Ataque mata ao menos 30 em universidade no Paquistão

Militantes dispararam em salas de aula e em alojamentos. Há relatos de que quatro homens armados vestiam coletes suicidas.

ISLAMABAD — Um ataque com bomba e tiros contra uma universidade no Noroeste do Paquistão terminou com pelo menos 30 mortos e dezenas de feridos nesta quarta-feira, informou o chefe de polícia regional. Fontes de segurança disseram que o número de mortos pode subir.

Há relatos conflitantes sobre a autoria do ataque à Universidade Bacha Khan, em Charsadda, na província de Khyber Pakhtunkhwa. Em um comunicado, o porta-voz oficial do Talibã paquistanês disse que o grupo islâmico não estava por trás da investida. A declaração veio horas depois de um alto comandante talibã afirmar que quatro de seus combatentes estavam envolvidos no atentado. O número de mortos também diverge, com diferentes fontes apontando entre 19 e 30.

Tiroteios e explosões foram ouvidos enquanto guardas de segurança enfrentavam os militantes. Há relatos de que quatro homens armados vestiam coletes suicidas e foram mortos.

Um porta-voz da equipe de resgate, Bilal Ahmad Faizi, disse que 19 corpos foram recuperados, incluindo de estudantes, guardas, policiais e de pelo menos um professor, identificado pela mídia como Syed Hamid Husain. Muitos dos mortos foram aparentemente baleados na cabeça, mostraram imagens de TV.

Mais cedo, Umar Mansoor, um comandante do Talibã paquistanês e o mentor de um massacre de estudantes em dezembro de 2014, reivindicou a responsabilidade pelo ataque e disse que quatro de seus homens participaram da ação.

Os militantes armados atacaram enquanto a universidade se preparava para um recital de poesia na quarta-feira à tarde em comemoração ao aniversário da morte de Khan Abdul Ghaffar Khan, um popular ativista do grupo étnico Pashtun e que deu o nome à universidade.

ATIRADORES DISPARARAM EM SALAS DE AULA

Os militantes aproveitaram a neblina para escalar os muros da Universidade Bacha Khan. Em seguida, entraram em prédios e abriram fogo contra os alunos e professores em salas de aula e em alojamentos, disse a polícia.

Estudantes relataram à mídia local que viram vários jovens armados com AK-47 invadindo o alojamento universitário onde muitos estudantes estavam dormindo.

— Os professores nos disseram para sair imediatamente. Algumas pessoas se esconderam no banheiro — relatou um estudante não identificado a um canal de notícias a partir de uma cama de hospital em Charsadda.

O Itamaraty condenou o ataque: “Ao manifestar sua solidariedade ao povo e ao Governo do Paquistão e transmitir suas condolências às famílias das vítimas, o Brasil reitera seu firme repúdio a toda e qualquer forma de terrorismo, independentemente de sua motivação”, afirmou em nota.

No ataque de dezembro de 2014, homens armados do Talibã mataram 130 alunos em uma escola de gerência militar nas proximidades de Peshawar. Charsadda fica a cerca de 50 km da cidade.

Equipe de resgate leva homem ferido para hospital em Charsadda – HASHAM AHMED / AFP
Khalifa Umar Mansoor, líder de uma facção do Talibã, a Hakimullah Mehsud, reivindicou a autoria do atentado, afirmando que “quatro suicidas nossos executaram o ataque contra a Universidade Bacha Khan”. Ele disse que foi uma resposta à execução, em dezembro, de outros quatro militantes do grupo condenados pelo ataque à escola em Peshawar, em dezembro de 2014. Há também a informação de que a ofensiva foi uma represália a operações do Exército nas zonas tribais próximas da fronteira com o Afeganistão. Entretanto, Muhammad Khurasani, um porta-voz do Talibã, anunciou que os autores do ataque “não islâmico” serão julgados e condenados em nome da sharia (a lei islâmica).

— O Talibã considera os estudantes em instituições não militares o futuro da nossa jihad, e não iríamos matar recrutas em potencial — afirmou Khurasani, insistindo que o mulá Fazlullah, líder do Talibã paquistanês, não tinha nada a ver com o ataque.

A ausência de um comunicado de Fazlullah, que se acredita estar escondido no Afeganistão, indica que o atentado pode ter sido realizado por um comandante local atuando de forma independente. O nome da universidade homenageia um dos líderes políticos seculares do Paquistão, Khan Abdul Ghaffar Khan, apelidado de Bacha Khan, morto em 1988. Ele foi um dos aliados de Mahatma Gandhi na resistência não violenta contra o colonialismo britânico, e fundou o secular e esquerdista Partido Nacional Awami, que se opunha categoricamente ao Talibã e a outros movimentos islamistas. Ontem, foi o 28º aniversário de morte de Ghaffar Khan.

O atentado mostra que os militantes mantêm a capacidade de realizar ataques no Paquistão, apesar da retaliação antiterrorista em todo o país.

— Estamos determinados em nosso compromisso de acabar com a ameaça do terrorismo — afirmou o premier Nawaz Sharif direto da Suíça, onde participa do Fórum Econômico Mundial.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/ataque-mata-ao-menos-30-em-universidade-no-paquistao-18509523#ixzz3xqzhAfX0

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