ONU, Bolsonaro e “cristofobia”: combatendo a “narrativa de ódio” contra os cristãos

Por Andréa Fernandes

A denúncia da “cristofobia” verbalizada pelo presidente Jair Bolsonaro no discurso de abertura da 75ª Assembleia da ONU abalou a imprensa brasileira. Blogueiros da extrema-imprensa repudiaram a fala do nosso governante e numa demonstração de aversão doentia à fé da maioria do povo brasileiro, hostilizaram a manifestação na qual Bolsonaro afirma que “o Brasil é um país cristão e conservador.

O ódio militante adotou o “avatar da psicopatia” em diversas críticas. Gustavo Chacra – o belicoso que em 2017, atacou covardemente o povo da Polônia com fake news chamando de “nazistas” dezenas de milhares de patriotas que comemoravam o Dia da Independência e ainda bloqueou a educada consulesa num gesto de “intolerância ontológica” – lembrou que o país é laico – o que não foi negado por Bolsonaro – e inflamou o discurso do “nós contra eles” excluindo da “brasilidade” por conta própria judeus, muçulmanos, seguidores de religiões de matriz africana e ateus, talvez, copiando a “versão muçulmana” que ele não denuncia de dhimitude (cidadãos de segunda classe em países muçulmanos). A militância finge não entender que seria impossível o presidente delimitar TODAS as incontáveis minorias presentes no país, caraterizando-o como verdadeiramente é: país de maioria cristã.

Militância ensandecida compara teocracia islâmica com país democrático

A desonestidade intelectual do blogueiro Chacra mostra-se escancarada quando afirma[1]:

“De uma certa forma, dizer “cristão e conservador” lembrou o discurso de radicais como o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que fazia questão de descrever o Irã como “islâmico”.

O blogueiro militante é tão malicioso que tenta comparar um país teocrático totalitário islâmico – que adota pena de morte e promove diariamente graves violações de direitos humanos em nome da FÉ –  com o “Brasil conservador”, onde a LEI de natureza secular deve ser respeitada por todas as vertentes cristãs. De maneira que, afirmar que o Brasil é “cristão conservador” passa longe de “discurso radical”. Outrossim, Ahmadinejad descrevia o Irã como um “país islâmico” porque aquele Estado é de maioria muçulmana e tem o Islã conduzindo a nação – mas ao contrário do Brasil – as minorias são segregadas e algumas nem mesmo são reconhecidas, como vemos a triste situação dos árabes ahvazis e da maior minoria religiosa não-muçulmana, os Baha’is.

No “Brasil conservador” há um sistema de proteção legal que abraça as minorias – às vezes, em detrimento da maioria – formulado com base nos pronunciamentos de seus representantes no Parlamento, apesar da tentativa insana de alguns grupos de extrema-esquerda tentarem usurpar “a voz” de outros grupos que não comungam de suas ideias abstraídas da ideologia que rege violentas ditaduras.

Desinformação, a marca da ideologia militante

O maior sinal de “estelionato intelectual” contra a opinião pública foi pulicado por expressivo número de blogueiros militantes ao reverberarem ataque orquestrado contra a seguinte fala de Bolsonaro:

“Faço um apelo a toda a comunidade internacional pela liberdade religiosa e pelo combate à cristofobia”.

Por mais que compreenda a “limitação ideológica” de grande parte da imprensa, nada justifica descontextualizar uma mensagem clara. Como poderia Bolsonaro apelar à comunidade internacional para prestar socorro à liberdade de religião e combater a cristofobia em território brasileiro? Bolsonaro jamais clamaria por uma “intervenção externa progressista” num tema de competência das instituições internas. Isso seria uma insanidade só concebida pelos “doentes de ódio”!

Cristofobia”, um termo utilizado usualmente em política externa

Se os críticos fossem realmente jornalistas comprometidos com os fatos e não com a “cartilha marxista”, teriam obrigação funcional de conhecer todo repertório discursivo do Brasil em relação à liberdade religiosa no tocante à sua política externa. O combate à cristofobia tem sido uma retórica – ainda que tênue – da nossa diplomacia nos foros internacionais. Nossas autoridades costumam usar tal termo no contexto de denúncia à perseguição religiosa contra cristãos no exterior, o que é reconhecido até pela rede BBC, apesar de utilizar título tendencioso em sua matéria, a saber, “Ninguém morre por ser cristão no Brasil: especialistas debatem ‘cristofobia’ citada por Bolsonaro na ONU”. O referido jornal alfineta Bolsonaro afirmando que sua fala “é  um aceno a sua base eleitoral”, mas também salienta[2]:

Dentro das esferas evangélicas, o termo cristofobia tem sido usado para se referir a perseguições sofridas por adeptos do cristianismo em diversos países, principalmente em locais onde eles são minoria. Há inúmeros relatos de prisões, violência e assassinatos de cristãos na Ásia, em países do Oriente Médio e da África”.

Logo, esvaziar um importante tema ignorado na ONU e em tantas “plataformas humanistas” é um ato de desumanidade sem precedente em virtude da realidade horrenda de serem os cristãos a minoria religiosa mais perseguida do mundo, como bem frisado no Twitter pelo assessor especial do presidente, Felipe G. Martins.

O estranho silêncio da ministra evangélica Damares Alves

Se há algo que a imprensa sabe fazer como ninguém é manipular dados para reforçar sua campanha de desinformação contra Bolsonaro. Assim, mal terminou o discurso do presidente, já estava o site Yahoo atribuindo enganosamente a Bolsonaro o discurso de perseguição aos cristãos no Brasil, utilizando dados apresentados em relatórios produzidos pela pasta da pastora evangélica Damares Alves, segundo o qual “os adeptos das religiões de matrizes africanas são as maiores vítimas da intolerância religiosa no Brasil”[3].

Contudo, apesar de saber que o termo “Cristofobia” figurou entre os mais comentados no Twitter conectando-o a ataques injustos ao seu superior, o presidente da república, Damares Alves ignorou a polêmica e deu preferência a reverberar um evento que deve participar sobre “futebol”, além do que fez propaganda para a oração privada de ministros pela saúde de Bolsonaro e afagou Eduardo Bolsonaro retuitando reunião promovendo interação Brasil-Israel.

Mostrar o real intento do presidente explicitando o “significado diplomático” de denunciar nas Nações Unidas a Cristofobia – negada pelo progressismo relativista – foi considerado desnecessário pela “ministra terrivelmente cristã”, que teme abordar assunto que pode manchar sua “reputação humanista” com a entidade globalista. Como é de sabença geral, Damares foi porta-voz da ONU em alguns municípios brasileiros pedindo encarecidamente o implemento da agenda globalista prevista no Pacto de Migração e consequente “interiorização de venezuelanos em solo brasileiro” em oposição à promessa de campanha de Bolsonaro em Roraima afirmando que exigiria a instalação de campos de refugiados de venezuelanos pela ONU a fim de não arruinar o pobre e sofrido estado de Roraima.

Além de convencer prefeitos a se submeterem aos ditames da ONU, Damares buscou “parcerias” com líderes religiosos para garantir a implementação de um projeto totalmente contrário à base do pensamento conservador[4]. Hoje, tais parcerias não garantirão o pagamento de “auxílio emergencial” para milhares de venezuelanos num país incapaz de socorrer seu próprio povo e que tem a triste estimativa de possivelmente alcançar mais de 20 milhões de desempregados após a pandemia de Covid-19[5].

Apoio de Damares às pautas globalistas da ONU

A priorização da agenda globalista importa em obliteração das pautas conservadoras, inclusive, o combate à Cristofobia. Por isso, Damares, em 2019, no seu discurso na ONU, se calou quanto à denúncia da Cristofobia e consequente genocídio de cristãos e focou na solidariedade – mais do que devida – ao povo venezuelano e enaltecimento da agenda LGBT, noticiando as políticas públicas no combate à discriminação e aos crimes contra a comunidade LGBT num país em que a violência vitima todos os segmentos da sociedade. Segmentação do crime em “cor” e “gênero” é estratégia ideológica que nunca integrou o repertório de Jair Bolsonaro, mas o flerte de Damares com a ONU está acima da lealdade ao programa de campanha que elegeu nosso presidente.

Defesa pobre dos cristãos resulta em interpretação manipulada

Grande foi o meu espanto ao assistir o discurso do presidente. Aturdida com a “economia de palavras” para denunciar a Cristofobia, resolvi ler a íntegra do discurso, o que comprovou a existência de apenas UM PARÁGRAFO sobre a cruel perseguição que atinge cristãos em todos os países muçulmanos e comunistas. Vale, por conseguinte, destacar o discurso de Bolsonaro em 2019:

A perseguição religiosa é um flagelo que devemos combater incansavelmente.

Nos últimos anos, testemunhamos, em diferentes regiões, ataques covardes que vitimaram fiéis congregados em igrejas, sinagogas e mesquitas.

O Brasil condena, energicamente, todos esses atos e está pronto a colaborar, com outros países, para a proteção daqueles que se veem oprimidos por causa de sua fé.

Preocupam o povo brasileiro, em particular, a crescente perseguição, a discriminação e a violência contra missionários e minorias religiosas, em diferentes regiões do mundo.

Por isso, apoiamos a criação do ‘Dia Internacional em Memória das Vítimas de Atos de Violência baseados em Religião ou Crença’.

Nessa data, recordaremos anualmente aqueles que sofrem as consequências nefastas da perseguição religiosa.

É inadmissível que, em pleno Século XXI, com tantos instrumentos, tratados e organismos com a finalidade de resguardar direitos de todo tipo e de toda sorte, ainda haja milhões de cristãos e pessoas de outras religiões que perdem sua vida ou sua liberdade em razão de sua fé.”

Se a equipe do presidente acrescentasse pelo menos 3 parágrafos no discurso lacônico sobre perseguição religiosa contra cristãos, a imprensa necessitaria de outra manifestação ignóbil de ataque contra o governo, pois o intento de publicizar o desespero das minorias cristãs por ditaduras sanguinárias seria perfeitamente factível sem permitir interpretação dúbia.

Por que o Brasil se cala quanto ao GENOCÍDIO DE CRISTÃOS?

Outrossim, lendo os dois discursos observo que foram em vão as minhas intervenções junto à ministra Damares solicitando o posicionamento firme do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos para articular com nossa diplomacia a DENÚNCIA e CONDENAÇÃO nos foros internacionais aos reiterados GENOCÍDIOS promovidos contra minorias cristãs no mundo muçulmano. Há anos venho batalhando por essa pauta, porém, continuo sendo obrigada a ler sobre a carnificina promovida contra cristãos por muçulmanos no norte da Nigéria e de Moçambique sob o silêncio das autoridades que deveriam representar os anseios humanitários do “Brasil conservador”.

Infelizmente, a chamada Secretaria Nacional de Proteção Global , que atua sob o comando do Ministério dos Direitos Humanos, não vê ainda a necessidade de ecoar a voz de indignação contra o covarde GENOCÍDIO de cristãos.

Em junho de 2019, durante uma reunião vinculada ao Mercosul, a ministra prometeu “ser uma voz em todos os organismos internacionais de direitos humanos pela proteção dos cristãos perseguidos no mundo”. Todavia, o único momento em que tivemos acesso à informação da defesa dos cristãos na ONU se seu em julho de 2020, num evento organizado pelo governo da Polônia, onde Sérgio Queiroz, ex-secretário da pasta de Nacional de Proteção Global, afirmou que os cristãos são o grupo mais perseguido do mundo. Estranhamente, não houve publicação com o discurso na íntegra e tomei conhecimento do pronunciamento do Brasil através da imprensa e do Instagram de Queiroz. Aliás, o portal do Ministério não faz qualquer menção da pauta de combate à cristofobia e não consegui identificar dados robustos sobre as supostas atuações da pasta nesse tema na seara internacional. Falta transparência…

Cristofobia no Brasil?

Em fevereiro, foi inaugurada oficialmente a Aliança Internacional pela Liberdade Religiosa, em Washington, nos Estados Unidos[6]. O Brasil atua como protagonista da iniciativa juntamente com a Polônia e Hungria sob coordenação do secretário e Estado norte-americano Mike Pompeo. Pouco se sabe sobre o movimento que tem por objetivo combater a perseguição dos cristãos no mundo, porém, cabe observar que temos em nosso país a mesma ameaça à liberdade religiosa que varre parte da Europa, onde cristãos estão sendo cerceados em sua fé por ferrenha militância islâmica que usa a legislação ocidental para criminalizar os críticos das violações de direitos humanos preconizada no Alcorão e hadiths.

O pastor João Martinez está sendo processado com base em alegações infundadas de entidade muçulmana que busca no Judiciário a condenação da liberdade de expressão do religioso num país laico de maioria cristã.

Permitir a perseguição de um pastor no Brasil é um péssimo sinal para o país que almeja combater cristofobia no mundo. Chegou a hora do ministério que tem por função institucional defender direitos humanos fazer valer o discurso que custou tão caro ao presidente não abandonando um cristão perseguido em solo nacional!

Andréa Fernandes – advogada, interacionalista, jornalista e presidente da ONG Ecoando a Voz dos Mártires (EVM).

Imagem: Correio Brasiliense


[1] https://blogs.oglobo.globo.com/guga-chacra/post/na-onu-bolsonaro-divide-ditaduras-entre-do-bem-e-do-mal.html

[2] https://www.bbc.com/portuguese/brasil-54254309

[3] https://br.noticias.yahoo.com/cristofobia-dados-do-ministerio-de-damares-contrariam-discurso-de-bolsonaro-na-onu-173800031.html

[4] https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2019/junho/ministerio-busca-parceria-com-lideres-religiosos-para-avancar-a-interiorizacao-de-imigrantes-venezuelanos

[5] https://atarde.uol.com.br/armandoavena/noticias/2127220-numero-de-desempregados-pode-ultrapassar-20-milhoes-apos-a-pandemia-premium#:~:text=Segundo%20o%20Instituto%20Brasileiro%20de,pesquisa%20divulgada%20foi%20em%20mar%C3%A7o.

[6] https://oglobo.globo.com/mundo/chanceler-de-bolsonaro-embarca-nesta-quarta-para-lancar-nos-eua-alianca-pela-liberdade-religiosa-24228981

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