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Mais algumas meninas do Chibok foram resgatadas

Quando elas estão com seus pais compartilham estudos bíblicos e cantam; elas parecem felizes, apesar dos traumas.

Em abril de 2017, vai completar 3 anos que as “meninas do Chibok” foram sequestradas. Na época, havia 275 meninas na escola, 228 foram levadas pelo Boko Haram e somente 47 conseguiram escapar. Os extremistas islâmicos mandaram vários vídeos para os pais dessas meninas e ao governo nigeriano, exigindo a libertação de seus combatentes em troca delas.

Depois de um tempo, muitas foram forçadas a se casar com eles, algumas tiveram filhos e todas tiveram que “se converter” ao islamismo. Em maio de 2016, Amina Ali Nkeki, foi a primeira a ser encontrada viva quando foi descoberta por vigilantes na Floresta de Sambisa, perto da fronteira com Camarões. Depois dela, o exército da Nigéria disse ter resgatado uma segunda menina, Serah Luka, que era filha de um pastor.

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Em outubro de 2016, mais 21 meninas foram libertadas por Boko Haram após dois anos e meio de detenção e muitas negociações com o governo. A maioria, porém, continua desaparecida. No dia 5 de janeiro de 2017, a 24ª menina foi resgatada. Rakiya Abubakar Gali que estava vivendo em cativeiro foi encontrada com seu bebê de apenas 6 meses de idade. Alguns dias depois, Maryam Ali Maiyanga também foi encontrada por soldados que procuravam fugitivos na floresta de Sambisa. Ela estava carregando um menino de 10 meses de idade.

Segundo o governo, um grupo dissidente do Boko Haram parece estar disposto a negociar a libertação de mais 83 meninas. O veículo de comunicação CNN relatou que 114 delas estão mortas, ou, segundo as notícias, não querem deixar seus sequestradores porque elas são agora casadas ou foram “radicalizadas”.

Um grupo de 21 meninas libertadas encontrou-se com o presidente Muhammadu Buhari para agradecer pessoalmente pela contribuição do líder de Estado. Desde então, elas passam por intensas avaliações psicológicas em um centro médico na capital, Abuja. A maioria pertence a famílias de origem cristã. “Quando elas estão com seus pais compartilham estudos bíblicos e cantam. Elas parecem felizes, apesar dos traumas”, finaliza um dos colaboradores da Portas Abertas.

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2017/01/mais-algumas-meninas-do-chibok-foram-resgatadas

Marrocos proíbe o uso da burca

Embora a decisão tenha sido motivada por preocupações de segurança, a proibição é também “um passo importante na luta contra o extremismo religioso”.

O Ministério do Interior marroquino ordenou que fabricantes de vestuário e varejistas em todo o país norte-africano deixem de fabricar e vender burqas. Além disso, foram instruídos a liquidar as suas existências da peça de vestuário no prazo de 48 horas ou a confiscar riscos.

Em 9 de janeiro, funcionários do ministério visitaram os mercados para entregar manualmente avisos por escrito informando vendedores e alfaiates da decisão de parar a produção e venda da peça. O aviso também foi publicado em plataformas de mídia social.

“Seguindo as observações das autoridades, notamos que você vende burqas. Estamos lhe chamando para se livrar dessas peças de vestuário dentro de 48 horas e para abster-se de vendê-las no futuro “, o aviso lido.

Um alto funcionário do ministério também foi citado por meios de comunicação dizendo que eles tinham “tomado medidas para proibir completamente a importação, fabricação e comercialização deste vestuário em todas as cidades do reino”.

O uso da burca é relativamente raro em Marrocos, cujo governante, Rei Mohammed VI, defende uma versão moderada do Islã. A maioria das mulheres usa o hijab, uma peça cobrindo a cabeça, mas não o rosto.

A decisão é motivada por preocupações de segurança, já que no passado os criminosos usaram burqas para ocultação. Os salafistas estão preocupados que a proibição seja estendida ao niqab, um véu de rosto que, ao contrário da burqa, tem uma fenda deixando os olhos visíveis. Esta vestimenta é comum nas comunidades salafistas, particularmente no norte fundamentalista do país, de onde milhares de jihadistas viajaram para lutar na Síria e no Iraque.

“Marrocos está indo para a proibição do niqab, que mulheres muçulmanas usaram por cinco séculos?”, Pergunta o sheik salafista Hassan Kettani no Facebook. “Se assim for, será uma catástrofe.” Outro militante salafista advertiu que a proibição da burca era um primeiro passo para a proibição do niqab, o que levaria a uma divisão na sociedade marroquina.

Hammad Kabbadj, um pregador cuja candidatura no Parlamento de outubro de 2016 foi invalidada, reagiu dizendo que a proibição era inaceitável em um país onde o uso de trajes de banho ocidentais era considerado um direito humano.

A ex-ministra das Mulheres Nouzha Skalli comentou que a proibição da burca é “um passo importante na luta contra o extremismo religioso”.

http://www.clarionproject.org/news/morocco-bans-burqa

Por que a Alemanha não se desculpou até hoje pelo primeiro genocídio do século 20

Para historiadores, trata-se do primeiro genocídio do século 20. Mas muitas pessoas nunca ouviram falar do assassinato de dezenas de milhares de pessoas por tropas alemãs no território que hoje é a Namíbia, na África.

Entre 1904 e 1908, quando a região era conhecida como Sudoeste Africano e estava sob colonização de Berlim, militares realizaram uma campanha implacável de extermínio de duas etnias locais, os herero e os nama.

De um total de cerca de 100 mil integrantes dos dois grupos, estima-se que pelo menos 80 mil homens, mulheres e crianças foram mortos por balas, canhões, fome ou sede. O estupro em massa de mulheres foi sistemático.

Centenas de crânios de vítimas foram enviados à Alemanha para serem analisados em estudos sobre diferenças raciais que buscavam provar a superioridade dos brancos. Vinte deles foram devolvidos à Namíbia em 2011.

Manifestação em Berlim, com cartaz exigindo pedido de desculpasDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNesta manifestação em Berlim, em 2015, participantes pediram que governo alemão se desculpe formalmente pelas mortes
Homens e meninos herero, algemados e desnutridosDireito de imagemARQUIVO NACIONAL DA NAMÍBIA
Image captionMuitas fortes foram causadas por fome e sede

Mais de um século depois, representantes dos governos alemão e namíbio negociam uma declaração conjunta sobre o episódio – algo motivado principalmente por uma extensa campanha de ativistas herero e nama.

Segundo a imprensa alemã, Berlim deverá reconhecer pela primeira vez sua responsabilidade em um genocídio na África.

Os grupos étnicos entraram este mês em um tribunal de Nova York com um pedido de indenização junto ao governo alemão, com base em possíveis violações da Declaração da ONU sobre Direitos de Grupos Indígenas.

Porém, o principal negociador da Alemanha nas negociações com a Namíbia, Ruprecht Polenz, disse ao jornal britânico The Guardian que o ocorrido na Namíbia “não pode ser comparado ao Holocausto” – o extermínio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial resultou no pagamento individual de indenizações pelo governo.

Acadêmicos e ativistas argumentam, porém, que as ações contra os herero e os nama foram igualmente brutais – alguns asseguram que as atrocidades na África abriram caminho para o Holocausto, quase quatro décadas depois.

Estupros e assassinatos

Na Conferência de Berlim, em 1884, as potências europeias fizeram uma partição da África. A Alemanha, que tinha colônias onde hoje é Camarões, Togo e Tanzânia, anexou também a costa sudoeste do continente.

Soldados alemães na NamíbiaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionRebelião dos herero e nama contra a ocupação fez com que o kaiser Guilherme 2º enviasse 14 mil soldados para a colônia

Indígenas foram expulsos de suas terras, que foram entregues a colonos alemães. A população nativa sofreu todo tipo de abuso, incluindo estupros e assassinatos. Isso causou as revoltas de 1903, em que guerreiros herrero e nama fizeram ataques que resultaram na morte de dezenas de colonos.

A resposta alemã veio com a ordem do imperador, o kaiser Guilherme 2º, para que 14 mil soldados fossem deslocados para a colônia. Todos sob o comando de Lothar Von Trotha, que havia reprimido brutalmente rebeliões nativas em posições do país na China e no leste da África.

Entre as represálias estavam uma morte lenta no deserto do Kalahari, onde soldados tinham envenenado os poços d´água.

Genocídio

Prisioneiros herero acorrentados, na companhia de soldados alemães montadosDireito de imagemARQUIVO NACIONAL DA NAMÍBIA
Image captionO general Lothar von Trotha ordenou em 1904 que os herero ‘deixassem o país’

Von Trotha abriu os trabalhos enviando uma mensagem veemente os herero:

“Eu, general dos soldados alemães, envio esta carta aos herero. O povo herero deve abandonar o país. Se negarem, forçarei sua partida com canhões. Qualquer herero, com ou sem armas, será executado.”

“Von Trotha disse a seus soldados que não atirassem em mulheres e crianças. Em vez disso, os soldados as forçaram a fugir para o deserto, onde morreram de fome e sede”, disse à BBC Mundo (o serviço em espanhol da BBC) Reinhart Koessler, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de Freiburg e acadêmico especializado no passado colonial da Alemanha.

Gravura de época mostra batalha entre guerreiros herero e tropas alemãsDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionPara Reinhart Koessler, a proclamação de Von Trotha ‘teve a intenção clara de extermínio, e isso constitui genocídio’
Descendentes de von Trotha na NamíbiaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionDescendentes do general Lothar von Trotha foram à Namíbia en 2007 para pedir desculpas por suas ações

Para Koessler, as palavras de Von Trotha “foram uma intenção clara de extermínio, e isso constitui genocídio, a vontade de eliminar um grupo étnico”.

Os estupros de mulheres herero e nama foi algo tão generalizado que muitos descendentes atualmente têm algum ancestral alemão.

“Sou descendente direto dos herero. Tanto meus avôs maternos quanto paternos tinham sangue alemão em suas veias por causa do abuso sexual cometido contra meu povo”, disse Ngondi Kamatuka, integrante da Asociação Herero Contra o Genocídios, à BBC Mundo.

Pedido de desculpas

As negociações entre Alemanha e Namíbia são o resultado de um longo processo iniciado logo após o país se tornar independente da África do Sul, em 1990.

Ngondi KamatukaDireito de imagemCORTESIA NGONDI KAMATUKA
Image captionNgondi Kamatuka quer pedido oficial de desculpa dos alemães

“Os povos herero e nama exigem um pedido de desculpas oficial do povo alemão, emitido pelo Parlamento. O Parlamento deve pedir perdão de forma inequívoca pelos crimes cometidos em nome do imperador (o kaiser Guilherme)”, afirma Kamatuka.

Um dos temas mais complicados é o de uma possível indenização.

A Alemanha se recusa a falar sobre reparações e propõe oferecer compensações por meio de projetos de infraestrutura e ajuda financeira para a Namíbia.

“Quando um criminoso comete um delito, ele não tem direito a escolher as consequências”, discorda Kamatuka.

Ativistas pedem para participar direamente das negociações e dizem desconfiar do que o governo da Namíbia, dominado por outro grupo étnico, o ovambo, fará com eventuais fundos repassados.

Alguns observadores ressaltam que a negociação direta com grupos étnicos e discutir reparações faria com que a Alemanha reconhecesse culpa com base na convenção da ONU contra o genocídio.

Indenizações

Kamatuka diz que as vítimas africanas mereciam o mesmo tipo de indenização individual que as do Holocausto.

Representantes da Namíbia no Memorial do Holocausto, em BerlimDireito de imagemCORTESIA REINHART KOESSLER
Image captionRepresentantes da Namíbia no Memorial do Holocausto em Berlim, em 2011; as representantes foram à capital alemã na ocasião da repatriação de 20 crânios de vítimas herero, devolvidos por um hospital do país europeu
Ruprecht PolenzDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO principal negociador alemão, Ruprecht Polenz, disse à imprensa que seu país usará o termo ‘genocídio’, mas descartou categoricamente a indenização de familiares de vítimas

“O número de mortos no Holocausto e na Namíbia não é comparável, mas o que fizeram com nosso povo foi igualmente brutal”.

Segundo o jornal The New York Times, Ruprecht Polenz, o representante alemão nas negociações, assegurou que seu país usará o termo genocídio.

Mas em entrevista a uma rádio alemã, ele disse que, na visão do governo, o uso do termo não incorre em obrigações legais, mas sim morais e políticas de “sanar as feridas”.

À BBC Mundo, o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha afirmou que as negociações ocorrem desde 2014 “em busca de um enfoque comum sobre esses eventos dolorosos”.

“Espera-se que um dos resultados desse diálogo seja uma linguagem comum em relação a esses eventos históricos, assim como um pedido de desculpas da Alemanha e a aceitação dessas desculpas pela Namíbia.”

Ngondi Kamatuka afirma que “se Alemanha tomar a posição de não nos indenizar, pensaremos que não querem fazê-lo porque, ao contrário das vítimas da Segunda Guerra Mundial, nós temos a pele negra”.

O representante herero, que vive nos EUA, diz que fundos pagos pela Alemanha poderiam ser usados na compra de “terras roubadas dos herero e dos nama, que hoje vivem em pobreza espantosa”.

Mulher herero em frenta a uma casa, ao lado de um meninoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAtivistas querem recuperar terras perdidas por nativos
Mulher hereroDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionSegundo Kamatuka, as duas etnias ocupavam 70% das terras

Segundo o ativista, esses grupos étnicos ocupavam “cerca de 70% das terras” antes da chegada dos alemães.

“Hoje ainda temos muitos proprietários de terra que só vão à Namíbia para caçar. Fomos pacientes e jamais invadimos suas fazendas, mas as indenizações permitiriam comprar algumas dessas terras para combater a miséria de nosso povo.”

Genocídio esquecido

Para Koessler, há uma “amnésia colonial” na Alemanha que deve ser combatida. Na sua opinião, esse passado colonial está relacionado aos eventos trágicos mais conhecidos da história do país.

Postal mostrando crânicos de vítimas hereroDireito de imagemREINHART KOESSLER
Image captionAs mortes de nativos foram divulgadas na Alemanha em gravuras como esta

“Os perpetradores de muitos genocídios no século 20 tentaram ocultá-los, mas o caso da Namíbia foi algo muito público”, afirma Koessler.

“A proclamação do general Von Trotha foi debatida em público e postais com ilustrações de atrocidades circulavam (pela Alemanha). Inclusive um que mostrava crânios sendo embalados, com o comentário de que mulheres herero foram obrigadas a limpá-los com cacos de vidro.”

“Um autor da época, Gustav Frenssen, descreveu os testemunhos de soldados que participaram da repressão, e afirmou que o que ocorreu com a população negra era justificado por uma lei divina.”

Koessler conta que um livro de Frenssen, A Viagem de Peter Moors ao Sudoeste Africano, legitimizando o genocídio, foi usado em escolas e cópias foram dadas aos soldados que iam ao front.

Relação com o Holocausto?

“Claro que não podemos falar de uma linha causal com o Holocausto. Mas, na minha opinião, essa mobilização de nacionalismo e a exposição pública das atrocidades combinaram para baixar o nível do que era aceitável em termos do que seres humanos podem fazer uns aos outros. De certa forma, contribuíram para o que ocorreu nas décadas seguintes e levou ao Holocausto”, avalia Koessler.

Fotógrafos em frente a crânios em caixas de vidroDireito de imagemGETTY IMAGES
Image caption20 crânios enviados à Alemanha para estudos foram devolvidos em 2011 à Namíbia por um hospital de Berlim

Para o jornalista americano Edwin Black, a matança na Namíbia “estabeleceu um padrão” para o Holocausto.

Em um artigo recente, ele cita vários exemplos. Um dele é o caso de Eugen Fischer, médico nazista cujas pesquisas sobre diferenças raciais tiveram início na Namíbia.

“A entrada do termo campo de concentração no vocabulário alemão teve início com o estabelecimento de campos para hereros”, completa Black.

Hermann Goering, que estava apenas abaixo de Adolf Hitler na hierarquia nazista, era filho de Heinrich Goering, primeiro governador alemão na Namíbia.

Herança

Para Reinhart Koessler, é importante que alemães mais jovens saibam o que ocorreu – o ensino de história na Alemanha é “muito eurocêntrico”, diz.

Filas de lápides de soldados alemães
Image captionCemitério alemão na Namíbia tem filas de lápides para soldados alemães…
Placa no cemitérioDireito de imagemGETTY IMAGES
Image caption…mas apenas uma placa para lembrar vítimas herero.

“Na minha opinião, o Parlamento deve pedir desculpas pelo genocídio, e deve haver consequências materiais.”

Já Kamatuka queixa-se da ausência de monumentos em homenagem às vítimas das atrocidades na Namíbia.

“Não se fala do genocídio nos livros escolares da Alemanha e da Namíbia”, diz.

“Os jovens herero e nama precisam saber do genocídio contra seu povo. Para que saiba quem são, de onde vêm e como navegar seu futuro.”

http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38554223?ocid=socialflow_facebook

Cristão é assassinado no Egito por vender bebida alcoólica

Um homem muçulmano deu emboscada por atrás de um cristão e cortou sua garganta, matando-o em Alexandria, no Egito, na noite de 3 de janeiro.

Adel Suleiman, 48, o homem muçulmano que cometeu o assassinato, o fez porque sua vítima cristã, Joseph Lam’i, de 45 anos, era dono de uma loja que vendia bebida álcoólica, o que o assassino considerava “contrário à shar’ia (Lei)  e à religião [Islã] “, de acordo com um relatório de investigação em língua árabe.

Um vídeo de vigilância capta o momento do ataque (veja abaixo). O proprietário copta da loja pode ser visto sentado em uma cadeira fora de sua loja. Então um homem barbudo aparece casualmente andando ao fundo. Ele pára atrás do cristão sentado, puxa sua cabeça para trás, e muito vigorosamente e deliberadamente corta sua garganta. O copta instintivamente salta e se afasta de seu assassino, embora venha sucumbir rapidamente devido ferimentos sangrando até a morte.

De acordo com uma investigação preliminar do departamento de segurança nacional do Egito, “O acusado não foi motivado por motivos políticos ou criminosos, mas abraçou o pensamento takfiri [radical] há quatro anos”.

O que está claro é que o assassino é um salafista, um desses muçulmanos que seguem de perto o estilo de vida e os ensinamentos do profeta muçulmano Muhammad e seus companheiros originais. Tanto sua aparência (a tradicional barba salafista com bigode cortado) como suas ações (“defender” o Islã das influências “corruptoras” dos “infiéis”) testificam desse fato.

http://raymondibrahim.com/2017/01/04/muslim-slaughters-christian-selling-alcohol-egypt/

 

Perseguição no Egito:“Temos o direito de abrir igrejas”

A construção de igrejas no Egito tem sido uma questão controversa: “Queremos viver num Estado que prioriza a ordem e o cumprimento das leis”.

Mais de 10 casas de propriedade de cristãos foram vandalizadas, outras 3 saqueadas e comércios que pertenciam a eles foram destruídos, numa pequena vila do Egito. O ataque aconteceu duas semanas depois dos rumores de que uma comunidade cristã planejava abrir uma igreja no local. Os agressores atiraram pedras e coquetéis molotov logo após saírem de suas tradicionais orações de sexta-feira. Durante o ataque eles gritavam “não queremos uma igreja aqui”.

Algumas pessoas tentaram ajudar e o próprio prefeito local tentou impedir a violência. Bombeiros também chegaram para dar reforço, mas os muçulmanos impediram sua passagem. A polícia chegou 1 hora e meia depois do ocorrido e usou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

Um dos cristãos declarou: “Temos o direito de abrir igrejas”. Yaccoub* alega que pediram autorização ao governo, mais de 3 vezes, e que o pedido foi rejeitado. “Há mais de 2 mil moradores na aldeia e temos que dirigir mais de meia hora para chegar à igreja mais próxima, para que possamos orar e ter comunhão entre os irmãos. É nosso direito básico ter uma igreja aqui”, reivindica ele.   

Yaccoub também acrescenta que os cristãos querem justiça e que os extremistas muçulmanos que os atacaram devem ser punidos. “Acredito que a punição funcionará como forma de impedimento, para que eles não façam isso novamente. Queremos viver num Estado que prioriza a ordem e o cumprimento das leis”, disse. No total, 29 pessoas foram presas, 15 já foram liberadas e 14 ficaram detidas para interrogatórios. 

A construção de igrejas no Egito tem sido uma questão controversa. Em agosto, a Igreja Copta disse que as emendas propostas sobre uma lei para a construção da igreja eram “inaceitáveis e impraticáveis”. Haverá reuniões com o objetivo de discutir uma nova legislação priorizando eliminar os obstáculos que impedem a construção de igrejas. Projetos semelhantes já foram apresentados em 2006, 2009, 2011, 2012, e 2014. Até agora nada foi resolvido para aliviar a situação dos cristãos. 

*Nome alterado por motivo de segurança

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2017/01/temos-o-direito-de-abrir-igrejas

Etiópia: meninas cristãs são condenadas a um mês de prisão

Elas foram detidas logo após distribuírem livros cristãos escritos por um autor muito conhecido que fazia críticas ao islamismo; as famílias ficaram espantadas com o veredito do juiz.

Três adolescentes cristãs tiveram que comparecer a um Tribunal Etíope para responder às acusações de “violência religiosa”. As meninas cujos nomes foram informados somente como Eden* (15), Gifti* (14) e Mihiret* (14), juntamente com Deborah*, uma garota mais velha, foram presas após distribuírem livros cristãos escritos por um autor muito conhecido que fazia críticas ao islamismo.

Em uma breve audiência, o juiz condenou as quatro a um mês de prisão, depois de pedir ao promotor para apresentar as devidas provas. De acordo com um dos colaboradores da Portas Abertas, as meninas serão transferidas para uma prisão maior, numa cidade conhecida por Gelemiso, para cumprir pena entre os criminosos comuns, mesmo que três delas tenham idade inferior a 18 anos.

O juiz permitiu um apelo, que só poderá ser feito após a transferência. As famílias ficaram espantadas com o veredito do juiz. Muçulmanos locais disseram que o livro é um “insulto ao islã” que, inclusive, inspirou o ataque a uma igreja. A Etiópia ocupa o 18º lugar na atual Classificação da Perseguição Religiosa e está entre os países onde o cristianismo é rejeitado e muito hostilizado. Ore por essa nação.

*Nomes alterados por motivos de segurança.

Juntos pela África
Os cristãos de alguns países da África Subsaariana enfrentam uma das piores perseguições de sua história. No dia 11 de junho, data escolhida para o Domingo da Igreja Perseguida 2017, juntos faremos mais pelos nossos irmãos dessa região.

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2017/01/meninas-cristas-sao-condenadas-a-um-mes-de-prisao

Mali: assassinato de cristão aumenta a preocupação da igreja

Até agora não houve nenhuma reivindicação do crime por grupos extremistas. “Não sabemos se a morte dele foi por causa de sua fé ou se houve motivação política”.

O assassinato de um político cristão fulani, no Mali, que ocorreu no mês de novembro, continua sendo um mistério. Os moradores da vila onde ocorreu o crime suspeitam de uma “agenda islâmica”. Moussa Issah Bary, de 47 anos, era vice-prefeito de Kerana, cidade próxima à fronteira com Burquina Faso. Ele foi morto a tiros por seis homens não identificados, que estavam dirigindo motocicletas.

O cristão deixou a esposa e oito filhos. O assassinato de Bary aconteceu poucos dias antes das eleições municipais. Ele era um exemplo raro, pois era cristão e ao mesmo tempo membro da tribo Fulani. Os fulanis normalmente são conhecidos por cometer atrocidades e já foram reconhecidos como uma das principais milícias mortais do mundo.

Essa perda causou muita tristeza entre os cristãos, fez aumentar o medo e as preocupações em relação à vulnerabilidade da igreja no país. Cristãos fulanis de outras nações que conheciam Bary também estão apreensivos. Até agora não houve nenhuma reivindicação do crime por grupos extremistas. “Não sabemos se a morte dele foi por causa de sua fé ou se houve motivação política”, conclui um dos colaboradores da Portas Abertas.

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https://www.portasabertas.org.br/noticias/2017/01/assassinato-de-cristaos-aumenta-a-preocupacao-da-igreja

A crise humanitária esquecida que criou 400 mil refugiados em 2016

O país de que saíram mais refugiados em 2016, em meio a uma violenta guerra civil, é também o país jovem do mundo. Trata-se do Sudão do Sul.

Sua independência do Sudão, em 2011, depois de um outro grande conflito, que durou mais de 20 anos, deu esperanças de dias mais felizes para a nação africana, uma das mais pobres do mundo.

Porém, o quinto aniversário do novo Estado teve poucos motivos para celebrações.

“Nossas visitas ao Sudão do Sul sugerem que está sendo levado a cabo no país um processo de limpeza étnica em várias regiões por meio do uso da fome, dos estupros coletivos e de incêndios”, disse recentemente a presidente da Comissão de Direitos Humanos da ONU para o país, Yasmin Sooka.

O governo do Sudão do Sul, presidido por Salva Kiir, nega as acusações.

Ruanda outra vez?

Sooka também alertou para o que pode se tornar uma repetição do genocídio que, em 1994, deixou mais de 800 mil pessoas massacradas em apenas três meses em outro país africano, Ruanda.

Mas apesar dessa magnitude, a situação no Sudão do Sul raramente teve repercussão na mídia em 2016.

Pessoas fugindo do conflito do Sudão do Sul
Image captionDiariamente, 2.500 sudaneses buscam abrigo em países vizinhos

Desde o início da guerra da civil, em dezembro de 2013, mais de 1,17 milhão de pessoas buscaram refúgio em países vizinhos, especialmente em Uganda, Etiópia, Sudão e Quênia.

O número total de pessoas deslocadas alcança 1,8 milhão.

“Desde julho de 2016, estamos falando de mais de 400 mil pessoas que fugiram do país”, disse à BBC Mundo (o serviço em espanhol da BBC), Eujin Byun, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR).

No mesmo período, o número de refugiados sírios foi de 200 mil, segundo o órgão – ainda que o total seja de 4,8 milhões.

Em 2016, o Sudão do Sul se uniu à Síria, Afeganistão e Somália no grupo de países com mais de um milhão de refugiados.

Razões da crise

Mas como uma nação rica em recursos chegou a uma situação tão crítica?

Salva Kiir (direira) e Riek Machar (esquerda)Image copyrightAP
Image captionSalva Kiir (à direita), acusou o vice-presidente, Machar, de organizar um golpe (izq) de orgnaizar un golpe.

A guerra civil teve início quando Salva Kiir destituiu seu vice, Riek Machar, a quem acusou de tramar um golpe de Estado. Os dois políticos pertenciam ao mesmo partido – o Exército de Libertação do Povo Sudanês.

“Algumas horas mais tarde, os militares se dividiram e começamos a escutar tiros em Juba (a capital)”, contou à BBC Mundo o brasileiro Raimundo Rocha dos Santos, um padre brasileiro que trabalha como missionário no Sudão do Sul.

“A origem do conflito é muito política. Uma profunda divisão no partido do governo”.

Mas à rivalidade política se somaram tensões entre as duas etnias majoritárias do país: os dinka, grupo ao qual pertence Salva Kiir e que representa cerca de 15% dos da população do país (que é de 12,3 milhões de pessoas), e os nuer, a que pertence Machar e corresponde a cerca de 10% da população.

Em 2015, as duas facções fizeram um acordo de paz que previa a volta de Machar ao governo como vice de Kiir. No entanto, apenas três meses depois, Machar foi novamente expulso do governo e o conflito foi novamente deflagrado em julho de 2016.

Soldado no Sudão do SulImage copyrightAFP
Image captionGuerra civil começou em 2013, apenas dois anos depois da independência

Petróleo

As causas da guerra não são exclusivamente políticas e étnicas.

“O Sudão do Sul é um país complicado e há muitos fatores que influem no conflito, inclusive econômicos”, destaca Eujin Byun.

“Há uma inflação de 800%. Há um ano, um dólar valia três libras sudanesas. Hoje, estamos falando de 120 para cada dólar. A criminalidade também aumentou. Outro motivo de briga é o petróleo. As duas partes querem controlar os campos petrolíferos”, completa.

Com território de dimensões semelhantes às da França, o Sudão do Sul é o país do mundo mais dependente do petróleo, segundo o Banco Mundial. O produto responde por praticamente todas suas exportações e por 60% do PIB. Porém, a maior parte do país vive em uma economia de subsistência e a situação piorou nos últimos anos – o PIB, por exemplo caiu de US$ 17 bilhões em 2011 para apenas US$ 9 bilhões em 2015.

Civis viram alvos

O impacto da guerra é brutal tanto do ponto de vista econômico como humanitário. Estima-se que mais de 50 mil pessoas tenham morrido nos três anos de guerra, segundo Rocha.

“Isso gerou uma crise humanitária enorme”, conta o brasileiro.

Campo de refugiados de Bidi Bidi
Image captionRefugiados sudaneses no campo de Bidi Bidi, em Uganda

Dos quase dois milhões de deslocados internamente, mais de 200 mil estão em Centros de Proteção a Civis, gerenciados pela ONU.

“Em termos de segurança. estão relativamente bem, pois estão protegidos pelas forças de paz da ONU, mas há também pessoas escondidas na floresta, sem segurança, comida ou necessidades básicas. É algo desesperador”, relata o missionário.

“Povoados ou cidades são atacados em conflitos e os civis viram alvos”.

Byun se queixa da falta de recursos e de atenção.

“Muita gente da comunidade internacional não sabe o que está se passando no Sudão do Sul”.

http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38477791

Muçulmanos atacam cristãos em igreja no Natal e destroem casa de cristã enquanto gritam ‘esta aldeia não é para cristãos, mas para Allah’

Em um terrível ataque no dia de Natal, 19 saqueadores muçulmanos atacaram cristãos na igreja. Eles espancaram uma mãe solteira e destruíram sua casa enquanto gritavam que sua aldeia não é “para cristãos, mas para Allah”:

Os muçulmanos no leste de Uganda atacaram os cristãos no Natal e destruíram a casa de uma mãe solteira na véspera de Natal, disseram fontes.

Em uma aldeia predominantemente muçulmana de Obokora, no distrito de Pallisa, 19 muçulmanos mascarados entraram em um conjunto de igrejas cantando o slogan jihadista “Allahu Akbar” e “Longe daqui, esta aldeia não é para cristãos, mas para Allah”, durante um culto dominical (25 de dezembro) às 11 horas, disse à Morning Star News o pastor da congregação, Erod Okaali.

O pastor Okaali, que estava pregando na ocasião, e vários membros da igreja fugiram para salvar suas vidas por uma porta dos fundos. Os assaltantes pegaram o pastor e 15 membros da igreja e os espancaram, deixando cinco com ferimentos graves, incluindo ossos quebrados de suas mãos e pernas, disse ele. A face do pastor foi ferida. Os cristãos receberam tratamento em um centro de saúde em Kashebai.

Anteriormente em um serviço de noite de Natal, um muçulmano tinha se convertido foi imediatamente curado de doença, disse o converso à Morning Star News. Yasiini Mugoya disse que voltou para casa e compartilhou o evangelho de Cristo com seus companheiros muçulmanos no início da manhã de Natal.

“Eles começaram a me bater e me forçaram a levá-los para o recinto da igreja onde os cristãos haviam orado por mim e eu tinha recebido salvação e cura”, Mugoya disse. “Quando chegamos à igreja, os muçulmanos começaram a atacar os membros da igreja.” (Fonte)

http://shoebat.com/2016/12/27/muslims-attack-christians-celebrating-christmas-beat-a-single-mother-and-destroy-her-home-while-shouting-this-village-is-not-for-christians-but-for-allah/

Cristãos nigerianos são perseguidos em todo o país

A lei islâmica (sharia) é imposta na maioria dos estados do norte da Nigéria e os cristãos enfrentam perseguição e pressão constante para se converterem ao islã.

Enquanto ataques aos cristãos por parte dos militantes islâmicos Boko Haram e dos pastores Fulani no nordeste da Nigéria chamaram a atenção da mídia, as fortes pressões sociais que os cristãos enfrentam em outros lugares passam despercebidas.

Apesar dos equívocos de que eles são uma minoria no norte da Nigéria, os cristãos ainda formam a maioria na metade dos 12 estados do norte, agora todos sob a lei islâmica (sharia), enquanto há altas concentrações, de até 50% da população, em outros estados do norte.

Em uma comunidade remota no estado de Kebbi, governado pela sharia, os cristãos enfrentam discriminação e pressão constante para se converterem ao Islã.

A vila de Danbango na área de governo local de Yauri era tradicionalmente uma comunidade animista (crença de que tudo tem uma alma ou espírito, inclusive os animais, plantas, rochas, montanhas, rios e estrelas), mas muitos se converteram ao cristianismo depois da visita de missionários em 2012. Mais recentemente, com as visitas de líderes muçulmanos muitos se converteram ao Islã. Os cristãos dizem que também enfrentaram pressão para fazê-lo.

Um morador cristão disse que lhes prometeram vantagens, escolas e clínicas se se convertessem.

“Quando meu filho ficou muito doente, levei-o ao hospital, mas os médicos disseram que o tratariam somente se eu desistisse da minha fé cristã. Recusei e o levei para casa. Alguns dias depois morreu”, disse um cristão de Yauri

O líder de uma igreja local, Josué Wede, disse que sua igreja também experimentou problemas. “O chefe distrital de Yauri, acompanhado por um grupo de vigilantes muçulmanos, veio à nossa igreja e interrompeu o culto de adoração”, disse ele. “Eles nos bateram e alegaram que o terreno em que nossa igreja foi construída não foi liberado pelo governo. Mas pertence a um dos nossos membros da igreja, que nos deu para construir um lugar para os nossos cultos”. Segundo ele, a mesquita da vizinhança não foi incomodada, apesar deles não obterem aprovação para construir sobre o terreno.

“Em maio deste ano, fomos presos e levados para a prisão, onde fomos espancados novamente e recebemos tratamento duro. Não tivemos oportunidade de entrar em contato com um advogado, e alguns funcionários nos disseram que se nos declarássemos culpados, seríamos libertados. Não tínhamos a quem recorrer ou qualquer pessoa que poderiam nos ajudar, portanto, concordaram.

“Alguns representantes da Associação Cristã da Nigéria vieram ao tribunal para implorar que a audiência fosse adiada para que eles pudessem conversar conosco, mas era tarde demais. Já tínhamos nos declarado culpados. O julgamento final foi aprovado dias depois e fomos sentenciados a três anos de prisão com trabalhos forçados, ou multa de US $ 150 cada.

Outro líder da igreja, chamado Kabiru, acrescentou: “Fui preso muitas vezes por falsas acusações. Tudo é apenas um esforço para frustrar a propagação do Evangelho “.

Juntos pela África
Os cristãos de alguns países da África Subsaariana enfrentam uma das piores perseguições de sua história. No dia 11 de junho, data escolhida para o Domingo da Igreja Perseguida 2017, juntos faremos mais pelos nossos irmãos dessa região.

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2016/12/cristaos-nigerianos-sao-perseguidos-em-todo-pais