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Veja as principais etapas da crise nuclear iraniana desde 2002

O impasse entre Irã e as potências ocidentais já dura quase 12 anos.
Sítios nucleares secretos no Irã foram descobertos em de agosto de 2002.

Potências ocidentais e o Irã anunciaram nesta quinta-feira (2) que concordaram que a capacidade nuclear deste país será limitada e que trabalharão em um acordo até o final de junho. O grupo 5+1, integrado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Grã-Bretanha, Rússia, China, França) e a Alemanha estava reunido com o Irã há oito dias em Lausanne, na Suíça, para esboçar os pricípios deste acordo.

A comunidade internacional quer frear o programa nuclear iraniano e controlar de perto para garantir que Teerã não fabricará armas nucleares e bomba atômica. Em troca do cumprimento do acordo, sanções impostas contra o país seriam levantadas.

O impasse entre Irã e as potências ocidentais já dura quase 12 anos. Confira abaixo as principais etapas da crise nuclear iraniana desde agosto de 2002:

2002-2004 – SÍTIOS SECRETOS
Após a revelação de sítios nucleares secretos em Natanz e Arak (centro) em agosto de 2002, o Irã aceita uma inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A agência descobre vestígios de urânio enriquecido e estabelece um ultimato em setembro de 2003.

Em 21 de outubro de 2003, o Irã se compromete a suspender suas atividades de enriquecimento de urânio durante uma visita inédita a Teerã dos chefes da diplomacia francesa, alemã e britânica. Um acordo é assinado em 7 de novembro de 2004.

2005-2008 – ENRIQUECIMENTO A 3,5% E SANÇÕES
Em 8 de agosto de 2005, o Irã, do novo presidente conservador Mahmud Ahmadinejad, retoma suas atividades de conversão de urânio em Ispahan (centro). Os europeus rompem as negociações.

No final de janeiro de 2006, os cinco grandes (EUA, Grã-Bretanha, França, China e Rússia) decidem pressionar o Conselho de Segurança. O Irã reage. Em 11 de abril, Teerã anuncia ter enriquecido urânio a 3,5% pela primeira vez e rejeita uma oferta do 5+1 (os cinco grandes e a Alemanha) para paralisar o enriquecimento (21 de agosto). O governo iraniano inaugura uma usina de água pesada em Arak.

Em 23 de dezembro de 2006, a ONU aplica suas primeiras sanções, regularmente reforçadas, assim como aquelas decididas pelos Estados Unidos e, depois, pela União Europeia (UE).

As negociações patinam. Em 2007, o Irã anuncia ter ultrapassado a etapa das 3.000 centrífugas. O feito é simbólico, porque pode permitir virtualmente ao Irã fabricar a matéria-prima para uma bomba atômica. Hoje, são quase 20 mil, sendo metade em atividade.

2009-2012 – ENRIQUECIMENTO A 20% E EMBARGO EUROPEU
Em 2009, o novo presidente americano, Barack Obama, estende a mão ao Irã, convidando o governo a superar 30 anos de conflito.

Em 9 de abril, Teerã inaugura uma usina de combustível nuclear em Ispahan (centro). Em 25 de setembro, Obama e os líderes francês e britânico denunciam a construção secreta de um segundo local de enriquecimento em Fordo (centro).

Em 9 de fevereiro de 2010, após o fracasso de um acordo negociado para enriquecer em um outro país, o Irã começa a produção de urânio enriquecido a 20% em Natanz.

Enquanto Israel fala de ataque preventivo, a AIEA publica em 8 de novembro de 2011 um relatório sobre uma “possível dimensão militar” do programa iraniano. Depois disso, em 9 de janeiro de 2012, anuncia que o Irã começa a enriquecer a 20% em Fordo.

Em 23 de janeiro de 2012, a UE decide congelar os bens do Banco Central iraniano e adotar um embargo petrolífero aplicável em 1º de julho. As negociações 5+1 são retomadas em abril, após 15 meses de paralisação.

2013 – ACORDO PROVISÓRIO
Eleito em junho, o presidente iraniano, Hassan Rohani, ex-negociador nuclear, obtém o aval do guia supremo Ali Khamenei para negociar. Washington e Teerã conversam secretamente em Omã.

Em 27 de setembro em Nova York, Rohani e Obama conversam por telefone – pela primeira vez desde 1979 -, depois de um encontro ministerial Irã/P5+1.

Em 24 de novembro, as negociações estreiam em Genebra sobre um acordo por seis meses, que limita a atividades nucleares sensíveis, mediante uma suspensão parcial das sanções.

2014 – NEGOCIAÇÕES PROLONGADAS
As negociações para um acordo definitivo começam em 18 de fevereiro de 2014. Elas continuam sob diferentes formatos. Apesar dos intensos esforços diplomáticos, as discussões fracassam e devem ser prolongadas duas vezes, no total de 11 meses.

Em paralelo, o acordo interino também é prolongado. Em 27 de agosto, o Irã anuncia a modificação do futuro reator de Arak para limitar a produção de plutônio.

2015 – RUMO A UM ACORDO
As negociações são retomadas a partir de janeiro, tendo 1º de julho como prazo-limite e 31 de março como estimativa para a obtenção de um acordo político.

Enquanto Israel continua sua campanha contra um acordo com o Irã, nos Estados Unidos, a oposição republicana ganha o Congresso americano e ameaça o Irã com sanções preventivas. Obama promete vetar qualquer iniciativa nesse sentido, alegando que poderia atrapalhar as negociações em curso.

Os chefes da diplomacia das grandes potências e do Irã se reúnem em 30 de março em Lausanne, com o objetivo de suspender os últimos obstáculos para um acordo de princípios, fundamental para continuar as negociações até um acordo final. O prazo seria 30 de junho.

Em 2 de abril, Barack Obama comemora a conclusão de um acordo “histórico” sobre o programa nuclear do Irã, que será alvo de “verificações sem precedentes”.

Foto: Federica Mogherini (representante de assuntos exteriores da UE), Mohammad Javad Zarif (ministro do extereior iraniano), Philip Hammond (secretário do exterior britânico) e John Kerry (secretário de Estado americano) antes do pronunciamento sobre bases para acordo nuclear com Irã nesta quinta-feira (2) na Suíça (Foto: AP)

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/04/veja-principais-etapas-da-crise-nuclear-iraniana-desde-2002.html

Programa nuclear iraniano: regresso de Lavrov será boa notícia?

O regresso de Sergei Lavrov a Lausanne é visto como um sinal positivo para as negociações sobre o programa nuclear iraniano. Ao mesmo tempo, foi anunciada a continuação das conversações até esta quarta-feira.

O chefe da diplomacia russa tinha prometido regressar à cidade suíça se existissem “hipóteses realistas” de um acordo entre Teerã e as grandes potências.

Ainda em Moscou, Lavrov frisou que “as hipóteses [de sucesso] são bastante boas. Ainda não são de 100 por cento, mas as hipóteses são viáveis”.

O objetivo é permitir a Teerã o uso da energia nuclear mas impedi-lo de chegar à bomba atômica em troca do levantamento das sanções econômicas e diplomáticas atualmente em vigor.

Mas as negociações são bloqueadas em dois pontos: a duração do acordo, já que o Irã quer comprometer-se no máximo por 10 anos, e a forma de levantar as sanções, progressiva para as grandes potências, imediata para Teerã.

A correspondente da euronews, Reihaneh Mazaheri, frisa que “o regresso do ministro russo dos Negócios Estrangeiros coincide com rumores de ‘um entendimento político comum’, que pode servir de base para continuar as negociações até o fim de junho. Mas parece ainda haver desacordo sobre o local para dar a conhecer os resultados finais: para o Irã seria a sede europeia das Nações Unidas em Genebra, e não Lausanne”.

Irã apoia Venezuela e recusa política das sanções dos EUA

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irã, Marzie Afkham, expressou no sábado o apoio do Irã a Venezuela ante as recentes sanções políticas que os EUA. tâm posto em prática contra a nação bolivariana.

“O Irã e a Venezuela mantêm laços amistosos e a República Islâmica respalda a Venezuela, um país soberano e influente na América Latina”, tem realçada a autoridade iraniana.

Ao ser perguntado sobre a opinião da Chancelaria iraniana a  respeito as sanções impostas por os EUA contra a Venezuela, nação considerada por Washington como uma ameaça contra os interesses nacionais  norte-americano, Afkham disse que o Irã recusa totalmente estas acusações.

“A política das sanções unilaterais é frustrada e sua ineficacia tem sido reprovada. Já tem passado o tempo das sanções”, precisou a porta-voz da Chancelaria iraniana.

Em 9 de março, o presidente estadounidense, Barack Obama, implementou novas sanções anti-venezolanas por supostas violações dos direitos humanos e declarou uma situação de “emergência nacional” pelo “risco extraordinário” que podia trazer a Venezuela para sua segurança.

Desde então muitos países têm sido solidarizado com a Venezuela, cujo presidente, Nicolás Maduro, tem qualificado as referidas sanções como a “agressão mais grave contra o seu país em toda sua história”.

http://www.iranews.com.br/noticias.php?codnoticia=13290