Arquivo da tag: #yázidis

Ex-escravas sexuais do ISIS abrigadas no Canadá ameaçadas com telefonemas e textos

Ex-escravos sexuais do Estado Islâmico, que foram abrigados no Canadá, estão novamente vivendo com medo após serem bombardeados por mensagens de voz e textos ameaçando estupros e assassinatos.

Cinco mulheres e uma menina de 14 anos apresentaram relatórios à Polícia Regional de York. As vítimas são todas yazidis que sobreviveram a um genocídio liderado pelo Estado Islâmico no Iraque em 2014.

Eles entregaram à polícia gravações de telefonemas e capturas de tela dos textos, que fazem referência ao Estado Islâmico e incluem fotos de decapitações e jihadistas armados.

O W5 ouviu as chamadas telefônicas. Em uma deles, um homem ri ao dizer em árabe: “Eu sou o homem que te fodeu. Eu sou seu estuprador. ”Uma segunda chamada denuncia Yazidis como adoradores do diabo. E uma terceira chamada faz uma referência gráfica ao estupro.

Os homens parecem ter sotaques do Iraque, Norte da África e do Golfo. A Polícia Regional de York montou uma equipe para tentar rastrear onde as chamadas são originadas.

“Nossos investigadores vão trabalhar através de registros telefônicos, informações obtidas pelas vítimas e qualquer informação sobre o motivo pelo qual isso pode estar ocorrendo”, disse Const. Andy Pattenden. Fontes do W5 dizem que a unidade de inteligência da Polícia Regional de York e o CSIS também estão cientes das ameaças, que começaram há duas semanas.

Um dos telefonemas veio de um número 1-800 e outro de uma central telefônica de Alberta. A polícia diz que com os aplicativos de “spoofing”, as chamadas poderiam ter sido feitas em qualquer lugar do mundo.

Juntando-se a uma casa em Richmond Hill, Ontário, as mulheres que sobreviveram a tantos traumas em sua terra natal estão mais uma vez nas garras do terror. Adiba, que foi comprada e vendida seis vezes por caças ISIS em 2014, diz: “Viemos aqui por segurança, mas depois dessas ameaças eu não me sinto segura. Queremos viver sem ameaças e medo. ”Outra, Milkeya, diz:“ Estou com medo. Meu filho tem quatro anos, ele está com medo. ”Temeroso que o ISIS volte e os pegue.

Eles são sobreviventes do genocídio. Eles são sobreviventes da escravidão sexual e vieram para o Canadá começando uma nova vida para ser sãos e salvos e agora este pesadelo parece estar se repetindo ”, disse o Reverendo Majed el-Shafie, fundador da One Free World International, uma organização de direitos humanos. organização que defende as minorias religiosas.

A caridade de Toronto tem apoiado membros da comunidade yazidi que se reinstalaram no Canadá depois do genocídio.

Imagem Jpost e informações CTV W5

Após capturar e espancar brutalmente duas cristãs, muçulmanos oferecem as meninas como “presentes” ao ISIS

Shoebat – Muçulmanos capturaram duas meninas cristãs e após espancamento brutal as ofereceram a um terrorista do ISIS como presentes.

Delação e recompensa com escravas sexuais

Além de incutir medo por meio de tortura e execução públicas entre os seus membros que estão planejando desertar, o Estado Islâmico (ISIS) encontrou outra maneira de parar o esgotamento de suas fileiras.

Como revelado em uma confissão feita por um militante capturado do ISIS, o grupo jihadista está agora a oferecer recompensas para seus membros que delatem seus companheiros jihadistas que estão planejando desertar ou deixar o grupo, relata Sun Online.

O militante do ISIS identificado como Abu Al-Mughaira Al-Muhajer, que foi capturado durante a batalha na cidade síria de Aleppo, revelou que os líderes do ISIS estão dando escravas sexuais como recompensas aos membros do ISIS leais que fornecem informações sobre quem pretende deixar suas fileiras.

Em uma recente entrevista na TV dos Emirados Árabes Unidos e liberada em parte através de em vídeo pelo Instituto Middle East Media Research, Muhajer disse que recebeu três mulheres – duas cristãs e uma Yazidi- para usar como suas escravas sexuais pessoais depois de dar informações que seu próprio irmão seria um suposto desertor.

“Depois que eu informei que o meu irmão queria deixar o ISIS, fui recompensado com as escravas – um [yazidi] de Damasco e duas [cristãs] de Homs”, disse ele.

Ele mesmo descreveu que as mulheres foram espancadas, dizendo que eles haviam “batido em suas costas.”

Ele igualmente divulgou que os líderes do ISIS foram comprar escravas sexuais exclusivamente com o fim de entregá-las aos seus miltantes.

Muslims Capture Two Christian Girls, Brutally Beat Them, And Offer Them To An ISIS Terrorist As Gifts

Estado Islâmico queima 19 meninas yazidi até a morte em praça pública

Escravas sexuais se recusaram a ter relações sexuais com jihadistas

RIO — O Estado Islâmico (EI) fez novas vítimas com suas execuções brutais em frente a centenas de pessoas no Iraque. Desta vez, o alvo da ação foram 19 meninas da minoria yazidi que se recusaram a ter relações sexuais com os militantes do grupo enquanto eram escravas sexuais. Elas foram presas em gaiolas de ferro e, em seguida, queimadas até a morte em praça pública na cidade de Mossul.

A história foi confirmada pela imprensa local, testemunhas e ativistas. Este é mais uma ação de violência contra as meninas da etnia yazidi, cuja região foi tomada pelos jihadistas. Estima-se que 3 mil meninas tenham se tornado escravas sexuais e 40 mil pessoas tenham fugido desde então.

— Ninguém podia fazer nada para salvá-las da punição brutal — disse uma testemunha.

A ONG Human Rights Watch classifica os assassinatos em massa dos yazidis que permaneceram presos no Monte Sinjar como um genocídio.

“Os abusos contra as mulheres e meninas yazidi documentadas pela Human Rights Watch, incluindo a prática de sequestrar mulheres e crianças e convertê-las forçadamente ao Islã ou obrigá-las a se casar com membros do EI, podem ser parte do genocídio contra os yazidis”, afirmou a organização em um relatório.

A maioria da população yazidi, etnia secular que tem cerca de um milhão de pessoas, permanece deslocada em campos no Curdistão.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/estado-islamico-queima-19-meninas-yazidi-ate-morte-em-praca-publica-19449783#ixzz4ApQmNCxC
© 1996 – 2016. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

EUA dizem que “Estado Islâmico” cometeu genocídio

Kerry reconhece que grupo terrorista tenta dizimar minorias cristãs e yazidis, além de muçulmanos xiitas na Síria e no Iraque. Medida não deixa claro se serão tomadas novas ações para combater os extremistas.

O secretário de Estado americano, John Kerry, disse nesta quinta-feira (17/03) que o Estado Islâmico (EI) pratica genocídio contra minorias cristãs e yazidis e contra muçulmanos xiitas no Iraque e na Síria.

“O fato é que o Daesh [termo árabe para o EI] mata cristãos por serem cristãos. Yazidis por serem yazidis. Xiitas por serem xiitas”, afirmou Kerry, que acusou os terroristas de crimes contra a humanidade e limpeza étnica. “A visão de mundo do grupo é baseada em eliminar aqueles que não seguem a sua ideologia perversa.”

O Congresso americano vinha pressionando a Casa Branca a apresentar uma investigação sobre a prática de genocídio envolvendo o EI. As conclusões do relatório são baseadas em informações do Departamento de Estado e dos serviços de inteligência.

Apesar de reconhecer a prática, Washington não é legalmente obrigado a tomar ações específicas. Kerry disse que os EUA vão fazer o possível para desmobilizar o grupo, mas não deixou claro se haveria mudanças nas estratégias militares das forças americanas na Síria e no Iraque.

Os EUA têm lançado ataques aéreos contra o grupo, mas não se comprometeu a enviar soldados para combate por terra.

A última vez que o governo americano reconheceu um genocídio foi em 2004, no conflito de Darfur, no Sudão.

KG/rtr/dpa

http://www.dw.com/pt/eua-dizem-que-estado-isl%C3%A2mico-cometeu-genoc%C3%ADdio/a-19123565

Escravas para o deleite do guerreiro pela graça de Alá

O Estado Islâmico dita “normas” para o usufruto das cativas por parte dos combatentes jihadistas.

Já fazia tempo que havia sinais, mas agora existem documentos e testemunhas que comprovam: onde o Exército Islâmico coloca sua bota, ressurge o cativeiro e a escravidão sexual para o prazer e relaxamento do guerreiro. Um retrocesso de séculos ao mais escuro e ignominioso passado. A Anistia Internacional reuniu testemunhos de várias jovens yazidis escravizadas que foram libertadas na operação liderada pelos Estados Unidos na Síria para capturar Abu Sayyaf, um dos líderes do Estado Islâmico, que morreu no confronto. Logo depois, a agência Reuters publicou um decreto emitido pelo denominado Departamento de Investigações e Fatwas do EI, no qual estão listadas as condições de cativeiro e as regras de uso das escravas. É grotesco, alucinógeno, mas é real. Na sociedade bastante regulada e absolutamente controlada que impõe o EI onde governa, tudo está regulado. Também quem e como, “pela generosidade e misericórdia de Deus” pode “desfrutar” de uma cativa.

Quem? Os guerreiros. As escravas sexuais estão reservadas a esses mujahedins (combatentes) “que estão separados de suas esposas muito tempo por serviços na frente de batalha ou em expedições” e também aos “combatentes estrangeiros que deixaram para trás suas esposas e filhos tendo um longo exílio pela frente”. No caso de alguém ter dúvida, os líderes do EI deixam claro que tomar mulheres como concubinas e escravizar as famílias dos infiéis é algo perfeitamente contemplado pela sharia. Porque se trata de infiéis. Após a conquista do território deles, é permitido levar as mulheres e as crianças. Os homens costumam ser mortos.

Entre os infiéis que o Exército Islâmico atacou estão os yazidis, uma minoria religiosa pré-islâmica, de cultura e língua curda, que ocupa uma grande área ao redor do Monte Sinjan, no noroeste do Iraque. Essa comunidade é especialmente odiada pelos jihadistas radicais por considerarem que adoram o demônio. A estimativa é que mais de 3.000 mulheres yazidis foram levadas como escravas. Algumas das que conseguiram escapar desse inferno relataram as condições humilhantes e cruéis do cativeiro.

De acordo com o decreto, a designação como escrava de uma cativa deve ser autorizada por um imã. Depois de entregue ao combatente “agraciado”, este deve seguir regras. De sua leitura podemos entender que não foram pensadas tanto para proteger as escravas, mas para evitar conflitos entre os escravizadores. Por exemplo, um pai e um filho não poderão “desfrutar” da mesma escrava, nem um mesmo combatente de uma mãe e uma filha cativas. Também diz que estão obrigados a “mantê-las, alimentá-las e mostrar compaixão”. É possível que pareça muito civilizado a quem redigiu o decreto estabelecer essa obrigação. Mas o que entenderá por compaixão alguém que priva uma mulher de toda dignidade, que a subjuga pela força e que a viola sempre que tiver vontade? Há coisas para as quais não há palavras.

http://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/27/opinion/1453925704_133457.html?id_externo_rsoc=FB_CM

 

Minoria étnica pressiona para que massacre pelo Estado Islâmico seja considerado genocídio

“Famílias foram separadas, os homens foram mortos e as mulheres, vendidas como escravas sexuais. Os Yazidi eram obrigados a se converterem ao Islã, caso contrário seriam mortos”.

O relato, da jovem iraquiana Pari Ibrahim, se refere aos abusos atribuídos ao grupo autodenominado Estado Islâmico contra a minoria étnica-religiosa Yazidi, que vive predominantemente no Curdistão iraquiano.

Os números ainda são imprecisos, mas estima-se que entre 5 mil e 6 mil mulheres e crianças tenham sido raptadas pelo EI quando o grupo radical invadiu a região no dia 3 de agosto de 2014. Atualmente, acredita-se que 3 mil mulheres e meninas ainda sejam mantidas em cativeiro em cidades dominadas pelo EI.

Agora, grupos pressionam para que esses fatos sejam reconhecidos internacionalmente como genocídio.

“Eles estão sendo mortos por causa de suas crenças”, diz Ibrahim, 26, que lidera a organização Free Yezidi Foundation e conversou com a BBC Brasil durante visita à ONU, em Nova York. “Quando as meninas conseguem ser libertadas ou fogem, elas ficam extremamente traumatizadas. O mundo precisa reagir e ajudar a essa população. Queremos reunir evidências suficientes para que se reconheça a situação como genocídio.”

Leia também: Conheça nova meca do mercado de luxo da América Latina que desbancou o Brasil

Siga a BBC Brasil no Facebook e no Twitter

Seu grupo criou centros de apoio às mulheres e crianças no campo de deslocados em Khanke, na província iraquiana de Dohuk, onde vivem cerca 16 mil pessoas, centenas delas órfãs.

A expectativa de Ibrahim, que vive hoje com sua família na Holanda, é que o Tribunal Penal Internacional (TPI) – cuja função é julgar crimes contra a humanidade e de guerra – dê início a investigações preliminares para apurar evidências e verificar se as violações contra os Yazidi podem ser definidas como genocídio.

Segundo ela, a grande dificuldade é fazer com que seu apelo chegue ao gabinete da procuradora do TPI, em Haia, Fatou Bensouda.

Com a ajuda de especialistas como o jurista argentino Luis Gabriel Moreno Ocampo, ex-procurador do TPI (2003-2012), Ibrahim elaborou um relatório solicitando o início das investigações sobre os crimes do EI contra a população Yazidi nas montanhas de Sinjar e nas planícies de Nineveh.

“A ONU tem investigado as ações do EI e concluiu que os crimes cometidos podem constituir-se como genocídio. Porém, (a organização) não tem status legal (para realizar o julgamento). O que vimos e documentamos são fortes evidências, mas apenas um tribunal com jurisdição pode julgar o caso como genocídio”, disse o assessor especial do secretário-geral da ONU para a prevenção do genocídio, Adama Dieng, que visitou a região em novembro e reuniu depoimentos das vítimas.

Leia também: O americano preso por 23 anos por um assassinato cujo autor já havia sido condenado

Image captionPari Ibrahim com crianças em campo de refugiados Yazidis; ela tenta fazer a causa da etnia avançar no TPI

Retomada

Quinze meses após o massacre na região, as forças curdas (peshmerga) conseguiram retomar o controle de Sinjar, no último dia 13 de novembro, com o apoio de bombardeios liderados pelos Estados Unidos. O resultado do conflito se expressa no número de deslocados e refugiados que gerou. Apenas no Curdistão iraquiano, há pelo menos 1 milhão de pessoas que tiveram que deixar suas casas.

Por enquanto, as acusações não podem ser investigadas pela Corte de Justiça iraquiana, país que não ratificou a Convenção Internacional para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio.

Daí a tentativa de investigá-las via TPI ou de pedir que o tribunal assuma uma jurisdição ad hoc (onde a jurisdição internacional tem primazia sobre as nacionais).

“Nos encontros que tive com as autoridades iraquianas, os encorajei que dessem esse passo. Isto é, que o governo fizesse um pedido ao TPI para uma jurisdição ad hoc sobre o caso. Temos que agir mais rápido para levar os criminosos à Justiça”, diz Dieng. “O sentimento dos Yazidi é que os atos contra seu povo continuam acontecendo. O genocídio persiste.”

Já o argentino Luis Moreno Ocampo – responsável por iniciar em 2011 investigação contra o líder líbio Muammar Khadafi, além de emitir ordens de prisão contra autores de crimes contra a humanidade e de guerra na República Democrática do Congo, Uganda, República Centro-Africana e na província sudanesa de Darfur – explica que outra possibilidade é que o Conselho de Segurança da ONU refira o caso ao Tribunal Penal Internacional.

Leia também: Boulos x Chequer: 9 perguntas para líderes contra e pró-impeachment

Image captionFossa comum com corpos de pessoas da etnia Yazidi; massacre deixou também cerca de 1 milhão de desabrigados

O fato de haver provas de que o EI tenha recrutado estrangeiros para engrossar suas tropas em nome do autoproclamado califado já poderia ser uma prerrogativa para que a corte em Haia investigue esses cidadãos que se uniram ao grupo extremista e que são oriundos de países que o TPI tem jurisdição.

“O fato de que os crimes tenham sido cometidos em território de um país que não assinou o TPI não impede que nacionais de países-membros sejam investigados pela Corte. Há 2 mil jordanianos e mais de 2,5 mil europeus que lutam ao lado do EI. Este seria um dos caminhos para que se abram as investigações”, diz Moreno à BBC Brasil.

O percurso, ainda assim, parece ser longo. Antes da situação dos Yazidi, o gabinete da procuradora Fatou Bensouda tem que analisar outros casos que já estão na fila em países como na Geórgia, Colômbia, Afeganistão, República Centro-Africana, Nigéria e Líbia.

Segundo Moreno, não haverá dificuldades em reunir provas de que os Yazidi foram massacrados. Há inúmeras covas coletivas nas montanhas de Sinjar que devem ser analisadas por peritos forenses do TPI como parte das investigações preliminares. “Os ataques foram coordenados na região com um claro padrão de conduta: mataram os homens, sequestraram as crianças e levaram as mulheres como escravas sexuais”.

“Eles estão em estado de choque. Quando definimos como genocídio o mais grave crime da humanidade, o mundo tem o compromisso de evitá-lo. Essa população sofreu muito e deve ser reparada”, argumentou.

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151217_yazidis_matanca_pai_fo

ISIS Vende Mulheres e Crianças Yazidis na Turquia

  • “Algumas dessas mulheres e crianças foram obrigadas a assistirem, bem diante de seus olhos, enquanto crianças de 7, 8 e 9 anos de idade derramavam sangue até a morte, depois de serem estupradas inúmeras vezes por dia pelas milícias do ISIS”. — Mirza Ismail, presidente da Organização Internacional de Direitos Humanos Yazidi.
  • “Um escritório foi fundado por membros do ISIS em Antep (Turquia) e nele mulheres e crianças sequestradas pelo ISIS estão sendo vendidas por elevadas quantias de dinheiro. Onde estão os ministros e os agentes da lei deste país que tanto falam de estabilidade”? — Reyhan Yalcindag, conceituada advogada curda, defensora dos direitos humanos.
  • “Cinco mil pessoas se encontram em cativeiros. Mulheres e crianças são estupradas e depois vendidas. Essas coisas têm que ser consideradas crimes”. — Leyla Ferman, Co-Presidente da Federação Yazidi da Europa.
  • “A Turquia é signatária de diversos tratados internacionais, e ainda assim é o país número 1 quando se trata de descumprimento profissional no que tange a tratados que versam sobre direitos humanos”. — Reyhan Yalcindag.

Neste mês a rede de TV alemã ARD (Consórcio das Emissoras Públicas de Rádio e TVs da Alemanha), produziu um documentário sobre o tráfico de escravos administrado pelo Estado Islâmico (ISIS) por meio de um escritório de intermediação localizado na província de Gaziantep (também conhecida como Antep) na Turquia, perto da fronteira com a Síria.

Em agosto de 2014 jihadistas do Estado Islâmico atacaram Sinjar, onde vivem mais de 400.000 yazidis. As Nações Unidas confirmaram que 5.000 homens foram executados e nada menos que 7.000 mulheres e meninas transformadas em escravas sexuais.

Ao passo que alguns conseguiram fugir ou foram libertados através de pagamento de resgate, milhares de yazidis continuam desaparecidos.

Uma reportagem transmitida pela emissora alemã ARD mostra fotografias de escravos yazidis distribuídas pelo ISIS (esquerda), bem como filmagens através de uma câmera escondida onde se pode ver agentes do ISIS na Turquia recebendo pagamento pela venda de escravos (direita).

No mês passado, depois que forças curdas recapturaram a região das mãos dos jihadistas do ISIS, valas comuns que, segundo consta, continham restos mortais de mulheres yazidis, foram descobertas no setor oriental de Sinjar.

Os canais de TV da NDR e SWR da Alemanha declaram em seus Websites:

“O EI (Estado Islâmico) oferece mulheres e seus filhos menores de idade em um tipo de mercado de escravos virtual com fotos ilustrativas. … A transferência do dinheiro, segundo o repórter descobriu, acontece por meio de um escritório de intermediação na Turquia. …

“Durante semanas a NDR e a SWR acompanharam um negociador yazidi, que em nome das famílias ficou encarregado das negociações com o EI para a soltura dos escravos e seus filhos. … As mulheres são vendidas no mercado digital de escravos para quem oferecer o lance mais alto. O preço habitual varia entre 15.000 e 20.000 dólares americanos. Quantias no mesmo valor também são exigidas como pagamento de resgate para libertar yazidis. O dinheiro é então transferido via escritórios de intermediação e intermediários para o grupo terrorista.

“Tanto a NDR quanto a SWR acompanharam as negociações e estavam presentes quando da libertação de uma mulher e seus três filhos pequenos, com idades entre dois e quatro anos. Não se sabe quantos escravos yazidis ainda são de propriedade do Estado Islâmico. Especialistas estimam que ainda podem estar na casa das centenas”.

O negociador disse à NDR e à SWR que no espaço de um ano ele transferiu mais de US$2,5 milhões para o ISIS, oriundos dos pagamentos efetuados pelas famílias de 250 mulheres yazidis e seus filhos para que pudessem ser libertados.

Ele também disse que para anunciar a venda de escravos, o ISIS coloca números nas mulheres escravas e seus filhos também escravos, publica suas fotos no aplicativo para smartphones WhatsApp Messenger.[1]

Em resposta a esses relatos, a Ordem dos Advogados de Gaziantep protocolou uma queixa-crime contra a “Organização de Inteligência Nacional da Turquia (MIT) e também contra os agentes da lei, por negligência no cumprimento do dever e desvio de conduta, por não tomarem as medidas necessárias e por não desempenharem as atividades obrigatórias no que tange à inteligência e prevenção, antes que a mídia cobrisse os incidentes citados”.

A Ordem dos Advogados também exigiu que os procuradores começassem a processar e punir os criminosos envolvidos em crimes de “tráfico de pessoas, prostituição, genocídio, privação da liberdade, crimes contra a humanidade e contrabando de migrantes”, de acordo com o código penal turco.

“A trágica realidade”, segundo o advogado Bektas Sarkli, presidente da Ordem dos Advogados de Gaziantep, “é que Gaziantep é uma cidade superpovoada, os homens bomba atravessam facilmente a fronteira em direção à Síria e ao Iraque. Lamentavelmente Gaziantep exporta terrorismo”.

Sarkli acrescenta: “quando se toma consciência da munição capturada e principalmente quando se leva em conta o dinheiro aqui transferido, fica claro que o ISIS encontra refúgio nesta cidade sem maiores problemas. Gaziantep é o centro logístico do ISIS”.

Mahmut Togrul, Membro do Parlamento do Partido da Democracia Popular pró-curdo (HDP), em uma moção apresentada a Efkan Ala, Ministro do Interior da Turquia, indagou sobre o suposto escritório onde membros do ISIS estariam envolvidos em escravismo e comércio sexual. Entre as perguntas estavam as seguintes: “quantos escritórios de intermediação filiados à organização terrorista do ISIS estão localizados em Gaziantep? Caso esses escritórios de intermediação realmente existam, eles estão legalizados? Esses escritórios operam sob qual denominação? Eles estão filiados a alguma instituição”?

O Ministro do Interior Ala ainda não respondeu a nenhuma dessas perguntas.

“De acordo com a imprensa local de Gaziantep, bem como segundo a imprensa nacional” Togrul disse o seguinte: “Gaziantep se transformou em cidade de células adormecidas do grupo terrorista ISIS, onde há membros do ISIS em abundância e onde esses membros se movimentam livremente”. [2]

A “Plataforma da Luta Pelas Mulheres em Cativeiro”, o Congresso por uma Sociedade Democrática (DTK) e o Congresso Curdo das Mulheres Livres (KJA) em Diyarbakir também protocolaram uma queixa-crime, requerendo que os procuradores investiguem as alegações e façam com que os criminosos prestem contas à justiça.

Reyhan Yalcindag, uma conceituada advogada curda defensora dos direitos humanosassinala: “um escritório foi fundado por membros do ISIS em Antep e lá mulheres e crianças sequestradas pelo ISIS estão sendo vendidas por elevadas quantias de dinheiro. Onde estão os ministros e os agentes da lei deste país que tanto falam de estabilidade”?

“A Turquia” segundo ela “é signatária de diversos tratados internacionais, e ainda assim é o país número 1 quando se trata de descumprimento profissional no que tange a tratados que versam sobre direitos humanos”.

A Co-Presidente da Federação Yazidi da Europa Leyla Ferman, fala sobre o número de genocídios dos quais os yazidis dizem terem sido submetidos através da história. “73 yazidis foram condenados a morte”, segundo ela “o povo está sendo massacrado pelo Estado Islâmico. Milhares de mulheres Yazidis estão desaparecidas. Cinco mil pessoas se encontram em cativeiros. Mulheres e crianças são estupradas e depois vendidas. Hoje, devido à guerra, mulheres estão dispersas por todos os lados. Essas coisas têm que ser consideradas crimes”.

Esta não é a primeira vez que a presença do ISIS em Antep aparece no noticiário.

Em novembro de 2015, após os ataques terroristas em Paris, apareceu um grupo balançando as bandeiras pretas do ISIS, tocando as buzinas de seus carros, comemorando nas ruas de Antep. A filmagem foi amplamente compartilhada nas redes sociais. Um usuário de uma das redes sociais escreveu: “essa é a Turquia que supostamente está combatendo o ISIS. Este é o comboio do ISIS em Antep comemorando o massacre de Paris”.

Os yazidis, uma comunidade historicamente perseguida, é de etnia curda mas não muçulmana, a religião nativa do yazidismo está ligada às milenares religiões mesopotâmias. Os yazidis são nativos do norte da Mesopotâmia e da Anatólia, parte da terra natal dos yazidis está localizada no que é hoje a Turquia moderna, as outras partes se encontram na Síria e no Iraque.

Os yazidis ficaram expostos a campanhas de islamização forçada e assinalação, de acordo com o sociólogo turco Ismail Besikci, um conceituado especialista sobre o Curdistão:

“Em meio às deportações dos gregos pônticos durante os anos de 1912 e 1913 e o genocídio armênio de 1915, os yazidis também foram expulsos de suas terras. Do começo ao fim da história republicana da Turquia, foram utilizados todos os métodos disponíveis para islamizar os yazidis. Antes de 1915, por exemplo, Suruc era uma cidade inteiramente yazidi. Assim como o era a cidade de Viransehir. Hoje não há mais um único yazidi em Suruc. Além disso é possível ver os yazidis islamizados insultando seus patrícios que continuam sendo yazidis”.

Por serem curdos, o estado não reconhece seu caráter curdo, e por serem yazidis, o estado não reconhece sua religião. O parágrafo que trata da religião na carteira de identidade dos yazidis é deixado em branco ou então marcado com um x ou (um simples traço).

Segundo o assírio Erol Dora, Ministro do Parlamento do Partido da Democracia Popular (HDP) “levantamentos constatam que em 2007 havia apenas 377 yazidis na Turquia.

“Os yazidis, assim como com outras minorias na Turquia, também foram expostos a discriminação e discurso de incitamento ao ódio, e é por esta razão que eles tiveram que deixar suas terras. … Seus vilarejos e suas terras foram confiscados, suas zonas agrícolas foram desapropriadas, seus lugares sagrados foram atacados. Todas essas atitudes racistas continuam sendo praticadas, o idioma, a religião e a cultura dos yazidis correm perigo de serem extintos”.

Os yazidis afirmam que já ficaram expostos a 72 tentativas de extermínio ou de genocídio. Hoje eles são vítimas de mais uma tentativa de genocídio no Iraque, desta vez nas mãos dos jihadistas do ISIS.

“Segundo relatos de muitas mulheres e meninas que conseguiram fugir, com as quais eu conversei no Norte do Iraque, o número de yazidis sequestrados, em sua maioria mulheres e crianças, ultrapassou a casa dos 7.000”, isso de acordo com Mirza Ismail, fundador e presidente da Organização Internacional de Direitos Humanos Yazidi, em seu discurso perante o Congresso dos EUA.

“Algumas dessas mulheres e crianças foram obrigadas a assistirem, bem diante de seus olhos, enquanto crianças de 7, 8 e 9 anos de idade derramavam sangue até a morte, depois de serem estupradas inúmeras vezes por dia pelas milícias do ISIS.

“Eu conversei com mães cujos filhos foram arrancados de seus braços pelos integrantes do ISIS. Essas mesmas mães foram suplicar pelo retorno de seus filhos, e para aumentar ainda mais a afronta, foram informadas que elas (as mães), foram alimentadas pelo ISIS com a carne de seus próprios filhos. Crianças assassinadas e depois servirem como alimento para suas próprias mães.

“As milícias do ISIS queimaram muitas meninas yazidis, vivas, por elas se recusarem a se converterem e casarem com homens do ISIS. Meninos yazidis, ainda pequenos, estão sendo treinados para serem jihadistas e homens bomba. Todos os nossos quatro templos que se encontram em áreas controladas pelo ISIS foram detonados e destruídos. Por que? Porque nós não somos muçulmanos e porque nosso caminho é o caminho da paz. E por esta razão estamos sendo queimados vivos: por vivermos como homens e mulheres da paz”.

Os yazidis, um dos povos mais pacíficos do planeta, estão se debatendo para sobreviverem a mais um genocídio muçulmano, diante dos olhos do mundo inteiro.

Enquanto o mundo se mantém em silêncio, um membro da OTAN, a Turquia tem sido abertamente cúmplice de tudo isso, facilitador do terrorismo jihadista. Denúncias e testemunhos atestam que a Turquia contribuiu para a ascensão do Estado Islâmico ao permitir a travessia de combatentes e armas pela fronteira. Alguns dos combatentes se juntam ao grupo terrorista jihadista. Os relatos mais recentes revelam que dentro da Turquia, um país que acredita ser merecedor de se tornar membro da União Européia, mulheres e crianças yazidis são escravizadas e forçadas a serem escravas sexuais. Enquanto isso o governo turco não se preocupa nem sequer em emitir um simples comunicado sobre esses relatos.

É isso que acontece quando um regime nunca tem que responder pelos seus atos.

Uzay Bulut, nascida e criada como muçulmana, é uma jornalista turca estabelecida em Ancara.


[1] Por meio de registros de chats, documentos, fotografias e declarações de testemunhas, a filmagem da ARD mostra Abu Mital, um homem yazidi que trabalha como intermediário para o ISIS comprando uma mulher yazidi, seus três filhos com idades entre dois e quatro anos e um menino de 11 anos do ISIS e devolvendo-os às suas famílias.

Mital entrou em contato e negociou com membros do ISIS na Internet e acertou o preço para a compra da mulher e das crianças. Em seguida ele se dirigiu para a província de Gaziantep no sudeste da Turquia. Durante sua visita ao escritório em Gaziantep ele foi filmado com uma câmera escondida. No escritório havia uma série de máquinas de contagem de dinheiro. O escritório empregava somente sírios.

O ISIS exigiu US$20.000 pela mulher e US$15.000 pelo menino de 11 anos. A filmagem mostra Mital entregando o dinheiro aos sírios dentro do escritório, que então contaram o dinheiro usando as máquinas de contagem de dinheiro.

Após entregar o dinheiro, ele foi a um hotel na Síria onde aguardou receber uma mensagem pelo WhatsApp. Em seguida ele foi informado que seria contatado para a entrega da mulher e das três crianças. Quando os membros da família yazidi se encontraram com seus parentes na Síria, eles caíram em prantos. (Fonte: “canal de TV alemão filma o Tráfico de escravos do EIIL na Turquia“, 3 de dezembro de 2015, Today’s Zaman.)

[2] Outras perguntas que fazem parte da moção de Togrul:

“Considerando que o montante que o ISIS aufere com o tráfico de escravos de mulheres e de crianças esteja correto, quem é o intermediário que transfere o dinheiro? Que meios ele utiliza para transferir o dinheiro para o ISIS?

“O governador tem conhecimento do escritório de venda de escravos do ISIS em Gaziantep? Caso tenha, ele emitiu algum comunicado ou fez alguma apuração?

“Quantas mulheres e meninas yazidis que o ISIS sequestrou na região curda do sul do Iraque ingressaram na Turquia e em Gaziantep?

“O senhor dispõe de informações sobre o número de mulheres yazidis e de outras mulheres refugiadas que se encontram em Gaziantep e em que local elas estão abrigadas?

“Quantas células do ISIS foram atacadas até agora? Quantas pessoas foram detidas nessas células? O senhor teve acesso ou tomou conhecimento se os membros dessa organização terrorista se envolveram no tráfico de escravos de mulheres e crianças yazidis?

“Quantas células filiadas ao ISIS há em Gaziantep? As unidades da inteligência turca têm dados sobre essa matéria? Caso tenham, por que elas não intervêm na organização terrorista ISIS que faz tráfico de escravos? O fato delas não intervirem não significa que elas são cúmplices?

“A organização terrorista ISIS usa Gaziantep como base. Que tipo de precaução seu ministério planeja tomar contra isso”?

por Uzay Bulut

http://pt.gatestoneinstitute.org/7126/isis-turquia-escravos

Abrigos da Sharia para Refugiados na Alemanha

  • Nos abrigos, cristãos, curdos e yazidis estão sendo atacados por muçulmanos com frequência e crueldade cada vez maior.
  • “Eu fugi do serviço secreto iraniano porque acreditava que na Alemanha eu poderia, finalmente, praticar minha religião sem ser perseguido. Entretanto, no abrigo para refugiados, eu não posso dizer que sou cristão por medo de sofrer ameaças… Eles me tratam como um animal. Eles ameaçam me matar”. — Cristão iraniano em um abrigo para refugiados na Alemanha.
  • “Temos que acabar com a ilusão de que todos que estão chegando são ativistas de direitos humanos. … Estamos recebendo relatos de ameaças de agressão, inclusive de decapitação, de sunitas contra xiitas, contudo o maior impacto é sobre yazidis e cristãos. Os cristãos convertidos que não esconderem sua fé têm 100% de chance de serem atacados e agredidos”. — Max Klingberg, diretor da Sociedade Internacional de Direitos Humanos de Frankfurt.
  • “Estamos observando que salafistas estão aparecendo nos abrigos, disfarçados de voluntários e ajudantes, deliberadamente procurando fazer contato com refugiados com o objetivo de convidá-los a visitarem suas mesquitas com o intuito de recrutá-los para a causa deles”. — Hans-Georg Maaßen, chefe da inteligência alemã.
  • A polícia está pleiteando, em caráter de urgência, que migrantes de diferentes religiões sejam abrigados em alojamentos separados. Alguns políticos argumentam que esse tipo de segregação vai contra os valores multiculturais da Alemanha.
  • “Não é possível integrar o grosso dos migrantes que está chegando aqui”. — Heinz Buschkowsky, ex-prefeito do distrito de Neukölln de Berlim.

Segundo a polícia, candidatos muçulmanos a asilo estão aplicando a lei da Sharia islâmica em abrigos para refugiados na Alemanha, alertando que os ataques contra cristãos, curdos e yazidis nos abrigos, perpetrados por muçulmanos estão se multiplicando, com maior frequência e crueldade.

Migrantes muçulmanos de diferentes seitas, clãs, etnias e nacionalidades também estão atacando uns aos outros. Confrontos violentos, não raramente envolvendo centenas de migrantes, já se tornaram ocorrências diárias.

A polícia afirma que os abrigos, onde milhares de migrantes são alojados em espaços superlotados por meses a fio, são caldeirões em ebulição prontos para explodir. A polícia está pleiteando, em caráter de urgência, que migrantes de diferentes religiões sejam abrigados em alojamentos separados.

Alguns políticos argumentam que esse tipo de segregação vai contra os valores multiculturais da Alemanha, enquanto outros dizem que separar centenas de milhares de migrantes por religião e nacionalidade é uma impossibilidade logística.

À medida que estão aparecendo as consequências da migração desenfreada, a maré da opinião pública está se voltando contra a política de portas abertas do governo. Observadores dizem que a Chanceler Alemã Angela Merkel, a assim chamada mulher mais poderosa do mundo, pode ter encontrado sua Waterloo.

Uma reportagem publicada em 27 de setembro pelo jornal Die Welt lança alguma luz sobre a verdade dos muçulmanos visarem cristãos nos abrigos para refugiados na Alemanha. O jornal entrevistou um iraniano convertido ao cristianismo que disse o seguinte:

“no Irã a Guarda Revolucionária prendeu meu irmão em uma igreja dentro de uma residência particular. Eu fugi do serviço secreto iraniano porque acreditava que na Alemanha eu poderia, finalmente, praticar minha religião sem ser perseguido. Entretanto, no abrigo para refugiados, eu não posso dizer que sou cristão por medo de sofrer ameaças.

“Muçulmanos me acordaram antes do amanhecer durante o Ramadã dizendo que eu devia me alimentar antes do nascer do sol. Quando eu recusei, eles me chamaram de kuffar, ou seja: infiel. Cuspiram em mim. Eles me trataram como um animal. Ameaçaram me matar”.

Em um abrigo para refugiados em Hemer, uma cidade em Reno, Norte da Westphalia, 10 argelinos requerentes de asilo, atacaram um casal de cristãos da Eritréia com garrafas de vidro. Os muçulmanos disseram que estavam furiosos porque o homem estava usando uma cruz. Eles arrancaram a cruz do pescoço dele e roubaram seu dinheiro e celular.

Die Welt também entrevistou uma família cristã iraquiana de Mossul que estava vivendo em um abrigo para refugiados na cidade bávara de Freising. O pai disse que ameaças de islamistas já viraram rotina diária. “Eles gritam com a minha esposa e batem no meu filho”, disse ele. “Eles dizem: nós vamos matá-lo e beber seu sangue“. A vida no abrigo, segundo ele, é como se fosse uma prisão.

De acordo com o diretor do Comitê Central dos Cristãos Orientais com sede em Munique, Simon Jacob, esses incidentes são apenas “a ponta do iceberg”. “O número verdadeiro de ataques é elevadíssimo”, segundo ele. “Sabemos que haverá mais conflitos, conflitos estes que os migrantes trazem de sua terra natal para a Alemanha. Entre cristãos e muçulmanos. Entre xiitas e sunitas. Entre curdos e extremistas. Entre yazidis e extremistas”.

Max Klingberg, da Sociedade Internacional de Direitos Humanos de Frankfurt (Internationale Gesellschaft für Menschenrechte, IGFM), salienta que muitas das agressões são perpetradas por afegãos e paquistaneses, que são “ainda mais islâmicos do que os sírios e iraquianos”. Elealerta que os conflitos nos abrigos para refugiados só tendem a piorar:

“temos que acabar com a ilusão de que todos que estão chegando são ativistas de direitos humanos. Entre aqueles que estão chegando agora, um número considerável é, no mínimo, tão religioso quanto a Irmandade Muçulmana.

“Estamos recebendo relatos de ameaças de agressão, inclusive de decapitação, de sunitas contra xiitas, contudo o maior impacto é sobre yazidis e cristãos. Os cristãos convertidos que não esconderem sua fé têm 100% de chance de serem atacados e agredidos”.

Em uma entrevista concedida em 29 de setembro ao jornal Passauer Neue Presse, o chefe do Sindicato da Polícia Alemã (Deutschen Polizeigewerkschaft, DPolG), Rainer Wendt, alertou que “organizações criminosas violentas” se apoderaram dos abrigos para refugiados e que a polícia está sobrecarregada e incapaz de garantir segurança e proteção. Ele solicitou que cristãos e muçulmanos fiquem separados antes que alguém seja assassinado:

“nós estamos testemunhando essa violência por semanas e meses. Grupos com base em estrutura étnica, religiosa e em clãs atacam uns aos outros com facas e armas caseiras. Quando esses grupos lutam entre si à noite, todos aqueles cidadãos alemães que deram boas-vindas aos migrantes e os receberam de braços abertos na estação de trens de Munique estão em sono profundo, mas a polícia permanece acordada no meio da…

“Podemos apenas estimar a verdadeira extensão da violência porque mulheres e crianças, amiúde, têm medo e prestar queixa. Uma vez que também tem a ver com abuso sexual e estupro…

“Sunitas enfrentam xiitas, há salafistas enfrentando uns aos outros. Eles estão tentando impor suas regras nos abrigos. Os cristãos estão sendo oprimidos em larga escala e a Sharia está sendo imposta. As mulheres são forçadas a se cobrirem. Os homens a rezarem. Os islamistas querem introduzir seus valores e estruturas nos abrigos.

Wendt concedeu a entrevista dias depois que 300 migrantes albaneses entraram em confrontocom 70 migrantes paquistaneses em um abrigo para refugiados em Calden, em 27 de setembro em uma cidade no estado de Hesse. Mais de uma dezena de pessoas, incluindo três policiais, ficaram feridos na confusão, que irrompeu depois que dois migrantes começaram a brigar enquanto aguardavam na fila da cantina. Foi necessária a presença de 50 policiais e várias horas para restabelecer a ordem no abrigo, que aloja 1.500 migrantes de 20 diferentes países.

Mais de 60 migrantes, inclusive dez crianças, ficaram feridas em 13 de setembro depois que paquistaneses e sírios se enfrentaram no mesmo abrigo. A briga começou logo após a meia noite, quando alguém vaporizou noz-moscada em pó em uma tenda lotada de migrantes que estavam dormindo. A polícia não comunicou ao público sobre o confronto, provavelmente para evitar alimentar sentimentos anti-imigratórios.

Confrontos violentos estão se tornando lugar comum em abrigos para refugiados espalhados pela Alemanha.

Em 30 de setembro, migrantes promoveram um tumulto em um centro para refugiados emBraunschweig, uma cidade na Baixa Saxônia. Em 29 de setembro, migrantes sírios entraram em confronto em um abrigo para refugiados em Gerolzhofen, uma pequena cidade na Baviera. Também em 29 de setembro, migrantes da Argélia e do Mali entraram em confrontoem um centro para refugiados em Engelskirchen, uma cidade em Reno, Norte da Westphalia.

Em 28 de setembro, mais de 150 sírios e paquistaneses se enfrentaram em um abrigo para refugiados na Nöthnitzer Straße em Dresden. Os migrantes entraram em confronto uns com os outros com tacos de madeira e barras de metal. Foram necessários dezenas de policiais para que a ordem fosse restabelecida. Em 10 de agosto mais de 30 sírios e paquistaneses entraram em confronto no mesmo abrigo.

Também em 28 de setembro, entre 100 e 150 migrantes de diferentes nacionalidades entraram em confronto em um abrigo para refugiados em Donaueschingen, uma cidade na Floresta Negra. A confusão começou por causa de uma discussão sobre quem deveria usar primeiro os chuveiros. Em 22 de setembro, mais de 400 migrantes marcharam pela cidade para protestar sobre as condições daquela unidade. Em 15 de setembro, um migrante do sexo masculino foiatacado por outro migrante por ele ter usado o banheiro feminino do abrigo.

Em 24 de setembro, cerca de 100 sírios e afegãos entraram em confronto em um abrigo para refugiados em Leipzig, a maior cidade da Saxônia. A briga começou depois que um afegão de 17 anos de idade avançou com uma faca contra uma menina síria de 11 anos no abrigo, que aloja 1.800 migrantes. Em 23 de setembro, migrantes entraram em confronto em um abrigo para refugiados de menores desacompanhados em Nuremberg.

Em 3 de setembro, migrantes sírios atacaram os seguranças de um abrigo para refugiados no bairro de Moabit em Berlim. Também em 3 de setembro, migrantes iraquianos atacaram os seguranças em um abrigo para refugiados em Heidelberg. Um total de 21 carros de polícia foram despachados para restabelecer a ordem. Em 2 de setembro, migrantes argelinos e tunisianos entraram em confronto no mesmo abrigo. Foi necessário mais de uma dezena de policiais para que a ordem fosse restabelecida.

Em 3 de setembro, migrantes entraram em confronto em um abrigo para refugiados emHövelhof, uma cidade em Reno, Norte da Westphalia. Em 2 de setembro, migrantes entraram em confronto em uma unidade para refugiados em Wolgast, uma cidade em Mecklenburg-Vorpommern. Também em 2 de setembro, migrantes entraram em confronto em um centro para refugiados em Gütersloh, uma cidade em Reno, Norte da Westphalia.

Em 1 de setembro, migrantes entraram em confronto em um abrigo para refugiados emDelitzsch, uma cidade na Saxônia. Um migrante tunisiano de 27 anos de idade foi morto a facadas por outro migrante também de 27 anos do Marrocos. Também em 1º de setembro, um migrante somali de 15 anos de idade esfaqueou um migrante egípcio de 15 anos com uma tesoura em um centro para refugiados no bairro de Groß Borstel de Hamburgo.

Em 1º de setembro, migrantes somalis e sírios albaneses entraram em confronto em um centro para refugiados em Tegernsee, uma pequena cidade na Baviera. Também em 1º de setembro, migrantes entraram em confronto em um abrigo para refugiados em Heidelberg.

Em 31 de agosto, migrantes líbios e tunisianos entraram em confronto em um abrigo para refugiados em Hoyerswerda, uma cidade na Saxônia. Também em 31 de agosto, migrantes entraram em confronto uns com os outros e com os seguranças do abrigo para refugiados emHeidelberg. Em 30 de agosto, um migrante sudanês de 25 anos de idade foi preso por criar uma confusão em um abrigo para refugiados em Jesteburg, uma pequena cidade na Baixa Saxônia.

Em 29 de agosto, um migrante argelino de 17 anos de idade foi preso por roubar celulares de outros migrantes em um centro para refugiados em Elzach, uma cidade em Baden-Württemberg. Em 25 de agosto, 60 migrantes criaram um alvoroço em um abrigo para refugiados em Karlsruhe.

Em 24 de agosto, um migrante de Montenegro foi esfaqueado por um migrante da Argélia em um abrigo para refugiados em Seevetal, uma cidade da Baixa Saxônia.

Em 22 de agosto, migrantes afegãos entraram em confronto em um abrigo para refugiados emRotenburg, uma cidade em Hesse. Também em 22 de agosto, pelo menos 20 migrantes criaram um alvoroço em um centro para refugiados em Grafing, uma cidade perto de Munique.

Em 21 de agosto, migrantes entraram em confronto em uma dependência para refugiados emSchwetzingen, também em Baden-Württemberg. Também em 21 de agosto, migrantes entraram em confronto em um centro para refugiados no bairro de Marienthal de Hamburgo.

Em 16 de agosto, 50 migrantes se atacaram com galhos de árvores, guarda-chuvas e latas de lixo em um centro para refugiados em Friedland, uma cidade na Baixa Saxônia. A dependência com capacidade para 700 pessoas, abriga 2.400 migrantes.

Em 19 de agosto pelo menos 20 migrantes sírios alojados em um abrigo de refugiados, superlolado, na cidade oriental alemã de Suhl tentaram linchar um migrante afegão depois que ele rasgou algumas páginas do Alcorão e as jogou em um vaso sanitário. Quando mais de 100 policiais intervieram, foram atacados com pedras e blocos de concreto. Dezessete pessoas ficaram feridas na confusão, incluindo 11 refugiados e 6 policiais. O afegão agora se encontra sob proteção policial. O presidente do estado alemão de Thuringia, Bodo Ramelow, disse que muçulmanos de nacionalidades diferentes deveriam ser abrigados separadamente para evitar tumultos dessa natureza no futuro.

Em 10 de agosto, 40 migrantes entraram em confronto em um abrigo para refugiados em Bremer Straße em Dresden.

Em 1º de agosto, 50 sírios e afegãos entraram em confronto no mesmo abrigo. Foram necessários mais de 80 policiais para que a ordem fosse restabelecida.

De acordo com Jörg Radek, vice-presidente do sindicato de polícia da Alemanha, (Gewerkschaft der Polizei, GdP), a polícia atingiu o “ponto de ruptura total” salientando que migrantes cristãos e muçulmanos deveriam ser abrigados separadamente. Em uma entrevistaconcedida em 28 de setembro ao jornal Die Welt, Radek afirmou:

“nossos policiais estão sendo chamados cada vez mais para atender confrontos em abrigos para refugiados. Quando 4.000 pessoas estão em um abrigo com capacidade para somente 750, qualquer coisa, por mais insignificante que seja como uma ida ao banheiro, pode gerar confusão.

“É necessário fazer de tudo para evitar mais violência. Acho perfeitamente razoável separar migrantes de acordo com a religião”.

Nem todos concordam. Em uma entrevista concedida à rede de televisão N24, o ex-prefeito do distrito de Neukölln em Berlim, Heinz Buschkowsky, alertou que se os migrantes forem separados de acordo com a religião e nacionalidade, a Alemanha corre o risco de estabelecer sociedades paralelas em todo o país.

Buschkowsky disse que a primeira coisa que os migrantes precisam aprender quando chegarem aos países ocidentais é tolerância e, se eles se recusarem a aceitar pessoas de outras religiões seus pedidos de asilo deveriam ser rejeitados. Ele expressou pessimismo quanto à possibilidade de integrar a atual onda de migrantes na sociedade alemã: “Não é possível integrar o grosso dos migrantes que está chegando aqui”.

Enquanto isso, o chefe da inteligência alemã Hans-Georg Maaßen, foi alertado que muçulmanos radicais na Alemanha estão examinando os abrigos para refugiados a procura de novos recrutas. Ele disse o seguinte:

“muitos dos candidatos a asilo têm um background religioso sunita. Na Alemanha há um ambiente salafista que vê isso como solo fértil. Estamos observando que salafistas estão aparecendo nos abrigos, disfarçados de voluntários e ajudantes, deliberadamente procurando fazer contato com refugiados com o objetivo de convidá-los a visitarem suas mesquitas com o intuito de recrutá-los para a causa deles”.

O editor do jornal Neue Westfälische Ansgar Mönter, denuncia que salafistas em Bielefeld, uma cidade em Reno, Norte da Westphalia, já conseguiram se infiltrar em centros para refugiados naquela região, trazem brinquedos, frutas e legumes para os migrantes.

Mönter afirma que políticos “ingênuos” estão contribuindo para a radicalização de refugiados, ao solicitarem a grupos representativos dos muçulmanos que estendam a mão aos migrantes.

Mönter destaca que os principais grupos muçulmanos na Alemanha abraçam as interpretações fundamentalistas do Islã e têm uma orientação antiocidental. Alguns grupos têm ligação com a Irmandade Muçulmana ao passo que outros querem implementar a lei da Sharia na Alemanha. Segundo Mönter, os políticos não deviam incentivar esses grupos a estabelecerem contato com os novos migrantes.

Soeren Kern é colaborador sênior do Gatestone Institute sediado em Nova Iorque. Ele também é colaborador sênior do European Politics do Grupo de Estudios Estratégicos / Strategic Studies Group sediado em Madri. Siga-o no Facebook e no Twitter. Seu primeiro livro, Global Fire, estará nas livrarias no início de 2016.

http://pt.gatestoneinstitute.org/6688/abrigos-sharia-alemanha

Centenas de mulheres estão cometendo suicídio para escapar de escravidão sexual pelo ISIS

Uma mulher Yazidi que fugiu de um cativeiro nas mãos do grupo terrorista Estado Islâmico afirmou que centenas de outras estão tirando suas próprias vidas, em vez de ser submeterem a escravidão sexual pelos jihadistas.

“Nós só queremos que elas sejam resgatados”, disse Saeed Ameena Hasan em um CNN  relatório. “Centenas de meninas têm cometido suicídio.

“Eu tenho algumas fotos das garotas que cometeram suicídio … quando perdem a esperança de emergência e quando o ISIS muitas vezes decide vendê-las e estuprá-las … Eu acho que há talvez 100. Perdemos contato com a maioria delas,” acrescentou.

Enquanto Hasan e outras Yazidis conseguiram escapar do grupo terrorista, milhares de outras permanecem em cativeiro e em grande perigo. O Estado Islâmico vê os yazidis como adoradores do diabo e executa regularmente homens, enquanto forçam mulheres e crianças à escravidão sexual.

Hasan desde então se tornou uma ativista para sensibilização quanto a situação dos yazidis, e foi reconhecida com um prêmio do Departamento de Estado dos Estados Unidos por ajudar escravas do Estado Islâmico.

O Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, elogiou seus “esforços corajosos em nome da minoria religiosa Yazidi no norte do Iraque, por insistir que o mundo dê atenção aos horrores que eles enfrentam, e … firme o compromisso de ajudar as vítimas e salvar vidas . ”

Vários relatórios  têm-se centrado sobre as violações terríveis e abuso que mulheres yazidis sofreram nas mãos dos militantes islâmicos, que capturaram vasto território no Iraque e na Síria. Muitas mulheres foram forçadas a casar com jihadistas por do medo por suas vidas, ou para salvar a vida de seus entes queridos.

Uma investigação do The New York Times  em agosto descobriu que muitos lutadores do ISIS acreditam que estuprando crianças e jovens servem como uma “oração” a Deus. O relatório, baseado em entrevistas com 21 mulheres e meninas que escaparam do cativeiro no Iraque, revelou que os jihadistas procuram justificar suas ações com o Alcorão, o livro sagrado islâmico.

“Ele me disse que de acordo com o Islã ele está autorizado a estuprar um incrédulo. Ele disse que até me estuprar, ele está chegando mais perto de Deus”, disse uma menina de 12 anos.

“Toda vez que ele veio para me estuprar, ele rezava”, acrescentou uma outra menina de 15 anos de idade.

“Ele disse que me estuprar é sua oração a Deus. Eu disse a ele: ‘O que você está fazendo para mim é errado, e não vai lhe trazer mais perto de Deus.’ E ele disse: ‘Não, isso é permitido. É halal’. ”

Panfletos do ISIS de Dezembro de 2014 também procuraram aconselhar os seus combatentes acerca de quando é permitido estuprar crianças.

“É permitido ter relações sexuais com a escrava que não tenha atingido a puberdade, se ela está apta para a relação sexual”, dizia o panfleto.

Estupradas, agredidas e vendidas: meninas relatam abusos nas mãos do Estado Islâmico

Três jovens yazidis que escaparam de extremistas do Estado Islâmico relatam experiências para muçulmanos em escolas britânicas.

Três jovens mulheres da minoria religiosa yazidi que foram usadas como escravas sexuais pelo grupo militante auto denominado Estado Islâmico narraram as suas terríveis histórias em Londres.

As moças são frágeis, bonitas e continuam muito assustadas.

Elas temem mostrar os rostos, porque, segundo elas, têm amigos e família reféns dos fanáticos que poderiam sofrer represálias, caso suas identidades sejam reveladas.

É difícil imaginar o que poderia ser pior do que elas já sofreram.

“Éramos estupradas até cinco vezes por dia”, diz Bushra, de 20 anos. “Uma menina foi ao banheiro e cortou os pulsos, mas não morreu. Eles cortaram o pescoço dela. Os guardas me mandaram identificá-la: ‘É uma amiga sua’. Eu não consegui reconhecê-la. O rosto dela estava coberto de sangue. Os guardas a enrolaram em um lençol e jogaram o corpo no lixo.”

Para minorias religiosas, o avanço das tropas do EI sobre enormes regiões da Síria e do Iraque é uma ameaça constante. Qualquer um que contrarie de alguma maneira o projeto de califado dos extremistas está sujeito a duras penas.

Para o grupo, a única lei é a sharia (o código legal islâmico), e infiéis não têm vez. Como os yazidis não são nem cristãos nem muçulmanos, mas adoram um deus pagão, aos olhos dos fanáticos muçulmanos são adoradores do demônio, e o seu extermínio é justo.

Bushra conta como aconteceu a invasão do seu povoado, há exatamente um ano.

Invasão do vilarejo
“Certa noite, fomos atacados perto de dois vilarejos. A batalha durou até às 6h. Parentes no vilarejo mais próximo nos aconselharam a fugir, porque não havia soldados peshmerga, só yazidis. Mas no nosso povoado, os peshmerga disseram que não precisávamos nos preocupar e que nos protegeriam.”

Só que as forças peshmerga curdas não resistiram ao EI, e invadiram o nosso vilarejo.

 'Éramos estupradas até cinco vezes por dia', diz vítima  (Foto: BBC)‘Éramos estupradas até cinco vezes por dia’, diz vítima (Foto: BBC)

Noor, de 21 anos, continua a história.

“Eles separaram homens, mulheres e crianças. Os homens foram levados para ser fuzilados. Eu tinha sete irmãos, só um conseguiu escapar. Os outros seis estão desaparecidos. A minha mãe foi levada junto com umas 70 moradoras mais idosas. Vimos uma escavadeira chegar e ouvimos tiros.”

Só as jovens foram poupadas, e muitas prefeririam não ter sido.

Munira, de 16 anos, disse que as moças foram reunidas numa sala de aula e começaram o processo de seleção.

“Os comandantes do EI têm entre 50 e 70 anos. Eu tinha 15 quando fui escolhida por um deles. Ele disse que meninas são melhores que as mais velhas. Normalmente, escolhem as mais bonitas e jovens.”

Depois de algumas semanas, ele se cansou dela. “Abu Mohammed disse: ‘Tive essa menina quando ela era virgem. Agora me cansei dela. Quero outra’.”

“Fui vendida para Abu Abdullah, que também me estuprou. Ele se cansou de mim depois de uns poucos dias e me vendeu para Emad. Se eu não tivesse escapado, teria sido vendida de novo.”

As moças eram espancadas e estupradas diariamente. Mesmo traumatizadas e exaustas, não pensaram duas vezes quando surgiu a oportunidade de fugirem. Noor foi flagrada ao tentar pular pela janela. O seu “dono”, Salman, a puxou de volta e disse que seria punida.

“Castigo”
“Salman e seus ajudantes me bateram e me queimaram com pontas de cigarro. Salman mandou que eu tirasse a roupa e disse: ‘Eu te avisei para você não tentar fugir. Agora, você vai ver o seu castigo.”

“Ele deixou outros seis soldados entrarem e trancou a porta. Eles me estupraram brutalmente. Nem sei quantas vezes.”

As três moças acabaram escapando e foram morar em campos de refugiados no Iraque.

 Vítimas do autoproclamado Estado Islâmico contam histórias de abuso e sofrimento  (Foto: BBC)Vítimas do autoproclamado Estado Islâmico contam histórias de abuso e sofrimento (Foto: BBC)

De lá, foram trazidas para a Inglaterra pela organização humanitária AMAR, que trabalha na divulgação da história delas para combater as campanhas que já levaram várias jovens britânicas a deixar o país e se unir ao EI.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/estupradas-agredidas-e-vendidas-meninas-relatam-abusos-nas-maos-do-ei.html

Durante uma palestra na Bristol City Academy, Noor, Bushra e Munira ficaram sentadas ao lado de três adolescentes.

Pouco depois do ataque aos yazidis, a adolescente Yusra Hussein, de 15 anos, abandonou a escola em que terminava o ensino médio para entrar no Estado Islâmico.

Nasra Ahmed, de 18 anos, diz estar em contato com Yusra e outras jovens seduzidas pelo EI pelas redes sociais. “Elas têm uma bela casa, marido, dinheiro. Tudo o que uma menina de 15 anos pode querer.”

“É tudo mentira”, responde Noor, irritada. “Eles te prometem uma bela casa, empregados e um carro, mas é tudo mentira.”

‘Não vá!’
Outra jovem de Bristol, Ikram Hassan, de 14 anos, pergunta que conselho elas dariam a outras meninas que pensam em se juntar aos militantes islâmicos.

“O meu recado é: Não vá!” diz Munira. “Você vai ser estuprada, espancada e vendida para outros homens. Eles são criminosos.”

Em outra escola, desta vez em Birmingham, na região central da Inglaterra, professores e líderes comunitários tentam passar o mesmo recado através da campanha Open Your Eyes (Abra os Olhos, em tradução livre). Eles mostram vídeos de atrocidades do EI.

A maioria muçulmana da escola assiste ao filme respeitosamente, mas só parece realmente interessada quando as três jovens yazidis entram na sala para conversar.

Nasra conta a sua história de estupros e mortes ao grupo.

“Me sinto morrendo por dentro quando ouço falar em meninas querendo ir para lá. Eu não desejo a ninguém o que eu vi e experimentei por lá.”

Os alunos ficam visivelmente chocados. Um deles pede desculpas em nome da maioria dos muçulmanos, pacífica. O contato direto com moças da mesma idade causou um impacto.

Infelizmente, as três jovens yazidis têm que voltar para o Iraque no dia seguinte.