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Nigéria: grupo muçulmano bloqueia esforços da ONU para ajudar dois milhões de pessoas à beira da fome

Jihad vem em primeiro lugar. Deus quer a área islamizada. As pessoas famintas não devem ser impedidas de se opor a isso.

“Boko Haram prende pessoas famintas na Nigéria, alerta a ONU” , AFP , 18 de maio de 2017 (graças à The Religion of Peace ):

Dois milhões de pessoas estão à beira da fome no nordeste da Nigéria, mas os esforços para alcançar alguns estão sendo frustrados pelos jihadistas de Boko Haram, disse a agência de alimentos da ONU nesta quinta-feira.

Mais de 20 milhões de pessoas na Nigéria, Sudão do Sul, Somália e Iêmen estão em áreas atingidas pela seca e estão passando fome ou estão em alto risco de fome na “maior crise que vimos nos últimos 50 anos”, disse Denise Brown , Coordenador de emergências do Programa Alimentar Mundial da ONU.

“Enquanto eles estão todos em dificuldade, o nordeste da Nigéria é um que tem sob a nossa pele no PMA”, acrescentou.

Cerca de 1,8 milhão de pessoas na área são classificadas como “à beira da fome”, disse ela, e o PAM está conseguindo fornecer apoio de algum tipo para 1,2 milhão deles – embora precise desesperadamente de mais fundos.

“Mas há várias centenas de milhares de pessoas que estão em três áreas na Nigéria, nas fronteiras com o Níger e o Chade, que não conseguimos chegar devido ao conflito ativo”, disse ela, colocando a cifra em cerca de 600 mil pessoas.

Boko Haram lançou uma revolta no nordeste da Nigéria em 2009 e começou a adentrar em áreas fronteiriças no vizinho Chade, Níger e Camarões. O conflito na área do lago Chad deixou 20.000 povos mortos desde então ….

https://www.jihadwatch.org/2017/05/nigeria-muslim-group-blocks-un-efforts-to-aid-two-million-people-on-brink-of-famine

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Mais 82 meninas de Chibok foram libertadas

Após intensas negociações, as garotas foram levadas à capital da Nigéria, onde iriam reencontrar suas famílias

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Neste fim de semana, o governo nigeriano anunciou que mais 82 das meninas, que viviam em cativeiro pelo grupo Boko Haram, foram libertadas após intensas negociações que envolveram militares, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e até mesmo o governo da Suíça e algumas ONGs internacionais, segundo a imprensa oficial do país.

O sequestro ocorreu em 14 de abril de 2014, quando uma escola pública secundária, em Chibok, no estado de Borno, foi invadida por extremistas islâmicos, ocasião em que mais de 200 garotas foram levadas por eles. As autoridades afirmaram que a libertação delas foi uma troca por militantes capturados pelo governo.

As meninas foram recebidas ontem (domingo) em Abuja, capital da Nigéria, onde foram recepcionadas pelo presidente Buhari e iriam reencontrar suas famílias. A lista completa com os nomes delas ainda não foi divulgada publicamente. Alguns pais que estavam ali não tinham certeza de que suas filhas estariam entre as que desembarcaram dos helicópteros que as trouxeram de Maiduguri, capital do estado de Borno.

“Estamos felizes pelas famílias e continuamos com o coração voltado para as demais 114 meninas que permanecem em cativeiro”, disse um dos representantes da Campanha “Bring Back Our Girls” (Tragam nossas meninas de volta), criada pelos nigerianos e que ganhou projeção mundial.

O trabalho da Portas Abertas nessa região continua, apesar das dificuldades e da violência do Boko Haram e de outros grupos extremistas envolvidos. Segundo os colaboradores, a visita aos cristãos que já foram atacados é uma tarefa cada vez mais perigosa. Além disso, há o desenvolvimento contínuo de diversos projetos de longo prazo, entre eles, o auxílio psicológico às meninas sequestradas e suas famílias.

A Nigéria, 12ª nação na atual Lista Mundial da Perseguição, está entre os países da África Subsaariana, que é tema do DIP 2017. Assista ao vídeo abaixo para saber como se envolver mais com os cristãos perseguidos que vivem por lá.

Imagem: Security

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2017/05/mais-82-meninas-de-chibok-foram-libertadas

Governo da Nigéria diz que conquistou principal refúgio do Boko Haram na floresta

O exército nigeriano conseguiu retirar militantes grupo extremista Boko Haram de seu último acampamento na floresta da Sambisa, informou o presidente do país, Muhammadu Buhari.

“Os terroristas não têm mais lugar para se esconderem”, afirmou Buhari, em um comunicado. O último acampamento do grupo teria sido desmontado na última sexta-feira.

O exército local investiu em uma grande ofensiva nas últimas semanas dentro da floresta, uma antiga reserva no nordeste do país.

Especula-se que algumas das meninas sequestradas de uma escola em 2014 ainda sejam mantidas como reféns na floresta, depois de delatos de um pequeno grupo de estudantes que conseguiu escapar.

O presidente Buhari afirmou em seu comunicado que os esforços para encontrar as meninas desaparecidas serão intensificados. Ele prosseguiu, parabenizando as forças armadas pela operação, classificando o aparente sucesso como “aguardado há muito tempo e muito gratificante”.

“Quero usar esta oportunidade para homenagear a determinação, coragem e resiliência das tropas da operação em finalmente entrar e esmagar os insurgentes do Boko Haram que resistiam”, afirmou.

Floresta ocupada pelo Boko Haram fica no estado de Borno, no nordeste nigeriano
Image captionFloresta ocupada pelo Boko Haram fica no estado de Borno, no nordeste nigeriano

O exército recapturou áreas importantes do território, anteriormente controladas pelo Boko Haram desde o início da ofensiva militar, em fevereiro.

Os militantes do grupo extremista ainda realizam ataques suicidas no nordeste da Nigéria e em países vizinhos, como Niger e Camarões.

Acredita-se que os homens do Boko Haram tenham matado mais de 15 mil pessoas e deixado outras 2 milhões sem moradia nos últimos sete anos de insurgência na região.

O líder Abubakar Shekau, que prometeu lealdade ao autoproclamado Estado Islâmico, defende uma leitura do Islã que proibe muçulmanos de participarem de qualquer atividade política ou social associada com a sociedade ocidental.

Sobreviventes

A insurgência do Boko Haram é vista como a principal ameaça de segurança para a Nigéria, o país mais populoso da África, com 170 milhões de habitantes, e principal produtor de petróleo do continente.

O grupo foi fundado em 2002 na cidade de Maiduguri, pelo clérigo muçulmano Mohammed Yusuf, que também fundou na época um complexo religioso que incluía uma escola islâmica.

O Boko Haram ampliou seus objetivos com uma série de ataques em 2009, mas Yusuf foi morto depois de ser capturado pelo Exército.

O novo líder do grupo, Abubakar Shekau, disse que sua organização ‘não será vencida pelas forças de segurança’.

Sua principal empreitada aconteceu em 2014, quando 276 estudantes foram levadas pelo grupo de uma escola na cidade de Chibok.

Em maio do ano passado, a agência Reuters conversou com algumas das jovens que conseguiram fugir após o sequestro.

“Todos os dias nós testemunhávamos a morte de uma de nós e esperávamos nossa vez”, disse na época Asabe Umaru, de 24 anos, sequestrada com seus dois filhos pelo Boko Haram.

Ela era parte de um grupo de 300 mulheres e crianças que estavam na floresta da Sambisa, no norte da Nigéria, e que foram libertadas pelo Exército nigeriano naqule mês.

Durante o resgate em Sambisa, segundo as sobreviventes, algumas delas foram apedrejadas até a morte quando o Exército se aproximou.

No cativeiro, “eles não deixavam a gente se mover um centímetro,” afirmou a jovem na época. “Tínhamos que ficar em um só lugar. Estávamos amarradas.”

Segundo sobreviventes, elas eram vigiadas até quando iam ao banheiro.

Outra mulher disse em entrevista à Reuters que elas recebiam apenas uma refeição por dia.

“Éramos alimentadas apenas com milho seco à tarde, que não estava bom para o consumo humano”, afirmou Cecilia Abel. Isso levou muitas à desnutrição, doenças e morte.

À época, as sobreviventes disseram ainda que, quando foram pegas, os militantes mataram homens e meninos mais velhos na frente de suas famílias antes de levar mulheres e crianças para a floresta.

http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38429330

Cristãos nigerianos são perseguidos em todo o país

A lei islâmica (sharia) é imposta na maioria dos estados do norte da Nigéria e os cristãos enfrentam perseguição e pressão constante para se converterem ao islã.

Enquanto ataques aos cristãos por parte dos militantes islâmicos Boko Haram e dos pastores Fulani no nordeste da Nigéria chamaram a atenção da mídia, as fortes pressões sociais que os cristãos enfrentam em outros lugares passam despercebidas.

Apesar dos equívocos de que eles são uma minoria no norte da Nigéria, os cristãos ainda formam a maioria na metade dos 12 estados do norte, agora todos sob a lei islâmica (sharia), enquanto há altas concentrações, de até 50% da população, em outros estados do norte.

Em uma comunidade remota no estado de Kebbi, governado pela sharia, os cristãos enfrentam discriminação e pressão constante para se converterem ao Islã.

A vila de Danbango na área de governo local de Yauri era tradicionalmente uma comunidade animista (crença de que tudo tem uma alma ou espírito, inclusive os animais, plantas, rochas, montanhas, rios e estrelas), mas muitos se converteram ao cristianismo depois da visita de missionários em 2012. Mais recentemente, com as visitas de líderes muçulmanos muitos se converteram ao Islã. Os cristãos dizem que também enfrentaram pressão para fazê-lo.

Um morador cristão disse que lhes prometeram vantagens, escolas e clínicas se se convertessem.

“Quando meu filho ficou muito doente, levei-o ao hospital, mas os médicos disseram que o tratariam somente se eu desistisse da minha fé cristã. Recusei e o levei para casa. Alguns dias depois morreu”, disse um cristão de Yauri

O líder de uma igreja local, Josué Wede, disse que sua igreja também experimentou problemas. “O chefe distrital de Yauri, acompanhado por um grupo de vigilantes muçulmanos, veio à nossa igreja e interrompeu o culto de adoração”, disse ele. “Eles nos bateram e alegaram que o terreno em que nossa igreja foi construída não foi liberado pelo governo. Mas pertence a um dos nossos membros da igreja, que nos deu para construir um lugar para os nossos cultos”. Segundo ele, a mesquita da vizinhança não foi incomodada, apesar deles não obterem aprovação para construir sobre o terreno.

“Em maio deste ano, fomos presos e levados para a prisão, onde fomos espancados novamente e recebemos tratamento duro. Não tivemos oportunidade de entrar em contato com um advogado, e alguns funcionários nos disseram que se nos declarássemos culpados, seríamos libertados. Não tínhamos a quem recorrer ou qualquer pessoa que poderiam nos ajudar, portanto, concordaram.

“Alguns representantes da Associação Cristã da Nigéria vieram ao tribunal para implorar que a audiência fosse adiada para que eles pudessem conversar conosco, mas era tarde demais. Já tínhamos nos declarado culpados. O julgamento final foi aprovado dias depois e fomos sentenciados a três anos de prisão com trabalhos forçados, ou multa de US $ 150 cada.

Outro líder da igreja, chamado Kabiru, acrescentou: “Fui preso muitas vezes por falsas acusações. Tudo é apenas um esforço para frustrar a propagação do Evangelho “.

Juntos pela África
Os cristãos de alguns países da África Subsaariana enfrentam uma das piores perseguições de sua história. No dia 11 de junho, data escolhida para o Domingo da Igreja Perseguida 2017, juntos faremos mais pelos nossos irmãos dessa região.

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2016/12/cristaos-nigerianos-sao-perseguidos-em-todo-pais

Estudantes na Nigéria matam 56 em atentados suicidas

Duas estudantes realizaram atentados suicidas simultâneos na cidade nigeriana de Madagali. Os ataques a um mercado lotado deixaram pelo menos 56 pessoas mortas e dezenas de feridos.

Os ataques mantiveram o alvo da organização terrorista islâmica Boko Haram, conhecida por alvejar civis no nordeste da Nigéria, bem como nos vizinhos Camarões e Níger.

Embora os ataques do grupo tenham sido menos freqüentes nos últimos meses, pois o exército nigeriano tem tentado demover o grupo para sua fortaleza original na enorme floresta Sambia, este último ataque mostra que o grupo – que prometeu sua lealdade ao Estado islâmico – está longe de ser derrotado.

Os ataques de meninas da escola são uma das surpresas operacionais mais recentes e sinistras do grupo. As meninas, muitas delas sequestradas pelo grupo, são voluntárias para tais missões como uma forma de acabar com suas terríveis vidas sob o cativeiro, que incluem fome implacável e abuso sexual.

Uma menina de 16 anos, identificada apenas como Fati, que foi sequestrada de sua aldeia, mas conseguiu escapar, disse à CNN: “Eles vieram até nós para nos pegar. Eles perguntavam: “Quem quer ser um suicida?” As garotas gritavam: “Eu, eu, eu.” Elas estavam lutando para fazer os atentados suicidas.

“Foi só porque elas querem fugir de Boko Haram. Se eles lhes derem uma bomba suicida, então talvez elas iriam encontrar soldados, e dizer-lhes, ‘Eu tenho uma bomba em mim’ e eles poderiam remover a bomba. Elas podem fugir. “

http://www.clarionproject.org/news/schoolgirls-nigeria-kill-56-suicide-bombings

‘Sobrevivemos ao Boko Haram, mas não à fome’: o drama das crianças mortas por inanição na Nigéria

No mês passado, Kawu Ashe teve de tomar uma decisão de vida ou morte e abandonar o povoado onde vivia na Nigéria após receber uma mensagem aterrorizante do grupo extremista Boko Haram: “Voltaremos novamente para buscar seu filho”.

Há dois anos, os militantes já haviam matado seu marido. Agora, diziam que o filho do casal, de dois anos e meio, lhes pertencia.

Ashe agiu rapidamente para proteger o pequeno Abdullahi, ainda que o castigo para quem tenta escapar do grupo seja a execução.

Amparados pela noite, ela e os dois filhos, além da irmã, caminharam por matagais por nove horas até chegar a um local seguro.

Mas, ainda que tenha conseguido resguardar Abdullahi dos extremistas, ela o deixou exposto a outra ameaça: a inanição que aflige mais de 120 mil pessoas no nordeste nigeriano, uma região devastada pela insurgência do Boko Haram.

Kawu Ashe e seu filho Abdullahi no norte da Nigéria
Image captionAbdullahi corre o risco de morrer de fome, diz sua mãe

A ONU descreveu a desnutrição aguda e generalizada nesta área do país africano como a “pior crise do continente” e convocou a comunidade internacional a contribuir com mais de US$ 1 bilhão (R$ 3,4 bilhões) para salvar seus 7 milhões de habitantes.

Em julho, o organismo internacional calculou que há 250 mil crianças com menos de 5 anos nesta situação no Estado de Borno. Uma em cada cinco corre risco de morrer por isso.

Criança desnutrida na NigériaImage copyrightAFP
Image caption‘Se conseguíamos comida, os insurgentes tomavam da gente’, dizem os refugiados de um campo de Maiduguri

Abdullahi está esquelético. Pesa 7 kg, a metade do normal para uma criança da sua idade. “Não havia comida nem água potável em nosso vilarejo”, diz Ashe à BBC em uma clínica de nutrição da Unicef, agência da ONU para a infância, na capital de Borno, Maiduguri.

“Se conseguíamos algo para comer, os militantes tomavam da gente. As coisas estão um pouco melhores aqui, mas ainda preciso lutar para alimentar meus filhos.”

No mês passado, a organização Médico Sem Fronteiras denunciou que milhares de crianças já morreram de inanição em decorrência da crise.

Menino com sua mãe em uma clínica de MaiduguriImage copyrightAFP
Image captionSegundo a ONG Médicos sem Fronteiras, milhares de crianças já morreram de inanição na Nigéria nesta crise recente

‘Começa com as crianças’

Fundado em 2002, o Boko Haram se concentrou inicialmente em combater a educação de estilo ocidental.

Passou a realizar operações militares em 2009 e, mais recentemente, uniu-se ao grupo extremista autodenominado Estado Islâmico e instaurou um califado em uma região que se estende por parte do nordeste da Nigéria.

Nos sete anos que está na região, o grupo arrasou com tudo. Muitos habitantes tornaram-se suas vítimas, e milhões fugiram para escapar do mesmo destino tanto no norte da Nigéria quanto nos países vizinhos Chade, Camarões e Niger.

O exército nigeriano vem recuperando grande parte do território ocupado pelos extremistas nos últimos 22 meses. À medida que avança e obriga militantes a deixarem o território antes controlados por eles, a real dimensão da tragédia vai sendo revelada.

Os ataques frequentes do Boko Haram impediram que, pelo terceiro ano consecutivo, agricultores cultivassem suas terras. E os comboios de ajuda alimentar são com frequência alvo de emboscadas ao percorrer rotas inseguras.

Também há acusações de roubos de grande escala da ajuda humanitária que chega até a região, que estão sendo investigados pelo Senado nigeriano.

Os militares ainda fecharam os mercados por questão de segurança, e muitas pessoas não têm onde ir para comprar o básico.

Mulheres e crianças reunidos em torno de um poço de água no campo de refugiados de Maiduguri, na NigériaImage copyrightREUTERS
Image captionA ONU diz que não há recursos suficientes para a ajuda humanitária necessária

A ONU diz que milhões dependem de ajuda humanitária atualmente, mas que não há recursos suficientes para atender a todos.

“Sem mais assistência internacional, muito mais gente ainda vai morrer. E o problema começa com as crianças, porque seus pais não têm meios de cuidar delas”, afirma John Ging, diretor de operações do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários.

“Estamos em 2016 e deveríamos ser capazes de responder melhor a uma situação assim, porque vivemos em um mundo rico. Precisamos de uma pequena fração desta riqueza para ações humanitárias. No momento, não estamos recebendo nem isso.”

Criança e sua mãe em uma clínica de nutrição na NigériaImage copyrightAFP
Image captionA ONU diz que crianças são as primeiras a sofrer porque seus pais simplesmente não têm meios de cuidar delas

‘Inchados’ pela fome

Maiduguri transformou-se no principal centro de esforços humanitários. Sua população aumentou em centenas de milhares, com civis chegando em fuga da violência e se instalando em campos de refugiados precários.

Os casos mais graves de inanição são levados para as instalações da Médicos Sem Fronteiras na cidade. Na unidade de tratamento intensivo, há uma dezena de crianças sobre as camas.

Elas precisam receber oxigênio e algumas têm sondas na cabeça, único lugar do corpo onde enfermeiras conseguiram achar uma veia.

Enfermeira em uma clínica de nutriçãoImage copyrightAFP
Image captionEm Gwangwe, no nordeste do país, o conflito já custou a vida de 20 mil pessoas desde 2009

Uma delas é Ali, um menino albino de 2 anos. Sua mãe, Zara Mustafa, conta que o marido não conseguiu trabalho depois de a família fugir de casa – e que assim não têm dinheiro para comprar comida. “Às vezes, não comemos por três dias”, revela.

Em outra cama, esta Mohammedu, de apenas 1 mês. Seu corpo está inchado por conta da desnutrição. Sua mãe, Aisha Umar, tem outros seis filhos. “É muito difícil conseguir comida aqui. Mandei meus filhos mendigarem”, diz.

Zara Mustafa e seu filho de 2 anos, Ali
Image captionA família de Ali não tem dinheiro para alimentá-lo

Ali, embora corram grave perigo, ao menos elas recebem algum tipo de assistência.

Nas áreas sob o controle do Boko Haram, a ajuda nem sequer consegue chegar. Supõe-se que as condições ali sejam ainda piores que em Maiduguri.

E, segundo observadores internacionais, com a temporada da seca prestes a começar, há ainda mais fome – e mortes – no horizonte do país.

http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38220284

Não há alívio para os “infiéis”

“Quando alguém chega com ajuda, os cristãos são separados, não é dado alimento a eles pelo simples fato de acreditarem em Cristo”.

Na Nigéria, mais de 70 mil crianças correm risco de vida por causa da fome que assola o nordeste do país. A ONU também afirma que cerca de 14 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária na mesma região. Essas são as consequências da passagem do grupo extremista islâmico Boko Haram nessa nação. Desde junho de 2014, os Estados de Borno, Adamawa e Yobe foram tomados pelo grupo que estabeleceu um califado nesses lugares, sendo a cidade de Gwoza, em Borno, a capital.

Os cristãos, em particular, pagaram um alto preço por isso. Estima-se que entre os anos de 2006 e 2015, pelo menos 15.500 cristãos tenham morrido por causa da perseguição religiosa. Mais de 13 mil igrejas foram destruídas, abandonadas ou fechadas no mesmo período. Mais de 1,3 milhões de cristãos fugiram para regiões mais seguras do país e, atualmente, vivem deslocados enfrentando a miséria.

Do ano passado para cá, a situação piorou à medida em que a violência se espalhou também para os países vizinhos, Chade e Camarões. “Os cristãos em Borno estão traumatizados e muitos estão perdendo a esperança. Na cidade de Gwoza existe apenas uma igreja sobrevivente, onde os cristãos costumavam ser maioria”, disse um dos colaboradores da Portas Abertas. “Há discriminação por toda parte e isso é explícito. Quando alguém chega com ajuda, os cristãos são separados, não é dado alimento a eles pelo simples fato de acreditarem em Cristo. Eles ainda ouvem a frase ‘não há alívio para os infiéis’”, conclui o colaborador.

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2016/11/nao-ha-alivio-para-os-infieis

Nigerianas sofrem exploração sexual para pagar a fuga à Europa

CATÂNIA, Itália – A nigeriana Isoke Aikpitanyi, de 38 anos, chegou à Itália com a perspectiva de trabalhar. Acabou presa em uma rede de prostituição, explorada pelas máfias italiana e nigeriana. Isoke foi humilhada, espancada, violentada pelos traficantes e obrigada a trabalhar nas ruas de Turim por 10 euros o programa.

O tráfico de nigerianas para exploração sexual na Itália tem sido denunciado há pelo menos três décadas, mas atraiu novamente a atenção da comunidade internacional quando as autoridades perceberam que os contrabandistas estão usando a rota do Mediterrâneo para infiltrar suas vítimas.

 No primeiro semestre deste ano, pelo menos 3,6 mil nigerianas chegaram à Itália de barco, pela travessia entre a costa líbia para a Sicília. O número representa o dobro do ano passado, o maior salto da última década. Mais de 80%, segundo a Organização Internacional para as Migrações, ligada à ONU, foram traficadas para exploração sexual em bordeis da Itália e de outros destinos europeus.

Muitas vêm acompanhadas do “marido”, mas, como não têm documentos, é difícil saber se estão falando a verdade. As autoridades acreditam que muitos destes acompanhantes façam parte da rede de tráfico e sejam também explorados para trabalho escravo ou para pedir dinheiro nas ruas — uma nova fonte de renda para a máfia.

Essas pessoas estão sendo trazidas de seus países já com este fim, pelas mãos da mesma rede de atravessadores que lucra com o fluxo de refugiados tentando chegar à Europa.

— Eles não sabem que serão explorados. Ninguém acredita que esse tipo de coisa ainda exista, mas a escravidão moderna é uma realidade perversa — diz Isoke. Ela conseguiu escapar pelas mãos de um cliente, com quem fugiu, e hoje ajuda meninas a fazer o mesmo.

Ao chegar à Itália, são obrigadas a assumir uma dívida pela viagem que chega a 40 mil euros, segundo Isoke, a serem pagos com “trabalho”. Muitas são exploradas ao longo do caminho, principalmente na Líbia, sob ameaça de morte ou de serem devolvidas à Nigéria.

Com isso, o tráfico para fins de exploração sexual chegou a níveis sem precedentes, alertou a ONU.

— Temos percebido aumento no número de menores de idade desacompanhadas — revela Lucia Borgh, da ONG Borderline.

De um lado, a possibilidade de obter asilo garante a permanência das mulheres no país, evitando o risco de serem deportadas, o que representa prejuízo para os criminosos. De outro, quando têm o pedido negado elas se tornam presas fáceis dos traficantes.

— Essas mulheres escapam da miséria, de conflitos, da violência por grupos armados como Boko Haram, para serem exploradas na Europa — diz o eritreu Abraha Tewolde, na Itália há 40 anos. Ele trabalha como tradutor para organizações humanitárias e, no tempo livre, percorre as ruas tentando identificar focos de exploração.

Segundo ele, os criminosos se beneficiam de falhas no sistema de recepção italiano. Após desembarcar nos portos da Itália, os que chegam pelo Mediterrâneo são registrados e encaminhados para abrigos em diferentes cidades, onde vivem por conta própria à espera de decisão sobre o pedido de asilo. As mulheres têm simplesmente desaparecido desses centros.

As autoridades estimam que 120 mil mulheres sejam exploradas para prostituição na Itália, um terço delas nigerianas.

Leia mais: http://oglobo.globo.com/oglobo-20051963#ixzz4JVd3qnrJ

Nigéria: várias comunidades cristãs foram atacadas violentamente

“Pelo menos 133 pessoas foram mortas, muitas propriedades saqueadas e destruídas, incluindo 65 igrejas”

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Um grande número de novos ataques já ocorreu contra os cristãos, depois da última matéria divulgada sobre a Nigéria Cristãos nigerianos podem enfrentar tempos ainda mais difíceis. Eles aconteceram principalmente em Benue, um Estado do Centro-leste da Nigéria, perto da fronteira com Taraba, onde pelo menos 133 pessoas foram mortas, muitas propriedades saqueadas e destruídas, incluindo 65 igrejas. Os fulanis ocuparam quase todas as áreas dessa região e continuam atacando outras comunidades cristãs.

Lembrando que em fevereiro, Benue já havia sido atacado violentamente pelos fazendeiros nômades, que na ocasião mataram mais de 500 pessoas, a maior parte cristãos e cerca de 20 mil pessoas tiveram que fugir. O ocorrido foi considerado um dos piores ataques feitos pelo grupo desde 2010. De acordo com a CAN (Associação Cristã da Nigéria), esses conflitos não têm apenas um fundo de questões econômicas ou disputa entre agricultores locais, mas envolvem questões religiosas, já que os fulanis são muçulmanos extremistas.

“Sabemos que se trata de mais uma jihad, como aquela que foi travada pelo Boko Haram no Norte do país. Eles transportam armas sofisticadas e utilizam até mesmo armas químicas para destruir nossas comunidades. A guerra acontece normalmente à noite, quando todas as pessoas estão dormindo. A população está fugindo, as igrejas estão ficando vazias. Onde havia cerca de 2 mil membros, hoje há apenas 50. Nada está sendo poupado, nem mesmo as escolas ou centros de assistência social”, disse o líder cristão Agostinho Akpen que responsabiliza as autoridades pela falta de proteção e segurança aos cidadãos.

Não é difícil chegar à conclusão de que haverá uma grande escassez de alimentos, já que todos os tipos de produção agrícola foram destruídos, desde o feijão, mandioca, arroz, milho até soja e amendoim. Os agricultores de vários estados da Nigéria, principalmente Benue, Taraba, Plateau, Kaduna, Nasarawa e Níger estão temerosos agora e sabem que se voltarem para suas fazendas serão mortos. Essa realidade deixa claro que os cristãos estão sendo expulsos em massa e a imposição da lei islâmica no país tem impulsionado a limpeza étnica e religiosa, não apenas só no Norte do país, mas agora em toda a Nigéria. Em suas orações, interceda por essa nação.

Leia também
Cristãos deslocados enfrentam fome e doenças
Tentativas de islamizar a Nigéria

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2016/07/varias-comunidades-cristas-foram-atacadas-violentamente

Biafra: Onde está a Comunidade Internacional?

por Judith Bergman

  • Uma nova geração de biafrenses já está defendendo, pacificamente, uma Biafra independente. Muhammadu Buhari, presidente muçulmano da Nigéria, está combatendo com força militar o incipiente movimento de independência.

  • “Eu vi um rapaz tentando responder a uma pergunta. Ele imediatamente levantou as mãos, mas os soldados abriram fogo …” — Relato de uma testemunha do tiroteio à Anistia Internacional.
  • O líder do IPOB, Nnamdi Kanu, diretor da Rádio Biafra com sede em Londres, foi detido em outubro de 2015 e desde então encontra-se preso ilegalmente, apesar de dispor de todas as condições para a concessão de fiança.
  • É digno de nota que em um cenário no qual reina a paz, como o do movimento pró-Biafra, exija uma “opção militar”, ao passo que quando se trata de um grupo terrorista letal, como o dos pastores muçulmanos Fulani, que assassinam civis inocentes, não. Além disso, esta tática coloca em dúvida se os esforços de Buhari em conter o Boko Haram no país são genuínos ou meramente um jogo de cena que o presidente nigeriano utiliza para agradar a comunidade internacional.

A situação extremamente complicada dos biafrenses — cujo país se situava onde hoje é a região sudeste da Nigéria, país este que durou apenas três anos, de 1967 a 1970, até que as autoridades nigerianas destruíram-no via genocídio — deveria, para a comunidade internacional, pelo menos no papel, ser clara.

Jornalistas, ativistas de direitos humanos, combatentes em prol da justiça social nos campi em todo o Ocidente e organizações como as Nações Unidas e a União Europeia, todos afirmam ostensivamente estarem profundamente preocupados com os direitos humanos, especialmente dos povos que foram colonizados pelos europeus.

Biafra é um exemplo clássico da colonização britânica. A curta duração do país foi interrompida pelo genocídio perpetrado pelo governo nigeriano, que esmagou todas as esperanças de independência e autodeterminação. Aos biafrenses de hoje são negados os direitos fundamentais de liberdade de reunião e a liberdade de manifestação do pensamento, direitos estes garantidos pela Constituição da Nigéria. O governo nigeriano continua com a opressãoassassina contra eles e contra o movimento pela liberdade de direito à soberania.

A comunidade internacional, liderada pela ONU, que prega o princípio dos direitos humanos e a autodeterminação, persistentemente ignora suas aspirações nacionais.

Os territórios que formam a atual Nigéria foram submetidos à ocupação colonial como protetorados britânicos por volta de 1903. A Nigéria é basicamente uma composição artificial, criada como colônia pela Grã-Bretanha em 1914, quando ela mesclou os protetorados. O país é composto por uma série de diferentes povos africanos, autóctones, entre eles os biafrenses, que são, em sua maioria, etnicamente ibos.

Após a independência da Nigéria da Grã-Bretanha em 1960, Biafra se separou da Nigéria e em 1967 criou seu próprio estado. O governo nigeriano se recusou em aceitar a secessão e respondeu lançando uma guerra contra Biafra. Fez parte do ataque o bloqueio ao estado incipiente, resultando no massacre de mais de 2 milhões de biafrenses, muitos dos quais crianças que morreram de fome devido ao bloqueio.

Os biafrenses, vendo a dissolução de seu jovem estado, se renderam à Nigéria em janeiro de 1970. Provavelmente eles perceberam que o abandono do mundo não resultaria em nenhum futuro para sua causa.

Diferentemente de outros grupos daquela época, como por exemplo a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), os biafrenses não explodiram nem sequestraram aviões, não tomaram reféns nem realizaram outras formas de ataques terroristas contra civis inocentes para promover sua causa. A comunidade internacional responde obedientemente ao terrorismo. Ao passo que a OLP se tornou a Autoridade Palestina (AP) e é um dos maioresdestinatários per capita do mundo de ajuda externa internacional, com uma infinidade de “ativistas de direitos humanos” defendendo sua causa (bem como um órgão da ONU, a UNRWA, exclusivamente destinado aos palestinos), provavelmente seria difícil encontrar um diplomata na ONU que saiba como pronunciar “Biafra”.

A pergunta que inevitavelmente vem à mente é: porque a comunidade internacional de formadores de opinião e defensores dos direitos humanos, ostensivamente anti-racista, pró-autodeterminação, não tem a boa vontade política nem recursos para ajudar os biafrenses.

Muito embora o genocídio tenha efetivamente acabado com a independência dos biafrenses, uma nova geração de biafrenses já está pressionando, pacificamente, por uma Biafra independente. Em um exemplo de hipocrisia extrema, Muhammadu Buhari, presidente muçulmano da Nigéria, tem declarado estar totalmente comprometido com a criação de um estado palestino, enquanto suas forças armadas combatem com extrema brutalidade o movimento biafrense para a autodeterminação de Biafra.

Em 30 de maio os biafrenses comemoraram o “Remembrance Day”, dia dedicado à memória dos heróis de Biafra. De acordo com a Anistia Internacional, a única organização de peso dos direitos humanos que se interessou por Biafra:

“Uma investigação in loco… confirmou que o exército nigeriano fuzilou pessoas desarmadas antes das cerimônias pró-biafrenses programadas para o último mês em Onitsha, Estado de Anambra.”

“Provas testemunhais oculares, evidências coletadas em necrotérios e hospitais confirmaram que entre os dias 29 e 30 maio de 2016, militares nigerianos abriram fogo contra membros dos Povos Indígenas de Biafra (IPOB em inglês), simpatizantes e curiosos em três locais da cidade.”

“Abrir fogo contra simpatizantes e curiosos pacíficos do IPOB, que claramente não ameaçavam ninguém, representar o uso de força excessiva é fora de qualquer propósito, além de desnecessário, o que resultou em vários mortos e feridos. Em um incidente, uma pessoa foi morta a tiros quando as autoridades invadiram o local enquanto os simpatizantes do IPOB dormiam,” assinala M.K. Ibrahim, Diretor Nacional da Anistia Internacional da Nigéria. Ele continuou dizendo: “esta não é a primeira vez que simpatizantes do IPOB morrem nas mãos das forças armadas. Esse tipo de incidente está se tornando preocupantemente rotineiro e este e outros do gênero devem ser imediatamente investigados”.

Fora isso, de acordo com a Anistia, alguns dos simpatizantes do IPOB foram mortos e feridos com tiros nas costas, indicando que eles estavam fugindo do local quando foram baleados. Além disso, os soldados invadiram a Igreja Católica St. Edmunds onde centenas de pessoas, que tinham vindo de outras regiões para participar das cerimônias pró-biafrenses estavam dormindo. De acordo com uma das testemunhas:

“Por volta da meia-noite, ouvimos alguém batendo na porta. Nós nos recusamos a abrir a porta, mas a forçaram abrindo-a e logo começaram a lançar gás lacrimogêneo. Eles também começaram a atirar dentro do complexo. As pessoas começaram a correr tentando fugir. Eu vi um cara baleado no estômago. Ele caiu, mas o gás lacrimogêneo não permitia que as pessoas o ajudassem. Eu não sei o que aconteceu com ele quando consegui escapar e fugir.”

Outra testemunha contou à Anistia que na manhã de 30 de maio viu soldados abrirem fogo contra um grupo de cerca de 20 homens e rapazes com idades entre 15 e 45 anos. Ele disse que cinco pessoas daquele grupo foram mortas. “Eu vi um rapaz tentando responder a uma pergunta. Ele imediatamente levantou as mãos, mas os soldados abriram fogo… Ele caiu, já sem vida. Eu presenciei tudo isso.” A testemunha descreveu como oficiais militares colocavam homens feridos a bala em uma van e em outra os que aparentavam ser cadáveres. Mais tarde naquela manhã, outra testemunha descreveu como a polícia matou uma criança que observava um grupo de jovens protestarem contra os tiroteios.

De acordo com a Anistia,

“Depois dos tiroteios os militares disseram à imprensa que os soldados só abriram fogo depois de terem sido recebidos à bala, mas o levantamento da Anistia Internacional não encontrou nenhuma evidência que suportasse essas alegações. Todos os entrevistados pela organização disseram que os manifestantes não estavam armados; um jovem disse que ele atirou pedras na polícia e nos militares depois que eles lançaram gás lacrimogêneo contra os membros do IPOB. Ele ressaltou que os militares responderam disparando balas de verdade. Informações coletadas pela Anistia Internacional indicam que as mortes de simpatizantes e membros do IPOB ocorreram em consequência do uso excessivo e desnecessário da força. A Lei internacional reza que o governo investigue, de imediato, matanças ilegais com o objetivo de conduzir os responsáveis à justiça. A Anistia Internacional também exige que os simpatizantes do IPOB ainda detidos sem acusação sejam imediatamente acusados ou liberados”.

A Anistia Internacional começou o levantamento sobre a violência e os assassinatos de membros e simpatizantes do IPOB no sudeste da Nigéria em janeiro de 2016 e aguarda-se a publicação de um relatório abrangente sobre o assunto em um futuro próximo.

Até o presente momento a Anistia assinala que seu levantamento mostra que:

“Desde agosto de 2015 houve pelo menos cinco incidentes parecidos somente em Onitsha onde a polícia e os militares atiraram em membros e simpatizantes desarmados do IPOB. A Anistia possui casos documentados de supostas matanças ilegais atribuídas ao exército nigeriano entre agosto de 2015 e maio de 2016. Em agosto de 2015, oficiais militares abriram fogo contra militantes pacíficos do IPOB que pediam um estado biafrense independente. Os assassinatos e detenções em massa de membros e simpatizantes do IPOB via operações militares e policiais conjuntas continuam… Por exemplo, em 17 de dezembro de 2015, o exército matou cinco pessoas ao abrir fogo contra membros do IPOB que estavam fazendo uma demonstração, em Onitsha, em comemoração a uma ordem judicial para a libertação de seu líder Nnamdi Kanu. Em fevereiro de 2016, os militares nigerianos usaram de força excessiva para dispersar uma aglomeração pacífica em um complexo escolar em Aba. Pelo menos nove pessoas foram mortas e inúmeras ficaram feridas…”

O líder do IPOB, Nnamdi Kanu, diretor da Rádio Biafra com sede em Londres, foi detido em outubro de 2015 e desde então encontra-se preso ilegalmente, apesar de dispor de todas as condições para a concessão de fiança.

Simpatizantes dos “Povos Indígenas de Biafra” (IPOB) protestam em Londres contra os assassinatos de civis cometidos pelo exército nigeriano em Biafra e exigem a libertação do líder do IPOB, Nnamdi Kanu, 13 de novembro de 2015. (Imagem: David Holt/Flickr)

Em contrapartida, enquanto o Presidente Buhari usa força militar contra o pacífico movimento biafrense, inclusive em eventos tão inócuos como cerimônias de comemoração biafrenses, seu governo tem afirmado que não usará a força militar contra os pastores Fulani. Esses pastores formam um grupo predominantemente muçulmano, semi-nomádico, considerado hoje um dos quatro grupos terroristas que mais matam no mundo de acordo com o Global Terrorism Index (GTI). Entre 2010 e 2013, o grupo assassinou 80 pessoas na Nigéria, mas até o final de 2014 esta cifra já tinha aumentado para pelo menos 1.229 pessoas, segundo o GTI, que classificou a nação africana como o terceiro país do mundo que mais sofre com o terrorismo.

De acordo com o Ministro do Interior de Buhari, General Abdulrahman Dambazau, contudo,

“Trata-se de uma questão não militar que limita-se à lei e à ordem. Não se chama os militares para qualquer problema de segurança. É responsabilidade da polícia manter a paz. Acredito que se colocarmos a polícia em seu devido lugar, em termos de cumprimento de suas funções, não haverá necessidade de acionarmos os militares. A polícia está aparelhada para este tipo de tarefa… De qualquer maneira eu não tenho condições de posicionar os militares para todas as situações. Somente quando a situação fica fora de controle é que se deve chamar os militares.”

É digno de nota que em um cenário no qual reina a paz, como o do movimento pró-Biafra, exija uma “opção militar”, ao passo que quando se trata de um grupo terrorista letal, como o dos pastores muçulmanos Fulani, que assassinam civis inocentes, não. Além disso, esta tática coloca em dúvida se os esforços de Buhari em conter o Boko Haram no país são genuínos ou meramente um jogo de cena que o presidente nigeriano utiliza para agradar a comunidade internacional.

A situação deveria ao menos dar a países como a Alemanha sérios motivos para reconsiderar seu envolvimento naquela região. A Alemanha declarou que começará a fornecer equipamentos militares ao governo da Nigéria para que ele possa enfrentar “desafios à segurança em suas regiões do nordeste e do Delta do Níger” antes do final de 2016. Causa espécie saber que a Alemanha, um país que convidou migrantes a virem ao seu país a fim de mostrar o quão tolerante é, não tenha levado em conta que corre o risco de fornecer equipamento militar ao governo nigeriano que poderá muito bem ser usado para matar biafrenses.

Entre os países em vias de vender ou que planejam vender armas à Nigéria, estão os Estados Unidos, que se recusaram — estranhamente, por estarem “apreensivos quanto aos direitos humanos” a fornecer armas ao ex-presidente da Nigéria Goodluck Jonathan, um cristão, para que pudesse combater o Boko Haram, ao que tudo indica, não têm nenhum escrúpulo em ajudar Buhari, um muçulmano, cujo assassinato de pessoas indefesas no sudeste da Nigéria, evidentemente não é considerado problemático.

Em suma, a comunidade internacional tem muitas explicações a dar.

Judith Bergman é escritora, colunista, advogada e analista política.

http://pt.gatestoneinstitute.org/8433/biafra-nigeria-conflito