Manifestações anti-houthi deixam seis mortos no Iêmen

Protestos foram realizados em Taiz e Torba. 119 pessoas ficaram feridas, diz Anistia Internacional

SANAA — Rebeldes xiitas dispararam vários tiros e bombas de gás lacrimogêneo nesta terça-feira para dispersar milhares de manifestantes que exigiam que sua retirada de uma província do Sudoeste. Seis manifestantes morreram, e vários ficaram feridos no confronto.

Enormes protestos foram realizados em Taiz — terceira maior cidade do país, tomada pelos rebeldes no fim de semana — e em Torba, a cerca de cem quilômetros de distância, onde testemunhas disseram que as ruas estavam cheias de fumaça negra de pneus queimados e três veículos blindados foram incendiados por manifestantes.

— Torba se transformou em uma bola de fogo — disse Khaled al-Asswadi, um morador da cidade, que disse que os manifestantes impediram os houthis de avançar sobre Torba.

Outra testemunha, Mohammed Salem, disse que os houthis e forças ligadas ao ex-presidente Ali Abdullah Saleh dispararam armas antiaéreas para assustar os manifestantes, mas em vez disso, os protestos aumentaram. Em um comunicado, o Partido Socialista do Iêmen advertiu que a invasão do sul de maioria sunita pelos houthis “iria detonar uma ‘guerra sectária’”.

Citando médicos, a Anistia Internacional afirmou que 119 pessoas ficaram feridas na manifestação anti-houthi e pediu um inquérito sobre a repressão.

“Os direitos humanos no Iêmen estão em queda livre e até mesmo um protesto pacífico torna-se uma atividade arriscada”, disse Disse Said Boumedouha, o vice-diretor do programa de Oriente Médio e Norte da África da Anistia.

Na Arábia Saudita, o ministro das Relações Exteriores, Saud al-Faisal, advertiu que “caso o golpe houthi não termine pacificamente, vamos tomar as medidas necessárias para proteger a região desta crise”.

O Conselho de Cooperação do Golfo — Arábia Saudita, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos, Omã e Bahrein — advertiu no início deste ano que iria agir para proteger a segurança da Península Arábica e descreveu a tomada houthi como um “ato terrorista”.

Os houthi entretanto rejeitam convites para participar de quaisquer negociações de diálogo que sejam realizados na Arábia Saudita ou no Qatar. O porta-voz houthi, Said Abdul-Salam, disse em sua página no Facebook nesta terça-feira que ambos os países se opuseram à seu movimento.

http://oglobo.globo.com/mundo/manifestacoes-anti-houthi-deixam-seis-mortos-no-iemen-15689739

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