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Rússia veta resolução dos EUA sobre a Síria

A Rússia vetou uma resolução da ONU, redigida pelos Estados Unidos, que teria condenado o suspeito ataque de arma química na semana passada perto de Damasco e estabelecido um novo órgão para determinar a responsabilidade pelos ataques com armas químicas na Síria.

A votação na terça-feira à tarde dos 15 membros do Conselho de Segurança foi de 12 a favor, sendo que a Bolívia se juntou à Rússia na votação “não” e houve abstenção da China.

A embaixadora dos Estados Unidos, Nikki Haley, disse que os Estados Unidos “deram um passo extra” para obter apoio russo para a resolução, a fim de assegurar que um novo órgão investigativo seja imparcial, independente e profissional – coisas que ela disse que seriam garantidas por uma resolução russa rival.

O embaixador da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, acusou os Estados Unidos de quererem que a resolução não “justifique o uso da força contra a Síria“.

Ele disse que a resolução está tentando recriar o antigo corpo de especialistas, cuja extensão Moscou bloqueou em novembro. Ele chamou esse corpo de “um fantoche nas mãos das forças anti-Damasco“.

Com informações de Ynet News e imagem de G1

Congresso derruba veto de Obama a lei sobre vítimas do 11 de Setembro

Derrota inédita de presidente deixa vítimas dos atentados processarem Arábia Saudita.

WASHINGTON — O Congresso americano impôs à Casa Branca a derrubada do primeiro veto do presidente Barack Obama em seu governo, aprovando a lei que permite a vítimas e familiares dos atentados de 11 de Setembro processar o governo da Arábia Saudita pelo ataque terrorista. Ambos os partidos, em esmagadora maioria, votaram contra o presidente, que lamentou a decisão e disse que eles agiram por questões políticas — as eleições serão em 8 de novembro. A medida, segundo o governo, abre um precedente perigoso nas relações internacionais e deve fazer com que os sauditas tirem bilhões de dólares de investimentos nos EUA.

Embora o governo da Arábia Saudita tenha negado várias vezes a participação nos atentados terroristas — que deixaram 2.996 mortos nos ataques com aviões sequestrados por membros da al-Qaeda — muitos veem ligação com os ataques. Dos 19 terroristas identificados, 15 eram sauditas. Assim, aumentou a pressão popular para que o Congresso permitisse aos americanos processar o país árabe.

O projeto de lei foi aprovado com o apoio dos dois partidos. Na semana passada, Obama vetou a medida, mas acabou vencido na quarta-feira: na Câmara dos Representantes, 348 votos foram contra seu veto e 76 favoráveis. No Senado, o placar foi ainda mais duro: 97 a 1. Obama chamou a decisão de erro em entrevista à CNN:

— Eu entendo por que isso aconteceu. Obviamente, todos nós ainda carregamos as cicatrizes e o trauma do 11 de Setembro — disse o presidente num programa que foi ao ar na noite de ontem e que debatia, com ouvintes, sua atuação como comandante em chefe das Forças Armadas dos EUA. — Ser visto como alguém que votou contra as famílias do 11 de Setembro antes das eleições é difícil. Foi basicamente um voto político.

Obama aproveitou para voltar a explicar a razão do veto, dizendo que, com a permissão para o processo contra a Arábia Saudita, acaba a imunidade soberana, ou seja, um país poderá ser acionado juridicamente por atos cometidos por cidadãos ou empresas individualmente. Segundo ele, o problema com esta lei é que ela abre a possibilidade de que “nossos homens e mulheres de uniforme em todo o mundo possam começar a ver a nós mesmos sujeitos às leis de reciprocidade”, disse Obama, que voltou a dizer que não estava preocupado com a situação da Arábia Saudita quando vetou a lei.

Mas cedo, o secretário de Imprensa da Casa Branca, Josh Earnest, disse que a derrubada do veto foi um “desastre” e “um ato constrangedor do Senado”. Mark Toner, porta-voz do Departamento de Estado, demonstrou preocupação:

— Isso pode complicar nossas relações com alguns de nossos mais próximos aliados.

O senador democrata por Nova York Chuck Schumer, coautor da lei junto com o republicano do Texas John Cornyn, defendeu o sentimento majoritário do Congresso: “Era importante derrubar o veto para permitir que as vítimas busquem justiça, mesmo que isso gere alguns problemas diplomáticos”, disse, em comunicado.

Este foi o primeiro veto de Obama derrubado desde que ele chegou à Casa Branca, em janeiro de 2009 — outros 11 seguem valendo. Desde que a Suprema Corte regulamentou os vetos presidenciais, em 1983, estes foram derrubados em outras nove ocasiões: quatro no governo de George W. Bush, duas no de Ronald Reagan, duas no de Bill Clinton, e uma no de George H.W. Bush.

Ameaça de retirada de investimentos

Congressistas que derrubaram o veto admitiam, em entrevistas a meios de comunicação dos EUA, que a lei pode trazer problemas para o país, mas defendiam que ela só dava o direito à ação contra outro país no caso do 11 de Setembro ou em atos de terrorismo. O tema deverá ir à Suprema Corte.

A Arábia Saudita não se pronunciou, mas já havia alertado que, se a lei entrasse em vigor, o país poderia tirar “dezenas de bilhões de dólares” de investimentos dos EUA. Nunca foi provada a existência de uma cumplicidade oficial de Riad nos ataques da al-Qaeda, e o país jamais foi acusado formalmente. No entanto, jihadistas detidos relataram que membros da família real doaram milhões de dólares para a al-Qaeda nos anos 1990. O país nega. Apesar de um problemático histórico em direitos humanos e suposto apoio a grupos extremistas, os sauditas são aliados cruciais dos EUA no Oriente Médio.

Enquanto isso, na disputa pela sucessão de Obama, foi publicada ontem a primeira pesquisa eleitoral integral após o debate de segunda-feira entre Hillary Clinton e Donald Trump. Apesar de a democrata ter sido considerada vencedora, os dados da Reuters/Ipsos, levantados entre anteontem e ontem, permanecem idênticos ao da sondagem anterior: Hillary tem 42%, e Trump, 38%.

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EUA permitem que vítimas do 11/9 processem a Arábia Saudita

EUA permitem que vítimas do 11/9 processem a Arábia Saudita.

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, nesta sexta-feira (09/09), uma legislação que permite aos familiares das vítimas dos ataques de 11 de setembro de 2001 processarem governos estrangeiros suspeitos de apoiarem atos de terrorismo contra o país. A Casa Branca deve, no entanto, vetar e medida.

O chamado Ato da Justiça contra Apoiadores do Terrorismo (Justice Against Sponsors of Terrorism Act, em inglês) foi aprovado na Câmara por unanimidade cerca de quatro meses após a sua passagem pelo Senado. A medida tem registrado forte oposição da Arábia Saudita, de onde eram originários 15 dos 19 homens que desviaram os aviões e executaram os ataques em Nova York e Washington.

O projeto foi enviado à Casa Branca alguns dias antes do 15º aniversário dos ataques, mas a o governo do presidente Barack Obama já manifestou a sua oposição à medida por contrariar a doutrina de imunidade soberana que protege os países de recursos civis ou processos criminais.

Em maio, após a aprovação por unanimidade pelo Senado, o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, justificou a posição do governo. “Esta legislação iria alterar a lei internacional há muito em vigor sobre a imunidade soberana. E o presidente dos Estados Unidos continua a manifestar sérias preocupações de que esta legislação poderá tornar os EUA vulneráveis a outros sistemas judiciais por todo o mundo”, considerou.

De acordo com a atual lei, as vítimas de terrorismo apenas podem processar os países oficialmente designados pelo Departamento de Estado como apoiadores de terrorismo, como o Irã e a Síria. Ainda não foi provada a cumplicidade do reino saudita com os ataques da Al Qaeda e o país não foi formalmente implicado, nem designado apoiador de atividades terroristas, segundo a agência de notícias AFP.

Em fevereiro, Zacarias Moussaoui, apontado como o 20º membro dos comandos que desviaram os aviões em 2001, disse a magistrados americanos que a família real saudita doou milhões de dólares à Al Qaeda durante a década de 1990.

A embaixada saudita negou as alegações de Moussaoui. Suas declarações, porém, resultaram no retorno do debate sobre a eventual divulgação de Washington da seção de 28 páginas do Relatório da Comissão 9/11, que ainda está catalogada como secreta.

Os documentos que foram liberados e divulgados em meados de julho mostram que ao serem investigadas eventuais ligações entre o governo saudita e os ataques de 11 de setembro foram encontradas diversas suspeitas, mas não foi possível provar laços diretos.

http://www.dw.com/pt/eua-permitem-que-v%C3%ADtimas-do-11-9-processem-a-ar%C3%A1bia-saudita/a-19541306