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Reino Unido: pregador muçulmano que comparou judeus com pulgas discursa em evento promovido pelo governo

“Exclusivo: pregador islâmico que comparou os judeus com” pulgas foi convidado “para falar no evento de Exposição da Palestina no prédio do governo”, por Harry Yorke e Edward Malnick, Telegraph , 7 de julho de 2017:

Um pregador de ódio islâmico que já citou uma comparação nazista de judeus com “pulgas” recebeu uma plataforma para falar em uma conferência a ser realizada em um importante edifício governamental liderado pelo departamento responsável pela luta contra o extremismo e incentivo a integração.

Ebrahim Bham, um clérigo sul-africano que atuou anteriormente como intérprete do conselheiro jurídico principal do Taliban, abordará a Exposição da Palestina no Centro Queen Elizabeth II neste fim de semana, apesar dos funcionários do Ministério do Interior alertar o secretário das comunidades, Sajid Javid, para cancelar o evento , segundo O Telegraph.

Ontem à noite, um grupo de deputados conservadores e ex-militares pediu que o primeiro-ministro viesse a intervir para impedir que edifícios governamentais sejam usados ​​por “grupos que se opõem aos nossos valores e ideais”. O Sr. Bham deve falar na conferência amanhã a tarde e já participou de eventos em várias mesquitas de Londres nesta semana como parte de uma turnê no Reino Unido.

A Exposição Palestina foi organizada pelos Amigos de Al-Aqsa, cujo presidente, Ismail Patel, negou publicamente que o Hamas era uma organização terrorista.

Em uma carta escrita ao grupo em 14 de junho, o Departamento de Comunidades e Governo Local (DCLG) disse que Javid teve a intenção de cancelar o evento. Ele citou “as preocupações de que sua organização e os que estão ligados a ela expressaram apoio público para uma organização proscrita, ou seja, o Hamas, e que você apoiou eventos em que o Hamas e o Hezbollah – também proscrito – foram louvados”.

O Sr. Patel subsequentemente ameaçou levar o departamento judicial e a DCLG permitiu que o evento continuasse, “após uma consideração cuidadosa”.

As gravações dos sermões do Sr. Bham podem ser encontradas no site do Conselho de Teólogos Muçulmanos da África do Sul, do qual é secretário geral.

Em um, ele diz: “Goebbel [sic] era um ministro muito famoso dos nazistas, e ele tentou justificar o assassinato dos judeus. Agora, no que nos diz respeito, não precisamos nos desculpar porque não foi feito pelos muçulmanos.

“Os muçulmanos não o fizeram, mas tiveram que sofrer as consequências do Holocausto. Porque a Europa, por culpa dele, teve que deixar sair seus judeus. E eles não poderiam colocá-los na Europa, eles os colocaram na Palestina às custas do povo muçulmano palestino “.

Citando Goebbels, ele acrescenta: “Um dia ele disse que” as pessoas me dizem que os judeus são seres humanos. Sim, eu sei que eles são seres humanos. Assim como as pulgas também são animais. Assim como as pulgas também são animais, elas também são parte de seres humanos assim.

“Usando esse exemplo, a alma de todo o povo [judeus] afigura-se fazer o mesmo tratamento para os outros da maneira que foi levada para eles”.

Em outra conferência, o Sr. Bham afirma que “a homossexualidade é errada, não importa quantas pessoas a realizem. O bem e o mal nunca serão iguais, não importa quantas pessoas sigam a mentira. “…

Matéria completa: https://www.jihadwatch.org/2017/07/uk-muslim-preacher-who-likened-jews-to-fleas-to-speak-in-government-building

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Copenhague: Imam acusado de pedir assassinato de judeus

“Copenhague imam acusado de chamar para a morte de judeus”, BBC News , 11 de maio de 2017:

Um vídeo de um imã que parece pedir o assassinato de judeus em um sermão durante as orações de sexta-feira em uma mesquita de Copenhague causou indignação na Dinamarca.

Mundhir Abdallah foi denunciado à polícia depois de ser filmado citando em árabe um hadith – um ensinamento do Profeta Muhammad – considerado antissemita.

O hadith diz que o Dia do Juízo “não virá a menos que os muçulmanos lutem contra os judeus e os matem”.

Um líder da comunidade judaica disse que suas palavras eram uma ameaça “mal disfarçada”.

Vídeos do sermão foram postados no YouTube e Facebook pela Mesquita Al-Faruq no domingo, embora Abdallah teria dito, em 31 de março.

Uma parte do discurso de 30 minutos foi posteriormente traduzido pelo Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio (Memri), com sede em Washington.

No vídeo, Abdallah é visto de pé na frente de uma bandeira negra com o Shahadah escrito sobre ele, semelhante àqueles usados ​​por grupos jihadistas como a Al-Qaeda.

Ele declara que em breve haverá um “califado” – um estado governado de acordo com a lei islâmica, ou Sharia – que vai ter jihad para unir a comunidade muçulmana e libertar a mesquita de Al-Aqsa em Jerusalém “da sujeira dos sionistas”.

Então, ele diz “as palavras do Profeta Muhammad serão cumpridas” e cita o hadith.

O líder da comunidade judaica Dan Rosenberg disse ao jornal Politiken: “Estamos preocupados que pessoas fracas e impressionáveis ​​possam perceber esse tipo de pregação como um claro apelo à violência e ao terror contra os judeus”.

O ministro da Imigração e Integração, Inger Stojberg, também expressou indignação.

“Isso é completamente absurdo, antidemocrático e terrível”, escreveu o político de centro-direita Venstre no Facebook ….

https://www.jihadwatch.org/2017/05/copenhagen-imam-accused-of-calling-for-murder-of-jews

A Herança da Cultura do Ódio

  • “Eu odeio os cristãos e os judeus. Não sei porque. Não tenho nenhum motivo aparente para odiá-los, mas eu sempre ouço minha mãe falar mal deles. Ela também os odeia e é por isso que eu os odeio, acho eu. Mamãe sempre me disse que os muçulmanos são o povo escolhido por Alá” — F., uma menina tunisiana de 15 anos de idade.

  • “Eles diziam que aqueles que não são muçulmanos merecem morrer e que não devemos ter nenhuma piedade para com eles. De um jeito ou de outro eles queimarão no inferno”. — M., um menino tunisiano de 16 anos de idade.
  • Pessoas que não leem tendem a temer o que não entendem e esse medo pode se transformar em suspeição, agressão e ódio. Estas pessoas precisam preencher o vazio para remover o desconforto, então elas se voltam para o terrorismo para criar uma meta em suas vidas: defender o Islã.
  • Como a maioria dos tunisianos não lê, assiste muito à TV. “Depois de assistir a série Hareem Al Sultan, eu queria ser uma das concubinas do sultão e viver na época do Império Otomano, eu queria ser como elas”, revelou S., uma menina de 14 anos de idade.

Um relatório do Pew Research Center publicado em 2013, intitulado: “Religião, Política e Sociedade dos Muçulmanos no Mundo“, explora as atitudes e opiniões dos muçulmanos ao redor do mundo em matéria de religião e seu impacto na política, ética e ciência.

Em uma sondagem realizada entre novembro e dezembro de 2011 foram entrevistados 1450 tunisianos muçulmanos de todas as 24 províncias da Tunísia. De acordo com o estudo, 50% dos tunisianos consideram estar em conflito entre a religião e o mundo moderno. Segundo o levantamento, 32% dos tunisianos consideram o divórcio antiético — o maior índice do mundo árabe e muçulmano — se comparado com os 8% do Egito, 6% do Líbano e 3% da Jordânia. Apesar de 46% dos entrevistados responderem que a religião é compatível com o mundo moderno, o estudo indicou que a população da Tunísia está mais propensa a defender a escolha individual — com 89% a favor — do uso da nicabe (véu que cobre o rosto).

Na mesma linha, com base no relatório das Nações Unidas e segundo o levantamento da Quilliam Foundation em 2014, os terroristas tunisianos representam o maior contingente (3.800) dos terroristas estrangeiros acantonados na Síria e no Iraque. As autoridades sírias também confirmaram que os terroristas tunisianos já ultrapassam a marca dos 10.000, de um total de 48.000 terroristas em território sírio.

Quais são as principais razões para que haja um índice tão elevado de terroristas da Tunísia?

As religiões, em geral, atuam como faca de dois gumes: elas contribuem na resolução de muitos problemas sociais e ajudam a promover segurança e proteção, devido à imposição de leis éticas. Espera-se que a maioria das pessoas não cometa crimes por temer a Deus e a sua punição. A religião também pode representar segurança e estabilidade psicológica para determinadas pessoas que precisam ser tranquilizadas pela crença de que uma força ilimitada de bondade toma conta delas.

Por outro lado, muitas pessoas têm interpretado mal a religião — às vezes de forma deliberada, às vezes não — tantas outras vezes criam conflitos entre etnias e religiões, como o conflito entre judeus e muçulmanos. A religião, portanto, também tem sido usada para incitar a violência, o ódio e as guerras — assim como o faz o ISIS, um grupo jihadista salafista, que está recrutando cada vez mais soldados do mundo inteiro.

A maioria dos jihadistas é doutrinada desde a mais tenra infância por intermédio de programas de televisão. Por exemplo, o Spacetoon, um programa infantil da TV árabe, criou uma personagem chamada Fulla. O programa normalmente mostra Fulla como uma pessoa devota, rezando, usando a hijab — imagem esta que influencia um grande número de crianças. Y., uma menina de 15 anos, explica:

“Quando eu era mais jovem, com sete ou oito anos de idade, eu costumava assistir Fulla e pedir à minha mãe para usar uma hijab como ela, uma vez que eu achava que era assim que uma mulher deveria se vestir. Eu também tentei usar a hijab diversas vezes e pedia à minha mãe para me deixar usá-la”.

Os jardins de infância também desempenham um importante papel na doutrinação das crianças.

“No jardim de infância os professores costumavam contar como nós seríamos punidos depois da morte, como queimaríamos no inferno se nos comportássemos mal. Tive tanto medo ao ouvir essas histórias que imaginava cenas terríveis na minha cabeça”, segundo relatou T., um menino de 15 anos de idade.

As escolas na Tunísia lecionam educação religiosa compulsoriamente logo no 1º ano do ensino fundamental, para ajudar as crianças a descobrirem e compreenderem os fundamentos da sua religião.

“Eu costumava colar nas provas de educação religiosa que ocorriam no final de cada período,” disse E., uma menina de 15 anos de idade.

“Eu não colava porque eu era preguiçosa, mas porque tínhamos apenas uma hora a cada período para estudar teologia na classe, na qual o professor nos dava uma longa surata (capítulos do Alcorão) e algumas citações do Hádice do profeta. Não entendíamos nada durante a aula, alguns de nós decoravam os textos sem entender seu significado. Outros colavam porque não conseguiam aprender algo que não entendiam. O problema é que a escola não nos dava a oportunidade de saber nada sobre outras religiões, já que os judeus e os cristãos são considerados para a maioria dos muçulmanos kuffar (infiéis)”.

Esta cultura de ódio herdada em relação às outras religiões criou uma forma extremista de pensamento e um sentimento de superioridade.

“Eu odeio os cristãos e os judeus. Não sei porque. Não tenho nenhum motivo aparente para odiá-los, mas eu sempre ouço minha mãe falar mal deles. Ela também os odeia e é por isso que eu os odeio, acho eu. Mamãe sempre me disse que os muçulmanos são o povo escolhido por Alá”, disse F., uma menina de 15 anos de idade.

“Depois do ataque em Nice, vi amigos meus nas redes sociais expressando desaprovação em relação àqueles que demonstravam empatia para com as vítimas. Eles diziam que não muçulmanos merecem morrer, que não devemos ter nenhuma piedade para com eles. De um jeito ou de outro eles queimarão no inferno”, disse M., um menino de 16 anos de idade.

Essa maneira extremista de pensar é reforçada pelo fato de que 80% dos tunisianos não leem livros, de acordo com um estudo realizado em março de 2015. Pessoas que não leem vivem em um vazio emocional: eles tendem a temer o que não entendem e esse medo pode se transformar em suspeição, agressão e ódio. Estas pessoas precisam preencher o vazio para remover o desconforto, então elas se voltam para o terrorismo para criar uma meta em suas vidas: defender o Islã.

“Eu conheço um rapaz tunisiano que mora na Arábia Saudita com seus pais e costuma viajar para a Tunísia para passar as férias no meu bairro”, disse R., uma menina de 14 anos de idade.

“Ele era um adolescente normal de 15 anos que costumava jogar futebol com meu irmão e seus amigos. Recentemente todos notaram que o menino se isolou e começou a ler livros sobre a fé e o Islã. Um dia ele chegou para o meu irmão e seus amigos e lhes disse para pararem de jogar futebol, que futebol era haram(proibido). Logo depois, ele foi visto na vizinhança, caminhando na escuridão, lendo o Alcorão.”

Como a maioria dos tunisianos não lê, assiste muito à TV. “Hareem Al Sultan” (“harém do sultão”), uma série da TV turca é muito popular na Tunísia. A série mostra como as atraentes concubinas procuram seduzir o sultão com a dança, canto, sendo obedientes e submissas — tudo aquilo que pode incentivar as meninas a se juntarem à jihad al-nikah (“jihad sexual“), através da qual as meninas proporcionam sexo aos jihadistas.

“Depois de assistir a série Hareem Al Sultan, eu queria ser uma das concubinas do sultão e viver na época do Império Otomano, eu queria ser como elas”, revelou S., uma menina de 14 anos de idade.

“O Harém do Sultão”, uma série da TV turca, muito popular na Tunísia, mostra atraentes concubinas procurando seduzir o sultão com a dança, canto, sendo obedientes e submissas — tudo aquilo que pode incentivar as meninas a se juntarem à “jihad sexual”, através da qual elas proporcionam sexo aos jihadistas.

Todos esses fatores contribuem indiretamente para a formação do modo de pensar de um extremista e de um terrorista. Sempre achamos que é no Iraque ou na Síria que devemos lutar contra o terrorismo. Mas o campo de batalha está nas escolas, nos lares, na televisão e nas redes sociais. É lá que temos que lutar contra as ideologias extremistas e contra o ódio racial e religioso — eles são o ponto de partida de todos os terroristas.

Tharwa Boulifi, de 15 anos de idade, vive na Tunísia.

Terrorismo Jihadista: Você Acha Que É Só com os Judeus? Pense Bem.

por Giulio Meotti

  • Na última quinta-feira, 14 de julho, pelo menos 84 pessoas foram assassinadas na cidade francesa de Nice e dezenas ficaram feridas, em consequência de um atentado cometido por um terrorista islamista natural da Tunísia.
  • Independentemente de sermos pacifistas ou belicistas, gays ou heterossexuais, ateus ou cristãos, ricos ou pobres, blasfemos ou devotos, franceses ou iraquianos, para o terrorismo jihadista, isso não faz nenhuma diferença. Cada um de nós é um alvo: o terrorismo islamista é genocida.
  • Quando terroristas islamistas têm como alvo blogueiros dissidentes muçulmanos, longínquas mulheres yazidis ou meninas israelenses — issodeveria nos preocupar no Ocidente. Os islamistas estão apenas afiando suas facas nelas antes de virem atrás de nós.
  • Se nos calarmos hoje, seremos punidos pela nossa indolência amanhã.

Na última quinta-feira, 14 de julho, pelo menos 84 pessoas foram assassinadas na cidade francesa de Nice e dezenas ficaram feridas, em consequência de um atentado cometido por um terrorista islamista natural da Tunísia. O assassino jogou um caminhão de 19 toneladas em cima de uma enorme multidão que comemorava o Dia da Bastilha, feriado nacional da França, atropelando homens, mulheres e crianças ao longo de um trecho de 2km de avenida e de calçada.

Caminhão perfurado de balas usado por um terrorista islamista natural da Tunísia para matar 84 pessoas em Nice, França em 14 de julho de 2016. (Imagem: captura de tela da France24)

Em 2 de julho, nove cidadãos italianos foram massacrados por islamistas no ataque a um restaurante em Daca, Bangladesh. Eles foram torturados e mortos com “lâminas extremamente afiadas” brandidas por terroristas sorridentes que pouparam a vida daqueles que conheciam o Alcorão. Já faz quase um ano que bengaleses pobres têm experimentado esse tipo de massacres. Mas as vítimas bengalesas não eram ricos estrangeiros não muçulmanos — eram blogueiros anônimos muçulmanos, acusados de “blasfêmia“, foram assassinados com “lâminas afiadas” — cinco vítimas em 2015 e um estudante de direito em 2016, bem como um sacerdote hindu esfaqueado até a morte.

O mesmo ciclo aconteceu na Síria e no Iraque, onde os decapitadores do Estado Islâmico inicialmente visavam uma série de jornalistas ocidentais, em seguida expulsaram e mataram cristãos em Mossul e então desembarcaram em Paris com o objetivo de exterminar civis ocidentais.

Há duas semanas uma menina israelense de 13 anos foi morta a facadas enquanto dormia em sua cama. Assim como em Bangladesh o terrorista árabe palestino usou uma faca para matarHallel Yaffa Ariel. Não se trata de um simples assassinato, é uma carnificina que equivocadamente equipara a construção de um lar com o assassinato de uma criança. Os jornais italianos ocultaram a identidade dela. O Corriere della Sera, segundo maior jornal da Itália, estampou: “Cisjordânia: assassinada americana de 13 anos“.

Quando quatro israelenses foram assassinados no mês passado no restaurante Max Brenner em Tel-aviv, a mídia estrangeira também estampou com manchetes “equivocadas”. Do Le Monde ao Libération, a imprensa francesa usou a palavra “tiroteio” em vez de terrorismo. ACNN transmitiu a matéria sobre os “terroristas”, entre aspas. La Repubblica, o maior jornal da Itália, chamou os terroristas árabes palestinos de “agressores”.

O que significam essas manchetes distorcidas? Que nós, no Ocidente ingenuamente acreditamos que há dois tipos de terrorismo: o “terrorismo internacional” que visa os cidadãos ocidentais em Nice, Paris, Daca, Raqqa ou Tunísia; e o terrorismo “nacional”, que ocorre entre os árabes e Israel, diante do qual os judeus israelenses deve recuar e se render. Há também o “terror sem rosto”, como o de Orlando, onde um afegão-americano muçulmano massacrou 50 americanos e, todos, como de costume nos Estados Unidos se recusaram a usar a palavra “Islã”.

De acordo com Winston Churchill é a reação do contemporizador, “aquele que alimenta o crocodilo, esperando que ele será o último a ser devorado”. O problema é que independentemente de sermos pacifistas ou belicistas, gays ou heterossexuais, ateus ou cristãos, ricos ou pobres, blasfemos ou devotos, franceses ou iraquianos, para o terrorismo jihadista, isso não faz nenhuma diferença. Cada um de nós é um alvo: o terrorismo islamista é genocida.

Apesar dos belíssimos slogans como “Je Suis Charlie”, poucos no Ocidente mostraram solidariedade para com os cartunistas franceses do Charlie Hebdo. A maioria dos europeus acredita que os jornalistas estavam procurando sarna para se coçar e a encontraram. Ou pior ainda, conforme ressaltou o editor do Financial Times: eles foram “idiotas“. Mas depois do 7 de janeiro veio o 13 de novembro. A essa altura, ninguém mais culpava as caricaturas de Maomé pelos ataques terroristas em Paris.

Enquanto o Estado Islâmico escravizava e estuprava centenas de meninas yazidis, nossas intrépidas feministas no Ocidente estavam muito ocupadas lutando por um referendo irlandês sobre o casamento gay. Elas claramente não davam a mínima no tocante ao destino das suas “irmãs” yazidis e curdas. Elas estavam escondidas em algum lugar remoto e exótico no Oriente. Da mesma maneira que foram assassinados os blogueiros seculares em Daca.

Já está na hora de nos lembrarmos do famoso poema de Martin Niemöller, pastor cristão alemão que ficou preso em um campo de concentração durante 7 anos pelo regime nazista:

Primeiro vieram buscar os socialistas, eu me calei —
Porque eu não era socialista.

Depois vieram atrás dos sindicalistas, eu me calei —
Porque eu não era sindicalista.

Depois vieram buscar judeus, e eu não protestei —
Porque eu não era judeu.

Depois vieram me buscar —

Já não restava ninguém para me defender.

Nessa mesma linha, quando terroristas islamistas têm como alvo blogueiros dissidentes muçulmanos, longínquas mulheres yazidis ou meninas israelenses — que são escravizadas, açoitadas, estupradas ou assassinadas — isso deveria nos preocupar no Ocidente. Os islamistas estão apenas afiando suas facas nelas antes de virem atrás de nós.

Se nos calarmos hoje, seremos punidos pela nossa indolência amanhã.

Giulio Meotti, Editor Cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.

http://pt.gatestoneinstitute.org/8497/terrorismo-jihadista-nice

França: Jihad Infecta o Exército e a Polícia

por Yves Mamou

  • Alguns policiais se recusaram abertamente a proteger sinagogas ou observar um minuto de silêncio em homenagem aos mortos, vítimas de ataques terroristas.
  • O fato de policiais estarem armados e terem acesso ao banco de dados da polícia só aumenta a angústia.
  • Em julho de 2015 quatro homens, um deles veterano da marinha, foram notificados a se apresentarem para interrogatório. Eles haviam planejado se infiltrar em uma base da marinha no sul da França, capturar um oficial de alta patente, decapitá-lo e publicar as fotos da decapitação nas redes sociais.

De acordo com um memorando confidencial, datado de janeiro de 2016, emitido pela unidade antiterrorista do ministro do interior francês, a França já hospeda 8.250 islamistas radicais (um crescimento de 50% em um ano).

Alguns desses islamistas foram para a Síria para se juntarem ao Estado Islâmico (EI), outros se infiltraram em todas as esferas da sociedade, começando pela polícia e forças armadas.

Um memorando confidencial vazado do Departamento de Segurança Pública, publicado peloLe Parisien, detalha 17 casos de policiais radicalizados entre 2012 e 2015. Particularmente foram enfatizados os casos de policiais que ouvem e transmitem cânticos muçulmanos enquanto rondam as ruas.

Alguns desses policiais se recusaram abertamente em proteger sinagogas ou observar um minuto de silêncio em homenagem aos mortos, vítimas de ataques terroristas.

Além disso, a polícia foi alertada a respeito de uma policial que incitava o terrorismo no Facebook, chamando sua farda de “farrapo imundo da República” enquanto limpava suas mãos nela. Em janeiro de 2015, imediatamente após os ataques à redação da revista Charlie Hebdo e ao supermercado kasher Hypercacher em Vincennes, que deixou 17 mortos, ela publicou em sua página do Facebook: “ataque mascarado conduzido por sionistas covardes… Eles precisam ser mortos”.

O fato de policiais estarem armados e terem acesso ao banco de dados da polícia só aumenta a angústia.

Embora o quartel-general da polícia de Paris alegue que casos como este são raros, ela achou por bem realizar reavaliações semanais em relação a qualquer comportamento que exceda o princípio de separação da igreja do estado, como acontece com policiais muçulmanos que aparentam inclinação à radicalização. Patrice Latron, que administra o gabinete do superintendente de polícia de Paris, disse ao Le Parisien que se trata de um fenômeno “extremamente marginal”.

Não são apenas os policiais que estão apreensivos, as forças armadas francesas também estão preocupadas. Não há estatísticas sobre o número de soldados muçulmanos servindo nas forças armadas francesas, mas tem-se como certo que há muitos, e que são vulneráveis às influências islamistas, dado que a França está envolvida militarmente na África contra a Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQIM) e também contra o Estado Islâmico no Oriente Médio. Desde o ataque contra o Charlie Hebdo em janeiro de 2015, contudo, a maior operação militar da França tem sido mesmo em solo francês: Encontram-se posicionados 10.000 soldados armados na França para proteger sinagogas, escolas judaicas, estações de trens e metrôs, e também algumas mesquitas, para mostrar aos muçulmanos que a República Francesa não os vê como inimigos. Sua missão não é mais a de ser simplesmente uma força suplementar e sim como explica o Le Figaro, para “implementar permanentemente operações militares dentro do país”.

Já no início de 2013, durante a 5ª conferência parlamentar sobre segurança nacional, o Coronel Pascal Rolez, assessor do diretor assistente da unidade de “contra intervenção” do Departamento de Proteção, Segurança e Defesa (DPSD), declarou: “estamos observando um crescimento da radicalização nas forças armadas francesas, particularmente desde o caso Merah”. Lembremo-nos que Mohammed Merah, um jovem muçulmano francês, assassinou três soldados franceses em Toulouse e Montauban, além de assassinar quatro judeus franceses em uma escola em Toulouse.

Em 2012 Mohammed Merah, um muçulmano francês, assassinou três soldados franceses, além de assassinar quatro judeus franceses em uma escola. Hoje, considerando os inúmeros casos de soldados e policiais muçulmanos franceses se radicalizando, os serviços de segurança temem o perigo de “terem em suas fileiras agentes das forças de segurança atacando seus colegas”.

A fim de identificar membros das forças armadas que estão sendo radicalizados, o DPSD leva em conta mudanças no modo de se vestir, licenças recorrentes por motivo de doença, viagens, furto de suprimentos ou de equipamento militar.

Desde os ataques ao Charlie Hebdo e ao supermercado kasher em Paris em janeiro de 2015, a mídia tem observado vários indícios de radicalização no exército francês.

Em 21 de janeiro de 2015 a emissora de rádio RFI anunciou que cerca de 10 soldados franceses desertaram e se uniram à luta jihadista na Síria e no Iraque. Isso foi confirmado pelo Ministro da Defesa Jean-Yves Le Drian, com a cautela de afirmar que são casos “extremamente raros”. Aparentemente um desses veteranos ocupa o posto de “emir” em Deir Ezzor na Síria e lidera um grupo de cerca de 10 combatentes franceses treinados por ele pessoalmente. Os outros desertores franceses são especialistas em explosivos ou paraquedistas, alguns vieram das unidades de comando da Legião Estrangeira Francesa.

Também em janeiro de 2015, depois dos ataques em Paris, a polícia descobriu que “Emmanuelle C”, assessora da gendarmaria (corpo de soldados da força policial na França) de 35 anos, havia se convertido ao Islã em 2011 e estava em um relacionamento com Amar Ramdani, procurado por tráfico de drogas e armas. Ramdani é cúmplice de Amedy Coulibaly, que perpetrou a chacina em Montrouge e no Hypercacher em Paris. Ramdani estava sendo monitorado pela divisão de inteligência do departamento de polícia (DRPP) na área “pública” do forte em Rosny-Sous-Bois (Seine-Saint-Denis). No forte fica a unidade científica da gendarmaria. Quanto a Emmanuelle C, ela foi acusada de ter violado mais de 60 vezes a segurança do arquivo do suspeito (FPR). Ela foi sentenciada a um ano de prisão, com suspensão condicional da pena e expulsa da gendarmaria.

Em julho de 2015, a imprensa revelou que aproximadamente 180 detonadores e 10 barras de explosivos plásticos foram roubados de um depósito do exército perto de Marselha. Os investigadores obviamente suspeitaram de cumplicidade interna, uma vez que os perpetradores pareciam estar muito bem informados. As investigações apontam em duas direções: terrorismo islâmico ou crime organizado, a investigação continua.

Em 16 de julho de 2015 o Presidente François Hollande revelou que tinha sido frustrado um ataque a uma base militar francesa. Três dias depois, quatro homens, um deles veterano da marinha, foram detidos. Eles confessaram que haviam planejado se infiltrar em uma base da marinha no sul da França, capturar um oficial de alta patente, decapitá-lo e publicar as fotos da decapitação nas redes sociais.

Em 6 de março de 2016, o veterano das forças armadas, “radicalizado” Manuel Broustail, foi detido quando descia de um avião no Marrocos. Segundo o jornal francês Presse Ocean, Broustail estava levando em sua mala um facão, quatro facas de cozinha, dois canivetes, um bastão retrátil, um capuz preto e um botijãozinho de gás. Veterano das forças armadas francesas e convertido ao Islã, Broustail já tinha sido posto sob prisão domiciliar por um longo período em Angers (Maine-et-Loire) dias depois dos execráveis ataques em Paris nos quais 130 pessoas foram assassinadas. Ele está sendo monitorado pelas agências de segurança francesas desde que foi dispensado do exército em 2014. A mídia parece estar preocupada que um indivíduo desses, que carrega armas desse tipo, possa passar pelos controles de segurança do aeroporto, pegar um avião e deixar o país.

De acordo com Thibaut de Montbrial, especialista em terrorismo e presidente do Centro de Estudos de Segurança Interna o risco é “a possibilidade de agentes das forças de segurança atacarem seus colegas. Alguém de farda atacando uma pessoa usando a mesma farda. Na França um cenário desses não é impossível. As forças de segurança precisam ter em mente esse risco”.

Yves Mamou, radicado na França, trabalhou por duas décadas como jornalista para o Le Monde.

http://pt.gatestoneinstitute.org/7739/franca-jihad-exercito-policia

Número recorde de judeus deixa a França diante de antissemitismo

 

Mais de 8 mil pessoas deixaram o país rumo a Israel em 2015.

LONDRES — Os judeus estão deixando a França em ritmo sem precedente diante da escalada do antissemitismo e do medo de outros ataques terroristas em massa inspirados no Estado Islâmico. Mais de 8 mil judeus deixaram o país rumo a Israel em 2015 — uma taxa bem maior que outros lugares europeus, embora consistente com o que se tornou, nos últimos anos, o maior movimento em massa de judeus desde a formação de Israel em 1948.

A razão primordial para o êxodo é o aumento contínuo da intolerância antissemita nos últimos 15 anos. Uma pesquisa da União Europeia, em 2013, revelou que 74% dos judeus franceses têm tanto medo de serem atacados devido à sua religião que tomam medidas para evitar serem reconhecidos como judeus. O crescimento da imigração muçulmana para a França e os chamados do Estado Islâmico para mais ataques de lobos solitários — a cidadãos judeus, em particular — contribuíram para o temor.

Como resultado, o número de judeus que se mudaram da França para Israel dobrou, e depois dobrou de novo desde 2010. Ano passado, migraram 8 mil pessoas, enquanto 1,9 mil partiram em 2011. Só na cidade de Marselha, no Sul da França, houve três ataques a faca contra cidadãos judeus desde outubro passado. O mais recente vitimou o professor Benjamin Amsellem, de 35 anos, cuja vida só foi salva porque ele usou um exemplar da Torah — o livro sagrado judaico — para se proteger da investida do agressor adolescente, simpatizante do Estado Islâmico.

Quatro judeus foram mortos quando um extremista do Estado Islâmico atacou um supermercado kosher de Paris, em janeiro de 2015, dias depois do massacre no escritório do semanário satírico “Charlie Hebdo”.

A Agência Judaica, que controla a aliyah — nome formal para a migração de judeus para Israel —sempre insistiu que qualquer judeu seria bem-vindo em solo israelense. A oferta atraiu milhares de judeus europeus todos os anos por décadas, e a taxa de recepção no país tem crescido drasticamente. Os cidadãos franceses são, de longe, a maior parte dos requerentes.

Na prática, o número é tão alto que, em Ashdod — cidade no sul de Israel mais procurada entre os recém-chegados — a língua francesa é tão ouvida nas ruas quanto a hebraica. Dezenas de cafés ao estilo francês dão à localidade um ar parisiense, de acordo com a CNN.

Em comparação, o Reino Unido tem o segundo maior número de cidadãos migrando para Israel, com apenas 774 partidas ano passado.

A combinação de forças de extrema-direita, segurança deteriorada e recepção alemã de refugiados cuja cultura é “impreganada de ódio aos judeus” estaria resultando em antissemitismo também na Alemanha. “Nós não nos sentimos mais seguros aqui”, disse ao “Jerusalem Post” o líder da comunidade judaica de Hamburgo, Daniel Killy.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/numero-recorde-de-judeus-deixa-franca-diante-de-antissemitismo-18623197#ixzz3zZaI5HuR
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Um Smorgasbord de Antissemitismo Sueco

  • A Suécia é um país onde o uso do termo “imigração em massa” normalmente é criticado simplesmente por soar racista. Somente o antissemitismo não é criticado. Na Suécia todas as outras formas de racismo, até mesmo aquelas que alguns dizem poderiam ser consideradas racistas, são criticadas, e de maneira implacável.
  • Em 2015 a TV4, um dos veículos de mídia mais importantes da Suécia, descreveu o antissemitismo simplesmente como uma “diferença de opinião”.
  • “O que é história para nós não é a história de outros. … Quando temos outros estudantes que estudaram em outros livros de história, não há razão para discutirmos fatos contra fatos”. — A administração de uma escola para adultos, ao repreender um professor que disse que o Holocausto realmente aconteceu.
  • “Os judeus estão fazendo uma campanha contra mim”. — Ministra das Relações Exteriores da Suécia Margot Wallström.
  • Há menos de 20.000 judeus na Suécia, mais de 20.000 sírios receberam o status de asilados somente em 2014. É por este motivo que pouquíssimos políticos, ávidos para conquistar os votos dos imigrantes, falam sobre o antissemitismo árabe.

Uma manifestação contra o racismo estava marcada para o dia 9 de novembro na cidade de Umeå, Suécia, para lembrar a Noite dos Cristais (a noite de 1938 em que 400 judeus foram assassinados na Alemanha e 30.000 judeus do sexo masculino foram enviados a campos de concentração). Só que havia um pequeno detalhe: os judeus da Umeå não foram convidados para a manifestação. A razão disto, de acordo com Jan Hägglund, um dos organizadores do evento, é que a manifestação poderia causar “mal estar ou provocar uma situação de insegurança para eles”.

O caminho para este cenário surrealista, em que uma manifestação contra o racismo na Suécia para lembrar a Noite dos Cristais poderia ser entendida pelos judeus como uma ameaça, vem tomando forma há muito tempo. A manifestação tinha certa importância. As pessoas por trás dela não eram extremistas. Quatro dos oito partidos do parlamento sueco participaram da organização do evento.

Essa manifestação antiracista e os estranhos incidentes que ocorreram em volta dela são frutos de um processo que, lamentavelmente, estão se avolumando há muito tempo na Suécia. Um novo tipo de antissemitismo sueco está ganhando força e a cidade de Malmö é o carro-chefe.

Em janeiro de 2009, uma demonstração pró-Israel em Malmö foi atacada por árabes que gritavam “f****-se judeus”. Os policiais não foram capazes de proteger os manifestantes pró-Israel dos ovos e garrafas arremessados contra eles. O evento teve que ser temporariamente interrompido quando os árabes começaram a lançar fogos de artifício contra os manifestantes pró-Israel.

Janeiro de 2009: uma turba de árabes em Malmö arremessa garrafas, ovos e bombas de fumaça contra uma demonstração pacífica de judeus. A polícia ordena aos judeus, que tinham permissão para a realização do comício, que se dirigissem para uma viela.

Em 2010, foi a primeira vez, mas não a última, que a sinagoga de Malmö foi atacada. Naquele mesmo ano o Centro Simon Wiesenthal alertava os judeus a não visitarem a cidade de Malmö, “devido a hostilidade contra os cidadãos judeus.

Hoje Malmö é uma cidade conhecida pelo seu antissemitismo e caracterizada por ele. Os judeus de Malmö não podem mostrar publicamente que são judeus sem que sejam molestados. Muitas famílias que lá residiam há séculos, abandonaram a cidade. Em outubro de 2015 dois membros do parlamento sueco participaram de uma manifestação pró-palestina em Malmö, onde as pessoas gritavam palavras de ordem antissemitas e enalteciam os ataques com facas perpetrados pelos palestinos contra judeus israelenses.

A razão pela qual um país como a Suécia ter, de repente, sido assolada por um antissemitismo extremo é em grande parte graças à imigração do Oriente Médio. O mundo árabe e muçulmano e, desde 1979 também a República Islâmica do Irã, que vem ameaçando repetidamente os judeus com genocídio, continua a demonizá-los na mídia estatal. O mundo árabe e muçulmano querem provavelmente, em parte, justificar seu conflito com Israel. E também em parte porque muitos membros do establishment e cidadãos desses países provavelmente acreditam nessas teorias da conspiração antissemitas, calunias repetidas todo santo dia na mídia e nas mesquitas.

Muitos dos recém-chegados continuam mantendo seu background do Oriente Médio mesmo depois de terem estabelecido residência na Suécia. Muitos, principalmente aqueles que se estabeleceram em regiões predominantemente de imigrantes como Rosengård em Malmö, assistem com frequência a mídia árabe, que transmite ininterruptamente mensagens antissemitas.

Ao mesmo tempo, membros dessa população são convidados a votarem nas eleições suecas, de modo que os partidos suecos dão atenção ao voto árabe. Essa mesura é meramente uma questão de logística. Há menos de 20.000 judeus na Suécia, mais de 20.000 sírios receberam o status de asilados somente em 2014.

Fora isso, não é nem necessário ser cidadão sueco para votar nas importantes eleições municipais da Suécia. É por conta dessa peculiaridade que tão poucos suecos se aventuram a falar sobre antissemitismo árabe, apesar das diversas denúncias e documentários que mostram que o crescimento do antissemitismo foi, em grande medida, importado do Oriente Médio.

É também por essa razão que a maioria das organizações antiracistas na Suécia prefere falar de “islamofobia”. Praticamente todas as organizações antiracistas da Suécia são financiadas pelos contribuintes ou de alguma forma ligadas a partidos políticos, indicando que há um “entendimento” de compadrio entre partidos políticos e organizações antirracistas. A maioria dos partidos políticos não veem exatamente com bons olhos organizações antirracistas que falam de antissemitismo árabe. Essas organizações terão problemas em angariar fundos ou perderão financiamento ou então verão membros do conselho administrativo renunciarem.

Apesar de mais muçulmanos estarem ingressando e mais judeus estarem saindo da Suécia, ou justamente por esta razão, a maioria dos ativistas antiracismo na Suécia considera a “islamofobia” o problema mais sério. A influente organização antiracismo Expo confeccionou uma série de mapeamentos da “islamofobia”, mas apesar do preconceito, não fez um único mapeamento do antissemitismo.

Se for confeccionado um mapeamento do antissemitismo na Suécia, então também será necessário falar sobre a imigração do Oriente Médio. Não há muitas pessoas na Suécia dispostas a falar sobre isso: aqueles que falam sobre o antissemitismo árabe são chamados de racistas.

Em vez de falar sobre o novo antissemitismo sueco, o que se vê são artigos que entorpecem a mente com a mensagem de que as pessoas deviam falar menos sobre o Holocausto nas escolas suecas, para não ofenderem os adolescentes árabes. Ao desaprovar uma proposta do governo para combater o antissemitismo aprofundando a educação sobre o Holocausto, Helena Mechlaoui, uma professora de história, religião e filosofia do ensino médio assinalou:

“Se falamos sobre estudantes do Oriente Médio, pode ser que falamos porque muitos deles passaram por experiências traumáticas relacionadas com as políticas de Israel ou dos Estados Unidos. Não é raro ver os dois países como um só, o que não está totalmente errado. Eles podem ter perdido um ou mais irmãos, primos, pais ou colegas em um bombardeio israelense ou americano. Uma grande proporção deles está aqui na Suécia porque foi obrigada a deixar seus lares por causa da ocupação, guerra ou miséria em algum campo de refugiados. Seus pais podem estar feridos e não terem como enfrentar a vida, eles ainda podem ter familiares nas áreas de conflito. É bem provável que eles tenham encontrado hostilidade na Suécia. Nesse contexto talvez seja melhor não falar sobre o Holocausto”.

A imigração dos países árabes afetou profundamente a maneira pela qual a maioria dos suecos vê o antissemitismo. O antissemitismo não é mais algo que a sociedade sueca condena. Várias celebridades suecas fizeram declarações antissemitas sem que isso afetasse negativamente um tiquinho sequer da carreira deles. Dani M, artista sueco do rap disseminateorias da conspiração antissemitas tanto nas redes sociais quanto em suas músicas. Depois que diversos veículos de mídia suecos, no final de 2014 e início de 2015, descreveram detalhadamente como Dani M dissemina teorias da conspiração antissemitas, ele apareceu em um reality show em setembro, em um dos maiores e mais consagrados canais de TV da Suécia, a TV4. Quando a TV4 foi criticada, o produtor executivo do programa Christer Anderssonrespondeu o seguinte:

“Os valores fundamentais da TV4 são Zero Racismo e sempre foi assim, desde que eu me entendo por gente, mas não podemos tolher as pessoas que não pensam assim. A TV4 é um portal onde se apresentam pessoas com as mais variadas opiniões e nós temos que ter uma ampla gama de aceitação”.

Aqui temos um dos veículos de mídia mais importantes da Suécia descrevendo o antissemitismo simplesmente como uma “diferença de opinião”. Nessa mesma época, uma funcionária da TV4 fez uso da “palavra N” em um clip do YouTube e foi demitida dois meses depois. Quer dizer, antissemitismo é aceitável, mas racismo contra afro-suecos não.

Em um outro exemplo, a celebridade da TV sueca Gina Dirawi de origem palestina, publicou em seu blog em 2010 que as ações de Israel podem ser comparadas às ações de Hitler. Depois em 2012 ela aconselhou as pessoas, novamente em seu blog, a lerem um livro que questionava a existência do Holocausto. A mensagem do livro era a de que quando os nazistas perseguiam os judeus eles agiam em legítima defesa. Estas foram apenas duas das muitas declarações antissemitas feitas por ela em seu blog. Hoje Gina Dirawi apresenta vários programas na SVT, a emissora pública de rádio e televisão da Suécia, inclusive ela apresentou o programa de Natal da SVT em 2015. Isso causou certa surpresa considerando-se que Dirawi é muçulmana. Ela também irá apresentar o concurso de música sueco Melodifestivalen de 2016, um dos mais consagrados eventos musicais da Suécia.

Infelizmente não deixa nenhuma margem de dúvida o fato de que na Suécia o antissemitismo não é algo que vá prejudicar a carreira de alguém. A mídia sueca, assim como o governo sueco, também não estão tão interessados em relação aos problemas da Suécia com o antissemitismo. Quando o instituto interdisciplinar de estudos Perspektiv På Israel apresentou evidências em maio de 2015 que o diretor do Islamic Relief na Suécia estava disseminando posts antissemitas no Facebook, ninguém se interessou em escrever sobre esse assunto, não obstante o fato do Islamic Relief receber apoio da Sida, a agência governamental sueca responsável pela ajuda oficial da Suécia aos países em desenvolvimento.

A mídia sueca nem ao menos permitiu que um editorial do Perspektiv På Israel sobre o assunto fosse publicado. Nyheter24, um dos veículos de mídia sueca que não publicou a matéria doPerspektiv På Israel sobre esse escândalo, enviou um email para o Perspektiv På Israeldizendo que seus “leitores não estão interessados nesse assunto em particular, isso para dizer o mínimo”.

Como colunista do jornal Samtiden, eu mencionei as declarações racistas do Islamic Relief em um artigo opinativo e as informações também foram publicadas no The Jewish Press. A mídia sueca não demonstrou nenhum interesse, muito embora houvesse evidências que uma organização que recebia fundos pagos com impostos suecos estivesse publicando matérias antissemitas nas redes sociais.

É importante salientar que todos esses incidentes ocorreram em um país onde o uso do termo “imigração em massa” normalmente é censurado simplesmente por soar racista. Somente o antissemitismo não é criticado na Suécia. Todas as outras formas de racismo, até mesmo aquelas que alguns dizem poderiam ser consideradas racistas, são criticadas e de maneira implacável.

Muito embora o novo antissemitismo na Suécia tenha suas origens no antissemitismo árabe ou muçulmano, acreditar que o antissemitismo de hoje na Suécia é puramente oriundo do Oriente Médio é ser simplista demais. O antissemitismo na Suécia virou um smorgasbord composto por uma série de fatores que se reforçam mutuamente. Alguns desses fatores são os seguintes:

  • imigração em larga escala de países onde o antissemitismo faz parte do cotidiano.
  • engajamento fortemente pró-palestino entre os políticos suecos que teve como consequência um debate totalmente surrealista em relação à questão israelense-palestina, na qual Israel é injustamente demonizado.
  • o desejo dos partidos políticos suecos de conquistarem os votos dos imigrantes.
  • o multiculturalismo sueco é tão sem reservas em relação às culturas estrangeiras que não é capaz de diferenciar cultura de racismo.
  • medo de parecer contrário à imigração.
  • importantes instituições suecas, como a Igreja da Suécia que legitima o antissemitismo ao endossar o documento Kairos da Palestina.

A conjunção desses fatores cria um ambiente no qual o antissemitismo tem condições de crescer sem encontrar nenhuma resistência ou crítica. O que vem a seguir aconteceu emKomvux, em um programa educacional para adultos na Suécia, na cidade de Helsingborg: um professor substituto estava sustentando fatos sobre o Holocausto durante uma aula depois que um estudante perguntou se o Holocausto realmente aconteceu. A administração da escola desaprovou a conduta do professor substituto com os seguintes argumentos: “o que é história para nós não é a história de outros. … Quando temos outros estudantes que estudaram em outros livros de história, não há razão para discutirmos fatos contra fatos”.

Isso aconteceu em fevereiro de 2015, em uma importante cidade sueca. Isso poderia ter acontecido em qualquer cidade sueca onde o novo antissemitismo sueco está avançando. Uma escola sueca já não sabe mais se o fato do Holocausto ter realmente ocorrido é um fato que vale a pena defender. O smorgasbord antissemita torna aceitável o antissemitismo na Suécia.

Quando foi noticiado em meados de novembro que a Ministra das Relações Exteriores da Suécia Margot Wallström, disse: “os judeus estão fazendo uma campanha contra mim”, isso não se tornou uma notícia importante na Suécia. Esta não foi a primeira vez que uma figura política de destaque na Suécia fez declarações antissemitas e não deu em nada e também não será a última.

Voltemos então ao dia 9 de novembro de 2015 em Umeå e à manifestação contra o racismo para lembrar a Noite dos Cristais para a qual os judeus não foram convidados, e para a apresentadora muçulmana do Natal deste ano que diversas vezes expressou pontos de vista antissemitas, e para as escolas que não têm certeza se devem ou não dizer que o Holocausto realmente aconteceu, e para um país onde passou a fazer parte da rotina do dia-a-dia não convidar judeus.

A mídia não faz reportagens sobre isso. Os políticos não dão a mínima. E todo mundo sabe que na Suécia os antissemitas se safam de tudo.

por por Nima Gholam Ali Pour

Nima Gholam Ali Pour é membro do Conselho de Educação na cidade sueca de Malmö e participa de diversos institutos interdisciplinares de estudos relacionados com o Oriente Médio. Gholam Ali Pour também é editor do Website social conservador Situation Malmö.

http://pt.gatestoneinstitute.org/7228/suecia-antissemitismo

França abre os arquivos dos colaboradores do nazismo

Cidadãos e pesquisadores terão acesso aos documentos do regime colaboracionista do marechal Pétain.

“Sou a garantia da memória coletiva da Segunda Guerra Mundial”, declarou o presidente François Hollande, recém-empossado, em sua primeira visita ao museu histórico de Caen em 2012, como uma declaração de intenções. Mais de setenta anos depois do conflito, o Governo francês decidiu abrir ao público e pesquisadores o grosso dos arquivos relacionados à Segunda Guerra Mundial, incluindo os do regime colaboracionista do marechal Pétain (1940-1944), que presidiu um dos períodos mais obscuros da história recente da França.

As mais de 200.000 fichas policiais e demais documentos relativos ao período, procedentes essencialmente dos ministérios das Relações Exteriores, Justiça e Interior, estão acessíveis desde segunda-feira, após a publicação de um decreto assinado pelo primeiro-ministro,Manuel Valls. Podem ser “livremente consultados graças a uma derrogação geral (…) antes do previsto pelos códigos do patrimônio”, que estipulam que é preciso esperar 75 anos para a liberação. Uma exceção foi mantida: os documentos sob segredo militar precisarão de uma permissão especial.

 “É uma ótima notícia”, comenta o historiador Denis Peschanski, especialista no período de referência e presidente do comitê do museu histórico do campo de Rivesaltes. “Corresponde a uma vontade pessoal do presidente Hollande, que sempre insistiu na necessidade de realizar um trabalho historiográfico sobre essa época, e a preocupação dos historiadores diante das dificuldades encontradas para acessar determinados arquivos”, acrescenta.

Até hoje, a maioria dos documentos podia ser consultada, mas era necessário pedir uma permissão à administração responsável, algo que complicava muito a tarefa dos historiadores. “No final das contas, estávamos nas mãos da boa vontade do responsável dessa ou daquela administração e tínhamos muita dificuldade com tudo o que afeta os tribunais militares”, diz Peschanski. “Mesmo há décadas trabalhando com esses documentos, irá facilitar muito nosso trabalho”, acrescenta. Sua única objeção ao decreto é a decisão de manter classificados os papéis considerados como segredo de defesa.

Para o historiador Gilles Morins, autor de uma petição ao presidente François Hollande para que todos esses documentos sejam abertos, facilitar seu acesso permitirá um melhor entendimento de alguns dos episódios dessa história recente, como a prisão do famoso membro da Resistência Jean Moulin. “Até agora, nossas principais fontes eram os testemunhos”, explicou à televisão TF1. “Existe também uma demanda da população. Os filhos de deportados, de fuzilados, querem saber exatamente o que aconteceu”, acrescentou.

Entre esse material histórico de valor incalculável se encontram todos os documentos policiais e judiciais do regime de Vichy (que durou de 1940 a 1944 e colaborava com o nazismo), assim como os relacionados aos tribunais militares e populares realizados durante a libertação para julgar os colaboracionistas. Aqui se incluem “os documentos relativos ao processo e julgamento de criminosos de guerra nas áreas de ocupação francesa, na Alemanha e na Áustria”. Dessa forma, permitirão conhecer melhor o período menos estudado do final da guerra”.

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/12/29/internacional/1451344021_699752.html

Annotated ‘Mein Kampf’ finds support and condemnation among Jewish leaders

While Jewish groups in Germany have expressed concern over decision to publish ‘academic’ edition of Hitler’s book, some Jewish leaders in the United Kingdom and United States say the text could help defeat Neo-Nazism.

A divisive decision to publish an annotated version of Adolf Hitler’s notorious anti-Semitic screed “Mein Kampf” next month for the first time since World War II has received mixed reactions from Jewish communities, with prominent European Jews airing their views in various publications.

The book’s copyright protection is about to expire, and the new text was designed to be used academically, with in-depth annotations.

Richard Verber, vice-president of the Board of Deputies of British Jews , cautiously supported the reissue, the Guardian reported on Saturday, quoting Verber as telling the Observer that “we would, of course, be very wary of any attempt to glorify Hitler or to belittle the Holocaust in any way. But this is not that. I do understand how some Jewish groups could be upset and nervous, but it seems it is being done from a historical point of view and to put it in context.

“The key is that the notes to the text really do refute Hitler’s ideas with factual information. If that were not the case, the board of deputies would be worried,” said Verber, according to the Guardian. “But the fact remains Hitler is one of the most famous, or infamous, leaders of the 20th century and anything that might put a dampener on that, by showing his views in a historical light, might actually be helpful.”

The Guardian noted that some Jews in Germany have expressed disapproval for the project. One Jewish leader asked: “Can you annotate the devil?” Another called it a “Pandora’s box”.

But in the Daily Telegraph, Stephen Pollard, editor of the Jewish Chronicle, came down on the pro-publication side. “My principles tell me that republishing it is fine,” wrote Pollard in the Telegraph. “At the very least, Mein Kampf is – obviously – an important historical work … Ideas, however awful, cannot be locked away. They have to be defeated.”

Influential American Rabbi Shmuley Boteach also spoke in favor of the critical edition in a column written for the Observer. “By completely censoring Mein Kampf in Germany, the masses are denied an opportunity to be educated as to why the ideas therein are so evil and should be avoided at all costs,” argued Boteach, pointing out that the non-annotated text of the book is readily available online.

“When the German people read a critical edition of Mein Kampf breaking down all the lies and flaws in Hitler’s teachings, many will actually be saved from gravitating toward neo-Nazi movements,”

http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4744498,00.htmlargued the rabbi.
 

Judeus na Turquia: Discriminação Sem Fim

◾Casas de judeus em Israel não são obstáculos à paz. O único obstáculo à paz é o ódio dos vizinhos de Israel.

◾Muitos de nós em diversos países no Oriente Médio veem Israel como a única luz de liberdade e democracia em meio à escuridão, terrorismo e ódio na região.

◾O conceito de verdadeira liberdade e democracia parece ser estranho aos antissemitas. Visto daqui parece que muitos desses autoproclamados liberais de mente fechada, não-livre e antidemocrática, possuem um conceito em que invocam o autoelogio ao definirem o que é certo e errado, comparável ao mais déspota dos tiranos.

◾Quando há solidariedade com a Irmandade Muçulmana ou com o Hamas, com os que encarceram, julgam ou açoitam aqueles que se expressam livremente, tais práticas apenas provam a retidão e legitimidade de Israel.

◾Você se defenderia de ataques com foguetes, por qual razão eles não deveriam se defender também? Israel não tem porque se desculpar.

É realmente muito difícil agradar aqueles que odeiam os judeus.

Quando os judeus não são capazes de se defenderem porque não possuem forças armadas, são “covardes” e perseguidos na Turquia e ao redor do mundo. Quando se defendem, graças às forças armadas, são “opressores”.

Para os antissemitas e anti-israelenses, Israel é o problema.

Muitos de nós em diversos países no Oriente Médio, muito pelo contrário, veem Israel como a única luz de liberdade e democracia em meio à escuridão, terrorismo e ódio na região.

Recentemente em 12 de janeiro, Mahmoud Abbas, negacionista do Holocausto e glorificador do terrorismo, teve um encontro com o Presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan em Ancara.

Antes disso em 27 de dezembro, o dirigente do Hamas Khaled Mashaal discursou perante o congresso do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), ora no poder, onde afirmou “Inshallah iremos libertar a Palestina e Jerusalém novamente no futuro”.

A multidão no congresso gritava slogans “Mujahid Mashaal”, “Hamas, estou disposto a morrer por você” e “Morte a Israel”!

A questão é a seguinte: o conceito da verdadeira liberdade e democracia parece ser estranho aos antissemitas. Visto daqui parece que muitos desses autoproclamados liberais de mente fechada, não-livre e antidemocrática, possuem um conceito em que invocam o autoelogio ao definirem o que é certo e errado, comparável ao mais déspota dos tiranos. Quando se diz que Israel é “o problema”, fica implícito que a existência de judeus é o problema.

Quando há solidariedade com a Irmandade Muçulmana ou com o Hamas, com os que encarceram, julgam ou açoitam aqueles que se expressam livremente, tais práticas apenas provam a retidão e legitimidade de Israel.

Quando os povos da região dizem, “Morte a Israel” eles estão na realidade dizendo: não queremos democracia, não queremos equidade. Queremos que nosso estado seja supremo e queremos que os judeus não tenham nenhum estado e que sejam indefesos. Não queremos a sabedoria ou os conhecimentos dos judeus. Precisamos apenas de mais escuridão, arrogância e hostilidade. Nós somos o máximo da ignorância e somos felizes assim. E se possível queremos outro Holocausto, do jeito que o Hamas quer. Ao mesmo tempo, com certeza, queremos paz. É assim que entendemos a paz.

Israel é onde os ancestrais dos judeus viveram, estudaram e trabalharam. Os judeus precisam viver lá não apenas livres de massacres, mas também para estudarem à luz de seus ancestrais, que introduziram o que está entre as primeiras leis de justiça social após o código de Hamurabi. Está tudo lá, basta ler. Pagar o dia trabalhado ao anoitecer. Não cozinhar o cordeiro no leite da mãe. Não roubar. Não matar. Há muito mais. Essas são as verdadeiras mensagens de liberdade.

Os judeus são o povo nativo de Israel, eles estenderam a mão da paz aos palestinos e a outros muitas vezes, e foram rejeitados. Você se defenderia de ataques com foguetes, por qual razão eles não deveriam se defender também? Israel não tem porque se desculpar.

Há uma crença popular de que o antissemitismo não foi estimulado na Turquia até que o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), islamista, subiu ao poder em 2002. Mas se olharmos com mais atenção a vida dos judeus na Turquia moderna fica claro que se trata de um mito. A verdade é que ser judeu na Turquia, ao que parece, significa ter sido exposto a mais de 90 anos de discriminação sistemática, inclusive pogroms, assimilação forçada além de proibições de falar seu idioma nativo.

Em 21 de novembro de 2014, o MEMRI (Middle East Media Research Institute Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio) publicou um despacho oficial que não pode deixar de ser lido intitulado: “O Antissemitismo Atinge Novos Patamares na Turquia: Ameaças Contra Judeus Turcos, Manifestações de Admiração a Hitler, Exortações Para Que Os Judeus Sejam Enviados a Campos de Concentração, Os Judeus Deveriam Pagar Um “Tributo Especial”.

“Ao mesmo tempo em que o Presidente Erdogan negava, em seu discurso de 22 de setembro de 2014 no Conselho de Relações Exteriores, que ele ou seu governo eram antissemitas”, o despacho dizia que “membros de seu partido em casa estavam tuitando elogios a Hitler e que lojas em Istambul exibiam letreiros dizendo “Entrada Proibida de Judeus Cachorros”.

Conforme destaca o MEMRI (Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio), é óbvio que no governo do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP em inglês), o antissemitismo na Turquia está atingindo novos patamares. Essa pavorosa realidade não é consequência apenas do AKP islamista, ela também não é a primeira da história da Turquia.

Os judeus já eram enviados aos batalhões de trabalhos forçados em 1941e 1942, obrigados a pagarem tributos especiais entre 1942 e 1944 além de serem obrigados a se assimilarem na Turquia. Eles eram obrigados a se sujeitarem, sistematicamente, a discursos de incitamento ao ódio na imprensa turca, que também desempenhou seu papel no pogrom antissemita de 1934 na Trácia oriental. Com a aplicação da lei do sobrenome, as crianças judias tiveram que mudar os nomes e sobrenomes e adotarem nomes com sons turcos. Ladino, o idioma dos judeus da Turquia também foi proibido pelo regime turco. Desde 1923, quando a república turca foi estabelecida, os judeus vêm sendo sistematicamente discriminados (como também acontece com todas as demais comunidades não-muçulmanas), isso sem falar que os judeus foram privados da liberdade de ir e vir pelo menos em três ocasiões: em 1923, 1925 e 1927.

A república turca foi fundada pelo assim chamado Partido Republicano Popular (CHP em inglês), secular, agora o principal partido de oposição no parlamento turco.

Embora o antissemitismo durante o regime do AKP tenha sido amplamente divulgado pela mídia, o antissemitismo durante e após o período em que foi estabelecida a república turca, foi amplamente ignorado.

Na Turquia o antissemitismo tem uma longa história que acompanha as autoridades estaduais, formadores de opinião, círculos políticos (tanto de esquerda quanto de direita), grupos islamistas e não-islamistas e em especial a mídia. Nenhuma universidade turca possui um departamento de estudos judaicos tampouco sobre o Holocausto. O restabelecimento do estado judeu em 1948 simplesmente trocou o antissemitismo pelo antissionismo, que nada mais é do que um tipo de antissemitismo implícito e hipócrita.

Desde a época da fundação da República da Turquia em 1923 até 1950 quando ocorreram as primeiras eleições nacionais, essas práticas eram desempenhadas pelos governos não-islamistas do Partido Republicano Popular (CHP), que estabeleceu o estado turco.

É impossível citar todos os incidentes antissemitas ocorridos na Turquia em um único artigo, mas uma breve cronologia dos acontecimentos mais importantes em relação aos judeus ajudaria a compreender que tipo de vida os judeus eram obrigados a suportar durante décadas naquele país.

Antissemitismo Tradicional na Mídia Turca

A historiadora Ayse Hur, fundamentada em textos bem abrangentes do estudioso independente Rifat Bali, reconta algumas campanhas antissemitas da imprensa turca durante as primeiras décadas da república turca.[1]

Em janeiro de 1923, os jornais a Voz Turca (Türk Sesi) e a Terra Queimada (Yanık Yurt), publicados na província de Izmir, convocaram comerciantes turcos a lutarem contra a “ameaça imoral e sórdida dos judeus”. As chamadas alegavam que os judeus eram o celeiro de germes na Turquia, principalmente em Izmir. Logo em seguida a revista satírica Akbaba, engrossou o coro publicando uma série de artigos com títulos chamativos como “você não sabia que você não deveria fazer negócios com os judeus”, e “devemos permitir que esses germes vivam entre nós”?

Em dezembro de 1925, após a disseminação de boatos de que pelo menos 300 judeus teriam enviado um telegrama de felicitações pelas comemorações pela passagem do 435º aniversário da descoberta da América por Colombo, foi iniciada uma campanha antissemita nos principais jornais turcos. Os artigos publicados se referiam aos judeus como “mal-agradecidos” e “parasitas que se aderem às costas do país” sugerindo que a solução seria seu exílio. Alguns, instigados pelos artigos, assassinaram um jovem judeu e atacaram a sinagoga na cidade de Kuzguncuk.[2] Agora, se o dito telegrama existiu, ninguém sabe.

Em janeiro de 1937, as ondas fascistas e nacional-socialistas da Europa chegaram à Turquia: Um escritório de informações alemão foi aberto em Istambul. Os jornais Türkische Post e o Cumhuriyet (A República) começaram a difundir a propaganda nazista.

Em agosto de 1938 o governo emitiu o decreto nº 2/9498 que rezava o seguinte: “os judeus expostos a pressões em termos de condições de vida e de movimentação em seus países natais, estão proibidos de entrarem e morarem na Turquia independentemente da sua religião atual”. Vinte e seis funcionários judeus da Agência de Notícias da Anatólia, na época a única agência de notícias oficial da Turquia, foram demitidos. Houve um espantoso crescimento no número de artigos e caricaturas em jornais e revistas que consideravam as minorias, principalmente os judeus, responsáveis pelos problemas que a Turquia estava passando.

Em 28 de dezembro de 1939, um terremoto de grandes proporções atingiu a província de Erzincan na Turquia matando dezenas de milhares de pessoas. Assim que souberam do terremoto, as comunidades judaicas de Tel-Aviv, Haifa, Buenos Aires, Nova Iorque, Genebra, Cairo e Alexandria angariaram fundos e vestimentas delas mesmas e as enviaram para a Turquia. Em vez de agradecimentos, os artigos e caricaturas ridicularizaram o gesto e ainda aventaram a possibilidade de más intenções.

Em 1948 quando os judeus quiseram ir para o recém criado Estado de Israel, a Turquia e a mídia controlada pelo estado, que anteriormente tinham feito de tudo que estava em seu poder para que os judeus fugissem da Turquia, agora se referiam àqueles que queriam emigrar como “traidores”.

Códigos Ancestrais de Armênios, Gregos e Judeus

Pesquisas realizadas pelo jornal Radikal e entrevistas com autoridades revelaram a saga de um século de discriminação na Turquia. De acordo com as revelações do jornal Radikal, a Turquia vem designando códigos secretos às comunidades armênias, gregas, judaicas, siríacas e demais minorias não-muçulmanas desde o estabelecimento da república turca. A Superintendência Populacional da Turquia codifica os gregos com o número 1, armênios 2 e judeus 3.

“Trata-se de um escândalo que deveria abalar os fundamentos da Turquia, mas o país está por demais ocupado com sua própria agenda,” segundo Orhan Kemal Cengiz, um advogado que trata de direitos humanos e colunista do Al Monitor.

“Dada a história da Turquia, cheia de práticas desleais em relação aos não-muçulmanos, talvez a importância desse escândalo possa ser melhor compreendida por meio de uma comparação. Imagine que se os judeus na Alemanha de hoje fossem identificados secretamente através de uma codificação do governo alemão e que isso viesse a público. Isso se desdobraria em terremoto político de tal magnitude a ponto de abalar o sistema político alemão até as suas raízes. Em contrapartida, o escândalo na Turquia permaneceu no noticiário por apenas alguns dias, em poucos jornais”.

Leis que excluíam judeus e outros não-muçulmanos de determinadas profissões

Já no início de 1923 e 1924 as empresas estrangeiras e bancos eram obrigados a contratar somente cidadãos muçulmanos/turcos e demitir não-muçulmanos. Gregos, judeus e armênios foram demitidos sem receberem o pagamento.

Em 24 de janeiro de 1924, “ser turco” se tornou um requisito para trabalhar como farmacêutico, de acordo com uma nova lei que regia os farmacêuticos.[3]

Em 3 de abril de 1924, de acordo com a nova lei que regia os advogados, 960 advogados foram avaliados no quesito bons costumes. Em consequência da avaliação, licenças de trabalho de 460 advogados foram canceladas. Dessa forma, 57% dos advogados judeus e três a cada quatro advogados gregos e armênios perderam o direito de trabalhar.[4]

No artigo 4º da lei 1926 que trata dos servidores públicos, foi decretado que somente “turcos” poderiam trabalhar em instituições públicas. A lei abrangia todos os funcionários de instituições públicas, de motorneiros a estivadores. Por conta dessa lei milhares de não-muçulmanos perderam o emprego.

Em 1928, novas leis sobre requisitos para que determinados trabalhos pudessem ser exercidos entraram em vigor. De acordo com as leis, somente cidadãos “turcos” poderiam ser médicos, dentistas, parteiras, enfermeiras e assim por diante.

Os “cidadãos turcos”, nessas leis se referiam somente aos “turcos étnicos”. Portanto para poder exercer essas profissões era necessário não apenas ser muçulmano, mas também “turco étnico”.

Em 22 abril de 1926, depois que a lei que tornava o idioma turco o único idioma a ser usado para correspondências comerciais entrar em vigor, os não-muçulmanos que trabalhavam em instituições administrativas e não eram fluentes no idioma turco, foram demitidos.

Em 11 de junho de 1932, o parlamento turco promulgou a lei nº 2007, que proibia estrangeiros de exercerem uma série de profissões. A lei rezava[5]:

os cargos e serviços mencionados abaixo poderão ser exercidos somente por cidadãos turcos. É proibido a todos aqueles que não são cidadãos turcos trabalharem nos seguintes cargos e serviços:

a) vendedor ambulante, músico, fotógrafo, cabeleireiro, barbeiro, compositor; corretor de imóveis, fabricante de roupas, chapéus e sapatos, operador na bolsa, vendedor de produtos sob monopólio estatal, tradutor, guia, trabalhador da construção, trabalhos em madeira e ferro, trabalhar temporária ou permanentemente em veículos públicos, trabalhar nos setores de abastecimento de água, iluminação, correio e telecomunicações, carregamento e contratação (em navios), motorista ou assistente de motorista, assistente em geral, vigia, zelador ou maitre em qualquer empresa, negócio, hotel ou firma, trabalhar em hotéis, motéis, banhos públicos, cafés, garçom em clubes, salões de dança ou pubs, dançarino(a) ou cantor(a) em pubs.

b) ser vegetariano ou químico.

A “lei de ocupações” foi a lei mais radical do governo kemalista depois da proclamação da nova república em 1923.

As proibições empregatícias também foram um grande obstáculo para os refugiados exilados da Alemanha. Eles tentavam encontrar trabalho que não eram proibidos ou fazer uso de brechas legais. Alguns, em especial as mulheres, recebiam autorizações de residência permanente se casassem com turcos. Se as autoridades turcas descobrissem que os casamentos eram de “fachada” as mulheres corriam o risco de serem deportadas.[6]

“Cidadão, Fale Turco!” Campanha, Proibições contra o Idioma Ladino e Assimilação Forçada

Em 13 de janeiro de 1928, a união dos estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Otomana (hoje Universidade de Istambul) lançou uma campanha para proibir o uso em público de todos os idiomas menos o turco.

Os organizadores da campanha afixaram pôsteres em diversas cidades da Turquia com o slogan “Cidadão, fale turco!”. Alguns cartazes proclamavam “não podemos chamar de turco aqueles que não falam turco” ou “Fale turco ou deixe o país”! Centenas de pessoas foram assediadas em público, multadas ou presas, com total apoio do governo.[7]

Isil Demirel, antropologista turco, examinou o processo através do qual o idioma turco substituiu o ladino como a língua dos judeus sefarditas na Turquia.[8] “Os judeus foram submetidos a enormes pressões durante a tentativa de difundir o idioma turco nos anos de 1920”, segundo ele. “Uma vez que o idioma turco começou a ser usado pelos judeus no lugar do ladino, também começaram a emergir diferenças culturais entre a velha geração que usava o ladino como língua materna e a nova geração que foi criada com o idioma turco. Ladino, idioma que está morrendo na Turquia de hoje, é usado somente pelos judeus com idade acima dos 50 anos e incorpora uma cultura antiga e enraizada”.

Demirel cita um judeu sefardita que passou pela campanha “Cidadão, Fale Turco”! que diz o seguinte: “quando se falava duas palavras em espanhol (ladino) naquela época, eles imediatamente levantavam as mãos. Ei Madame, Monsieur! Cidadão, fale turco!, gritavam eles, alguns ostentavam cassetetes para intimidar”.

Em outra campanha de assimilação forçada, em novembro de 1932, todos os judeus da província de Izmir foram obrigados a assinar um acordo no qual se comprometiam a “abraçar a cultura turca e falar o idioma turco”. A mesma campanha foi seguida pelas províncias de Bursa, Kiklareli, Edirne, Adana, Diyarbakir e Ancara. Os jornais estavam lotados de relatos sobre meninas judias (e armênias) que estavam se convertendo, em grupos, ao islamismo.

Pogroms Antissemitas de 1934 na Trácia Oriental

Os pogroms, de 21 de junho de 1934, ocorreram nas províncias de Tekirdag, Edirne, Kirklareli e Canakkale na Trácia Oriental, eles foram instilados pelos artigos escritos pelos autores pan-turcos Cevat Rıfat Atilhan e Nihal Atsız. Os pogroms começaram com um boicote aos negócios de judeus, sendo seguidos por ataques físicos contra edifícios de propriedade de judeus, que primeiramente foram saqueados e em seguida incendiados. Judeus foram espancados, atacados, sendo que algumas mulheres judias, segundo se informa, estupradas.

Aterrorizados, mais de 15.000 judeus fugiram da região. Intimidações antissemitas contra as comunidades judaicas em escolas, mercados e instituições estaduais, mesmo depois dos pogroms, continuaram acontecendo. Uma circular “confidencial” enviada pelo escritório central do CHP, no poder na época na Trácia Oriental, também revelou que o governo tinha, no mínimo, avalizado os pogroms.

A Turquia durante o Holocausto

Durante o Holocausto a Turquia abriu suas portas a pouquíssimos judeus e refugiados políticos. Tentativas de muitas personalidades famosas ou organizações judaicas para que a Turquia aceitasse mais refugiados judeus não deram em nada. Esta é a razão pela qual a Turquia não consta das estatísticas de países para onde os judeus se refugiaram.[9]

Em 1937, a Turquia tomou medidas para impedir a imigração de judeus. Quando o número de refugiados judeus aumentou rapidamente em 1938, a Turquia promulgou duas leis que proibiram todos aqueles sem passaporte ou documentos de cidadania de entrarem e se estabelecerem na Turquia. As leis não estavam abertamente relacionadas aos judeus. Mas atrás delas estava a realidade de que a Alemanha e outros países tinham cancelado os direitos de cidadania dos judeus. Em 29 de agosto de 1938 o governo turco emitiu um documento com as diretrizes para impedir que os “judeus cujos direitos foram limitados em seus países” entrassem na Turquia.[10]

Tragédias dos Refugiados Judeus

Os historiadores Corry Guttstadt e Rifat Bali relatam as tragédias dos refugiados judeus que tentavam fugir da perseguição nazista e chegar em Israel, sua pátria histórica, durante o Holocausto.[11]

Em 8 de agosto de 1939, a embarcação Parita, tinha que atracar na província de Izmir, devido a alguns problemas pelos quais estava passando enquanto trazia 800 judeus refugiados da Alemanha, Polônia e Tchecoslováquia para a terra de Israel (na época sob mandato britânico, chamada Palestina). Os refugiados judeus ficaram por uma semana na costa de Izmir sem carvão, água ou alimento. Foi negado um ancoradouro ao navio no porto e o capitão foi finalmente forçado, sob ameaças da polícia turca a seguir viagem.

As revistas satíricas turcas como a Karikatür e a Akbaba ridicularizaram os refugiados judeus que procuravam refúgio pelo mundo afora em vão. A caricatura na capa da revista Akbaba de 24 de agosto de 1939, mostrava os refugiados judeus no Parita. A legenda mostra um dos judeus dizendo: “estamos com fome e sem dinheiro. Pelo amor de Deus, deixe-nos desembarcar por cinco minutos para ficarmos ricos”. Após a embarcação deixar a costa de Izmir, o jornal semi-oficial Ulus dizia: “os judeus que estavam perambulando por aqui finalmente se foram”.

Em 6 de dezembro de 1940, um navio com o nome de Salvador, indo para a terra de Israel de Varna na Bulgária, chegou em Istambul com 327 judeus tchecos e búlgaros a bordo. O Salvador foi forçado a seguir para alto mar em 12 de dezembro apesar do mau tempo, para finalmente afundar devido a uma forte tempestade na costa de Silivri no Mar de Marmara. Como consequência, 204 pessoas se afogaram entre elas pelo menos 70 crianças.

Em 15 de dezembro de 1941, o navio Struma, em um empreendimento para salvar 769 judeus romenos do extermínio alemão, zarpou do porto de Constanza com o intuito de levá-los à terra de Israel, tentou primeiramente aportar em Istambul. O navio não estava apenas superlotado, mas também sem condições de seguir viagem por um defeito nas máquinas. Um banner com os dizeres “Salvem Nos” foi afixado no navio. Por 70 dias durante os meses de inverno entre 1941 e 1942, a Turquia não permitiu que ele aportasse, os que estavam a bordo lutavam contra doenças e mortes na costa de Istambul, perto de Sarayburnu. A âncora do navio foi finalmente cortada e o navio amarrado a um barco piloto para ser rebocado para o Mar Negro.

Sem motores, combustível, alimento, água ou remédios, o Struma foi abandonado à própria sorte e rebocado para o alto mar. Em 24 de fevereiro de 1942 ele foi torpedeado por um submarino soviético às 02h00. Somente uma pessoa sobreviveu. Após o incidente o então Primeiro Ministro Refik Saydam declarou: “a Turquia não pode se tornar a casa daqueles que não são aceitos por ninguém”.

Batalhões de Trabalhadores Não-Muçulmanos (1941 a 1942)

Em 22 de abril de 1941, 12.000 não-muçulmanos, inclusive judeus entre 27 e 40 anos foram enviados, sob um sol escaldante, como soldados a campos sem infraestrutura e com falta de água, infestados de mosquitos, umidade, lama o que acabou espalhando a malária. Os soldados também conhecidos como “as Vinte Classes”, não receberam armas. Eles foram forçados a usarem roupas de lixeiros e a trabalharem por horas intermináveis, sendo insultados e ridicularizados como “soldados infiéis”. Até cegos e deficientes físicos foram convocados. Eles foram forçados a trabalharem sob condições terríveis, em lugares como construção de túneis em Zonguldak e construção do Parque da Juventude em Ancara. Era trabalho pesado, como quebrar pedras e rochas e construção de rodovias nas províncias de Afyon, Karabuk, Konya e Kutahya. As “Vinte Classes” foram dispensadas em 27 de junho de 1942.[12]

“Devido às péssimas condições de trabalho houve mortes e doenças entre os convocados” segundo relato do especialista em assuntos turcos Ruben H. Melkonyan.

O ponto de vista predominante e amplamente difundido sobre a matéria era de que, ao querer participar da Segunda Guerra Mundial, a Turquia reuniu todos os não-turcos não-confiáveis considerados “quinta coluna” em potencial, segundo Melkonyan.

A Lei do Imposto Patrimonial (1942 a 1944)

Em 11 de novembro de 1942, o governo liderado pelo então Primeiro Ministro Sukru Saracoglu, promulgou a lei do Imposto Patrimonial, cujo objetivo declarado era o de superar problemas econômicos que emergiram durante a Segunda Guerra Mundial. 87% dos contribuintes eram não-muçulmanos.

“A verdadeira razão do Imposto Patrimonial era a de eliminar os não-muçulmanos da economia, de acordo com Basak Ince, professora assistente de ciência política.[13]

Os contribuintes foram divididos em quatro grupos separados de acordo com o background religioso:
1.M para muçulmanos,
2.G para não-muçulmanos,
3.E para estrangeiros,
4.D para convertidos.

O montante dos tributos a serem pagos pelos comerciantes armênios era de 232%, pelos comerciantes judeus 179% e pelos comerciantes gregos 156%. Apenas 4.94% dos muçulmanos turcos tiveram que pagar o imposto patrimonial. De modo que os que mais sofriam eram os não-muçulmanos como os judeus, gregos, armênios e levantinos, recaindo sobre os armênios a tributação mais pesada.

O pesquisador turco Ridvan Akar se refere ao imposto patrimonial como genocídio econômico contra as minorias. [14]

A lei também foi imposta sobre não-muçulmanos pobres, como motoristas, trabalhadores e até mendigos, enquanto seus colegas muçulmanos não tinham que pagar nada. Não-muçulmanos tinham que pagar os impostos em 15 dias, em dinheiro. Aqueles impossibilitados de pagar eram enviados a campos de trabalhos forçados na Anatólia oriental.

“E aqueles impossibilitados de pagar foram enviados a um campo em Askale, perto de Erzerum, região mais fria que Moscou no inverno, onde foram obrigados a trabalhar quebrando pedras e rochas”, segundo relata o autor Sidney Nowill.[15]

A historiadora Corry Guttstadt, em seu livro Turkey, the Jews, and the Holocaust (Turquia, os judeus e o Holocausto), escreve que “embora a lei estipulasse que pessoas acima de 55 anos estavam isentas do trabalho, homens de 75 e de 80 anos, até doentes eram arrastados para a estação ferroviária e deportados”.

Esses tributos arruinaram as vidas e as financias de muitas famílias não-muçulmanas, houve inúmeros suicídios de não-muçulmanos em Istambul. “Alguns cometeram suicídio em desespero”, segundo Guttstadt.

Das pessoas que foram enviadas aos campos de trabalho, 21 morreram lá mesmo, o governo turco confiscou seus bens e os vendeu a muçulmanos turcos a preços irrisórios.[16] “O Imposto Patrimonial foi suspenso em março de 1944, devido à pressão da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos”, segundo Ince.

Assassinatos e Julgamentos Injustos

Em 17 de agosto de 1927, Elza Niyego, uma judia de 22 anos, foi esfaqueada até a morte por Osman Ratip Bey, casado, de 42 anos, que a pediu em casamento, mas ela não aceitou. O corpo dela foi deixado na rua por três horas. A mãe de Elza foi impedida de cobrir o corpo de sua filha, uma ordem que despertou uma enorme comoção na comunidade judaica. A multidão que se aglomerou no funeral em 18 de agosto gritava as seguintes palavras de ordem: “Queremos Justiça”! Depois do funeral, cujo número de participantes foi estimado entre 10 e 25 mil pessoas, o jornal Cumhuriyet (República) iniciou uma intensa campanha antissemita. O Cumhuriyet e outros jornais destacavam manchetes que se referiam aos judeus como “os ingratos” ou “os arrogantes”.

No final do julgamento o assassino Osman Ratip Bey foi enviado a um hospício e não para a prisão. Nove judeus e uma testemunha russa do assassinato foram trazidos ao tribunal pelo “insulto turcalhada” resultando em quatro encarceramentos. E mais uma vez a liberdade de ir e vir dos judeus na Anatólia foi negada pelo governo em 29 de agosto de 1927.

Em 30 de janeiro de 1947 todos os membros de uma família judaica de sete pessoas foram encontrados mortos nas redondezas de Kendirli na província de Urfa. A comunidade judaica de Urfa foi considerada responsável pelo assassinato e todos os judeus do sexo masculino foram presos. Do começo ao fim dos julgamentos a população de Urfa boicotou os judeus. Os judeus que foram presos foram libertados três anos depois, mas os judeus de Urfa tiveram que deixar a cidade.

Judeus na Turquia de Hoje:

os judeus na Turquia, mesmo nos governos kemalistas, não-muçulmanos, ficaram expostos, por décadas, à discriminação sistemática. Hoje, sob o governo islamista, eles estão se sentindo inseguros e ameaçados novamente. Muitos da comunidade judaica da Turquia estão saindo do país ou planejando sair, segundo um artigo escrito por um importante homem de negócios da comunidade em dezembro de 2014 para o jornal judaico Salom de Istambul. Mois Gabay, profissional do segmento de mercado de turismo, escreve o seguinte ao se referir ao assassinato do jornalista turco-armênio Hrant Dink em 2007: “nos defrontamos com ameaças, ataques e assédio todos os dias. A esperança está se esvaindo. É necessário que um Hrant seja baleado para que o governo, a oposição, a sociedade civil, nossos vizinhos e juristas enxerguem o que está acontecendo”?

Gabay acrescenta que um número cada vez maior de judeus turcos está planejando mudar juntamente com a família para outro país: “Aproximadamente 37% dos formados no ensino médio da comunidade judaica na Turquia preferem cursar o ensino superior no exterior… Esse número dobrou se comparado com anos anteriores”.

Não são só estudantes que estão começando a pensar em construir uma vida no exterior para suas famílias e filhos, segundo Gabay, mas também jovens empreendedores: “na semana passada, quando eu conversava com dois de meus amigos em ocasiões diferentes, a conversa mudou para as perspectivas de mudarmos para outro país. Em outras palavras, minha geração também pensa mais em sair do país”.

Quando o antissemitismo vira antissionismo

Se existisse um estado judeu quando toda essa perseguição estava acontecendo, os judeus teriam ido para lá em caso de necessidade.

Se existisse um estado judeu antes do Holocausto, os judeus europeus teriam um lugar para se refugiar. Se eles tivessem forças armadas, poderiam ter se defendido dos nazistas.

Depois de toda essa perseguição e discriminação contra os judeus, a tradição antissemita da Turquia ainda continua. Em 2005, o livro Mein Kampf, de Adolf Hitler, se tornou um best-seller na Turquia após ser publicado por 13 editoras.

Casas de judeus em construção em Israel não são obstáculos à paz. O único obstáculo à paz é o ódio dos vizinhos de Israel.

Uzay Bulut, muçulmana de nascença, é uma jornalista turca estabelecida em Ancara.

[1] Hur, Ayse , 8 de fevereiro de 2009, “Isolated (!) Incidents of Anti-Semitism.” jornal Taraf. Taraf Newspaper.
Bali, Rifat (1999). Turkish Jews in the Republican Years – An Adventure of Turkification (1923-1945). Iletisim Publishing House.
Bali, Rifat (2001). The Children of Moses, The Citizens of the Republic. Iletisim.
Bali, Rifat (2004). The Jews of the State and the “Other” Jew. Iletisim.

[2] Ibid

[3] Hur, Ayse, 22 de janeiro de 2012, “The ‘minority report’ of the Republic.” jornal Taraf. Taraf Newspaper.

[4] Ibid

[5] Yabancılara Çalışma Yasağı

[6] Ibid

[7] Bali, Rifat (1999). Turkish Jews in the Republican Years – An Adventure of Turkification (1923-1945). Iletisim Publishing House. Ince, Basak (2012). Citizenship and Identity in Turkey: From Atatürk’s Republic to the Present Day. I. B. Tauris.

[8] Demirel, Isil (2011). “Ladino: Turkey is Forgetting a Language.” Atlas Magazine. Atlas Magazine.

[9] Türkiye’de Sürgün

[10] Ibid

[11] Guttstadt, Corry (2013). Turkey, the Jews, and the Holocaust. Cambridge University Press. Bali, Rifat (2004). The Jews of the State and the “Other” Jew. Iletisim.

[12] Bali, Rifat (2008). The Twenty Classes: The Episode of Military Service of Non-Muslims during the Second World War. Iletisim Publishing House.

[13] Ince, Basak (2012). Citizenship and Identity in Turkey: From Atatürk’s Republic to the Present Day. I. B. Tauris.

[14] “Report: The law that coveted the ‘wealth’ of minorities,” by Zeynep Ozakat, Milliyetnewspaper, 15/12/2009.

[15] Nowill, Sidney E. P. (2011). Constantinople and Istanbul: Constantinople and Istanbul: 72 Years of Life in Turkey. Matador.

[16] Ince, Basak (2012). Citizenship and Identity in Turkey: From Atatürk’s Republic to the Present Day. I. B. Tauris.

Por Uzay Bulut

http://pt.gatestoneinstitute.org/5265/judeus-turquia-discriminacao