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ONG americana denuncia crimes contra homossexuais na Chechênia

HELSINQUE — A ONG pró-direitos humanos Human Rights Campaign (HRC) projetou frases no palácio presidencial em Helsinque, na Finlândia, horas antes da cúpula entre Trump e Putin, para denunciar atrocidades contra homossexuais na Chechênia.

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Chechênia prende 100 e mata três ‘suspeitos de homossexualidade’

“O mundo inteiro está assistindo”, “O silêncio mata”, “#OsOlhosSobreAChechênia, “Julgue os agressores” e “Trump e Putin, coloquem um ponto final nos crimes contra a humanidade na Chechênia” foram as denúncias que iluminaram uma parede do local do encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia nesta segunda-feira.

Militantes da organização americana instalaram um projetor na frente do palácio neste domingo, ao mesmo tempo em que o avião de Trump pousava no aeroporto internacional da capital finlandesa.

— Denunciamos a recusa da administração (dos EUA) para lidar com as atrocidades de Vladimir Putin contra chechenos homossexuais — disse à “AFP” o porta-voz da ONG, Chris Sogro.

As ONGs frequentemente alertam sobre as perseguições contra os homossexuais na república russa da Chechênia, cuja população é majoritariamente muçulmana. As autoridades e grupos criminosos amparam sequestros e torturas, assim como “crimes de honra” que ocorrem dentro da mesma família.

Com imagem e informações O Globo

Radicalização e poligamia: relatório adverte sobre ‘Sociedade Paralela’ em cidade sueca

Um relatório municipal sobre o distrito de Brandkärr, em Nyköping, despertou o alarme sobre a islamização em curso, mas os habitantes locais da área dominada pelos somalis desafiaram a tomada das autoridades como “exagerada”, negando algumas de suas descobertas mais preocupantes.

 

De acordo com um relatório recente, a área de Brandkärr na cidade sueca de Nyköping está a caminho de se tornar uma sociedade paralela, com sintomas de radicalização como a poligamia, escolas corânicas e meninas de apenas 2 anos forçadas a usar hijabs, informou a Rádio Sueca. .

O relatório Brandkärr identificou a poligamia como uma ocorrência comum na área, onde 60% dos habitantes têm origem estrangeira. Além disso, foram observados casos da Lei da Sharia e da polícia moral, incluindo meninas de apenas dois anos sendo forçadas a usar o véu islâmico e se abster de jantares escolares por motivos religiosos. O relatório também observou uma alta concentração de imãs, com as escolas do Alcorão consumindo muito tempo das crianças.

Constatou- se que os somalis constituem 60% dos escolares e mais de 90% dos pré-escolares, com o somali tornando-se cada vez mais o idioma padrão e a “monocultura” minando a missão pedagógica e resultando na dificuldade do pessoal em compreender as crianças.

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Por fim, descobriu-se que Brandkärr tornou-se cada vez mais isolado do resto de Nyköping. Outro problema associado ao distrito foi a escalada do tráfico de drogas, incluindo o uso de khat, uma substância controlada comumente usada na África Ocidental.

Estou preocupado. Aparentemente, a radicalização aqui em Brandkärr foi longe demais”, disse Jan Bonnier, vice-presidente conservador do Comitê de Educação, Trabalho e Integração do município à Rádio Sueca.

O relatório, que fazia parte dos procedimentos de avaliação para o trabalho de integração continuada, foi baseado em entrevistas em profundidade com 26 pessoas, a maioria funcionários municipais, bem como policiais e representantes da autoridade habitacional local. Foi originalmente compilado em novembro passado, mas só ganhou atenção da imprensa recentemente.

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De acordo com Björn Littmarck, um dos autores do relatório, o município está em um cruzamento.

Se estamos trabalhando com integração agora e fazendo um bom trabalho, então a Suécia e a Alemanha se tornarão grandes vencedoras. Temos uma população jovem, e é exatamente disso que precisamos. Mas se não conseguirmos trabalhar bem com a integração, fica difícil “, avisou Littmarck.

Urban Granström, presidente social-democrata do conselho municipal, destacou que os resultados devem ser levados a sério.

A Associação Somali, no entanto, argumentou que as conclusões do relatório foram exageradas e forneceram uma imagem distorcida. Seu representante Shek Mahad  negou a presença da “polícia da moralidade”, ressaltando que o desemprego e a moradia foram os principais problemas que assombravam a área.

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Nyköping tem mais de 30.000 habitantes e está localizada no condado de Södermanland, ao sul de Estocolmo. Nos anos 2003-2017, a população de Brandkärr aumentou de 1.000 para 4.500, com o percentual de imigrantes dobrando.

Com imagem e informações Breibart

Trump, nazismo e crianças na fronteira: fake news e relativismo moldando o debate

Por Andréa Fernandes

O mais novo capítulo da série “crise imigratória na fronteira sul dos Estados Unidos” teve lamentavelmente a participação especial involuntária de crianças aflitas que foram separadas dos seus pais, familiares ou acompanhantes na condição de imigrantes ilegais detidos na fronteira com o México.

Reforçando a polêmica, a revista TIME disponibilizou a imagem da capa de sua edição de 2 de julho, em que uma bebê hondurenha de 2 anos foi posicionada em frente ao “Trump imponente”. A pequena Yanela chorava compulsivamente por ver sua mãe sendo revistada na fronteira. O título, que alude às críticas ácidas dirigidas ao presidente norte-americano, sugere a encrenca em que se envolveu: Bem-vindo à América: uma autocrítica após a política de separação de fronteira de Trump – que tipo de país somos[1]?”. ” Rapidamente a foto foi rotulada por alguns jornalistas como a “mais impactante dos últimos tempos”.

A imagem da capa da revista TIME foi destaque na cobertura internacional de política em todo mundo e a matéria replicada pela CNN, The Washington Post, Daily Mail e vários  noticiários, até que a família da criança desmentiu a “famigerada desinformação”. Soube-se que mãe e filha não foram separadas por autoridades americanas no momento da detenção. A FOX NEWS[2] traz a bombástica revelação desmascarando mais um célebre caso de fake news:

 “Mas o pai da garota por trás da imagem icônica foi entrevistado e disse que soube que sua filha de dois anos foi detida com a mãe numa instalação do Texas, e as duas não foram separadas. O governo hondurenho confirmou sua versão dos acontecimentos à Reuters”.

Para aumentar a vergonha dos editores da revista, o pai da criança reconheceu que sua esposa e filha estavam mais seguras do que quando viajavam em direção à fronteira.

Dessa forma, independentemente da “capa de revista fake news”, considera-se retratado o ponto nevrálgico da controversa medida de Trump. Quem não se irritaria profundamente ao ouvir áudios de crianças chorando após separação dos pais numa fronteira? E o cenário caótico de criancinhas mantidas em instalações com aspecto de “gaiolas”? Num momento como esse, a opinião pública global nem vai lembrar que as celas chamadas de “gaiolas” ou “jaulas” pelos muitos opositores de Trump são reminiscência do tratamento outorgado às crianças no governo antecessor[3].

Imagens das “crianças em gaiolas” foram veiculadas por ex-funcionários de Obama mostrando as péssimas condições em que eram mantidas as crianças no Centro de Alfândega e Colocação e Proteção de Fronteiras. Todavia, descobriu-se que os maus-tratos foram impostos em 2014, quando o democrata, que hoje critica Trump, ainda ocupava a presidência. Jon Favreau, responsável por escrever discursos para Obama, se juntou à legião de “desinformadores” que usaram uma foto dos tempos do governo democrata num post do Twitter para criticar Trump, apagando a mensagem após ser informado que a imagem seria de 2014, justificando, no entanto, que as crianças sujeitas aos maus-tratos seriam “menores desacompanhados”. Com isso, encerra-se a polêmica sem que jornalistas chamem de “campos de concentração” os centros de acolhimento de Obama, que também não foi chamado de “nazista” por manter crianças em “gaiolas”.

Obama está livre de qualquer acusação de cunho racista ou xenófobo ainda que as instalações onde eram mantidas as crianças durante o seu governo fossem mais desumanas que as ofertadas pela administração Trump. As imagens expostas por Breitbart Texas, em junho de 2014, mostrando crianças amontoadas sem colchões em prédios visivelmente insalubres não foram consideradas “as mais impactantes dos últimos tempos”[4]. O “código de ética” da imprensa progressista deve impedir o jornalismo de vincular a imagem de Obama ao nazismo e as suas ações desastrosas no quesito “imigração” aos campos de concentração.

Alguns portais de notícias acusaram Trump de manter CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO[5]. De olho nessa acusação infame, a principal rede de comunicação brasileira não poderia abandonar a “tendência marcante” de seguir a estratégia do engano, e para tanto, o jornal ‘O Globo’ publicou nessa sexta-feira(22) o artigo de Richard Parker postado originalmente no jornal ‘New York Times’ com o título “O Campo de Concentração para Crianças nos EUA[6]. O leitor só descobre que a comparação trata de “campos de concentração americanos da Segunda Guerra Mundial” após a leitura de alguns parágrafos. A sutileza é necessária porque nem todos sabem que o governo americano manteve esse procedimento na 2ª GM e por isso, fica muito mais fácil aliar a “prática trumpiana” aos famosos e horrendos campos de concentração mantidos pelo regime nazista.

Como a imprensa vem sendo utilizada para “relativizar” os crimes hediondos promovidos durante o Holocausto, aplicando conceitos próprios daquela modalidade de desumanidade às atuais sem respeitar a desproporcionalidade entre ambas, cabe citar as experiências vividas no “Pequeno Auschwitz”, um campo de concentração projetado especialmente para receber crianças durante o genocídio promovido por Hitler e aliados na Europa.

“No acampamento, as crianças se depararam com tudo o que tinham conhecido em outros lugares: trabalho exaustivo, surras, fome e frio insuportável. Além disso, não havia ninguém por perto que pudesse cuidar deles ou explicar-lhes o que estava acontecendo ao seu redor. O campo é pouco conhecido, não apenas no exterior, mas também na Polônia, e poucos moradores da cidade já ouviram falar dele.[7]

Seria aconselhável leituras comprometidas com a “verdade dos fatos” em vastas obras que descrevem esse terrível período nazista de massacres sistemáticos promovendo extermínio de 6 milhões de judeus e 11 milhões de não-judeus, entre ciganos, testemunhas de Jeová, padres, homossexuais, sindicalistas, comunistas, anarquistas, poloneses, outros povos eslavos e combatentes da resistência[8].

Portanto, chamar as instalações onde são abrigadas crianças imigrantes nos EUA de “campos de concentração”, é uma fraude que desrespeita a memória de milhões de vítimas diretas e indiretas do odioso genocídio nazista. Cumpre trazer à baila que muitos desses jornalistas que criticam Trump com tais acusações não se referiam aos cativeiros das milhares de meninas cristãs e yazidis mantidas como “escravas sexuais” do Estado Islâmico[9] como “campos de concentração[10]. O termo só é adequado para definir a política de imigração direcionada por governo republicano limitado por legislação genuinamente engendrada por democratas.

Inobstante a má-fé da retórica usual dos opositores do presidente dos EUA, ao que parece, as “gaiolas” herdadas da administração Obama tiveram uma certa melhoria na “era Trump”, ao ponto de o senador Merkley, em visita a uma das instalações onde as crianças são acolhidas, minimizar as boas condições que lhes possibilitariam bem-estar físico[11], muito embora seja inegável a realidade apresentada pela Academia Americana de Pediatria alertando sobre os danos irreparáveis que a separação traumática dos filhos em relação aos seus pais podem causar, o que é suficiente para condenar a ação de Trump ainda que instalasse os infantes em “palácios”. Só lamento que a ex-primeira dama Laura Bush e o congressista democrata Peter Welch não tenham denunciando como “prisão” essas instalações na época em que Obama ainda governava os EUA. Quem sabe a mídia americana não convenceria o eleitorado de Trump a pressioná-lo para não utilizar essas deploráveis gaiolas?

De qualquer maneira, as críticas alertaram Trump quanto ao excesso cometido na medida em que pune injustamente crianças por supostas ações ilegais cometidas por seus pais. Assim, afirmando não quero que crianças sejam tiradas de seus pais[12], Trump corrigiu o erro emitindo uma ordem executiva[13], o que não  garantiu a pacificação daqueles que politizaram a questão visando prioritariamente promover o alavancamento da agenda progressista no que concerne à manutenção da política de estímulo à imigração ilegal tão benéfica às candidaturas democratas[14] sem a mínima preocupação com o real interesse das crianças. Com isso, alguns pais irresponsáveis que expõem os filhos à toda sorte de risco na perigosa travessia são considerados “vítimas inocentes” de uma política anti-imigratória, e não “violadores da lei” como acontece em países atentos à segurança dos seus nacionais com vigilância reforçada nas fronteiras.

Por ora, aguardemos a solução prática da violação de direitos humanos promovida contra as crianças imigrantes, que ainda não estão plenamente protegidas, pois o decreto assinado por Trump pode ser contestado judicialmente por não se adequar ao “Acordo Flores”, de 1997, que estipula as condições para acolhimento de crianças provenientes da imigração ilegal[15]. Segundo acréscimo posterior ao acordo judicial promovido por Bill Clinton em 1997, o prazo para permanência das crianças em centros de detenção não pode ultrapassar a 20 dias, mesmo que estejam na companhia dos pais, o que entra em choque com o decreto assinado por Donald Trump, que autoriza às crianças permanecerem com seus pais até o fim do processo judicial com decisão acerca da deportação ou concessão de asilo.

O poder de convencimento de Trump quanto às suas propostas na mudança da lei de imigração que pode vir a impedir o aumento da imigração ilegal no território estadunidense será posto à prova na próxima semana, uma vez que líderes do partido Republicano retiraram projeto de lei possibilitando a inclusão de novas exigências. Após os debates e apreciação do projeto na Câmara, o grande desafio se dará no Senado, já que o Partido Republicano não tem maioria garantida de votos. Dessa forma,  Trump pode amargar o fracasso de Bush e Obama que sofreram derrotas num Congresso[16] que vem sendo hesitante às aspirações do povo americano para decisão definitiva do tema “imigração ilegal”.

Espero que o tratamento desumano infligido às crianças imigrantes que eram separadas dos seus pais desde abril possa ter fim com a mudança definitiva da lei que o fundamenta – coincidentemente elaborada por democratas – e por conseguinte, o tema mais espinhoso dos últimos anos seja deliberado no Congresso americano para que a população volte a ter esperança em viver em segurança e distanciada do fantasma do  aumento da criminalidade[17] causado pela imigração ilegal.

Artigo publicado originalmente no Portal Braisntormm em 23 de junho de 2018. Foto: Mike Blake/Reuters)

Andréa Fernandes é jornalista, advogada, internacionalista, líder do Movimento pelo Reconhecimento do Genocídio de Cristãos e Minorias no Oriente Médio e presidente da ONG Ecoando a Voz dos Mártires.

[1] https://istoe.com.br/time-critica-politica-migratoria-de-trump-com-capa-emblematica/

[2] http://www.foxnews.com/politics/2018/06/22/crying-migrant-girl-on-time-magazine-cover-was-not-separated-from-mother-family-says.html

[3] https://g1.globo.com/mundo/noticia/fotos-de-criancas-detidas-na-era-obama-sao-usadas-em-criticas-contra-politica-de-trump-na-fronteira.ghtml?utm_source=facebook&utm_medium=share-bar-desktop&utm_campaign=share-bar

[4] http://www.breitbart.com/texas/2014/06/05/leaked-images-reveal-children-warehoused-in-crowded-us-cells-border-patrol-overwhelmed/

[5] https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2018/06/21/recuo-de-trump-neutraliza-efeito-perverso-mas-severa-politica-migratoria-dos-eua-continua.htm

[6] https://oglobo.globo.com/mundo/artigo-campo-de-concentracao-para-criancas-nos-eua-22809121

[7] https://aleteia.org/2017/11/26/did-you-know-there-was-a-concentration-camp-for-children-little-auschwitz/

[8] https://www.huffpostbrasil.com/2015/01/27/as-vitimas-esquecidas-do-holocausto-os-5-milhoes-de-nao-judeus_a_21675298/

[9] https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2015/09/01/refugiada-conta-como-e-a-vida-no-mercado-de-escravas-do-estado-islamico.htm

[10] https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/02/1587234-ex-escravas-relatam-rotina-de-horror-que-sofreram-com-faccao-radical.shtml

[11] https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/06/como-sao-as-jaulas-em-que-os-eua-estao-detendo-filhos-de-imigrantes-sem-documentos.shtml

[12] https://www.straitstimes.com/world/united-states/trump-doubles-down-on-family-separations-as-border-crisis-rages

[13] http://www.foxnews.com/politics/2018/06/20/like-bush-and-obama-trump-gets-stuck-on-immigration.html

[14] https://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,imigrantes-nos-eua-tendem-a-votar-em-candidato-democrata,948555

[15] https://oglobo.globo.com/mundo/2018/06/20/2273-analise-recuo-de-trump-parcial-pode-ser-contestado-judicialmente

[16] http://www.foxnews.com/politics/2018/06/20/like-bush-and-obama-trump-gets-stuck-on-immigration.html

[17] https://amgreatness.com/2018/05/07/yes-npr-illegal-immigration-does-increase-violent-crime/

 

EUA anunciam desligamento do Conselho de Direitos Humanos da ONU, citando sua “tendência crônica contra Israel”

Haley chama o corpo global de “uma fossa de preconceito político”; anuncia a saída dos Estados Unidos depois de prolongadas críticas sobre seu foco obsessivo em Israel; Oficial dos EUA diz que a mudança é “imediata”

THE TIMES OF ISRAEL– Os Estados Unidos estão se retirando do Conselho de Direitos Humanos da ONU, disse na terça-feira a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, afirmando que o corpo global é um “esbanjamento de preconceito político”.

“Damos esse passo porque nosso compromisso não nos permite continuar fazendo parte de uma organização hipócrita e egoísta que ridiculariza os direitos humanos”, disse ela em uma coletiva de imprensa anunciando a mudança.

Haley disse que se o conselho fizesse reformas, os Estados Unidos “ficariam felizes em se juntar”.

Embora os EUA possam ter permanecido como observadores não-votantes no conselho, uma autoridade dos EUA disse que se tratava de uma “retirada completa” e que os Estados Unidos estavam renunciando à sua função “imediatamente”. O funcionário não estava autorizado a comentar publicamente e insistiu no anonimato.

Autoridades dos EUA disseram na terça-feira que o governo concluiu que seus esforços para promover reformas no conselho fracassaram, e que a retirada foi o único passo que pode dar para demonstrar sua seriedade. Não ficou imediatamente claro se os EUA permaneceriam como observadores não-votantes no conselho.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, ao lado de Haley no Departamento de Estado, disse que não havia dúvida de que o conselho já teve uma “visão nobre“.

Mas hoje precisamos ser honestos ”, disse Pompeo. “O Conselho de Direitos Humanos é um pobre defensor dos direitos humanos.”

Haley e Pompeo ressaltaram que a decisão foi tomada depois de um longo ano de esforços para envergonhar o conselho de reforma e remover os Estados membros que cometem abusos.

Essas reformas foram necessárias para tornar o conselho um defensor sério dos direitos humanos”, disse Haley. “Por muito tempo, o Conselho de Direitos Humanos tem sido um protetor de violadores de direitos humanos e um escoadouro de preconceito político. Lamentavelmente, agora está claro que nosso pedido de reforma não foi atendido ”.

O órgão sediado em Genebra foi criado em 2006 para promover e proteger os direitos humanos em todo o mundo, mas seus pronunciamentos e relatórios muitas vezes enfureceram os EUA – em particular, o enfoque implacável do conselho nas políticas israelenses em relação aos palestinos.

Mas, como Haley ressaltou, Washington também acredita que não chega a criticar abusos flagrantes de oponentes americanos como Venezuela e Cuba.

“Os países têm conspirado uns com os outros para minar o atual método de seleção de membros”, disse Pompeo. “E o preconceito continuado e bem documentado do conselho contra Israel é injusto”, disse ele.

“Desde a sua criação, o conselho adotou mais resoluções condenando Israel do que contra o resto do mundo combinado”, observou ele.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, saudou a decisão dos EUA, afirmando que o conselho é “uma organização tendenciosa, hostil e anti-Israel que traiu sua missão de proteger os direitos humanos”.

Haley, que há um ano fez um alerta de que Washington faria valer sua ameaça de deixar o conselho se as reformas não fossem cumpridas, usou uma linguagem ainda mais rígida.

“Damos esse passo porque nosso compromisso não nos permite continuar fazendo parte de uma organização hipócrita e egoísta que ridiculariza os direitos humanos”, disse ela.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, lamentou a decisão dos EUA, acrescentando: “A arquitetura de direitos humanos da ONU desempenha um papel muito importante na promoção e proteção dos direitos humanos em todo o mundo”.

O embaixador de Israel na ONU Danny Danon saudou o anúncio, dizendo em um comunicado que os EUA “provaram, mais uma vez, seu compromisso com a verdade e justiça e sua relutância em permitir que o ódio cego à Israel em instituições internacionais permaneça incontestado”.

“O Conselho de Direitos Humanos tem sido o inimigo daqueles que realmente se importam com os direitos humanos ao redor do mundo”, disse Danon imediatamente após Haley falar. “Agradecemos ao presidente Donald Trump, ao secretário de Estado Mike Pompeo e à embaixadora Nikki Haley por sua liderança, e conclamamos a maioria moral da ONU a responsabilizar todas as suas instituições”.

Haley havia ameaçado se retirar do conselho em junho de 2017, a menos que fosse reformada, inclusive removendo seu mecanismo processual embutido para atacar Israel.

A “campanha implacável e patológica” do conselho contra um Estado com um forte histórico de direitos humanos “zomba não somentede Israel, mas do próprio conselho”, disse ela na ocasião durante um discurso em Genebra, horas antes de ir para Israel para sua primeira visita ao Estado judeu.

Haley listou várias condições para os EUA permanecerem no conselho, incluindo a necessidade de abolir o item 7 da Agenda (“a situação dos direitos humanos na Palestina e em outros territórios árabes ocupados”), que desde sua adoção em 2007 destacou Israel para censura perpétua, uma medida que nenhum outro país enfrenta no órgão da ONU.

“Não há razão legítima de direitos humanos para este item da agenda existir”, disse Haley no ano passado. “É a falha central que transforma o Conselho de Direitos Humanos de uma organização que pode ser uma força para o bem universal, em uma organização que está sobrecarregada por uma agenda política.”

Uma retirada total dos EUA retiraria do conselho sem um dos defensores tradicionais dos direitos humanos. Nos últimos meses, os Estados Unidos participaram de tentativas de identificar violações de direitos em lugares como o Sudão do Sul, o Congo e o Camboja.

A oposição à decisão dos defensores dos direitos humanos foi rápida. Um grupo de 12 organizações, incluindo a Save the Children, a Freedom House e a United Nations Association – EUA, disse que havia “preocupações legítimas” sobre as deficiências do conselho, mas que nenhuma delas garantiu a saída dos EUA.

“Esta decisão é contraproducente para a segurança nacional americana e os interesses da política externa e tornará mais difícil o avanço das prioridades de direitos humanos e ajuda às vítimas de abuso em todo o mundo”, disseram as organizações em um comunicado conjunto.

Adicionado Kenneth Roth, o diretor executivo da Human Rights Watch: “Todos no governo Trump parecem se preocupar com a defesa de Israel.”

O anúncio veio apenas um dia depois de o chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad al-Hussein, ter denunciado o governo Trump por separar crianças migrantes de seus pais.

Existem 47 países no Conselho de Direitos Humanos, eleitos pela Assembléia Geral da ONU com um número específico de cadeiras alocadas para cada região do globo. Os membros servem por períodos de três anos e podem servir apenas dois termos consecutivos.

Uma questão chave será quando uma retirada dos EUA sairá de Israel se seu maior e mais poderoso defensor abandonar seus direitos de voto ou abandonar o conselho por completo.

Desde o ano passado, o gabinete de Haley pressionou o conselho e seu chefe a não publicar um banco de dados de empresas que operam em assentamentos na Cisjordânia, a chamada “lista negra” que está preocupando Israel poderia afastar as empresas e lançar mais retaliações sobre sua presença na Cisjordânia, reivindicada por palestinos.

No mês passado, o ministro da Defesa, Avigdor Liberman, pediu que Israel e os Estados Unidos se retirassem do conselho, no que chamou de “hipocrisia” ao criticar a política israelense em de Gaza.

Mas Israel nunca foi um Estado membro do Conselho de Direitos Humanos, cujos membros são eleitos pela Assembléia Geral da ONU.

“Estamos cooperando com o conselho e temos uma embaixada nas instituições da ONU em Genebra … mas não somos membros do conselho”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Emmanuel Nahshon, na terça-feira, poucas horas antes do anúncio dos EUA.

Uma retirada dos EUA também pode ser em grande parte simbólica: o atual mandato dos Estados Unidos no conselho termina no ano que vem, quando poderá voltar ao status de observador mantido por outros países que não são membros. Nessa situação, os EUA seriam capazes de falar sobre os abusos de direitos, mas não votar.

Os Estados Unidos optaram por ficar fora do Conselho de Direitos Humanos antes: O governo do presidente George W. Bush decidiu não ser membro quando o conselho foi criado em 2006. Os EUA só entraram no órgão em 2009 sob o presidente Barack Obama.

O anúncio esperado dos EUA foi bem recebido pelo vice-ministro de Diplomacia de Israel, Michael Oren.

“Emb. Nikki Haley anunciará em breve a retirada dos Estados Unidos do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Esta é uma resposta bem-vinda a um organismo que condenou Israel mais do que todos os outros países juntos. Os EUA agora sinalizam sua recusa em dar legitimidade ao preconceito da ONU contra Israel e os judeus”,  twittou  na terça-feira,

A reação ao movimento antecipado dos defensores dos direitos humanos foi igualmente rápida.

“A retirada da administração Trump é um triste reflexo de sua política unidimensional de direitos humanos: defender os abusos israelenses contra as críticas tem precedência acima de tudo”, disse Kenneth Roth, diretor executivo da Human Rights Watch.

“Tudo o que Trump parece se preocupar é com a defesa de Israel”, disse ele, acrescentando que caberá aos membros remanescentes garantir que o conselho aborde sérios abusos.

O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, recusou-se a comentar diretamente, dizendo: “Vamos esperar para ouvir os detalhes dessa decisão antes de comentar completamente”.

Mas, ele acrescentou: “O que está claro é que o secretário-geral acredita firmemente na arquitetura de direitos humanos da ONU e na participação ativa de todos os estados membros nessa arquitetura”.

A retirada também segue as fortes críticas da ONU à política de Trump de separar crianças migrantes de suas famílias na fronteira EUA-México, embora o governo Trump ainda não tenha explicitamente citado essas críticas, manifestadas segunda-feira pelo chefe de direitos da ONU Zeid Ra’ad Al-Hussein como uma razão para sair.

Falando da política de administração de Trump, Hussein disse, “o pensamento de que qualquer estado procuraria intimidar os pais infligindo tal abuso em crianças é inconcebível.”

Desde que Trump assumiu o cargo, os Estados Unidos renunciaram à agência cultural da ONU, Unesco, cortaram o financiamento da ONU e anunciaram planos para deixar o acordo climático de Paris apoiado pela ONU.

 

No Sri Lanka, lei concede “direito” à casamento infantil para minoria muçulmana

Os pais de Zeenath acreditavam que era melhor para as meninas casarem cedo no caso de uma proposta. A jovem de 16 anos estudou muito e conseguiu um emprego no governo com planos de economizar um dote, um pagamento tradicional para o noivo e/ou sua família.

Mas suas esperanças foram frustradas quando seu pai e sua mãe, presos em um ciclo de pobreza, decidiram não esperar.

Em vez disso, eles influenciaram Zeenath a se casar rapidamente com um homem de idade semelhante ao de seu próprio pai, que não estava procurando um dote.

Ela cumpriu os desejos de seus pais com o objetivo de agradá-los, mas pagou um alto preço pessoal

Zeenath, que usa esse nome para proteger sua identidade, foi agredida regularmente; uma vítima de rancor e práticas islâmicas distorcidas, cujos direitos à saúde e outras oportunidades educacionais foram negados.

Agora ela pediu o divórcio  e mora com o próprio filho na casa dos pais.

Em outro caso chocante no Sri Lanka no ano passado envolvendo casamento precoce, a grávida Thameem Fatheema Sharmila, de 16 anos, foi amarrada a uma cadeira e depois seu marido derramou óleo quente em seu corpo antes de ser incendiada.

Sharmila não sabia que seu marido já havia se casado duas vezes antes e ela sofria abusos mentais e físicos diariamente. Subsequentemente, Sharmila morreu das queimaduras

Esses casos são muito comuns e ativistas dos direitos das mulheres pediram ao governo que publique oficialmente um relatório sobre as propostas de reforma do Ato de Casamento e Divórcio Muçulmano do Sri Lanka (MMDA) em meio a planos de apresentar emendas legislativas no parlamento.

No entanto, uma cópia do relatório, compilado por um comitê de 17 membros estabelecido em 2009 e presidido pelo juiz Saleem Marsoof, vazou e já está disponível na internet.

O relatório Marsoof foi apresentado oficialmente à ministra da Justiça, Thalatha Athukorale, em 22 de janeiro.

Esta comissão tem consciência da necessidade urgente de reformar a lei para erradicar a ameaça de casamentos de crianças e considerou a questão de fixar uma idade mínima de casamento para os muçulmanos“, afirma o relatório.

Ele contém uma recomendação para uma idade mínima para o casamento de 18 anos para mulheres  e homens muçulmanos, no entanto, esta posição não foi adotada por unanimidade pelo comitê.

A recomendação majoritária do comitê é para a introdução de leis uniformes de casamento e divórcio aplicáveis ​​a todos os cingaleses, independentemente de suas crenças religiosas.

Atualmente, a lei comum do país não permite casamentos com menores de idade, mas a lei aplicável aos adeptos da fé islâmica permite o casamento de meninas de até 12 anos.

As Nações Unidas e a União Européia pediram ao governo que acabe com esses padrões duplos.

O governo do Sri Lanka assinou a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação, que estipula que as mulheres tenham o direito de escolher livremente um cônjuge.

Outras recomendações do comitê da Marsoof incluem referências à questão da maior representação da mulher em órgãos com poder de decisão em relação ao casamento, ao divórcio e aos pagamentos de pensão.

O relatório Marsoof observa que os muçulmanos têm ingressado no território da maioria budista do Sri Lanka desde pelo menos o século VIII e que muitos se estabeleceram. Os muçulmanos compreendem agora cerca de 9,7% da população de 21 milhões de pessoas no país insular.

O relatório também aponta que existe um “mito de homogeneidade” das leis muçulmanas que constitui um obstáculo para a reforma da Sharia.

Alguns grupos de mulheres muçulmanas também defendem a reforma e tem havido várias comissões de inquérito sobre a questão desde a década de 1970.

Juwairiya Mohideen, presidente da Rede de Ação da Mulher, disse que a lei que cobre os casamentos muçulmanos e os tribunais islâmicos Shara ‘Qauzi’ continua a oprimir as mulheres e meninas.

Mohideen, que também é diretor do Fundo de Desenvolvimento das Mulheres Muçulmanas, disse que os atrasos nas reformas constituem uma negação de dignidade, justiça e igualdade.

Sua organização realizou uma pesquisa em 2016 sobre os primeiros casamentos muçulmanos realizada entre 2005 e 2015 em três distritos.

Em um grupo de amostra de 350 meninas muçulmanas casadas, 254 meninas se casaram quando tinham 16 ou 17 anos.

E 189 casamentos prematuros ocorreram como resultado de fatores financeiros, notadamente o pagamento de dotes.

Sete casamentos ocorreram apenas um ano depois que as meninas atingiram a puberdade e houve um total de 51 casamentos, no grupo da pesquisa, de meninas entre 12 e 16 anos, disse Mohideen.

O padre Noel Dias, professor da Faculdade de Direito do Sri Lanka, disse que o Ato de Casamento e Divórcio Muçulmano viola tanto a lei internacional quanto os padrões básicos de decência humana.

Ele acusou o governo de impedir a resolução desse problema por causa do lobby de poderosos líderes muçulmanos que se opõem à mudança.

Esta proposta para aumentar a idade do casamento é absolutamente essencial“, disse o padre Dias, referindo-se ao relatório Marsoof.

O Sri Lanka Tawheed Jamaath, uma organização muçulmana, em 2016 realizou uma manifestação de protesto contra a alteração do MMDA para aumentar a idade mínima para o casamento, mas alguns grupos de mulheres demonstraram em apoio à reforma.

Com informações Ucanews

Síria assume Comissão de Desarmamento da ONU apesar de ser acusada de ataque químico

Os Estados Unidos organizaram um boicote em protesto contra  presidência da Síria na Conferência sobre Desarmamento nas Nações Unidas, em Genebra, na terça-feira.

A Conferência sobre o Desarmamento é um órgão ligado à ONU que trabalha para a redução de armas no mundo e não-proliferação de armas nucleares.

A delegação se levantou de seus assentos enquanto o embaixador sírio na ONU, Hussam Edin Aala, abriu a última rodada da conferência.

Wood disse que a presidência da Síria de um órgão comprometido com a não-proliferação é uma farsa, dado que “o regime foi responsável por matar incontáveis ​​de seus próprios civis, muitos dos quais foram afetados por ataques com armas químicas“.

Washington não planejou um boicote à presidência que será exercida pela Síria durante quatro semanas, mas queria manter o país responsável por seu uso de armas químicas, disse Wood.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Heather Nauert, disse que falta credibilidade à Síria para assumir a presidência da entidade.

Em abril, a cidade síria de Douma foi alvo de mais ataque de armas químicas que deixou 40 mortos e mais de 500 feridos. A visita de inspetores internacionais foi adiada após a equipe da ONU ter sido atacada a tiros. A missão da OPAQ ( tinha sido requerida pelas potências ocidentais que culpam o ditador sírio Assad e Rússia pelo ataque.

A conferência, sediada em Genebra, é formada por 65 países, e é o fórum mundial mais importante na área de desarmamento muito embora pouco tenha alcançado êxito em resultados práticos.

Com imagem de Associated Press e informações de Folha de São PauloHaaretz

Ativistas que lutaram pelo direito das mulheres dirigirem são presas na Arábia Saudita

Autoridades da Arábia Saudita prenderam pelo menos dez proeminentes ativistas de direitos humanos, incluindo mulheres que durante anos fizeram campanha para conquistar outras mulheres sauditas acerca do direito de dirigir, segundo pessoas com conhecimento das prisões. Nenhum dos presos teve direito a assistência de advogados.

As detenções pareciam fazer parte de uma repressão mais ampla por parte da liderança saudita, liderada pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, visando silenciar qualquer ativismo político, mesmo quando o príncipe herdeiro realiza algumas mudanças sociais. Um porta-voz do governo não comentou imediatamente as detenções, que foram divulgadas pela primeira vez por contas de mídia social da oposição saudita.

A Associated Press falou com duas pessoas em contato com os parentes das mulheres presas. Um ativista, que falou sob condição de anonimato por medo de repercussão, disse que cinco foram presas na terça-feira e que a sexta pessoa foi detida na quinta-feira. Várias outras pessoas têm medo de serem detidas e outros foram proibidas de viajar para o exterior pelo governo.

 As detenções ocorreram cinco semanas antes que as mulheres na Arábia Saudita pudessem oficialmente dirigir – o cumprimento de uma campanha de décadas de ativistas dos direitos das mulheres sauditas, algumas das quais cumpriram pena de prisão por protestar contra a proibição.

 

As presas nos últimos dias incluem Loujain al-Hathloul, que foi detida há vários anos por tentar dirigir dos Emirados Árabes Unidos para a Arábia Saudita, e Eman Al Nafjan, professora universitária e blogueira que também havia sido presa por desafiar a proibição de dirigir, de acordo com as pessoas informadas sobre as detenções que falaram sob condição de anonimato porque as prisões não foram tornadas públicas.

Outros detidos nos últimos dias estiveram envolvidos em protestos seminais contra a proibição em 1990, disseram as pessoas.

 As razões exatas das detenções não ficaram imediatamente clarasVários ativistas dos direitos das mulheres disseram ter sido advertidos a não falar com a mídia sobre o fim da proibição de dirigir, em um esforço aparente das autoridades sauditas para desencorajar a ideia de que o ativismo pode trazer mudanças sociais, disseram as mulheres. As ativistas Hathloul e Nafjan não puderam ser contatados imediatamente para comentar. O levantamento da proibição de dirigir é uma peça central das mudanças sociais dirigidas pelo príncipe herdeiro, que também reprimiu a autoridade da polícia religiosa ultraconservadora e trouxe eventos de entretenimento previamente proibidos para o reino, como shows e desfiles de moda.

Ativistas que falaram à AP também de forma anônima dizem que entre os detidos estão três mulheres conhecidas por seu ativismo – Loujain al-Hathloul, Aziza al-Yousef e Eman al-Najfan – e outras três que fizeram parte do primeiro movimento pelo direito das mulheres a dirigir, em 1990, e estavam envolvidas em questões de direitos humanos no reino. À época, quase 50 manifestantes foram presas, perderam seus passaportes e empregos. Al-Nafjan e al-Yousef eram professoras em escolas públicas e são mães.

As mulheres presas também pediram o fim de outras formas menos visíveis de discriminação na Arábia Saudita, tais como leis de tutela que dão aos parentes do sexo masculino uma palavra final sobre se uma mulher pode viajar para o exterior, obter um passaporte ou se casar.

O caso começou no dia 15, quando a polícia prendeu as dez pessoas na capital Riad, e os transferiu para a cidade de Jiddah. Atualmente, sua localização é desconhecida. A mídia saudita afirma que as prisões foram realizadas por forças da Presidência da Segurança do Estado, órgão que responde diretamente ao rei e ao príncipe herdeiro. Segundo ativistas, sete dos detidos estavam envolvidos em esforços para estabelecer uma organização não-governamental que ofereceria apoio e abrigo às vítimas de abuso doméstico. O grupo recentemente submetera ao governo um pedido para estabelecer uma ONG

Quando o reino emitiu seu impressionante decreto real no ano passado anunciando que as mulheres teriam permissão para dirigir em 2018, mulheres como al-Nafjan e al-Yousef foram contatadas pela corte real e advertidas a não conceder entrevistas à mídia ou falar nas redes sociais.

Seguindo os avisos, algumas mulheres deixaram o país por um período e outras pararam de expressar suas opiniões no Twitter.

Ativistas dizem que não está claro por que o grupo incluindo dois homens, foi preso. Entre os homens detidos está o advogado Ibrahim al-Mudimigh, que anteriormente defendeu al-Hathloul no tribunal.

Enquanto os ativistas continuam pressionando o governo, o crédito pelas reformas – como o levantamento da proibição de mulheres dirigindo – foi destinado em grande parte ao filho e herdeiro do rei, o príncipe herdeiro Mohammed bin SalmanEle relaxou algumas das regras ultraconservadoras do país ao permitir que mulheres entrem em estádios para assistir esportes e trazer de volta shows musicais e cinemas.

Tais medidas, no entanto, são mais uma forma de impulsionar a economia e melhorar a imagem do país no exterior, e menos sobre a promoção de liberdades pessoais. O reino continua sendo uma monarquia absolutista onde os protestos são ilegais e onde o rei e seu filho supervisionam todas as decisões importantes.

No ano passado, o príncipe Mohammed supervisionou as prisões de príncipes e empresários de alto escalão em uma suposta varredura anticorrupção que forçou detentos a entregar parcelas significativas de sua riqueza em troca de sua liberdade.

As forças de segurança também prenderam no ano passado dezenas de escritores, intelectuais e clérigos moderados que foram vistos como críticos de sua política externa, segundo ativistas.

As prisões e a campanha contra os detidos foram condenadas por grupos como Anistia Internacional e Human Rights Watch, que destacou que as prisões são parte de uma campanha mais ampla de repressão política.

Ao menos publicamente, o príncipe herdeiro — que controla o país — parece estar seguindo o roteiro, afirmando numa entrevista ao programa “60 Minutes” este ano acreditar na igualdade entre homens e mulheres. “Somos todos seres humanos, e não há diferença”, afirmou ele.

A Human Rights Watch diz que o número de pessoas detidas por períodos excessivamente longos aparentemente aumentou dramaticamente nos últimos anos na Arábia Saudita. O grupo de direitos humanos, que analisou um banco de dados público, disse em 6 de maio que 2.305 pessoas foram detidas por mais de seis meses sem ser encaminhadas a um juiz. Outros 1.875 foram mantidos “sob investigação” por mais de um ano e 251 por mais de três anos.

 

Com informações de ABC NewsO Globo, Estadão e Reuters  e imagem de Associated Press

Suécia: Polícia se recusa a publicar descrição de três homens que estupraram uma menina de dez anos

É provável que isso ocorra porque 92% dos estupros na Suécia são cometidos por imigrantes , e o governo e a mídia suecos pretendem ocultar essas informações e manter as pessoas ignorantes e complacentes com relação ao que está acontecendo com seu país por causa do influxo de migrantes muçulmanos.

Mas agora essa determinação de impedir as pessoas de desenvolver pensamentos negativos sobre os imigrantes muçulmanos na Suécia está interferindo ativamente na segurança pública.

“Criança sueca violada por ‘três homens’ a caminho de casa: a polícia se recusa a dar descrição dos perpetradores”, Voz da Europa , 6 de maio de 2018:

Uma menina de 10 anos foi atacada por três homens depois que ela deixou a escola e estava voltando para casa. A criança foi estuprada em um cemitério em Östervåla, nos relatórios da Aftonbladet na Suécia .

Era quinta-feira, por volta das 15:00h, o terrível incidente ocorreu. Segundo a polícia, três perpetradores estavam envolvidos. Pelo menos um deles estuprou a garota.

“Nenhuma pessoa foi presa, mas recebemos uma boa descrição dos criminosos. Nós não queremos publicá-lo na mídia ”, diz o investigador da polícia Daniel Nilsson à SVT .

Com informações de Jihad Watch e imagem de Red Ice

Rússia veta resolução dos EUA sobre a Síria

A Rússia vetou uma resolução da ONU, redigida pelos Estados Unidos, que teria condenado o suspeito ataque de arma química na semana passada perto de Damasco e estabelecido um novo órgão para determinar a responsabilidade pelos ataques com armas químicas na Síria.

A votação na terça-feira à tarde dos 15 membros do Conselho de Segurança foi de 12 a favor, sendo que a Bolívia se juntou à Rússia na votação “não” e houve abstenção da China.

A embaixadora dos Estados Unidos, Nikki Haley, disse que os Estados Unidos “deram um passo extra” para obter apoio russo para a resolução, a fim de assegurar que um novo órgão investigativo seja imparcial, independente e profissional – coisas que ela disse que seriam garantidas por uma resolução russa rival.

O embaixador da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, acusou os Estados Unidos de quererem que a resolução não “justifique o uso da força contra a Síria“.

Ele disse que a resolução está tentando recriar o antigo corpo de especialistas, cuja extensão Moscou bloqueou em novembro. Ele chamou esse corpo de “um fantoche nas mãos das forças anti-Damasco“.

Com informações de Ynet News e imagem de G1

Trump e o “canto da serpente”

Na semana passada, Donald Trump recebeu calorosamente o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, em sua primeira visita aos Estados Unidos, oportunidade em que o presidente exaltou a venda de equipamentos militares como um impulso à criação de emprego para norte-americanos, apesar das críticas acerca do envolvimento saudita na “guerra por procuração” travada contra o Irã em território iemenita.

O príncipe Salman havia agendado visita ao Egito, Reino Unido e Estados Unidos,  objetivando por em prática sua campanha para mudar a imagem do reino mostrando ao Ocidente que a Arábia Saudita estaria aberta à visitação. E prontamente, a porta-voz da presidência, Sarah Sanders, proferiu comunicado declarando : “o presidente espera poder discutir formas de fortalecer os laços entre Estados Unidos e a Arábia Saudita[1]”.

Realmente, o poder bélico estadunidense exerceu influência poderosa para o “fortalecimento de laços” euforicamente enaltecidos por Trump e Mohammed. Contudo, segundo a rede CNN, o príncipe herdeiro teria se sentido “humilhado” quando o presidente americano mostrou gráficos expondo as vultosas aquisições sauditas em relação aos equipamentos militares dos Estados Unidos, abrangendo, dentre outros, navios, defesa antimísseis, aviões e veículos de combate[2].

Constrangimentos à parte, Mohammed teve motivos para largos sorrisos: o Departamento de Estado norte-americano já submeteu ao Congresso a aprovação de possível venda de milhares de mísseis antitanque TOW, parte de um pacote maior de US$ 1 bilhão, que também inclui a manutenção de helicópteros e peças de reposição para veículos militares.

Às aquisições acima, devem ser somadas a possível venda de US$ 300 milhões em peças para a frota de tanques Abrams e veículos blindados da Arábia Saudita, bem como equipamentos e serviços no valor de US$ 106,8 milhões para a frota de helicópteros militares do reino[3].

De acordo com a imprensa, Trump e Mohammed discutiram um acordo de 2017, orçado em US$ 200 bilhões em investimentos sauditas com os Estados Unidos, incluindo grandes compras de equipamentos militares, reforçando a tese de que as mencionadas vendas contribuiriam para a criação de 40.000 empregos[4]. Todavia, Mohammed, arriscou dizer em inglês que os investimentos serão de US$ 400 bilhões, assim que forem totalmente implementados, em dez anos.

Em retribuição à oferta de investimento saudita, Trump além de declarar que os laços que unem os dois países estão fortes como sempre, teceu elogios ao rei Salman, afirmando que teria tomado uma “decisão muito sábia”, declarando ainda que sentia falta do rei, chamando-o de “um homem muito especial”.

Importante ressaltar que o príncipe herdeiro alvoroçou não somente Trump, mas outras autoridades influentes que fizeram “fila” para reuniões, incluindo o secretário de defesa, tesouro e comércio, o diretor da CIA e líderes do Congresso (democratas e republicanos).

Para coroar o discurso regado a “sangrentos petrodólares”, Trump criticou o Irã dizendo: “O Irã não tem tratado essa parte do mundo, ou o próprio mundo, apropriadamente. Muitas coisas ruins estão acontecendo no Irã”.

A declaração presidencial me incomoda… Como assim? “Muitas coisas ruins” também não estariam acontecendo na aliada Arábia Saudita? Porém, já me “corrijo” reconhecendo que os interesses geopolítico e comercial “eclipsam” o enfoque dos “direitos humanos” para a mídia mainstream e comunidade internacional no que tange às “nações amigas da onça”.

Mohammed tem impactado muitas lideranças ocidentais por conta de algumas  decisões que são recebidas pelos desavisados como a defesa de um “Islã moderado” em detrimento do fundamentalismo característico do país exportador da “doutrina whahabita”, que embasa ações terroristas em todo mundo. Certamente, os amigos de Mohammed desconsideram máculas importantes no “currículo real” do moço de 32 anos que promoveu a detenção de alguns dos homens mais ricos e poderosos de seu país numa fraudulenta “campanha anticorrupção”, denunciada como parte de tomada autoritária do poder violando a lei.

Outrossim, o príncipe herdeiro é um dos responsáveis pela catástrofe humanitária que assola o país mais pobre do mundo árabe. Ao iniciar a guerra no Iêmen, Mohammed era ministro da defesa e nada fez para coibir as violações dos direitos humanos que a Arábia Saudita vem perpetrando junto com seus aliados na guerra contra os rebeldes Houthis, apoiados pelo Irã. Os ataques aéreos da coalizão que lidera e o bloqueio de portos iemenitas vêm causando milhares de mortes entre os civis e a mais grave crise humanitária da atualidade, classificada como “catástrofe humanitária” por especialistas em direitos humanos.

Os horrores promovidos pela “monarquia do terror” incitaram Trump a reprovar as ações sauditas exigindo no ano passado o fim “imediato” do bloqueio imposto para a chegada de assistência humanitária ao país com mais de 11 milhões de pessoas esfaimadas. Porém, o presidente dos EUA não aceita o corte da ajuda para as operações militares do reino e o seu desejo foi acatado pelo Congresso, que rejeitou a resolução propondo o encerramento do apoio americano à campanha militar saudita que já matou mais de dez mil pessoas.

A postura de Trump tem se revelado decepcionante. Em tempos de campanha eleitoral, era a democrata Hillary Clinton a impetuosa defensora do reino apresentando-o como “força de paz e estabilidade”, enquanto Trump o criticava com veemência. Vale trazer à lembrança as palavras de Trump após os “atentados de 11 de Setembro”, acusando Riad de ser “o maior financiador mundial de fundos para o terrorismo”.

Disse Trump: “a monarquia petrolífera utiliza nossos petrodólares – o dinheiro nosso – para financiar os terroristas que buscam destruir nosso povo enquanto os sauditas contam conosco para protegê-los”. Durante a campanha, o então candidato republicano ameaçou bloquear as importações de petróleo saudita se o país não se engajasse na luta contra o Estado Islâmico.

Sete meses após a eleição, a primeira visita oficial do presidente Trump ao exterior foi justamente na Arábia Saudita. O republicano preferiu “esquecer” do relatório de inquérito parlamentar (2002) sobre os “atentados de 11 de setembro”, indicando que as autoridades sauditas prestaram assistência material para os terroristas/sequestradores e o grupo al-Qaeda. A “memória curta” deve ser também culpada pelo esquecimento de Trump em relação ao e-mail de 2014, divulgado pelo WikiLeaks, onde Hillary se queixava das autoridades sauditas e do Qatar, suspeitas de fornecerem apoio financeiro e logístico clandestino a grupos sunitas radicais na região”, leia-se, “facções terroristas islâmicas”.

Lamentavelmente, justificativa de “viés econômico” vem servindo para Trump trair compromissos de campanha abraçando a “serpente do deserto”. As “benfeitorias enganosas” de Mohammed  não escondem o “projeto de poder” vislumbrado pela jihad  (guerra santa) lançada por Maomé há mais de 1.400 anos, exigindo a submissão de toda terra ao Islã. A maior prova de que a Arábia Saudita continuará promovendo o terror no Ocidente vem dos seus próprios livros didáticos que ensinam a violência e ódio contra minorias[5].

Trump não teve “coragem” de criticar o conteúdo intolerante dos livros didáticos sauditas exaltando a jihad como luta contra não-muçulmanos, prescrevendo a execução de apóstatas e daqueles que zombam de deus ou do seu profeta Maomé, além de ensinar a humilhar não-muçulmanos e alertar os muçulmanos a não se associarem com os infiéis. Acreditar que um país islâmico conhecido como Dar al-islam (terra do Islã), que cultua a “jihad” contra o Ocidente vai negar a fé celebrando a “paz” com Darl al-Harb (terra da guerra)  é, no mínimo, patético.

Definitivamente, o “infiel Trump” caiu no “canto da serpente”…

[1] https://g1.globo.com/mundo/noticia/trump-recebera-principe-herdeiro-saudita-em-20-de-marco.ghtml

[2] https://www.haaretz.com/middle-east-news/trump-humiliated-saudi-crown-prince-while-boasting-about-arms-sales-1.5938561

[3] http://www.arabnews.com/node/1271866/saudi-arabia

[4] https://af.reuters.com/article/africaTech/idAFL1N1R214P

[5] https://www.middleeastmonitor.com/20180325-us-religious-freedom-body-urges-saudi-to-prioritise-textbook-reform/