiado-na-franca-15913966

Irã insiste para Bahrein libertar o líder da oposição xiita Salman

O Irã, mais uma vez conclamou a libertação do líder da oposição do Bahrein, Sheikh Ali Salman, que está atrás das grades desde o ano passado.

O vice-ministro das Relações Exteriores iraniano para assuntos árabes e africanos, Hossein Amir-Abdollahian, disse nesta quinta-feira que, com a detenção prolongada de Salman, Manama está agindo como linha dura, o que está complicando ainda mais a situação dia a dia no Bahrein.

Amir-Abdollahian acrescentou que diálogo nacional deve substituir “a violação sistemática dos direitos humanos” para manter a segurança e estabilidade no Bahrein.

Ele ressaltou que a República Islâmica apoia negociações entre as autoridades do Bahrein e da oposição.

Salman, que é o secretário-geral do al-Wefaq Sociedade Islâmica Nacional, e foi preso no dia 28 de dezembro de 2014 sob a acusação de buscar uma mudança de regime e colaborar com potências estrangeiras. Ele negou veementemente as acusações.

Sua prisão provocou condenação dentro e fora Bahrain, com os líderes, governos e organizações internacionais em todo o mundo pedindo a sua libertação imediata.

Desde meados de fevereiro de 2011, milhares de manifestantes anti-regime realizaram inúmeras manifestações nas ruas do Bahrain, pedindo à família Al Khalifa que abandone o poder.

A repressão do regime em Manama em protestos pacíficos se intensificou desde a prisão de Sheikh Salman.

Dezenas de nacionais foram mortos e centenas de outros feridos e detidos durante a repressão em curso contra as manifestações pacíficas.

Na quarta-feira, a Anistia Internacional divulgou um comunicado, solicitando ao regime Al Khalifa a libertação de 13 ativistas aos quais o grupo de direitos humanos descreveu como “prisioneiros de consciência”.

A Anistia censurou a “falta de tratamento médico adequado” e deterioração da saúde dos internos “, como resultado de um tratamento inadequado por lesões decorrentes de tortura.”

E ainda convidou o regime “para garantir que todos os presos tenham acesso a cuidados de saúde adequados e em tempo oportuno por médicos independentes.

http://www.presstv.ir/Detail/2015/03/19/402607/Iran-urges-Bahrain-to-release-Salmanlíder